Retorno da Seita do Monte Hua

Capítulo 78

Retorno da Seita do Monte Hua

“A-Ancião?” 

Baek Cheon olhou, atônito, enquanto Hyun Young o encarava com desaprovação. 

‘Será que falei algo errado?’ 

Baek Cheon apressou-se em esclarecer e tentar consertar a situação. 

“É um crime grave um discípulo de terceira classe descer até o vilarejo de Hua-Um para beber álcool. Embora o garoto tenha recebido autoridade do líder da seita para descer quando quiser, ele também recebeu permissão para beber? Não creio que ele entenda o que fez.” 

O rosto de Hyun Young se contorceu novamente. 

‘Parece que dessa vez ele entendeu muito bem.’ 

E então, imediatamente… 

“Você é alguém que não entende palavras.” 

“…O quê?” 

Hyun Young falou sem nem tentar esconder sua raiva. 

“Você é quem dita as regras do Monte Hua?” 

“C-Como eu poderia?” 

“Então me mostre onde nas regras do Monte Hua diz que discípulos não podem beber fora da seita!” 

“…” 

Baek Cheon não conseguiu responder. 

De fato, não havia tal regra. 

Afinal, que tipo de seita criaria uma regra proibindo o consumo de álcool fora dela? 

Mas um taoísta deveria ter senso de decoro! 

“E mais.” 

Hyun Young encarou Baek Cheon. 

“E daí?” 

“… Ancião?” 

“Qual o problema de beber um pouco?” 

“…” 

Por que parecia que o rosto de Hyun Young ficava cada vez mais vermelho e irritado? 

E não parava por aí. 

Eventualmente, o rosto de Hyun Young ficou cor de beterraba enquanto ele apontava para Baek Cheon. 

“Tem tanto bastardo aqui que nem consegue pagar pelo que come! E vocês reclamam quando quem bota comida na mesa gasta o próprio dinheiro com bebida? Hein!? Quem você pensa que é!? Acha que pode abusar da sua posição de Sasuk para atormentá-lo!?” 

“Huh? A-Abusar?” 

“Vocês comem a carne comprada com o dinheiro que ele ganhou! E quando ele gasta uns trocados que juntou com bebida, vocês não aguentam e correm para contar? Seus inúteis que não valem o que comem!” 

Baek Cheon ficou paralisado, sem entender a situação. 

Era difícil compreender o motivo de estar levando bronca por relatar um novato bebendo, mas ainda mais inacreditável era a reação de Hyun Young. 

Aquele era mesmo o Ancião Hyun Young? Aquele que supostamente iria para o Palácio de Gelo do Mar do Norte, mas acabou permanecendo no Monte Hua, sem jamais mostrar todo o seu potencial? Ele sempre foi conhecido por ser calmo e frio – será que esse é mesmo o mesmo homem? 

Vendo Hyun Young com os olhos esbugalhados e gritando, era difícil dizer se isso era um sonho ou não. 

“Se isso te incomoda tanto, desça até Hua-Um e ganhe algum dinheiro… Mas não! Você fica aí, ganhando reputação só por ser discípulo, e usa sua posição de Sasuk para intimidar os outros! Ficar balançando espadas e meditando o dia inteiro não vai encher a barriga de ninguém! Use a cabeça! Faça algo que preste! Quer que eu abra essa sua cabeça para ver se consigo fazer algo útil com você!? O que vocês fizeram para merecer a carne que est—” 

BANG! 

Nesse momento, alguém escancarou a porta com força e entrou. 

Hahaha! Aí está você!” 

Um rosto sorridente de maneira estranha apareceu, e Hyun Sang tapou a boca de Hyun Young por trás. 

Mmm! Mmmph! Solta… Mmmph!” 

Haha. Vamos lá fora um pouco. Para longe das crianças. Ah, fica quieto!” 

Tah! 

O som da porta se fechando deixou o refeitório em um silêncio estranho. Ninguém conseguia dizer uma só palavra. 

Nom nom nom nom. 

No meio daquele silêncio constrangedor, só se ouvia o som de Chung Myung comendo. 

“O que…” 

Baek Cheon murmurou sem perceber. 

“O que diabos aconteceu aqui?” 

Essa frase representava bem os sentimentos de todos os discípulos de segunda classe. 

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“Não está tudo estranho demais, Sahyung?” 

Apesar da pergunta ser direcionada a ele, Baek Cheon apenas pousou silenciosamente a xícara de chá em sua mão. Era uma xícara antiga, que ele usava havia muito tempo. Antes de entrar em reclusão para treinar, achava que ela tinha certo charme. Mas agora, ela lhe parecia mais patética do que elegante. 

Afinal, esse era o verdadeiro estado do Monte Hua. 

Móveis velhos, construções antigas, e pessoas envelhecidas. 

A única esperança da seita desgastada eram os discípulos – e, entre eles, a maior esperança era Baek Cheon. 

Mas depois de um ano fora, a seita havia mudado além do reconhecimento. 

“É estranho ver os prédios sendo construídos um atrás do outro, e também é estranho ver lugares que ficaram mais de dez anos abandonados sendo reformados. Quer dizer… Essas coisas até que são boas, sim. É natural querer fazer o que não pôde enquanto não se tinha dinheiro. Mas ainda assim!” 

Baek Sang falou com um tom firme, sem conseguir conter sua indignação. 

“O comportamento dos anciãos não está estranho demais? Voltamos de um treinamento longo e árduo, mas o líder da seita mal falou algo.” 

“O líder da seita não nos elogiou pelos esforços?” 

“Mesmo assim, estivemos longe por um ano…” 

“Ele é um homem ocupado.” 

Baek Sang baixou levemente a cabeça. Ele percebeu que tinha ido longe demais ao envolver o líder da seita. Mas isso não queria dizer que estava convencido. 

“Pode ser que o líder da seita tenha seus motivos, mas o Ancião Hyun Young e até mesmo o Sasuk Un Geom também estavam agindo do mesmo jeito.” 

Baek Cheon não respondeu. Qualquer coisa que dissesse soaria estranho. Se concordasse, pareceria que tinha reclamações contra os anciãos. Mas dizer que não concordava também não seria honesto — havia coisas demais o incomodando. 

“Você não percebeu? Todos os anciãos estavam do lado daquele garoto.” 

“Baek Sang.” 

“Sim, Sahyung!” 

“Não sou tão ingênuo assim.” 

“…” 

Como ele não entenderia, depois de levar uma bronca na frente de todos? 

“Sahyung. Aquele garoto… Ele é bem arrogante, não é?” 

Hmm?” 

“Mesmo que os anciãos estejam do lado dele, ele deveria ao menos abaixar a cabeça quando o Sahyung apareceu. Mas aquele garoto…” 

Baek Sang silenciou depois disso. 

Se ao menos aquele garoto tivesse zombado ou rido deles, poderiam tê-lo confrontado. Mas diante da indiferença dele, não havia o que fazer. 

Ah...” 

Baek Cheon franziu a testa. 

“E eu não entendo por que a Yu Samae está tão interessada nele. Por que ela…?” 

Uma pequena ondulação surgiu na xícara de Baek Cheon conforme sua mão tremia levemente. 

“Pode ser que Yu Samae tenha seus motivos.” 

“Mas ela mal fala conosco. Nunca a vi conversar tão ativamente com alguém antes, e não é como se tivéssemos passado só um ou dois dias com ela, não é?” 

“…” 

“Deixando a gente de lado, pelo menos com o Sahyung–” 

“Baek Sang.” 

“… Sim, Sahyung.” 

“Não se irrite tanto.” 

Baek Sang abaixou a cabeça e espiou o olhar de Baek Cheon. 

Baek Cheon tentou manter a expressão neutra, mas era inevitável que deixasse escapar o quanto aquilo o incomodava. Seus olhos tremiam, e ele mal conseguia conter a carranca. 

‘Eu, sendo superado por aquele garoto…’ 

E ele nem era um discípulo de segunda classe, era apenas um discípulo de terceira classe! 

A diferença entre os níveis de discípulos em seitas como o Monte Hua é como céu e terra. Assim como os discípulos Baek não podiam se impor sobre os discípulos Un, Chung Myung também não deveria ser capaz de se impor sobre eles. 

‘Garoto insolente.’ 

Baek Cheon mordeu os lábios. 

Nesse momento, Baek Sang, ainda curvado, continuou. 

“Me desculpe. Só estou revoltado. Voltamos de um treinamento tão difícil, mas os anciãos nem reconheceram nossos esforços, enquanto um moleque dissimulado que apareceu do nada, está sendo mimado por todos os anciões, não é?” 

“Passamos da idade de sermos mimados pelos anciãos.” 

“O Sahyung sabe que não foi isso que eu quis dizer.” 

Ele sabia. Sabia bem demais. 

Baek Cheon soltou um suspiro baixo. 

‘É como se estivessem nos tomando tudo, aos poucos.’ 

Será que ficaram fora por tempo demais? 

Antes, assim que voltassem, os mais velhos os receberiam calorosamente e depois visitariam Baek Cheon. Agora, mal demonstravam interesse por ele. 

Em vez disso, estavam todos atrás de Chung Myung. 

Baek Cheon se sentia incomodado com essa súbita mudança de status. 

Ele não sabia o que Chung Myung havia feito para conquistar tantas expectativas e receber a proteção dos anciãos, mas o Monte Hua era sua seita. 

Baek Cheon era o único que havia recebido as expectativas dos anciãos do Monte Hua, e ele é quem deveria ser a luz que guiaria a seita de volta ao seu esplendor. 

“Sahyung, vai deixá-lo assim mesmo?” 

“O que mais podemos fazer?” 

“… Não deveríamos ao menos discipliná-lo? Se deixarmos assim, o Monte Hua vai virar uma bagunça. Para manter a disciplina, o Sahyung deve intervir.” 

Baek Cheon sorriu amargamente. 

Ele estava basicamente dizendo que não gostava daquele garoto se achando e queria que alguém o colocasse no lugar dele com um belo castigo. 

“Se acalme por enquanto.” 

“Sahyung!” 

Baek Sang elevou a voz, fazendo Baek Cheon franzir a testa. Percebendo o erro, Baek Sang suspirou e baixou os olhos. 

Diante daquela reação, Baek Cheon assentiu com uma expressão satisfeita. 

“Não é que eu não queira agir.” 

“Então por que…?” 

“Há coisas que precisamos saber primeiro.” 

Huh?” 

Baek Cheon balançou a cabeça e colocou a xícara de chá de lado. 

“Existe uma ordem correta a se seguir. Você não acha necessário entender por que os anciãos estão todos protegendo aquele garoto?” 

“Ah, certo. Faz sentido.” 

“Ele está vindo.” 

“Quem?” 

Assim que Baek Cheon terminou de falar, alguém bateu na porta. 

“Entre.” 

Creek. 

Com o som da porta se abrindo, a pessoa que entrou se curvou. 

“O discípulo Yoon Jong cumprimenta os Sasuks.” 

“Bem-vindo.” 

Baek Cheon apontou para a frente. 

“Sente-se.” 

“Sim, Sasuk.” 

Yoon Jong sentou-se com cautela, seu corpo todo transmitindo humildade. Uma atitude exemplar. 

Baek Cheon gostou da atitude de Yoon Jong. 

‘É assim que deve ser.’ 

Não como aquele garoto arrogante. 

Com o humor levemente melhorado, Baek Cheon falou com um tom suave: 

“Yoon Jong.” 

“Sim, Sasuk.” 

“Enquanto estive fora, deve ter sido difícil para você lidar com os anciãos e com os discípulos.” 

“Eu apenas fiz o que deveria como discípulo do Monte Hua.” 

“Sim, está certo. Isso é algo natural. Mas…” 

Baek Cheon fez uma pausa, o que levou Yoon Jong a erguer a cabeça para observar sua expressão, e então as palavras esperadas vieram. 

“Parece que coisas estranhas estão acontecendo no Monte Hua.” 

“… Está falando sobre o Chung Myung?” 

Baek Cheon não respondeu, mas Yoon Jong entendeu o que ele queria dizer. 

“A culpa é minha por não ter guiado aquele Sajae direito. Se estiver com raiva, por favor, me puna, Sasuk.” 

“Não, não é algo que você pudesse lidar. O que estou dizendo é…” 

Baek Cheon sorriu. 

“Conte-me tudo o que aconteceu enquanto eu estive fora. Vou ouvir sua história e decidir o que fazer depois.” 

Yoon Jong suspirou profundamente. 

‘É natural eu explicar isso para o Sasuk, mas parece que estou traindo o Chung Myung.’ 

Antes de vir, Yoon Jong já havia falado com Chung Myung. Ele perguntou se podia contar tudo ao Sasuk que o chamou, e a resposta de Chung Myung foi simples. 

– Vai. 

“…” 

Teria sido bom se ele tivesse dado alguma instrução. 

Yoon Jong lançou um olhar para Baek Cheon por um instante e então começou a falar. 

“Primeiro, acho que devo começar desde a entrada do Chung Myung no Monte Hua.” 

Conforme Yoon Jong começou a contar sua história lentamente, os discípulos o ouviram prendendo a respiração. 

E, à medida que a história avançava, o rosto de Baek Cheon se distorcia cada vez mais. 

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