A Virtude do Demônio

Volume 1 - Capítulo 11

A Virtude do Demônio

Lentamente, o Diabrete estendeu a mão em direção a Avalin deitada na cama e enfiou imediatamente os dedos na pele a sua frente. Foi tão bom, macia e suave para o Diabrete que ele não conseguiu resistir. Ele precisou olhar para ela inúmeras vezes até agora, e agora estava farto de apenas olhar e queria fazer realmente o que quisesse com ela.

Mas parecia que Avalin não estava tão feliz com isso. 

— Ah! O que você está fazendo? — Ela gritou e imediatamente se sentou na cama quando percebeu que algo estava errado, olhando para o Diabrete à sua frente.

O Diabrete, porém,  inclinou a cabeça para o lado, confuso. 

— Livro? — Ele disse naquele tom estranho que Avalin sempre usava ao fazer perguntas enquanto mostrava a Avalin o que estava segurando.

— Ah… Sim, claro, podemos dar uma olhada, mas tenha cuidado, você está arranhando… Embora… suas garras não sejam tão afiadas quanto as dos outros Diabretes, hein…? — Avalin perguntou surpresa ao olhar mais de perto, e o Diabrete apenas mais uma vez inclinou a cabeça para o lado, sem entender o que Avalin estava falando.

— Bem, de qualquer forma, acho que deveríamos continuar praticando as letras, hein? — A coisa Vermelha perguntou com um sorriso antes que o Diabrete apenas olhasse para ela com uma expressão vazia.

— Então vamos lá, o resto delas não deve ser tão difícil. Você também fez um ótimo trabalho no final do treino de ontem — Com um sorriso no rosto, Avalin pegou novamente o livro e abriu-o na página que estavam na noite passada, tirando o lápis que estavam usando também.

E daquele ponto em diante, Avalin continuou fazendo o jovem monstro aprender sobre o resto das letras, conforme planejado, o que conseguiu fazer muito mais rápido do que Avalin esperava, e quando todas terminaram, o Diabrete notou a mesma notificação continuamente surgindo na sua frente.

[A Habilidade Entendimento de Linguagem Comum Iniciante Subiu de Nível!]

E enquanto o Diabrete tentava alcançá-las para fazê-las desaparecer, a coisa vermelha colocou a mão no topo da cabeça do Diabrete, embora estivesse realmente confusa com o que estava acontecendo.

— Erguh? — Ele exclamou perguntando e colocou as mãos no topo da cabeça também, ou melhor, em cima da mão de Avalin que ainda estava no topo da cabeça dele antes de ela começar a rir baixinho.

— Só estou tentando dizer que você fez um ótimo trabalho. E agora… Hmm, se eu quiser ver qual é o seu status, então talvez eu devesse… — Ela murmurou, e então escreveu ainda mais caracteres na página, embora parecessem diferentes das letras.

E o Diabrete também as reconheceu! Eram as letras que se alternavam naquela notificação que  não parecia querer desaparecer!

— Veja, estes aqui se chamam Números — Avalin explicou enquanto tocava na página, então o Diabrete acenou com a cabeça com entusiasmo.

— Numro! — Ele exclamou, mas Avalin balançou a cabeça com um sorriso, tentando ensinar-lhe a pronúncia correta também. Depois de outra tentativa, o Diabrete parecia já ter entendido.

E um após o outro, o Diabrete foi ensinado como esses diferentes números funcionavam e em que ordem funcionavam. Foi bem simples, na verdade! Mas algo pareceu estranho para o Diabrete, então, para ter certeza, olhou para frente e para trás na página com a ordem dos números e a notificação flutuando ao lado dele, antes de inclinar a cabeça para o lado, confuso.

— Gehu? — Ele murmurou, e Avalin riu em resposta ao ouvir esses sons estranhos do Diabrete antes de sorrir para ele.

— Agora, acho que deveríamos tentar isso, hein…? Você pode ver as notificações, certo? — Avalin perguntou ao Diabrete enquanto pegava uma caneta azul e desenhava um quadrado azul no papel, com a palavra ‘Notificação’ escrita dentro dele, e o Diabrete apontou para a página e depois para a notificação flutuando ao lado dela antes de acenar rapidamente.

— Bom! Você consegue pensar muito, muito bem nisso? — A coisa vermelha perguntou, mas o Diabrete apenas inclinou a cabeça para o lado confuso, então ela imaginou que deveria fazer outra coisa, virando a cabeça do Diabrete para olhar diretamente para onde ele estava apontando antes, onde parecia uma notificação, certificando-se de que ele estava realmente pensando em notificações.

E então, enquanto o Diabrete olhava a notificação e seus números,  — Agora, tente dizer a palavra… ‘Status’! — Avalin contou ao Diabrete, que obedeceu e  repetiu a palavra em um murmúrio.

 — Status… —  Ele disse, antes de uma notificação muito, muito grande, a maior até agora, aparecer na frente do Diabrete! Claro, ele imediatamente pulou para trás, confuso e assustado, mas Avalin tocou suas costas para tranquilizá-lo.

 — Não se preocupe, isso era para acontecer. Basta dar uma olhada. — A coisa vermelha disse ao Diabrete com uma voz calma, então ele virou lentamente a cabeça em direção a ela para ver qual era a notificação.

[Nome: Nenhum]

Raça: Diabrete Inferior

Nível: 10

Vida: 220

Mana: 380

Força: 6

Constituição: 12

Resistência: 13

Agilidade: 6

Evasão: 5

Destreza: 5

Inteligência: 20

Sabedoria: 14

Percepção: 9

Força de Vontade: 20

-Habilidades-

Entendimento de Linguagem Comum Iniciante Nv 73, Maestria Com Adaga Iniciante Nv 4, Concentração Iniciante Nv 18, Comilança Iniciante Nv 13, Resistência a Exaustão Iniciante Nv 21]

Isso era tão diferente do que o Diabrete normalmente via ao olhar as notificações! Havia linhas por toda parte, e não letras, mas linhas retas dividindo as palavras em seções! Parecia que havia muitos números diferentes também, mas no geral, o Diabrete realmente não tinha ideia do que era tudo isso!

— Agora… — Avalin murmurou enquanto olhava para a página à sua frente, desenhando outra notificação, mas desta vez uma grande que parecia a grande notificação que apareceu na frente do Diabrete, e então colocou o livro na frente do Diabrete.

— Compare — Ela disse a ele e então apontou da página para o lugar onde a notificação parecia estar, fazendo isso repetidamente, antes que o Diabrete assentisse e percebesse que deveriam ser iguais. Mas faltavam algumas partes! E assim que o Diabrete pegou o lápis novamente, antes que o lápis fosse pressionado contra o papel por Avalin, o Diabrete entendeu o que tinha que fazer, pelo menos um pouco.

Da melhor maneira possível, o Diabrete continuou a preencher os diferentes campos do papel e, embora houvesse alguns campos vazios, parecia muito com a notificação que o Diabrete podia ver agora!

Porém, estava queimando todos os neurônios quando terminou um dos campos, e apareceu uma notificação que o distraiu por um momento, e quando olhou para trás, o número mudou! Que irritantes eram essas notificações, trabalhando juntas para enganá-lo desse jeito!

Mas logo todos os campos foram preenchidos completamente e o Diabrete pegou o livro, mostrando-o orgulhosamente a Avalin.

— Bom trabalho! — Avalin exclamou e pegou um pequeno saco em seu bolso, pegando um dos cubos de carne para entregá-lo ao Diabrete. Por alguma razão, embora essa carne fosse muito mais dura, também era muito mais saborosa, então o Diabrete gostou de receber uma guloseima dessas!

— Calma, isso é sério? — Avalin murmurou enquanto olhava para a página, confusa, franzindo a testa enquanto encarava. O Diabrete já começou a pensar que fez algo errado, mas depois de um tempo, a coisa vermelha  levantou a cabeça e olhou para o Diabrete com entusiasmo, e então virou a página do livro para a próxima antes de escrever outra coisa, murmurando.

— Hmm, você está bem saudável, então seus níveis devem valer por completo para Vida e Mana… Como era mesmo? Atributo vezes o valor do atributo, mais são dez níveis? — Avalin perguntou a si mesma e então começou a sorrir abertamente.

— Puta merda… Puta merda! — A coisa vermelha exclamou, e então olhou para o Diabrete com os olhos arregalados e imediatamente pulou do chão, indo em direção à bagagem que sempre carregava com ela, tirando um pequeno livreto de dentro dela.

— Por favor, pelo amor deu deus… Esteja aqui! — Avalin sussurrou, aparentemente nervosa, e o Diabrete apenas olhou para ela confuso enquanto tentava ouvir Avalin um pouco mais. 

 — Achei! Diabrete Inferior, Tipo Demônio… Valores de atributos… Normalmente, é 0,2 para Constituição e outros atributos físicos, e para Sabedoria e outros atributos mentais, é… — Ela falou antes de balançar a cabeça, confusa, e encarar o Diabrete novamente enquanto se levantava, virando o livro na frente do Diabrete de volta para a página anterior, apontando para ele e para o ar onde o status ainda parecia estar novamente. 

— Compare! — Ela ordenou ativando a Coleira de Propriedade como um seguro extra, e o Diabrete imediatamente examinou mais uma vez o esboço do status para ter certeza de que tudo estava correto, mas não parecia querer mudar nada.

Então, Avalin arregalou os olhos e olhou feliz para o Diabrete: — Você é uma anomalia! Agora tudo faz sentido! — Ela gritou, mas mais uma vez, o Diabrete não entendeu o que estava acontecendo enquanto era arrastado pela mão em meio ao quarto, de volta à porta, embora Avalin tenha parado pouco antes de abri-la.

— Devo… Devo contar a eles sobre isso? Quero dizer, isso deveria ser apenas uma prova de que ele é valioso, certo? Talvez o tratem melhor se souberem que podemos… vendê-lo mais caro…? — Ela sussurrou, e então olhou para o Diabrete com um sorriso um pouco amargo, e então acenou com a cabeça com firmeza e abriu a porta, embora não estivesse tão animada quanto antes.

Lentamente, o Diabrete foi arrastado pelos corredores do prédio até ficarem na frente de outra porta, na qual Avalin bateu lentamente com o punho algumas vezes, fazendo com que a porta se abrisse alguns momentos depois e uma voz veio de dentro da sala.

— Olá, posso- Oh… é você — Thomas disse com uma carranca enquanto olhava para o Diabrete, que acabou estremecendo um pouco antes de Avalin coçar a nuca. 

— Posso entrar? Tenho algo para contar a vocês dois. Talvez seja uma boa maneira de mostrar a vocês dois que não devem tratá-lo tão mal, pelo menos não… fisicamente — Avalin disse franzindo a testa enquanto olhava para James, que estava parado atrás de Thomas, e a coisa azul suspirou e deu um passo para o lado.

— Tudo bem, mas espero que valha a pena — Ele respondeu, então a coisa vermelha arrastou rapidamente o Diabrete para dentro da sala antes de mostrar aos dois a página com as informações do status.

— Esse é o status? Claro, é muito alto para um Diabrete Inferior no nível 10, mas é para isso que você esteve trabalhando, certo? — James perguntou franzindo a testa sem entender o assunto e Avalin balançou imediatamente a cabeça. 

— Você não percebeu nada de estranho? — Ela perguntou com um sorriso malicioso e, lentamente, Thomas esfregou o queixo.

— O valor de Mana do Diabrete não é muito alto? É quase o dobro do valor da vida… está doente ou algo assim? — A coisa azul perguntou e franziu a testa novamente, mas Avalin balançou a cabeça. 

— Não, ele está saudável até demais. Um pouco cansado, mas estar cansado não diminui seu valor por nível de vida. —

— Então, você pode nos contar o que está acontecendo e parar de dar uma de sabichona? — James perguntou irritado, e Avalin  entregou-lhes o pequeno livreto que ela folheou antes e disse-lhes para virarem para a próxima página que já estavam olhando antes de Thomas arregalar os olhos.

— Espera, você está tentando dizer… — Ele perguntou, e Avalin assentiu com um sorriso malicioso. 

— Um Diabrete normal têm um valor de atributo próximo a 0,2. O dele parece ser 0,1. Isso significa que ele tem apenas a metade da força de um Diabrete normal. Mas quando se trata de atributos mentais… Diabretes Inferiores têm um valor insignificante de 0,05, mas, no mínimo, o atributo Sabedoria dele tem um valor de 0,2… Se for o mesmo para seus outros atributos mentais… — Avalin começou, Thomas e James se entreolharam e depois para o Diabrete, que estava enfiando o dedo no nariz, fazendo uma pequena  “mineração” , enquanto Avalin continuava: — Basicamente, ele é cerca de quatro vezes mais inteligente que um Diabrete Inferior normal.

… 

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