
Volume 1 - Capítulo 43
A Virtude do Demônio
Lentamente, o Diabrete olhou ao redor, tentando descobrir se havia alguma pista sobre a melhor forma de distrair ou matar os Senhores. Ele não viu nenhum livro sobre Demônios aqui, ou então teria comprado para descobrir mais sobre si, mas talvez o Diabrete pudesse descobrir algo se olhasse com atenção.
E quando ele estava se concentrando em encontrar qualquer pista possível, o Diabrete ouviu um barulho baixo de batidas vindo do interior da loja, atrás de uma velha porta de madeira, que lentamente abriu uma fresta com um rangido baixo.
— Q-Quem está aí? — Uma voz, doentia e paranoica, perguntou, quase imperceptível por causa do volume baixo em que o homem falava, abafado pelo barulho do lado de fora. Se o Diabrete não estivesse concentrado no que estava acontecendo dentro da loja, então ele provavelmente também não teria notado.
Lentamente, o Diabrete virou a cabeça em direção ao olho brilhante que o encarava, antes de ir até a porta para abri-la. Talvez houvesse mais livros lá atrás com esse velho.
— N-Não entre! — O Homem exclamou imediatamente e fechou a porta ao mesmo tempo,
tentando tornar impossível que o Diabrete passasse por ali, mas o Diabrete não tentaria fazer outro demônio abrir a porta para ele novamente, não dessa vez.
Em vez disso, ele simplesmente ficou ali na frente da porta. Ele sabia que o homem continuava lá, ele podia ver sua sombra por baixo, e para que o homem não pudesse ver a do Diabrete, o jovem monstro subiu em cima do balcão.
E enquanto isso acontecia, o Diabrete levou seu tempo para se preparar adequadamente para o que quer que pudesse acontecer depois disso, preparando sua lâmina e seu cartão. Demorou um pouco para o homem pensar que o Diabrete tinha acabado de sair, e quando ele tentou abrir a porta para checar novamente e colocou seu olho para fora entre a porta e seu batente, o Diabrete pulou em direção à fenda da porta, que se abriu e cravou sua adaga bem no olho do homem.
O Diabrete não estava tentando matá-lo daquele jeito, então ele apenas enfiou a ponta da adaga para dentro, e para sua sorte, parece que o homem não morreu.
[Joffrick Johanns -317 Dano]
[Você cegou permanentemente o olho direito de Joffrick Johanns]
Com um leve aceno de cabeça, o Diabrete cortou a notificação flutuando e, enquanto o homem do outro lado da porta caiu no chão de dor, o Diabrete simplesmente abriu a porta e entrou na sala além.
Ele olhou para o homem idoso que estava administrando a loja mais cedo hoje, agora completamente despido e suado, e, claro, também ensanguentado devido às próprias ações do Diabrete. Havia uma pequena cama no canto do quarto, bem ao lado de uma estante com alguns livros de aparência interessante, assim como uma pequena mesa do outro lado da cama.
A cama em si não era nada especial, provavelmente estava em pior estado do que as camas no quarto da pousada em que o Diabrete estava antes. Estava suja, abatida, cortada e o mais importante: estava em um estado horrível agora, por ter uma criança morta em cima dela.
O Diabrete não tinha certeza do que aconteceu ali, mas havia algumas manchas de sangue na parede onde a cabeça da criança estava encostada e, a julgar pelo fato de ainda estar escorrendo um pouco, essa provavelmente era a fonte do baque alto que o Diabrete ouviu antes.
Mas era estranho.
Se ele pensasse em como uma das crianças com quem ele estava antes pudesse estar nesse estado, o Diabrete teria sido tomado por uma raiva indescritível que não poderia ser acalmada nem se toda essa cidade fosse queimada até virar cinzas, e ao olhar para o estado dessa criança aqui, o Diabrete não sentiu nada. Nem tristeza, nem raiva, nada. Esta criança não tinha nada a ver com ele, afinal.
E mais uma vez, o Diabrete se perdeu na área do “E se?”
E se essa FOSSE uma das outras crianças? A jovem que estava deitada ali poderia muito bem ser Sammy ou Clementine, e o que o Diabrete faria então?
E com esses pensamentos, a frustração por ter deixado aquela sombra levá-los embora em primeiro lugar ressurgiu, e ele sabia que algo tinha que ser feito ali e agora para reprimir aquela raiva e frustração.
Lentamente, o Diabrete se aproximou do homem que estava caído no chão de dor, tentando puxar seu corpo em direção à porta, mas o Diabrete o deteve e apenas enfiou sua adaga na parte de trás da perna do homem.
— Preciso de um livro. — O Diabrete disse em uma voz bem clara. Ele estava lá por uma razão, então ele tinha que agir como tal, mas em resposta ao ouvir a voz do jovem monstro, pareceu que o homem idoso se virou para o Diabrete em surpresa.
— E-É você! De h-hoje mais cedo, com aquelas c-crianças! —
O homem exclamou, e com aborrecimento claramente escrito em seu rosto, o Diabrete lentamente começou a girar a adaga em um círculo.
— Eu disse, preciso de um livro, sobre os Senhores. — Com uma voz clara e raivosa, o Diabrete começou a puxar a adaga da perna do homem, lentamente empurrando sua mana para dentro da Pedra Mágica presa ao cabo para deixar a lâmina mais quente, antes de mais uma vez cravar a adaga de volta na perna do homem após perceber que ele estava hesitando.
— Diga-me agora e eu não vou te matar. — O Diabrete disse a ele, e sem um único momento de hesitação, o velho assentiu com a cabeça furiosamente com medo da morte. Ele sabia que esse monstro definitivamente faria algo assim com ele, afinal, o Diabrete já arrancou seu olho e praticamente destruiu sua perna sem um momento de hesitação.
— T-Tem um livro sobre os Senhores na minha estante, o vermelho e-escuro… — Tentando levantar o braço em direção ao livro sobre o qual estava falando, lentamente, o Diabrete foi até lá e subiu nos diferentes segmentos para tentar alcançá-lo, antes de puxar o livro que ele parecia querer dizer.
Após folheá-lo por alguns momentos, o Diabrete logo percebeu que parecia realmente falar sobre eles, então pelo menos esse homem não era um mentiroso. Lentamente, o Diabrete sentou-se na cama, sem se incomodar com a criança morta atrás dele, e começou a ler o livro com extrema concentração, um ato que deixou o velho homem mais do que perplexo, além disso, o homem estava ficando incrivelmente bravo por ser interrompido e atacado assim agora, especialmente quando estava começando ficando bom.
Se o Diabrete estiver apenas sentado ali daquele jeito, então o velho certamente seria capaz de fazer o seu melhor e tentar dominá-lo, certo? Talvez não aparentasse, mas ele estudou com um mago bastante respeitável por alguns anos, e quando ele foi banido daquela cidade e não conseguiu terminar seus estudos, ele foi para um monastério e aprendeu Artes Sagradas Iniciantes. O homem nunca teve um verdadeiro talento para isso, então ele acabou não conseguindo passar do nível de Iniciante, mas com seu conhecimento prévio como aprendiz de Mago, ele ainda tinha um ou dois truques na manga que poderia usar em um demônio fraco e miserável como aquele.
Lentamente, o homem levantou o dedo trêmulo e apontou para o Diabrete, abrindo cuidadosamente a boca para sussurrar algo enquanto o Diabrete estava profundamente imerso no livro.
— Thie Zhur Argor, logris partus requim — O homem murmurou, lentamente desenhando um
círculo de luz fraca no ar enquanto falava. Ele estava repetindo isso várias vezes enquanto
tentava terminar o círculo de luz, e somente quando ele aparentemente terminou, ele disse
outra coisa. — Zuhr Gran.
Com um grande sorriso no rosto, o homem começou a rir alto enquanto o círculo de luz começava a girar em um círculo, encolhendo até virar um único ponto, antes de fazer uma luz brilhante para fora, iluminando completamente a sala inteira, de modo que nem o Diabrete nem o homem conseguiam mais ver nada.
O Diabrete sentiu uma leve queimadura por toda a pele, e certamente havia algum chiado e borbulhamento em algumas partes, mas nada realmente ameaçador, mal causando 300 de dano, e o velho parecia mais do que exausto com isso.
Claramente irritado, o Diabrete se levantou da cama e colocou o livro de lado, lentamente se aproximando do idoso confuso.
— Como voc-você é um Demônio! Nada além de um Diabrete! Como você não morreu?! — O idoso perguntou com raiva, e o Diabrete começou a ranger os dentes e encarou o homem na frente dele. Se ele pudesse usar esse tipo de ataque, talvez ele tivesse algo que pudesse ajudá-lo.
— Qualquer coisa com Energia Sagrada. — O Diabrete murmurou baixinho enquanto sua pele começava a se recuperar do ataque, mas o velho ainda estava muito confuso para entender, então o Diabrete repetiu um pouco mais longamente. — Eu quero qualquer coisa que você tenha que tenha Energia Sagrada. — O Diabrete disse ao homem, que apenas o encarou assustado, movendo lentamente seu último olho bom em direção a uma grande caixa no canto da sala.
Com uma carranca, porque ele simplesmente queria matar esse homem o mais rápido possível, o Diabrete se virou e abriu a caixa lentamente. Só de tocá-la, ele se sentiu um pouco desconfortável. Parecia estar mais ou menos no mesmo nível do pano em volta de sua mão, embora fosse apenas a caixa em si.
O importante era o que havia dentro.
Lentamente, o Diabrete abriu a caixa e, antes que percebesse, foi recebido com um ar que por si só já era bem irritante. Não o machucou nem um pouco, mas fez seus olhos lacrimejarem bastante, e o Diabrete achou isso bem irritante.
O Diabrete lentamente agarrou as diferentes coisas dentro da caixa que poderiam ser úteis para ele. Uma pequena corrente de metal com um ‘X’ na frente de uma superfície em forma de estrela, um pequeno livro que emitia uma sensação bastante desconfortável por si só, um cajado semelhante ao que o homem de antes tinha de onde o Diabrete tirou as pedras mágicas branco-douradas, assim como algumas vestes brancas brilhantes, mais uma vez também iguais às que o Diabrete viu naquele homem antes. Logo após tocar um pouco nessas coisas, o Diabrete já podia dizer que elas seriam mais do que apenas úteis para ele se ele as usasse adequadamente, e imediatamente agarrou o máximo de coisas que pôde e as enfiou em sua bolsa.
E então, com um sorriso no rosto, o Diabrete se aproximou do homem idoso, que estava deitado no chão com medo enquanto era abordado, mas então balançou a cabeça rapidamente enquanto olhava o Diabrete nos olhos.
— V-Você não pode voltar atrás com sua palavra! Você disse que não me mataria-! — O velho
exclamou, mas antes que pudesse terminar sua frase, o Diabrete enfiou sua adaga direto na
bochecha do velho, cortando sua língua antes que a ponta da adaga
voltasse para fora da outra bochecha, e o Diabrete apenas olhou para o homem.
Dizendo apenas três pequenas palavras enquanto fazia isso, inclinando levemente a cabeça para o lado enquanto mostrava seus dentes afiados em um sorriso.
— Desculpa, eu menti.
…