A Virtude do Demônio

Volume 2 - Capítulo 61

A Virtude do Demônio

— Paa… pa! — Avalin exclamou alegremente enquanto agarrava o dedo de Eiro com mais força, e o Diabrete olhou para os outros confuso. Especialmente Nelli parecia estar bastante surpresa, embora as crianças estivessem basicamente comemorando o fato de que Avalin apenas ‘falou!’

— O que é isso… Aquela que pretende banir todos os demônios… acabou de chamar um Demônio de “Papa”? — A Náiade perguntou enquanto flutuava bem ao lado de Jura, que estava apenas recostado na cadeira com um sorriso leve satisfeito. Mas isso ainda não ajudou Eiro a ter a coisa mais importante que ele precisava saber respondida…

— O que “Papa” significa? É como aquele pássaro “papagaio” sobre o qual li? — O Diabrete perguntou, fazendo Jura rir baixinho enquanto balançava a cabeça.

— Claro que não, seu palhaço. “Papa” significa “Papai”’. A criança vê você como pai. Acho que todas aquelas histórias que você leu para elas a fizeram lembrar da palavra. — Jura explicou rapidamente, antes de Eiro olhar de volta para Avalin, incerto sobre como deveria reagir a isso.

— Obrigado? — Ele perguntou com a cabeça inclinada para o lado, antes de ouvir um tapa ao lado dele enquanto Sammy batia na própria testa novamente.

— Tem alguma coisa errada? — Eiro perguntou, mas Sammy apenas balançou a cabeça.

— Não, não tem nada errado… É exatamente assim que meu pai teria reagido… de qualquer forma, agora só Leon precisa falar! — Ela exclamou, tentando levar a conversa para uma direção diferente, e o Diabrete assentiu enquanto olhava para a outra criança dormindo bem ao lado de Avalin. Tudo o que ele fazia era dormir, na verdade.

Quando todos estavam sentados ao redor deles esperando que engatinhassem, Avalin conseguiu fazê-lo primeiro e todos ficaram tão animados que Leon acordou de seu cochilo e rapidamente engatinhou em direção ao berço em uma velocidade de campeão mundial.

Mas parecia que dessa vez, Leon não iria simplesmente falar e mandar eles ficarem quietos como Eiro esperava que ele fizesse, simplesmente porque seria muito divertido, então o Demônio simplesmente se virou para o garoto gordinho ao lado dele, que estava lentamente retornando para a cozinha para verificar o ensopado.

— Rudy, eu peguei um Coelho Chifrudo hoje. Do tipo Chifre-Espinhoso. — O Diabrete apontou, e imediatamente as crianças olharam para ele com expressões famintas. — Coelho Chifrudo? Hoje de todos os dias…? N-Não podemos comer isso junto com o ensopado dessa vez…? — Arc perguntou com um sorriso curioso, embora soubesse qual seria a resposta.

— A carne que sobrou será transformada em Carne Seca, então não. Rudy já usa muita carne no ensopado, sabia? Eu só estava dizendo a ele por causa do sangue. — Eiro respondeu bem claramente, e o jovem Chefe começou a rir.

— Não se preocupe, acho que posso fazer um pouco de linguiça de sangue de coelho? Havia uma receita no novo livro de receitas que Eiro me trouxe… E você mencionou algo sobre defumar, certo? Isso deve fazê-los durar mais também…? Certo? — O garoto perguntou, ainda tão inseguro em suas decisões como sempre, e como o próprio Diabrete também não sabia muito sobre isso, ele rapidamente se virou para Jura, que assentiu com a cabeça e suspirou.

— Mhm… Você pode usar um pouco da madeira que sobrou da minha última viagem à floresta… Deve dar um sabor agradável. — Jura respondeu, e Eiro assentiu com a cabeça em resposta.

— Obrigado. — Ele disse, e o velho levantou as sobrancelhas com um pouco de curiosidade.

— Falando nisso… algum Progresso? — O velho perguntou, mas o Diabrete apenas encarou de volta com um olhar que dizia tudo. Mas como Jura era cego, ele obviamente tinha que dizer isso em voz alta.

— Até onde eu percebi, não. Só o que consigo fazer é deixar minha mana fluir através dela, mas não há mais nada desde que isso aconteceu pela primeira vez. — Eiro apontou, e Jura lentamente assentiu com a cabeça enquanto segurava o queixo com a mão por um momento.

— Eu tenho uma ideia. Acho que em vez de deixar você repetir algo que não funciona, deveríamos dar uma pausa nisso e simplesmente fazer você me ajudar com algumas coisas. — Jura sugeriu e lentamente se levantou, fazendo altos gemidos para exagerar a dor que estava sentindo nos joelhos e costas como sempre, e então andou em direção à porta, enquanto Eiro olhava para ele, surpreso.

— Com o que você precisa da minha ajuda? — Ele perguntou, levemente desconfiado.

Desde que chegou aqui pela primeira vez, sua rotina diária tem sido exatamente a mesma coisa repetidamente. Ele saía para a floresta para caçar ou coletar, meditar e então continuar a caçar ou coletar. Então, a cada duas semanas, Eiro ia para a cidade próxima para pegar coisas diferentes, e uma vez por mês, e sempre durante o intervalo de duas semanas em que Eiro estava em casa, Jura saía por aproximadamente três a quatro dias e então retornava sem falar sobre o que aconteceu durante a viagem por um momento sequer.

Era bem estranho que Jura estivesse mudando essa rotina de repente, pelo menos do ponto de vista do Diabrete.

— Só venha comigo para fora, eu explico no caminho. — Jura disse com um suspiro enquanto vestia sua jaqueta e sapatos. Eiro fez o mesmo e depois se virou para as crianças enquanto abria a porta.

— Não saiam, e tenham cuidado até voltarmos. — O Diabrete disse, e as crianças apenas assentiram, descartando isso como algo natural depois de todas as vezes que já ouviram isso antes do Diabrete sair. Devagar, ele e Jura desceram a colina, pelo caminho congelado que Eiro realmente não gostava. Mas, felizmente, por causa da proficiência de Jura com Magia de Água, ele conseguiu se livrar de todo o gelo na frente deles sem nenhum problema.

— Você se lembra de três meses atrás? Teve um dia em que eu fiquei fora da meia-noite à meia-noite, o dia inteiro. Isso foi porque eu estava saindo para cumprimentar uma Dama muito especial. Esta floresta é bem especial, sabe. O Fluxo da natureza é forte e sempre presente. Uma das coisas que torna esta floresta tão especial é o aparecimento das quatro Damas. — Jura explicou em uma voz clara, embora baixa, antes que o Diabrete levantasse as sobrancelhas surpreso.

— Quatro Damas? Uma Dama é uma Mulher Adulta, certo? Deve haver mais de quatro delas… — Ele murmurou baixinho, fazendo o velho ao lado de Eiro rir em resposta.

— Claro, claro. Mas neste caso, “Quatro Damas” se refere às Damas das Estações. Três meses atrás, eu cumprimentei a Dama Outono, como eu faço toda vez. Amanhã, a Dama Inverno aparecerá nesta floresta, e eu desejo que você a cumprimente comigo e a leve para a cidade. — Jura explicou, e o Diabrete apenas se virou para ele, curiosamente.

— Levá-la para a cidade? Por que precisamos trazê-la para lá? — Ele perguntou, e Jura suspirou profundamente.

— Você nunca deu uma olhada na praça central? Aquela cidade foi fundada somente para servir as quatro Damas. Elas são retratadas como estátuas lá. Há muito tempo, recebi a tarefa de liderar as Damas, então é isso que estou fazendo.

— Entendo… — Eiro respondeu friamente enquanto olhava ao redor, tentando descobrir para onde exatamente estavam indo naquele momento, embora tenha ficado bastante surpreso ao vê-los parar em frente a uma simples pedra.

— Ah, aqui estamos. Musgo-Lavanda Fresco. — O velho murmurou enquanto sentia o cheiro do ar, enquanto Eiro apenas olhava confuso para a rocha coberta de neve.

— Musgo-Lavanda? — O Diabrete perguntou, antes de Jura mais uma vez assentir em resposta. — Sim, é o que está crescendo rosa-púrpura embaixo daquela neve. É uma das coisas de que precisamos. Então pegue o máximo que puder, e então continuaremos.

Com uma leve carranca, Eiro assentiu e empurrou a neve para longe com sua mão de madeira para procurar o que estava crescendo que Jura mencionou, e então simplesmente o puxou quando o encontrou, dobrando-o como um pedaço de pano antes de colocá-lo no braço, já que ele não tinha uma bolsa com ele.

Parecia bem resistente por algum motivo, então Eiro imaginou que ficaria bem assim.

— A seguir, estamos procurando por Bagas Élficas. Elas crescem em arbustos por aqui, embora sejam brancas e, portanto, difíceis de encontrar na neve. — Jura explicou em seguida.

E enquanto Eiro seguia Jura por algumas horas, ele descobriu o quão pouco sabia sobre essa floresta, mesmo depois de passar dia após dia dentro dela. Ele nunca sequer leu sobre nenhuma das plantas ou frutas que eles coletaram hoje.

No final, eles só voltaram para casa quando o sol também se pôs, embora isso estivesse acontecendo muito, muito cedo ultimamente.

— Certo — Jura disse assim que os dois retornaram para a casa, abrindo lentamente a porta da frente enquanto ele e Eiro carregavam tudo para dentro. —, pendure algumas dessas coisas para secar acima das chamas feitas com este carvão. Não se preocupe, não vai queimar mais quente do que o toque de uma pessoa — O velho explicou, e Eiro fez o que lhe foi dito e foi em direção à lareira que estava embutida no chão no canto especialmente para ocasiões como essas. Era bem fechada, então toda a fumaça saía pela chaminé sem se espalhar pelo cômodo.

E então, depois que Eiro preparou as coisas que lhe foi dito para secar, ele voltou para o velho, que já estava sentado à mesa, considerando que Rudy estava prestes a servir o ensopado. Isso surpreendeu Eiro, considerando que ele achava que eles deveriam cuidar de todos os preparativos para amanhã, mas, aparentemente, isso não era tão importante agora, afinal?

— Vamos, sente-se! Vamos comer primeiro! O resto é bem fácil de fazer, afinal. — Jura apontou, então o Diabrete apenas assentiu com a cabeça em resposta e sentou-se em seu assento de sempre também, bem entre Arc e Clementine, no lado oposto de Jura.

Eiro realmente não sabia exatamente o porquê, mas estava se sentindo muito nervoso, então ele imaginou que deveria ir em frente e fazer o que fazia todos os dias durante o jantar.

— Status.

***

[Nome: Eiro]

[Raça: Diabrete Acadêmico]

[Nível: 99]

[Vida: 10.500]

[Mana: 12.500]

[Força: 20]

[Constituição: 30]

[Resistência: 20]

[Agilidade: 42]

[Evasão: 20]

[Destreza: 42]

[Inteligência: 79]

[Sabedoria: 52]

[Percepção: 66]

[Força de vontade: 20]

[Carisma: 20]

[0 Pontos de Atribuído Disponíveis]

• Habilidades

[Compreensão da Linguagem Comum (Intermediária) Nv 2; Furtividade (Aprendiz) Nv 58; Açougueiro (Aprendiz) Nv 9; Magia da Água (Aprendiz) Nv 3; Magia do Ar (Aprendiz) Nv 5; Resistência à Energia Sagrada (Aprendiz) Nv 4; Concentração (Aprendiz) Nv 3; Meditação (Aprendiz) Nv 12; Armadilhas (Iniciante) Nv 21; Negociação (Iniciante) Nv 31; Botânica (Iniciante) Nv 47; Maestria com Adaga (Iniciante) Nv 94; Comilança (Iniciante) Nv 19; Resistência à Exaustão (Iniciante) Nv 65; Resistência a Doenças (Iniciante) Nv 41; Resistência ao Frio (Iniciante) Nv 16; Cozinheiro (Iniciante) Nv 83.]

• Bênçãos

[Bênção da Náiade Solitária]

 

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