
Volume 1 - Capítulo 9
A Virtude do Demônio
O Diabrete olhou para frente, para todas essas coisas novas que nunca imaginou que poderiam existir, e logo se deparou com Avalin inclinando-se em sua direção, tirando-o de seu estado de choque.
— Vamos, não pare de andar — Ela disse a ele com uma carranca, e o Diabrete olhou para a coisa vermelha na frente dele e começou a seguir as três coisas novamente, o tempo todo ainda olhando para frente, para aquela visão maravilhosa, embora logo tenha sumido quando o Diabrete começou a se sentir incrivelmente tonto e enjoado, e sentiu vontade de fugir.
— Hum? Por que você… Ah, qual é, o Diabrete de novo? O que foi desta vez? — James perguntou, irritado, olhando para o jovem monstro trêmulo, e Thomas rapidamente deu uma olhada ao redor e deu um tapa na testa com um suspiro.
— Verdade, esqueci… O Deus do Lago espanta os Monstros, não é? — Ele apontou, e Avalin olhou para o Diabrete com um aceno de cabeça.
— Então como vamos levar o Diabrete para a cidade conosco? Não podemos deixá-lo ficar aqui. Ele só será morto por algum aventureiro aleatório… — Ela disse e cruzou os braços, e Thomas coçou o queixo enquanto pensava.
— Bem, parece confiar um pouco em você, e os monstros têm medo do Deus do Lago devido à Aura que ele emite… Esse tipo de coisa pode ser superada com um Atributo de Força de Vontade alto o suficiente, então… Talvez com a sua ajuda, sua Força de Vontade possa aumentar um pouco mais? — Thomas sugeriu, antes de continuar: — Vamos conseguir quartos na pousada enquanto você fica aqui com ele e voltarei um pouco antes do treino, o que você acha disso? — A coisa Azul apontou, e o Diabrete estava paralisado, tentando descobrir o que estava acontecendo, enquanto parava de ouvir o que as coisas estavam falando.
Ele não entendia muito disso, então não Importava se os ouvia ou não. Atualmente, o Diabrete só queria descobrir o que exatamente fazer, ele queria desmaiar ali mesmo, ou se virar e sair correndo, mas o Diabrete sabia que não poderia fazer isso. Ao simples pensamento de fugir, se deparou com um medo tão forte quanto sentia ao pensar em se aproximar daquele lago.
E a mente do Diabrete parecia estar sendo aberta por causa disso. Sempre que um único pensamento aparecia em sua cabeça, a dor ficava mais forte, permitindo que o Diabrete ignorasse a notificação que aparecia logo após o início da dor.
Pouco tempo depois, o Diabrete sentiu a dor diminuir e recuperou a capacidade de pensar, e imediatamente viu duas notificações iguais, além de uma longa.
[Você conseguiu lutar contra a dor mental. Força de Vontade +1]
[Você conseguiu lutar contra a dor mental. Força de Vontade +1]
[Sua mente está exausta. Para poder deixar de ser uma propriedade, certifique-se de estar sempre em um estado de espírito consciente.]
Confuso, o Diabrete olhou para as notificações sem sequer entender o que estava lá. Ele agora reconhecia cerca de metade das letras, mas mesmo assim, isso não lhe permitia saber palavras que nunca havia ouvido antes.
Então, o Diabrete rapidamente tentou se afastar das notificações enquanto segurava a cabeça com dor, antes de perceber que de repente estava mais longe das grandes estruturas. Virando-se, o Diabrete pôde ver Avalin parada ali, olhando para ele.
— Você está melhor agora? — Ela perguntou com um sorriso, e o Diabrete estava prestes a responder imediatamente com “Sim” como sempre fez com qualquer uma de suas perguntas, embora tenha notado que, na verdade, entendia um pouco o que ela estava dizendo. Ele sabia que ela estava perguntando se a dor havia passado!
— Sim! — O Diabrete então respondeu, desta vez realmente respondendo, e outra notificação apareceu na frente dele.
[A Habilidade Entendimento de Linguagem Comum Iniciante Subiu de Nível]
— Bom. Agora, você quer tentar voltar lá de novo? — Avalin perguntou, e o Diabrete realmente não conseguiu responder antes que sua cabeça começasse a cair, porque de repente estava cansado como nunca esteve antes.
— Vamos, acorde! Precisamos ir! — A coisa Vermelha exclamou, e imediatamente ao ouvir a voz dela novamente, o Diabrete levantou o pescoço enquanto outra notificação aparecia na frente dele.
[A Habilidade Resistência a Exaustão Iniciante Subiu de Nível!]
De repente, o Diabrete percebeu que não se sentia tão cansado como antes, mesmo que seu corpo ainda parecesse bastante pesado e lento, logo ouviu a voz da coisa vermelha novamente.
— Hein? Ah, bem, acho que se isso funcionar, então… — Avalin murmurou para si e depois olhou para o Diabrete com uma expressão severa: — Bora! Rápido! Em direção à pousada! — Ela gritou e apontou na direção dos grandes edifícios e, imediatamente, o corpo do Diabrete começou a se mover sozinho, e pôde ouvir Avalin falar atrás dele novamente.
— Eh? Sério, eu sou tão idiota assim? É claro que os comandos funcionam! — A coisa vermelha sussurrou e começou a seguir o Diabrete, embora ele logo tenha parado de se mover novamente porque a dor aguda voltou à sua cabeça quando começou a ter a ideia de fugir mais uma vez.
— Diabrete! Para frente! — Avalin gritou, embora sua voz parecesse bastante conflituosa no momento em que estava olhando para ele, segurando a cabeça com dor. E então, o medo de não seguir o comando superou fortemente o medo de se aproximar do lago, mas apenas por mais alguns passos, e então o medo voltou mais forte do que nunca.
[Você está lutando contra o próprio medo. Força de Vontade +1]
Lentamente, o Diabrete conseguiu esfriar a cabeça novamente e deu mais alguns passos à frente, mas agora o Diabrete realmente conseguia-
— N-Não pare! — Avalin gritou gaguejando em direção ao Diabrete, e ele imediatamente sentiu seus pés se moverem por conta própria, enquanto continuava a se mover em direção às grandes estruturas contra sua vontade.
O tempo todo, sua mente parecia estar quebrando, Implorando para fugir imediatamente, e sempre que isso acontecia, Avalin dava ao Diabrete outro comando para seguir em frente, o obrigando a avançar. Algumas notificações apareceram enquanto o Diabrete andava, e elas sempre pareciam tornar pelo menos um pouquinho mais fácil continuar, embora tirar um balde de água do oceano também não fizesse diferença.
Mas logo essas notificações pararam de aparecer e seu corpo parecia estar alcançando o limite do cansaço, então, o Diabrete não aguentou mais e seu corpo caiu na grama.
Tudo o que conseguia ver naquele momento era a escuridão do interior de suas pálpebras, enquanto o exterior estava pressionado contra a terra. Seu corpo estava preso no lugar e ele não conseguia continuar, não Importa o que acontecesse.
Era como se todo o seu corpo convulsionasse ao mesmo tempo, Impossibilitando qualquer tipo de movimento. Para o Diabrete, parecia estar prestes a morrer, embora logo sentisse algo puxando seus braços.
Por alguns momentos, o Diabrete pensou ser Avalin o puxando para longe das grandes estruturas novamente, mas logo percebeu estar enganado, pois seu corpo continuou a se contrair em resposta a parecer se aproximar do que causava um medo imenso, até que parou em algum lugar no chão firme e ficou lá deitado por mais um tempo, até que pareceu conseguir se acalmar de alguma forma.
Isso demorou um pouco, porém, seu medo foi substituído por outra emoção quando ouviu a voz de uma certa coisa, embora ainda não conseguisse vê-la.
— Esse bastardo preguiçoso. Por que você o deixou dormir na grama? — James perguntou com raiva, e em seguida, a voz de Avalin pôde ser ouvida novamente.
— Eu não deixei ninguém dormindo, ele caiu durinho! — Ela exclamou, e por alguns momentos pareceu haver um silêncio completo, enquanto o Diabrete apenas tentava se concentrar para não desmaiar porque por algum motivo instintivamente sabia que não deveria fazer isso no momento.
Por um tempo, James e Avalin pareceram começar a gritar um com o outro novamente, antes que o Diabrete sentisse uma mão fria tocar sua testa quando ficaram quietos. Por um momento, ficou surpreso com a sensação repentina, mas logo pareceu ajudá-lo a se acalmar de alguma forma. Foi como se seu corpo relaxasse e o medo de tudo desaparecesse ao mesmo tempo, antes que o Diabrete conseguisse lentamente se levantar e abrir os olhos.
Ele estava agora muito mais perto das grandes estruturas do que antes, e ao seu redor, inúmeras coisas andavam, olhando para ele com desconfiança e cheias de medo.
E o Diabrete retribuiu sentindo medo mais uma vez também, embora desta vez não fosse um medo tão avassalador como antes, em vez disso ficou apenas um pouco assustado e optou por se esconder atrás de Avalin.
— Bom… parece que já melhorou, hein? — A coisa vermelha, sussurrou com um suspiro de alívio e olhou para o Diabrete parado atrás dela, antes de coçar sua bochecha.
— Agora, vamos tentar nos aproximar um pouco mais — Ela sugeriu, antes de agarrar o Diabrete pela mão para conduzi-lo como se fosse uma criança.
Algumas vezes, parecia que o Diabrete acabaria com muito medo de seguir em frente novamente, mas por algum motivo, com o apoio de Avalin em vez de seus comandos, conseguiu continuar em frente, até entrarem na maior estrutura da área antes de subir as escadas em direção a onde estava a coisa azul.
— Hein? Já chegaram? — Thomas perguntou e então olhou para o Diabrete, ainda segurando a mão de Avalin.
— O que exatamente você está fazendo aí? — Ele então perguntou com um sorriso irônico, antes de Avalin encolher os ombros.
— Ele age como uma criança na maior parte do tempo, então vamos tentar tratá-lo como uma. Talvez isso o ajude a atravessar a cidade? — Avalin sugeriu, e mais uma vez Thomas olhou para ela com um sorriso irônico.
— “Ele”? — Thomas perguntou, e Avalin suspirou profundamente antes de olhar irritado para a coisa azul.
— Sim, “Ele”. E não comece com essa merda agora James, não estou com saco para isso — Ela exclamou com bastante raiva, apertando a mão do Diabrete com força suficiente para fazer uma notificação vermelha aparecer.
[-2 de Vida]
Imediatamente, Avalin afrouxou o aperto e olhou para o Diabrete de lado: — Oh, desculpa! Machuquei você? — Ela perguntou com preocupação na voz, e o Diabrete apenas inclinou a cabeça para o lado. Ele mais uma vez quis apenas responder com “Sim”, mas desta vez, entendeu o que ela estava perguntando, então disse o contrário.
— Não… — Ele murmurou nervoso por ser a primeira vez que disse essa palavra, e Avalin apenas sorriu de alívio.
— Tudo bem, estou feliz… — Avalin sussurrou, antes que Thomas olhasse para ela com uma carranca profunda.
— Certo… Vamos para as salas de treinamento no porão, por enquanto, James já está lá também. Acho que precisamos ter uma conversa.
…