Despertar do Talento: A Ascensão do Mestre Multiclasse Subestimado!

Capítulo 49

Despertar do Talento: A Ascensão do Mestre Multiclasse Subestimado!

Tradutor/Revisor: miggigibe


Depois de algumas horas, eles finalmente chegaram ao Refúgio Fogo Dourado.

O Refúgio Fogo Dourado surgiu entre as árvores cada vez mais ralas como algo que havia sido colocado ali sem muito planejamento e jamais mudara desde então.

Era uma comunidade pequena, com muros modestos e construções modestas, o tipo de lugar que se acomodara em um nível confortável de existência e parara de tentar ir além. A estrada que levava até sua entrada, porém, era bem conservada, o que dizia algo sobre o tráfego comercial que passava por ali regularmente no caminho entre a Estrada da Liberdade e as cidades mais adiante.

Dois agentes de segurança saíram do posto de entrada no instante em que a caravana reduziu a velocidade, ambos vestindo o uniforme padrão do Refúgio e carregando a autoridade treinada de homens cujo trabalho inteiro consistia em fazer perguntas e decidir quem seguia adiante.

O mais velho se aproximou do lado do motorista e ergueu uma mão.

— Origem e destino — disse.

Crest fez a caravana parar por completo.

Sera desceu de seu lado sem esperar que pedissem, pisou na estrada e levou a mão ao interior da jaqueta. De lá, retirou a insígnia do Império de Aço, um distintivo compacto com o selo do império em alto-relevo metálico, o tipo de identificação que pessoas em posições como aquela reconheciam de imediato.

O segurança olhou para o distintivo.

Então olhou para Sera.

Então deu um pequeno passo para trás e endireitou a postura.

— Império de Aço — disse.

— Sim — Sera respondeu. — Estamos de passagem. Rumo à Cidade da Força.

O homem assentiu uma vez e olhou para o colega, que já havia se movido para autorizar a passagem da caravana.

— Sem problemas — disse o mais velho. — Boa viagem.

Sera voltou para dentro sem responder, e a caravana avançou pela entrada do Refúgio Fogo Dourado, atravessando direto até o outro lado sem parar, enquanto a pequena comunidade passava pelos dois lados como uma breve interrupção antes de a estrada se abrir novamente à frente.

Ninguém falou por algum tempo depois disso.


A Cidade da Força se anunciou muito antes de eles a alcançarem.

A estrada se alargava gradualmente conforme eles se aproximavam, a superfície melhorando a cada quilômetro até ficar tão limpa e nivelada quanto qualquer estrada que Roman havia visto desde que entrara nas Badlands.

A linha de árvores deu lugar a terreno aberto dos dois lados, e as estruturas que começaram a surgir à distância não eram o tipo de construção que alguém poderia confundir com qualquer outra coisa.

Grandes. Organizadas. Erguidas com intenção.

A Cidade da Força estava muito à frente da Cidade da Cidadela em todos os aspectos visíveis. Onde a Cidade da Cidadela era movimentada, densa e movida pela energia do comércio, a Cidade da Força carregava outro tipo de peso. Era mais ampla, mais limpa, e os edifícios que se erguiam dentro de suas muralhas tinham uma uniformidade que sugeria que alguém planejara tudo desde o início, em vez de simplesmente deixar a cidade crescer por conta própria.

As próprias muralhas foram a primeira coisa que realmente se impôs. Espessas, altas, construídas com uma pedra que parecia ter sido escolhida pela qualidade, não apenas pela disponibilidade, com postos de guarda em intervalos medidos e o movimento de pessoal organizado visível mesmo da estrada do lado de fora.

A caravana se aproximou da entrada de controle e parou diante do portão.

Um guarda de fronteira avançou, ombros largos e coluna reta, com outros três visíveis atrás dele no próprio portão.

— Origem e propósito — disse.

Sera desceu outra vez.

— Império de Aço — disse ela. — Estamos atravessando a Cidade da Força para acessar a Grande Passagem na altura do marco de cinco quilômetros. O trecho inicial está bloqueado por tráfego pesado, e precisamos usar a estrada da cidade para transitar.

O guarda de fronteira olhou para a insígnia que ela lhe estendeu.

Então olhou para a caravana.

Então voltou a olhar para Sera.

— É contra a lei da nossa cidade permitir que veículos estrangeiros usem nossas vias para transporte de longa distância — disse. — As estradas da Cidade da Força são apenas para residentes e parceiros comerciais registrados.

— Somos do Império de Aço — Sera disse, mantendo a voz controlada. — O próprio Imperador nos enviou em missão. Não estamos aqui para causar nenhuma perturbação. Só precisamos de passagem.

— Pode ser — disse o guarda de fronteira —, mas a lei se aplica independentemente da origem. Não posso abrir exceções com base em…

— Não estou pedindo uma exceção — Sera disse, e, pela primeira vez, sua voz carregou uma leve aspereza. — Estou pedindo que reconheça que somos representantes oficiais do Império de Aço em uma missão imperial e aja de acordo.

— E eu estou dizendo — respondeu o guarda de fronteira, igualando o tom dela sem erguer a voz — que a lei da Cidade da Força não se dobra por uma missão imperial que não diz respeito à nossa administração.

Os dois se encararam, e a discussão se assentou no tipo de impasse tenso e imóvel em que ambos os lados já deixaram suas posições claras e nenhum dos dois está pronto para recuar.

Atrás deles, Dax havia saído da caravana e estava de braços cruzados, enquanto Crest mantinha a janela aberta, observando a troca com a expressão paciente de alguém que já passara por situações daquele tipo vezes suficientes para saber que forçar raramente ajudava.

A discussão já durava vários minutos e não chegava a lugar algum quando o som de cascos veio de dentro do portão.

Todos se viraram.

Um cavalo branco atravessou o portão em ritmo calmo, sem pressa, e a pessoa montada nele se vestia de um modo que tornava completamente desnecessária qualquer distinção entre autoridade e performance.

Cores sóbrias da cidade, um casaco longo talhado para parecer ao mesmo tempo formal e funcional, o tipo de postura que vinha de anos sendo a pessoa em torno da qual todos em uma sala se orientavam sem que fosse preciso pedir.

Os guardas de fronteira se viraram, viram quem era e se curvaram imediatamente.

O cavalo parou logo depois do portão, e a cavaleira olhou para a cena diante de si com uma expressão calma e avaliadora.

O guarda de fronteira responsável abriu a boca para começar uma explicação.

Ela ergueu uma das mãos, e ele fechou a boca.

Ela olhou para a caravana. Olhou para Sera. Olhou para a insígnia ainda na mão de Sera.

— Eles são do Império de Aço — disse simplesmente. — Deixem-nos passar.

Os guardas de fronteira se moveram sem mais uma palavra, o portão se abriu suavemente, e Sera olhou para a cavaleira por um momento antes de fazer um curto aceno de reconhecimento.

Na parte de trás da caravana, Roman observava pela fresta da cobertura traseira desde que o cavalo aparecera, inclinando-se um pouco mais para a frente a cada segundo.

Ele soube quem era antes mesmo de ela falar.

A compostura. O cavalo branco. O modo como cada pessoa naquele portão parara de discutir no instante em que ela surgiu, não porque tinham medo dela, mas porque simplesmente reconheceram que a conversa havia terminado.

North Rockbridge, prefeita da Cidade da Força.

Roman se recostou e soltou uma respiração lenta.

— Continuem andando — Dax disse lá da frente, e a caravana avançou pelo portão e entrou na Cidade da Força.

Por dentro, a cidade era ainda mais impressionante.

Estradas largas, movimento organizado, vendedores e moradores seguindo com seus afazeres com a eficiência calma de pessoas que viviam em um lugar que funcionava como deveria. Havia ali uma limpeza que o Posto Rastro de Sangue ainda não era capaz sequer de imaginar, e Roman absorveu tudo em silêncio, guardando cada detalhe.

Eles não foram longe antes que o som de cascos surgisse ao lado da caravana.

North emparelhou com a janela do motorista e falou com Crest.

— Vocês estão viajando há algum tempo — disse. Não era exatamente uma pergunta.

— Vários dias — Sera respondeu do banco do passageiro.

North assentiu devagar.

— Então jantem comigo antes de continuar — disse ela. — Descansem aqui esta noite. A Grande Passagem ainda estará lá pela manhã.

A expressão de Sera não mudou.

— Agradecemos a oferta, mas estamos seguindo um cronograma.

— Uma noite — North disse simplesmente. — Você e sua equipe. A estrada é longa, e vocês viajarão melhor depois do descanso.

Crest e Sera trocaram um breve olhar.

O olhar de North desviou para a parte de trás da caravana por apenas um instante, então voltou para Sera.

— Seus convidados serão vigiados — disse ela. — Vou colocar dez dos meus próprios homens de guarda ao redor da caravana. Eles não irão a lugar algum.

Sera a encarou.

— Como você…

— Uma caravana com seções traseiras cobertas, dois passageiros que não se moveram nem disseram uma palavra desde que vocês chegaram… — North disse, sem alterar o tom. — Não foi difícil perceber.

Por um instante, ninguém respondeu.

Dax trocou um olhar rápido com Crest.

Crest, por sua vez, voltou-se para Sera, deixando a decisão nas mãos dela.

Sera encarou North por mais alguns segundos.

— Uma noite — murmurou por fim.

North assentiu e virou o cavalo na direção da residência da prefeita, no centro da cidade, e a caravana a seguiu.


A residência era grande, bem iluminada e ocupada por funcionários que se moviam com a eficiência particular de um lugar que funcionava direito o tempo todo, não apenas quando convidados chegavam.

Dez guardas de Rank C assumiram posições ao redor da caravana no instante em que ela parou na área externa mais afastada, distribuindo-se com o espaçamento treinado de pessoas que sabiam o que estavam fazendo.

Sera, Crest e Dax seguiram North para dentro.

E, logo, a área ficou silenciosa.

Roman esperou até o último passo desaparecer e o ruído distante engolir tudo.

Então se virou para Arnold.

— Eles se foram — disse.

Arnold olhou para os dez guardas posicionados em intervalos medidos ao redor da caravana, então voltou a olhar para Roman.

— Certo. Foram embora. Tirando os dez Rankers C nos cercando.

Roman olhou para os guardas, depois de volta para Arnold, e o canto de sua boca se ergueu levemente.

— Está pronto para dar o fora daqui de uma vez ou não?

Arnold o encarou por um longo momento com a expressão de alguém que ainda não havia decidido por completo o que pensar da pessoa sentada à sua frente, mas estava ficando sem tempo para descobrir.

— Tudo bem — disse. — Sim.

Roman assentiu uma vez, então abriu o Banco de Almas.

Decidiu invocar apenas três Servos de Alma, deixando de fora, é claro, o Soberano Rastejante Ósseo e a Formiga-Lâmina Soldado.

E então… estava pronto.

Comentários