
Volume 1 - Capítulo 18
A Virtude do Demônio
Embora da perspectiva de Zaragon, o Diabrete tenha desaparecido, da perspectiva do próprio Diabrete, o mundo ao seu redor mudou completamente. Tudo parecia coberto por uma fina camada de fumaça ou névoa, e não havia lugar que não estivesse embaçado. Mas, pelo menos, parecia ter funcionado corretamente. Quando o Diabrete segurou a carta com força, uma pequena taça apareceu de repente em suas mãos como na história que leu, e quando bebeu o líquido preto dentro dela, Zaragon pareceu não mais o notar enquanto o Diabrete começou a ver o mundo ao seu redor de forma diferente.
A primeira coisa que o Diabrete fez foi pegar as coisas que deixou cair, mesmo que só pudesse fazer isso com o corpo tremendo fortemente, e mesmo assim, o Diabrete não queria abandonar o livro ou a adaga de madeira, e mesmo que isso não o ajudasse desta vez, o Diabrete pegou a adaga que Avalin deixou cair antes dela… também desaparecer.
Lentamente, o Diabrete avançou em direção à porta que se abriu lentamente na frente dele, pisando no sangue que Avalin deixou para trás. Com a mente vazia e sem ideia do que fazer, o Diabrete continuou em frente.
Tudo o que fez foi caminhar sem pensar, simplesmente agarrando com força o livro e a adaga de Avalin, após enfiar a taça, que havia virado novamente uma carta, em sua bolsa, com o material brilhante e a carne.
O Diabrete percebeu que algo estava acontecendo ao seu redor, mesmo que tudo parecesse tão chato. Às vezes havia um pouco de calor ao seu redor, mas nunca era suficiente para machucá-lo. A dada altura, uma parte de um prédio caiu na rua em frente ao Diabrete, mas errou por alguns centímetros.
E então, o Diabrete de repente se viu em outro lugar, um lugar que não reconhecia. Ele não tinha ideia de pôr que estava ali, mas sabia de uma coisa: não dava a mínima. O Diabrete continuou andando pelo local e passou pela grande porta enquanto inúmeras pessoas com armaduras brilhantes corriam, tentando se defender dos monstros que tentavam invadir o local também.
Lentamente, o Diabrete subiu as grandes escadas à sua frente e ao longo do grande corredor até o lugar onde seus pés o levaram. Havia algumas pessoas no final do corredor em um grande salão, uma delas segurando uma grande esfera azul de chamas acima de sua cabeça, enquanto as outras cercavam algo pequeno do outro lado da sala.
Momentaneamente, pareceu que o Diabrete reconheceu aquela pessoa pequena, mas não se Importou o suficiente em descobrir por que achava que o reconhecia. Essa pessoa não era Avalin, então isso não Importava para o Diabrete.
Então, o Diabrete parou de se mover, tendo aparentemente encontrado o lugar que seu corpo procurava enquanto sua mente estava embaçada. Ele olhou na cesta e, por algum motivo, sentiu-se atraído pela pequena criatura deitada dentro dela. O Diabrete não sabia por quê, mas apenas sabia.
Cuidadosamente, o Diabrete colocou a adaga em sua mão no pequeno suporte da alça do saco e enfiou o livro lá dentro, de alguma forma sentindo-se apressado. Lentamente, o Diabrete agarrou a cesta onde a pequena criatura estava deitada e agarrou-a com força, sorrindo involuntariamente ao olhar em seus olhos.
Eles pareciam estar passando por vários estados de cores diferentes, mas ocasionalmente ficavam vermelhos como sangue, a mesma cor dos olhos de Avalin. E embora a cor logo tenha mudado novamente para outra coisa, naqueles poucos momentos em que os olhos estavam vermelhos, o Diabrete não conseguia parar de olhar para a pequena coisa que carregava.
E sem que percebesse, o Diabrete trouxe a cesta para fora do lugar que entrou inconscientemente, antes de caminhar pelas ruas totalmente arruinadas, através das massas de monstros que estavam ao seu redor que não lhe derem nem sequer um olhar, e em direção à floresta fora da cidade.
O Diabrete não sabia quanto tempo passou andando, mas passou tempo o suficiente para anoitecer. E como já estava acostumado, o Diabrete parou quando percebeu que era esse o caso. Em um local seguro, cercado pelo máximo de árvores possível, o Diabrete apenas sentou-se com a pequena criatura na cesta e segurou aquela cesta o mais firmemente que pôde, não deixando nenhuma chance de ser roubada.
Mas apenas sentado ali assim, o Diabrete de repente se sentiu muito cansado. Ele queria continuar observando a coisinha e ver o que estava fazendo, mas no final, seu cansaço a cumulado dos últimos dias venceu, e o mundo ficou escuro ao seu redor.
Embora isso logo tenha mudado novamente, quando o Diabrete percebeu que a coisa que carregava estava fazendo sons altos. Sons muito, muito altos e desagradáveis.
Mas o mais Importante é que o Diabrete também notou outra coisa. O mundo ao seu redor havia mudado de volta para o que era antes. Não estava mais embaçado ou confuso, mesmo que o Diabrete ainda se sentisse um tanto entorpecido com tudo o que aconteceu ontem.
Justamente quando pensou isso, uma dor imensa surgiu na cabeça do Diabrete enquanto inúmeras notificações apareciam ao seu redor.
—
[Você ativou o Ás de Copas. Pelas próximas 12 horas, você escapará do mundo, e o mundo escapará de você]
[A Habilidade Furtividade Iniciante foi Aprendida]
[A Habilidade Furtividade Iniciante Subiu de Nível!]
[A Habilidade Furtividade Iniciante Subiu de Nível!]
…
[A Habilidade Furtividade Iniciante Subiu de Nível!]
[Furtividade Iniciante atingiu o nível 100 e se tornou Furtividade Aprendiz]
[A Habilidade Furtividade Aprendiz Subiu de Nível!]
[A Habilidade Furtividade Aprendiz Subiu de Nível!]
…
[A Habilidade Furtividade Aprendiz Subiu de Nível!]
[Você evitou um perigo imenso. Evasão +1]
[Você evitou um perigo imenso. Evasão +1]
…
[Você evitou um perigo imenso. Evasão +1]
[Você foi cercado por uma grande quantidade de Energia Sagrada. Resistência +1]
[Você foi cercado por uma grande quantidade de Energia Sagrada. Resistência +1]
…
[Você foi cercado por uma grande quantidade de Energia Sagrada. Resistência +1]
[A Habilidade Resistência à Energia Sagrada Iniciante foi Aprendida]
[A Habilidade Resistência à Energia Sagrada Iniciante Subiu de Nível!]
[A Habilidade Resistência à Energia Sagrada Iniciante Subiu de Nível!]
…
[A Habilidade Resistência à Energia Sagrada Iniciante Subiu de Nível!]
[O efeito do Ás de Copas acabou. Como você ainda possui o Ás de Copas mesmo após o efeito acabar, você agora é o Dono da Carta]
[1/14 Cartas do Naipe de Copas Adquiridas]
[1/56 Cartas do Pequeno Arcano Adquiridas]
[Aptidão com o Elemento Água foi Aprimorada]
[A Habilidade Magia de Água Iniciante foi Aprendida]
[Você encontrou [O Louco]. Traga de volta para o Rei Monstro.]
—
Depois daquele ataque total de notificações, o Diabrete não teve escolha a não ser fechar os olhos e tentar aguentar até que todas aparecessem, porque naquele momento estavam colocando muita pressão em sua cabeça.
Mas mais do que isso, o Diabrete estava preocupado com o que estava acontecendo com a pequena criatura que trouxe daquela cidade. Ele estava gritando muito, então estava provavelmente machucada em algum lugar!
Então, tentando lutar contra a dor que o dominou, ignorando ao máximo as notificações, o Diabrete tentou ver se havia algo errado com a criatura.
Mas não Importa quantas vezes verificasse, não conseguiu encontrar nenhum ferimento em lugar nenhum. Fora isso, talvez estivesse apenas com fome? No mínimo, foi isso que o Diabrete imaginou, então enfiou rapidamente a mão no saco e pegou um pedaço da carne que tinha dentro, tentando entregá-lo à criatura.
— Coma — O Diabrete falou, mas simplesmente não reagiu! Se não quisesse comer a deliciosa carne que ele mesmo cozinhou, então deveria simplesmente morrer de fome!
No entanto, o Diabrete pensou assim só no começo. Após um tempo tentando aguentar o choro, o Diabrete não aguentou mais. Ele começou a sentir náuseas; mesmo assim, tinha que tentar descobrir alguma coisa.
E então, após olhar um pouco mais para a cesta, o Diabrete logo encontrou algumas coisas diferentes dentro dela, sob o cobertor na qual a criatura estava deitada. Uma dessas coisas era uma pequena mamadeira com um líquido branco dentro. O Diabrete não sabia o que era, mas a criatura parecia tentar agarrá-lo quando ele o segurava, então imaginou que poderia tentar entregá-lo à criatura.
Quando colocou a mamadeira em suas mãos, a coisa estúpida simplesmente deixou cair a mamadeira! Então o Diabrete foi forçado a segurá-la para a criatura, e apenas fez o que quis fazer, que foi pressionar a ponta daquela mamadeira contra a boca da criatura.
E antes que o Diabrete percebesse, a criatura parou de chorar e apenas bebeu o líquido branco. Ainda bem que finalmente calou a boca, o Diabrete começou a olhar as notificações flutuando na frente dele, que agora ele entendia na maior parte, mas não sabia por que recebeu tantas notificações de repente, e todas pareciam contar ao Diabrete sobre coisas boas. No mínimo, não houve nenhuma notificação vermelha novamente, então isso devia ser um bom sinal.
Lentamente, quando a mamadeira estava basicamente vazia, a criatura fechou os olhos e finalmente ficou quieta por um tempo. Parecia que esse líquido branco era um item mágico maravilhoso destinado a se livrar de coisas irritantes!
Então, claro, bastante curioso para saber qual era o gosto, o Diabrete começou a sorver o líquido que restava na mamadeira e depois torceu um pouco a boca em resposta.
— Ehhw… — O Diabrete murmurou para si e colocou lentamente a mamadeira de volta na cesta, embora não sentisse nenhum efeito disso. Talvez não fosse uma poção, mas apenas o tipo de coisa que a criatura poderia comer?
Se fosse esse o caso, então provavelmente deveria descobrir uma maneira de conseguir mais, porque se a criatura não comesse carne e apenas aquele líquido branco, então começaria provavelmente a chorar como antes.
E o Diabrete queria evitar isso em qualquer circunstância.
Mas, por enquanto, o Diabrete tinha que fazer outra coisa, mesmo que não soubesse por que tinha que fazer isso. Ele tinha que levar essa criatura de volta ao lugar onde nasceu, mas isso provavelmente levaria muito, muito tempo, e ele só sabia para onde ir porque parecia que alguém estava lhe dizendo para seguir uma direção específica.
No final, isso não Importava mais. Nada mais Importava, não depois que a única pessoa gentil que o Diabrete conhecia morreu.
O Diabrete só queria deitar-se no chão e morrer ali mesmo, apenas murchar e desaparecer para onde Avalin estava o esperando.
— Mmng… — No entanto, o Diabrete foi rapidamente tirado de tais pensamentos pela criatura deitada na cesta ao lado dele, simplesmente se virando durante o sono.
…