
Volume 1 - Capítulo 22
A Virtude do Demônio
Quando o Diabrete olhou por cima das plantas nas quais estava se escondendo, logo conseguiu avaliar adequadamente a situação. As crianças pareciam estar dormindo na carruagem, e o Homem e a Mulher estavam sentados do lado de fora ao redor de uma fogueira, a mulher tentando cuidar adequadamente de seus ferimentos enquanto o homem olhava para as duas cartas em suas mãos.
Mas parecia que a Mulher também não estava exatamente feliz com isso, porque estava simplesmente fazendo cara feia para o homem em êxtase constantemente.
— Você poderia me ajudar? É difícil fazer isso sozinha… — Ela disse franzindo a testa, e o homem apenas balançou a cabeça sem hesitar.
— Não, tô fora, eu não sou bom com isso — Ele respondeu, continuando a olhar para as cartas com uma expressão extasiada.
— Mas escute, a combinação dessas duas cartas é simplesmente… Insana! Eu sempre tive um valor alto de Agilidade e Destreza, parece que o destino queria que eu me tornasse o ladrão perfeito, afinal, hein? — O homem disse com um sorriso, e devido ao quão alto falava, uma das crianças da carruagem aparentemente acordou e tentou sair para ver o que estava acontecendo.
— Huh? Pirralho, volte a dormir, os adultos estão conversando. — O homem disse carrancudo, mas mais uma vez a mulher não gostou do que ele estava dizendo.
— Não fale assim com as crianças! Elas não fizeram nada! — A mulher falou para ele, mas o homem simplesmente olhou para ela enquanto uma das duas cartas que segurava começou a brilhar, transformando-se lentamente no que pareciam ser quatro pequenas lâminas diferentes, cada uma conectada a quatro anéis na mão do homem por fios finos.
O interessante era que as quatro lâminas não estavam penduradas como o Diabrete esperava, mas em vez disso estavam flutuando no ar, como se os fios servissem apenas para garantir que não voassem longe.
— Cala a boca! — O homem disse franzindo a testa enquanto uma das quatro lâminas se movia na frente do rosto da mulher, enquanto as outras apenas cercavam sua cabeça, girando lentamente ao redor dela.
Assustada, a criança que ainda estava parada na porta da carruagem voltou para dentro e fechou a porta atrás dela, e o Diabrete viu algo ali que parecia relativamente familiar do quarto em que ele e Avalin ficaram hospedados antes.
Uma pequena tábua de madeira estava pendurada ao lado da porta, aparentemente capaz de ser presa na frente da porta por dois ganchos, de modo que não pudesse ser aberta de um lado. As crianças eram chatas, e se ele conseguisse colocar a tábua na frente da porta, nenhuma delas poderia escapar e de repente levar consigo a criança que o próprio Diabrete procurava. Mas para que isso funcionasse, o Diabrete precisava encontrar o momento certo para matar o homem. A mulher não seria um problema, mas o homem era alguém que o Diabrete não queria mais que vivesse.
Felizmente, o homem parecia estar ficando mais cansado com o tempo e poderia adormecer logo, então era um momento bom o suficiente. Bem, pelo menos era isso que o Diabrete estava pensando antes, mas o homem aparentemente teve outra ideia.
Lentamente, usou as quatro lâminas para rasgar as roupas da mulher, sem se importar com os ferimentos que estava causando a ela com isso.
— O-O que você está fazendo?! — Ela perguntou, segurando lentamente os braços na frente do corpo para esconder o peito exposto, embora apenas fazer isso parecesse doer um pouco devido aos ferimentos que o Diabrete lhe causou.
— Que foi? Vamos nos divertir um pouco! — Gard disse com um sorriso no rosto, continuando a rasgar as roupas da mulher até que seu corpo ficasse nu e ela caísse de costas por medo.
— G-Gard, pare com isso! — Ela gritou, mas o homem não a ouviu nem um pouco.
Porém, o Diabrete percebeu algo mais que estava acontecendo, ao qual o homem aparentemente não prestou atenção. A partir dos anéis nas mãos, o homem tinha linhas vermelhas percorrendo o braço, como se estivesse sangrando.
Não parecia nem um pouco bom, mas o resto do corpo do homem também não parecia estar em ótimas condições. Ele parecia histérico, suas pernas tremiam e ele tinha olheiras escuras que não estavam lá quando o Diabrete viu antes.
Mas parecia que este era um bom momento para começar com o que o Diabrete estava planejando, e ele rapidamente correu por entre os arbustos em direção à carruagem, apressando-se para subir o pequeno degrau em frente à porta para alcançar a tábua de madeira, e então rapidamente conseguiu agarrá-la e colocou-a na frente da porta.
E então, com a adaga na mão, o Diabrete virou-se lentamente em direção ao homem e à mulher, ambos fazendo muito barulho. A mulher parecia estar sentindo muita dor, enquanto o homem parecia se divertir muito.
Então, de repente, o homem pareceu ficar com raiva e gritou com a mulher também.
Ela continuou a gritar de medo, mas de repente ficou em silêncio e o homem começou a tentar descobrir o que aconteceu.
— E-Eu não a machuquei, ela fez isso sozinha, ela, ela não deveria ter… — O homem murmurou baixinho enquanto continuava se movendo lentamente como antes, enquanto o Diabrete se aproximava dele por trás.
Ele era um verdadeiro idiota, não era? Este homem basicamente se despiu completamente e expôs facilmente as costas ao inimigo. Então, obviamente, não foi difícil para o Diabrete se aproximar lentamente dele e esfaquear sua adaga em sua nuca.
Mesmo assim, apesar de difícil penetrar até o fim, causou muitos danos ao homem, mais do que o Diabrete jamais conseguiu fazer.
[Ataque crítico contra Gard Henson]
[Você causou 2.314 de Dano em Gard Henson]
O corpo do homem ficou tenso imediatamente em resposta a esse ataque, e as quatro lâminas moveram-se lentamente em direção ao Diabrete, embora quando uma delas tocou a pele do monstro, virou pó. E o Diabrete nem sentiu nada em resposta a isso, foi apenas comparável a uma brisa. Mesmo assim, o Diabrete ficou muito feliz com isso. A arma que o homem usou para atacar o Diabrete antes estava do outro lado da fogueira, e a arma que parecia ainda mais ameaçadora para ele agora era inútil.
E assim, o Diabrete não teve escrúpulos em continuar a atacar. Foram necessários apenas mais três ou quatro golpes para finalizar o homem, e logo, outras notificações apareceram na frente do Diabrete.
[Dano letal causado a Gard Henson]
[Você subiu de nível!]
[Você subiu de nível!]
…
…
…
[Você subiu de nível!]
[Você tem 29 Pontos de Atributo não utilizados]
[Você matou outro proprietário de carta e assumiu a posse de sua carta. Você agora é o Dono da Três de Espada]
[1/14 Cartas do Naipe de Espada adquiridas]
[2/56 Cartas do Pequeno Arcano adquiridas]
[Aptidão com o Elemento Ar aumentou]
[A Habilidade Magia de Ar Iniciante foi Aprendida]
Com uma carranca profunda, o Diabrete cortou rapidamente as notificações, fazendo o sangue que cobria a adaga voar na mesma direção.
E então, após tirar o corpo do homem de cima da mulher, o Diabrete deu uma boa olhada no que estava agora à sua frente. Primeiro, havia a carta que tinha antes, o Ás de Copas, bem como a nova carta que estava ao lado da outra, o Três de Espada.
Após pegar as duas, o Diabrete deu uma olhada no que estava ao seu redor e no que poderia usar mais tarde, notando rapidamente seu saco. A carne dentro estava começando a cheirar estranho, então o Diabrete optou por não levar isso com ele, afinal, tinha duas novas fontes de carne fresca agora, os dois homens que matou antes, e talvez algumas crianças também, dependendo de como tudo acontecesse.
Então, em vez disso, o Diabrete simplesmente tirou todas as coisas brilhantes do saco e colocou no canto até encontrar outro saco para usar.
Mas, por enquanto, o Diabrete queria dar uma olhada na Mulher. E quando olhou, imediatamente fez uma careta em resposta. Havia um corte em seu pescoço, e mesmo que ainda estivesse viva por enquanto, não parecia que aguentaria por muito tempo assim.
Então, novamente, ele realmente precisava dela? Havia muitas crianças na carruagem, então não faria mais sentido perguntar a elas? A minúscula criatura na cesta também deveria ser uma criança, e fazia sentido que uma criança pudesse cuidar melhor de outra criança, afinal, eram iguais.
Então, com pouca hesitação, o Diabrete pegou sua adaga e rapidamente enfiou-a na testa da mulher.
[Dano letal causado a Jasmin Howards]
[Você subiu de nível!]
[Você subiu de nível!]
…
…
…
[Você subiu de nível!]
[Você tem 35 Pontos de Atributo não utilizados]
Mais uma vez, o Diabrete cortou as notificações com sua adaga e então teve que cuidar de outra coisa.
Rapidamente, voltou para a porta da carruagem e a abriu, entrando lentamente no espaço. Parecia que apenas uma das crianças estava acordada no momento, e o Diabrete foi capaz de se mover surpreendentemente silenciosamente, algo que ele mesmo nem esperava, considerando o quão desajeitado costumava ser.
Mas mesmo que o Diabrete tenha sido visto por uma das crianças, ela simplesmente ficou quieta, por puro e simples medo do monstro à sua frente. Lentamente, o Diabrete pegou a cesta com a criança pequena e confirmou que era realmente quem procurava, e rapidamente a pegou com a mão, antes de olhar para aquela criança.
Parecia um dos mais altos e fortes, então o Diabrete achou que seria uma boa ideia ajudá-lo, e o Diabrete rapidamente apontou sua adaga para ele para fazê-lo fazer o que queria.
— Vaza — O Diabrete sussurrou, para que apenas a criança pudesse ouvi-lo, e lentamente se levantou e saiu da carruagem. Quando o Diabrete colocou a tábua de volta na porta, ele colocou a cesta na mão ao lado dele e olhou para a criança à sua frente.
Aquela criança estava simplesmente olhando para os dois corpos nus e mortos à sua frente, e caiu imediatamente de joelhos e vomitou. No entanto, o Diabrete queria fazer outra coisa.
…