
Volume 1 - Capítulo 1
A Virtude do Demônio
Dormir. Lutar. Comer. Este era o básico que todo monstro deveria saber.
Claro que quanto mais altos fossem os seus níveis, e quanto mais inteligência ou força ganhassem, mais coisas conseguiriam fazer, mas mais de 99% de todos os monstros eram como máquinas estúpidas que não sabiam nada além do básico.
Claro, existiam monstros que excediam até mesmo os padrões humanos, com uma inteligência que envergonharia o maior estudioso do mundo e uma força que só poderia ser superada por todas as nações do mundo juntas, ou Habilidades que cada pessoa desejava ter.
Mas havia uma qualidade que era tão rara em monstros que apenas um punhado era realmente conhecido por tê-la, ao mesmo tempo, em que era ignorada por qualquer pessoa no mundo e rapidamente descartada como uma baboseira: bondade.
Era possível domar um monstro, mas isso era o máximo. Independente do método utilizado, era impossível ensinar bondade a um ser que causaria o caos sempre que o domador desviasse sua atenção.
Mesmo assim, embora fossem em sua maioria criaturas irracionais e perversas, aqueles que podiam raciocinar até certo ponto ainda seguiam as leis semelhantes aos humanos e tinham conceitos semelhantes a dividir a população em Plebeus, Nobreza e Realeza, embora a força fosse o valor mais importante que os Monstros usavam para escolher quem pertencia a qual ‘classe social’.
Os monstros burros e sem razão eram os camponeses.
Aqueles com pelo menos algo semelhante a uma mente, que conseguiam ouvir os comandos daqueles mais fortes que eles, eram plebeus.
A nobreza estava repleta de monstros tão inteligentes quantos os humanos, embora fossem muito mais fortes do que a maioria deles poderiam sonhar em ser.
E então, finalmente, a Realeza era preenchida com aqueles diretamente abaixo do Rei, o Monstro que estava no ápice que cada monstro ou demônio poderia chegar.
O conceito por trás da escolha de um novo ‘Rei’ era bastante simples, entretanto. Se você pudesse matar o rei, você tomaria seu lugar. Se um rei morresse por razões naturais, a realeza restante escolheria o mais forte entre si para ser o novo rei.
Na maioria das vezes, a realeza não conseguia escolher quem realmente era o mais forte entre eles, e acabavam lutando até a morte para poder assumir a posição de seus irmãos caídos, pelos quais não derramariam uma única lágrima.
O atual Rei dos Monstros era bastante peculiar, a maioria dos reis do passado eram aqueles que se tornaram assim através da simples força bruta após destronar o antigo rei e governaram aqueles abaixo deles para satisfazer seus próprios desejos.
Mas o rei que assumiu o trono naquele momento era um dos tipos mais raros, pois ele sentia bondade, no entanto, essa bondade não se estendia além de seus irmãos, então aqueles de quem cuidava eram apenas aqueles que ele governava. E alguém pode ficar confuso, pensando que tal coisa não é ‘Bondade’, mas simples lealdade ao seu povo, embora não seja muito diferente da bondade espalhada entre os Humanos.
Por mais gentis que fossem com os que os rodeavam, se deram tudo o que possuíam aos mais necessitados e viveram sem um único pensamento perverso quando cercados por outras pessoas, se se deparassem com outra coisa, tal bondade desapareceria imediatamente. Eles não piscariam ao ver um monstro sendo morto e, em vez disso, celebrariam isso.
Não importava se aquele Monstro ainda não tivesse feito nada de errado, era um monstro e precisava ser exterminado por esse único motivo.
Essas coisas mostravam o que realmente era a bondade: egoísmo.
Uma bondade que visava tornar a vida mais conveniente ou satisfazer seu próprio senso de autoestima. Simplesmente, fazer o que quisessem e permitir que aqueles ao seu redor fossem egoístas.
Nesse sentido, a Bondade do Rei dos Monstros e a Bondade das pessoas do mundo não eram muito diferentes. Tudo o que queriam era matar o inimigo para proteger o seu próprio povo.
E esta é a história de um jovem monstro fazendo tudo o que pode para cumprir sua Bondade Egoísta pessoal, tentando escapar da Bondade do Rei dos Monstros.
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