A Virtude do Demônio

Volume 1 - Capítulo 20

A Virtude do Demônio

Confuso e basicamente incapaz de se mover devido ao monstro à sua frente, a criança apenas agarrou a mamadeira com toda a força que pôde, antes que o Diabrete movesse lentamente a adaga para mais perto do rosto da Criança.

— Você, dê comida! — O Diabrete repetiu com um rosnado, e agora a criança começou a reagir lentamente em resposta e tentou se levantar rapidamente, jogando a mamadeira no chão. Mas em vez de fazer o que o Diabrete mandou, a criança se virou e optou por correr na direção oposta o mais rápido que pôde.

Claro, o Diabrete pegou imediatamente a mamadeira e optou por seguir a criança, sem saber se estava tentando levá-lo para onde tinha mais do líquido branco ou não, mas a criança ainda era a melhor chance do Diabrete para fazer a pequena coisa da cesta parar de chorar.

Por alguns momentos, apenas seguiu a criança, mas antes que percebesse, o Diabrete ficou na frente de um pequeno grupo de pessoas. Nenhum deles parecia uma grande ameaça, pelo menos não tinham nenhuma arma que o Diabrete pudesse ver, e a maioria pareciam crianças fracas como aquela que o Diabrete seguiu antes.

— O-o quê…? Por que o repelente não está funcionando?! — Uma das pessoas, um humano vestido com um manto quase todo branco com alguns detalhes amarelos e vermelhos, exclamou confuso e olhou para uma grande caixa de madeira grudada no que o Diabrete aprendeu que se chamava ‘Cavalo’.

O Diabrete tinha um mau pressentimento ao olhar para aquela caixa, mas não era nada comparado ao medo que sentiu ao se aproximar daquela ilha flutuante pela primeira vez, então o Diabrete conseguiu resistir e acabou se sentindo um pouco irritado.

— Espera, é um Diabrete Inferior! Eles são feridos pela Energia Sagrada, certo…? Acho que posso lidar com isso…! — O humano disse, com seu corpo tremendo enquanto falava. Por que essas pessoas reconheceram o Diabrete como um monstro tão rapidamente? A capa deveria esconder que ele era um, certo?

E só então, o Diabrete tentou tocar sua cabeça para ver se estava tudo certo, embora rapidamente percebeu que não estava com o capuz da capa puxado para cima, algo que lhe disseram ser o mais importante.

Mas enquanto pensava em como era burro por não perceber isso, o humano começou a usar um cajado amarelo com muitas coisas brancas brilhantes e agitou-o no ar. O Diabrete estava muito curioso sobre o que ele estava fazendo, especialmente porque as coisas brancas e brilhantes pareciam muito parecidas com as pequenas bolas brilhantes que estava olhando antes, e essa podia ser uma maneira de descobrir como usá-las!

Então, enquanto a pequena criatura chorava alto na cesta que o Diabrete segurava, o humano parou de balançar o cajado amarelo e, por um momento, o Diabrete sentiu uma pontada profunda no peito.

[-31 de Vida]

[Resistência à Energia Sagrada Iniciante Subiu de Nível!]

Após tentar esfregar o local em seu peito que começou a doer de repente, o Diabrete olhou lentamente para as notificações ao lado dele, e quando viu que uma delas estava vermelha, se virou para o humano à sua frente.

— Isso dói. — O Diabrete fez uma careta com raiva e imediatamente o humano olhou para o Diabrete confuso. 

— Consegue falar…? Espera, está vestindo roupas, então t-talvez seja domesticado…? — O humano perguntou enquanto se virava para os outros do grupo, embora antes que pudessem responder, o homem sentiu uma dor aguda e ardente na perna. E quando se virou em direção à fonte daquela dor, não demorou muito para descobrir o que a causava, afinal, ele poderia deixar de ver aquela adaga brilhante e bem cuidada, atualmente coberta com seu próprio sangue, arrancada de sua perna?

[Você deu 20 de Dano em Aaron Irnhoff]

[Você deu 23 de Dano em Aaron Irnhoff]

[Você deu 24 de Dano em Aaron Irnhoff]

[Você deu 25 de Dano em Aaron Irnhoff]

[Você deu 22 de Dano em Aaron Irnhoff]

[Maestria de Adaga Iniciante Subiu de Nível!]

Repetidamente, o Diabrete enfiou a adaga na perna do humano, principalmente tentando acertar o mesmo local, e tão rapidamente fez o homem cair no chão com um grito de horror em sua voz enquanto tentava se afastar do Diabrete que simplesmente continuou a esfaquear a vítima, embora desta vez visando as costas.

Afinal, este humano tentou atacar o Diabrete. Não importava se fez isso porque estava com medo ou porque queria proteger as outras pessoas que estavam ali com ele. Muitos dos monstros que Avalin, Thomas e James mataram obviamente também estavam apenas tentando viver suas próprias vidas, e muitas vezes nem os atacavam primeiro. Se não havia problema em matar monstros dessa forma, obviamente não havia problema em matar pessoas também, certo? Pelo menos o próprio Diabrete não vinha nenhuma diferença nisso.

E após esfaquear as costas do homem mais algumas vezes, o corpo do humano ficou mole e mais algumas notificações apareceram na frente do Diabrete.

[Você causou danos letais a Aaron Irnhoff]

[Maestria de Adaga Iniciante Subiu de Nível!]

[Você subiu de nível!]

[Você subiu de nível!]

[Você subiu de nível!]

[Você subiu de nível!]

[Você tem 34 pontos de atributo não utilizados]

Confuso, o Diabrete inclinou a cabeça para o lado, especialmente nos ‘Pontos de Atributo’. Parecia que já havia lido essa palavra em algum lugar antes, embora não se lembrasse dela, mas, além disso, uma sensação estranhamente familiar retornou ao peito do Diabrete, que sentiu depois de sua primeira luta, pouco antes de repente se tornar muito, muito mais inteligente.

Provavelmente era isso que os outros chamavam de ‘Experiência’ antes, certo? Ao ouvir as conversas dos outros, o Diabrete descobriu que você deveria ganhar sempre que matasse alguma coisa, e que isso o ajudava a ficar muito mais forte, mas a palavra ‘Atributo’ lembrou o Diabrete de outra coisa, antes de repetir a palavra que mentalmente parecia se conectar automaticamente com ela.

— Status.

[Nome: Nenhum]

[Raça: Diabrete Inferior]

[Nível: 44]

[Vida: 560]

[Mana: 840]

[Força: 7]

[Constituição: 12]

[Resistência: 13]

[Agilidade: 7]

[Evasão: 20]

[Destreza: 6]

[Inteligência: 20]

[Sabedoria: 20]

[Percepção: 10]

[Força de Vontade: 20]

[Carisma: 1]

[34 Pontos de Atributo Disponíveis]

-Habilidades-

[Entendimento de Linguagem Comum Aprendiz Nv 73, Furtividade Aprendiz Nv 56, Maestria Com Adaga Iniciante Nv 6, Concentração Iniciante Nv 18, Comilança Iniciante Nv 13, Resistência à Exaustão Iniciante Nv 28, Culinária Nv 6, Magia de Água Nv 1, Resistência a Energia Sagrada Nv 78] 

Lentamente, o Diabrete examinou tudo o que estava escrito nesta grande caixa e conseguiu reconhecer rapidamente muitas partes sobre ela a partir de algumas das notificações que apareceram antes. Ele entendeu algumas partes sobre isso, mesmo que não muito, mas pelo menos entendeu a essência.

E o que felizmente também conseguiu descobrir agora foi o que significavam todas as coisas no topo da notificação. Eles estavam descrevendo quão boas eram as habilidades brutas do Diabrete. Quão inteligente ele era, quão forte era ou quão rápido era.

E embora o Diabrete não soubesse exatamente como sabia disso, estava ciente de que esses ‘Pontos de Atributo’ poderiam ser usados para torná-lo muito mais forte ou muito mais inteligente do que antes.

Certamente seria útil poder ficar mais forte antes de lidar com todas essas pessoas à sua frente, todas aparentemente ainda tentando entender o que estava acontecendo, mas o Diabrete não tinha certeza se deveria investir todos os pontos em força ou velocidade. Ele não tinha ideia.

Afinal, o que lhe era mais útil naquele momento era a inteligência. A pessoa que o Diabrete acabou de matar era incrivelmente fraca, e vendo como foi o único que tentou atacar o Diabrete, percebeu ser o mais forte entre essas pessoas.

Depois que conseguisse aquele líquido branco deles, provavelmente conseguiria matá-los por mais desses pontos de qualquer maneira, então não precisava se preocupar em como usaria os que tinha agora, provavelmente. Então, no final, o Diabrete rapidamente colocou alguns em Força e Agilidade, e depois colocou o resto em Inteligência, tudo apenas clicando nas diferentes palavras na notificação à sua frente, embora o Diabrete estivesse um pouco confuso sobre por que ela não desapareceu como todas as outras notificações geralmente faziam.

Mas o Diabrete também não se importou muito, porque com um soco rápido, a notificação imediatamente se transformou em névoa e desapareceu. Embora o Diabrete sentisse uma dor aguda na cabeça novamente, ao mesmo tempo, tudo parecia muito mais claro para ele, e conseguiu ver adequadamente por diferentes situações.

Por exemplo, rapidamente fez uma conexão que não fizera antes. Havia uma mulher lá e ela tinha muitos filhos ao seu redor. E o que ela segurava era muito parecido com a pequena criatura na cesta que o Diabrete carregava.

Parecia um pouco diferente, claro, mas iguais de alguma forma. E a partir disso, o Diabrete percebeu que a mulher precisava de alguma maneira cuidar dessas criaturas, e deu um passo à frente dela, segurando a mamadeira que tinha com ele enquanto o fazia.

— Comida — O Diabrete disse à mulher, que lentamente olhou para a criatura que ainda chorava na cesta, enquanto o Diabrete continuava: — Está com fome. Precisa de comida — Ele disse com raiva, só querendo que ela desse logo, porque a criatura o fazia se sentir estranho enquanto chorava.

— V-você quer que eu alimente essa criança…? — Ela perguntou, e confuso, o Diabrete olhou para a criatura na cesta, imaginando que ela estava falando sério, e então apenas acenou com a cabeça em resposta.

Lentamente, a mulher pegou a mamadeira do Diabrete e acenou com a cabeça. 

— E-Então você pode me dar isso por um momento…? — A mulher perguntou enquanto entregava lentamente a criança pequena que segurava para uma das outras crianças ao lado dela, antes de estender a mão em direção à cesta, que simplesmente puxou para longe dela.

— Você dê comida. Rápido — Ele falou a ela, e a mulher assentiu lentamente e correu para o lado da caixa de madeira. Claro que o Diabrete a seguiu enquanto ela fazia isso. E após entrar na caixa, a mulher voltou com outra mamadeira grande com líquido branco.

— A-Aqui, esse é o leite que damos para as crianças… — Ela disse com medo, e o Diabrete franziu a testa e olhou para as duas mamadeiras. O líquido parecia o mesmo, mas as mamadeiras eram completamente diferentes. Percebendo que o Diabrete estava pensando em algo assim, a mulher lentamente tirou uma mamadeira do bolso e tentou enchê-la com um pouco do leite, antes de entregar a mamadeira ao Diabrete.

— Use essa aqui… — A mulher disse a ele, então o Diabrete colocou a cesta no chão e segurou a mamadeira na direção da pequena criatura, aparentemente também considerada uma criança, mas não importa o que o Diabrete tentasse, ela não bebia nada. Embora, nesse ponto, tenha notado um cheiro muito desagradável vindo dela, agora que se aproximou, e não tinha certeza se isso apareceu apenas agora ou já estava ali há algum tempo.

— Não está comendo. Comida errada. — O Diabrete disse enquanto rosnava para a mulher, que tentou se aproximar lentamente da cesta, aparentemente também sentindo o cheiro de que algo estava errado, e então olhou para o Diabrete com medo.

— T-Talvez a fralda esteja cheia…

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