Retorno da Seita do Monte Hua

Capítulo 125

Retorno da Seita do Monte Hua

Exibam suas melhores habilidades. 

Aquelas palavras perfuraram e torceram como uma faca no coração de Jin Hyeon. 

Ele não conseguiu evitar. 

Havia nove discípulos da Seita Wudang guardando a entrada principal da Seita Huayoung. Incluindo Jin Hyeon, eram dez no total. 

Mas o Monte Hua mandou apenas cinco discípulos. 

Se tivessem sugerido escolher um representante cada para um duelo, ele teria entendido. Eles também vieram para proteger sua seita afiliada. Por mais que fosse uma luta desigual, já que vieram até aqui, precisavam pelo menos dar a impressão de que tentaram antes de voltar. 

Mas, naquele momento, aquele idiota falava em lutar de verdade, e não apenas em um duelo simbólico. Chung Myung dizia que, mesmo que todos os discípulos de Wudang viessem de uma vez, eles dariam conta. 

“Você…” 

Do lado de Jin Hyeon havia o dobro do número de homens que o Monte Hua enviara. 

Ainda assim, Chung Myung dizia que podiam lutar, como se estivesse totalmente ignorando o Wudang. 

Em que momento da vida de Jin Hyeon ele foi tão desrespeitado? 

“Pelo Buda da longa vida…”  

Era difícil conter a raiva que fervia dentro dele sem recitar o nome de Buda. Jin Hyeon, que recitou o nome repetidamente para acalmar seu coração, mesmo assim olhou para Baek Cheon com uma raiva ainda não totalmente dissipada. 

“Devo aceitar isso como a vontade do Monte Hua?” 

Jin Hyeon queria que Baek Cheon, como sênior, declarasse sua posição. Porém, ele apenas deu de ombros à pergunta de Jin Hyeon. 

“Se voltarmos atrás agora, o mundo inteiro vai rir do Monte Hua.” 

“…” 

“E além disso.” 

Baek Cheon riu amargamente. 

“Mesmo que eu quisesse acabar com isso pacificamente, não parece que vocês vão deixar pra lá.” 

“Você percebeu bem.” 

Jin Hyeon mordeu o lábio. 

Ele suportaria insultos dirigidos a ele. Mas agora, Chung Myung não havia insultado apenas Jin Hyeon; havia insultado a própria Seita Wudang. 

“Seis horas.” 

Jin Hyeon olhou para Chung Myung com um olhar aterrorizante. 

“Um dia. Darei exatamente um dia. Amanhã, a esta hora, atacaremos a Seita Huayoung, como você disse. Note que, como foi você quem propôs isso, não nos responsabilizaremos por quaisquer acidentes imprevistos, de acordo com as leis do mundo marcial.” 

“Para que enrolar até amanhã? Se está tão incomodado, vamos lutar agora.” 

Chung Myung mexeu o dedo provocativamente. 

“Vai encarar?” 

“…” 

Os punhos de Jin Hyeon tremiam enquanto os cerrava com força. A respiração acelerou e seu rosto empalideceu. 

Vendo a cena, Yoon Jong balançou a cabeça. 

‘Ele vai morrer de pressão alta antes mesmo de lutar.’ 

Todos os discípulos do Monte Hua entenderam. Quem não o conhecia pensava que a maior força de Chung Myung residia em suas artes marciais. Contudo, mas sua habilidade marcial era insignificante comparada ao seu talento para irritar as pessoas. 

No relativamente curto tempo que Yoon Jong convivera com Chung Myung, houveram dezenas de vezes em que achou que podia morrer de raiva. A essa altura, Yoon Jong não pôde deixar de sentir pena de Jin Hyeon, apesar das tensões entre suas seitas. 

‘Não fale com ele.’ 

‘Quanto mais você fala, mais ele responde, e mais você se enfurece.’ 

No entanto, em vez de correr em direção a Chung Myung, Jin Hyeon se conteve e recuou com compostura. 

Ao ver sua calma, os discípulos do Monte Hua suspiraram de admiração. 

‘Como esperado da Seita Wudang.’ 

‘Nossa, ele conseguiu se segurar. Aguente firme.’ 

‘Tudo certo agora.’ 

Eles quase sentiram vontade de aplaudir. 

“Amanhã. Amanhã, a esta hora.” 

Grunt! 

Assim que ele terminou de falar, um som assustador de ranger de dentes foi ouvido  

“Nos veremos amanhã a esta hora. Não venha implorar pela minha misericórdia. Você vai entender por que vocês são do Monte Hua e nós somos a Seita Wudang! Vai entender claramente a diferença.” 

“Tá, tá. Beleza.” 

“…” 

Chung Myung se virou, como se estivesse entediado. 

“Que jeito longo de dizer que vai fugir porque tá com medo. Vamos entrar logo e dormir.” 

Yoon Jong ficou boquiaberto. 

‘Esse desgraçado!’ 

Ele passou três meses em isolamento só pra estudar o jeito mais eficiente de irritar os outros? 

Curiosamente, Jin Hyeon já não reagia mais. Dizem que quando uma pessoa fica com muita raiva, ela acaba ficando calma. 

Jin Hyeon virou-se após lançar a Chung Myung um olhar frio. 

“Nos vemos amanhã.” 

Com essas últimas palavras, ele saiu com passos firmes da Seita Huayoung. 

“Sahyung!” 

Os discípulos da Seita Wudang correram para o lado de Jin Hyeon. 

“Por que deixou aquele cara arrogante escapar assim!? Não precisamos esperar até amanhã! Precisamos ensiná-lo uma lição agora mesmo!” 

“Isso! Nunca vi um sujeito tão rude. Deveria arrebentar a cabeça dele pra ele voltar ao juízo. Não, ele está tão fora de si que talvez nem isso adiante!” 

Ao ouvir as reclamações de seus sajaes, Jin Hyeon parou de andar. 

“… Agora?” 

“Sim, agora!” 

Jin Hyeon soltou um profundo suspiro. 

“Sabem por que eu disse para esperarmos até amanhã?” 

“Não…” 

“Se fizermos isso agora, sangue será derramado.” 

Os sajaes ficaram em silêncio. 

Não era a primeira vez que haviam saído da seita. Eles já lidaram com conflitos assim dezenas de vezes e presenciaram incidentes grandes e pequenos. Havia alguém entre eles que não havia dado ou recebido ferimentos? 

A espada de Jin Hyeon já derramara sangue muitas vezes. 

Não havia motivo para ele ter medo de ver sangue. As palavras de Jin Hyeon significavam que ele mataria Chung Myung se a briga ocorresse naquele instante. 

Jin Hyeon virou a cabeça e olhou para a Seita Huayoung. 

“Eles logo perceberão o que fizeram. Um dia é tempo suficiente para deixar o horror que virá se assentar.” 

“Sim, sahyung.” 

“Vamos voltar.” 

Jin Hyeon foi em direção ao salão de treinamento da Academia do Caminho. Seus sajaes o seguiram e, depois de um tempo, o mestre da seita apressou-se para alcançá-lo. 

“V-Vamos juntos!” 

“Foram, hein. 

Hm. Foram mesmo.” 

“Eles realmente foram…” 

Os discípulos do Monte Hua deixados para trás olharam para a entrada vazia com expressões ligeiramente atordoadas. 

Mas, diferente deles, Wei Lishan estava à beira do desmaio. 

“O-O que… O que raios aconteceu…” 

Ele tinha certeza de que pedira ajuda. 

Mas será que ‘ajuda’ significava espancar o pessoal da Seita Wudang? 

Antigamente, o Monte Hua fora uma seita prestigiada e uma das Nove Grandes Seitas. Deveriam ter alguma amizade com a Seita Wudang. Wei Lishan esperava que, com base nessa amizade, pudessem intermediar de alguma forma. Nunca imaginou que as coisas chegassem tão longe. 

Alheio ao turbilhão interior de Wei Lishan, Chung Myung sorriu. 

“Agora vocês podem esticar as pernas e dormir tranquilos.” 

Pernas? 

Esticar as pernas? 

“Glup.”

Thud!

No fim, Wei Lishan caiu para trás e desmaiou. 

Eh!? Pai!” 

“Mestre da seita!” 

Wei Soheng e Yeom Pyong, chocados, correram para Wei Lishan. 

Chung Myung estalou a língua ao observar a cena. 

“Não quis dizer que ele devia esticar as pernas aqui. Parece que ele é bem impaciente.” 

Os discípulos do Monte Hua suspiraram. 


“Argh!”

Wei Lishan saltou da cama e olhou para o teto com os olhos arregalados. 

Depois de ficar parado assim por um bom tempo, ele passou a mão trêmula pela testa. 

‘Foi um sonho.’ 

Claro. 

Uma coisa tão absurda era impossível na vida real. 

Com um suspiro de alívio, Wei Lishan estendeu a mão para o bule e engoliu um gole d’água. 

Depois de beber a água fria, ele se sentiu um pouco mais calmo. 

Clik.

A porta abriu, e Yeom Pyong entrou. 

“O senhor acordou.” 

“… Há quanto tempo estou deitado?” 

“Foram cerca de quatro horas.” 

“Entendo…” 

Wei Lishan sentiu o corpo enfraquecer à medida que as coisas avançavam. Era necessário descansar e se recuperar, mas parecia anormal que seu corpo não conseguisse se estabilizar. 

“Preciso me levantar, nunca sabemos quando a Seita Wudang virá.” 

“Eles disseram que viriam amanhã, não foi?” 

“… Amanhã?” 

“Sim.” 

“Eles chegaram enquanto eu dormia?” 

Yeom Pyong estreitou os olhos ao encarar Wei Lishan. 

“Por acaso o senhor teve um sonho?” 

“Sim. Um sonho estranho. Uma pessoa veio do Monte Hua, e aquele sujeito com cara de arruaceiro discutiu com os discípulos de Wudang e colocou o destino da Seita Huayoung em risco ao exigir uma luta.” 

“…” 

“Era tão absurdo… Até no sonho achei que ia desmaiar. Faz sentido um louco desses vir do Monte Hua? Ele ainda disse que é o Dragão Divino do Monte Hua! Hahahahaha. Minha condição deve ser pior do que pensei…” 

Wei Lishan olhou para Yeom Pyong e parou de rir ao ver sua expressão séria. 

Houve um momento de silêncio. 

“… Não pode ser.” 

“É.” 

“Eu não acredito.” 

“Foi exatamente assim.” 

As mãos de Wei Lishan tremiam. 

“Q-Quer dizer que… Foi real?” 

“Calma, mestre da seita. O leite já foi derramado. Agora que chegamos a esse ponto, talvez devêssemos fugir à noite.” 

“Fugir à noite?” 

“Não é melhor do que resistir e morrer? Olhando para a raiva daquele homem, quando ele voltar amanhã, vai matar qualquer um que encontrar.” 

“… Mas ele não é um taoísta?” 

“Mestre da seita, veja a realidade. Se contássemos o número de pessoas que as Nove Grandes Seitas já mataram, elas preencheriam todo o Rio Amarelo e ainda sobraria. O senhor acha mesmo que não há pessoas cruéis entre eles?” 

Wei Lishan ficou sem palavras e fechou a boca. 

“Se quisermos salvar nossas vidas, precisamos pensar rápido. Um dia… Não, agora temos menos de um dia.” 

Wei Lishan se levantou com o rosto rígido. 

“Onde estão os discípulos do Monte Hua?” 

“Eu os levei aos aposentos dos hóspedes. Provavelmente estão comendo agora.” 

“Entendo…” 

Wei Lishan aceitou a realidade. 

Se não fora um sonho e aquilo realmente havia acontecido, então era hora de tomar uma decisão. 

‘Se fosse só eu, não importaria.’ 

Mas Wei Lishan tinha esposa e filho; tinha discípulos para proteger. E, acima de tudo… 

‘Desse jeito, eles também serão arrastados para isso.’ 

Os discípulos do Monte Hua haviam vindo ajudar a Seita Huayoung em seu momento de necessidade. Embora tivessem escolhido um método ruim devido à inexperiência, Wei Lishan não suportava a ideia de vê-los caírem sob a espada da Seita Wudang. 

“Pyong.” 

“Sim, mestre da seita.” 

“Acho a Seita Huayoung terá que baixar sua placa.” 

“…” 

“Mesmo que não fiquemos em Nanyang, se conseguirmos manter o nome Huayoung, já não seria o bastante?” 

“Mestre da seita…” 

Yeom Pyong fez uma expressão angustiada, mas Wei Lishan parecia se sentir um pouco mais aliviado. 

‘Era tudo ganância.’ 

Wei Lishan nunca quis abandonar a terra onde vivia. Seu coração se recusava a ser empurrado para fora pelos discípulos de Wudang. Ele fora dominado por um desejo de proteger sua seita. 

No fim, tudo se resumia à sua ganância. 

E, ao abrir mão dela, sentiu-se em paz. 

Mas o mundo nem sempre funciona como queremos. 

“Isso… Não vai sair como o senhor quer, pai.” 

Huh?” 

Wei Soheng entrou no quarto. 

“O que quer dizer com ‘não vai sair como eu quero’?” 

“Mesmo que tentemos desistir agora, os discípulos do Monte Hua não vão embora.” 

“Por quê?” 

“… É meio estranho, mas eles não parecem nem ao menos considerar perder para a Seita Wudang.” 

O rosto de Wei Lishan escureceu. 

‘Eles são realmente ingênuos até esse ponto?’ 

Não. Impossível. 

Os outros talvez fossem, mas Baek Cheon, a Espada Justa de Hua, era alguém que certamente compreendia a situação. Ele liderava os discípulos Baek e, muito provavelmente, seria o futuro líder da Seita do Monte Hua. 

Não fazia sentido que alguém assim não conseguisse avaliar a situação corretamente. 

“… Preciso me encontrar com a Espada Justa de Hua.” 

O rosto de Wei Soheng ficou constrangido. 

“Que coincidência.” 

“O quê?” 

“Bem… Ele disse que o senhor já devia ter acordado e pediu para vê-lo.” 

“… A Espada Justa de Hua?” 

“Não.” 

Wei Soheng respondeu com o rosto trêmulo. 

“Foi o Dragão Divino do Monte Hua.” 

Aquele maldito dragão do Monte Hua! 

“… Que Dragão Divino o quê. Deve ser é o dragão de merda.” 

Pela primeira vez, Wei Soheng conseguiu simpatizar plenamente com as palavras do pai. 

Comentários