
Capítulo 8
Retorno da Seita do Monte Hua
O Ancião Hyun Jong, da Seita do Monte Hua, lançou um olhar confuso para Un Am.
“Você está dizendo que ele subiu até aqui sozinho?”
“Sim.”
“E então desmaiou dentro do Templo de Okcheon?”
“Parece que ele nem mesmo estava se alimentando direito, mas, como escalou o Monte Hua sozinho, é natural que tenha ficado exausto.”
“Imagino que sim.” Hyun Jong sorriu. A dificuldade do Monte Hua já era grande o suficiente para um adulto escalar. O esforço exigido de uma criança seria indescritível.
“Onde está essa criança agora?”
“Eu o levei para o Salão da Flor de Ameixeira. Também chamei Un Jin para examiná-lo, e ele disse que não há nenhum problema além da exaustão.”
“Que bom.” Hyun Jong assentiu. Independentemente das circunstâncias, aquele garoto agora era um convidado do Monte Hua.
“Mas é estranho uma criança subir aqui sozinha. Não há nenhuma história por trás disso?”
“Depois da visita ao Templo de Okcheon, eu ia perguntar a ele – mas, como sabe, ele desmaiou, então não pude perguntar.”
“Entendo.”
“Mas…”
“Hm?”
Un Am franziu a testa e explicou sobre a flor de ameixeira a Hyun Jong.
“‘Vocês venderam?’” Hyun Jong inclinou a cabeça, intrigado.
“Sim.”
“Ele disse isso e depois desmaiou? Hmm.” O Ancião acariciou a barba.
“Claro, posso ter ouvido errado. Mas é uma longa história. Isso não foi a única coisa estranha – antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, ele me perguntou se eu era um artista marcial do Monte Hua. Isso não significa que ele veio para se juntar a nós?”
“Sim.”
“Fico pensando no que ele estava planejando…”
“Você está preocupado?” Hyun Jong riu de Un Am.
“Não é isso…”
“O que há de tão estranho em saber onde fica o Monte Hua? Esta seita deixou sua marca na história. Não é de se admirar que as pessoas ainda se lembrem dela.”
“Certo.”
“E ele pode ser descendente de algum membro do Monte Hua.”
“Ah…” Un Am assentiu. Quando foram expulsos do grupo das Grandes Seitas, muitas pessoas deixaram o Monte Hua. Poucos permaneceram para compartilhar o destino até o fim. Se esse garoto era descendente de um deles, eles descobrirão.
“Se você está preocupado que ele tenha vindo roubar algo, o que ainda há para roubar?”
“… Líder da Seita.” O rosto de Un Am murchou. No entanto, Hyun Jong não percebeu.
“Venderam.” Hyun Jong balançou a cabeça e sorriu. “Certo… Certo. Talvez ele seja descendente de um antigo membro, já que parece saber o que o Templo de Okcheon costumava ser. Deve ter sido embaraçoso para a criança.”
“… Líder da Seita.”
“Já chega. É verdade que vendemos. Não há motivo para se envergonhar.”
Talvez seja melhor não contar tudo. Un Am engoliu seco. Ele não estava contando exatamente tudo o que o garoto havia dito.
“‘Vocês venderam! Seus idiotas…’” Ele se perguntou como o líder da seita reagiria a essas palavras.
“Certo. Traga-o para mim assim que ele acordar.”
“Sim, líder da seita.”
Hyun Jong perdeu-se em seus pensamentos.
Venderam. Era como sal sendo jogado sobre suas feridas. Os ancestrais nunca me perdoarão.
Não importa o quanto ele quisesse salvar o Monte Hua, como poderia encarar seus ancestrais depois de vender a própria história do Monte Hua? Doía só de pensar nisso…
O nome do Monte Hua não deve terminar em meu tempo. O rosto de Hyun Jong escureceu. Isso não aconteceria, nem mesmo em seus sonhos – ele trabalhava dia e noite para manter o Monte Hua de pé. Mas, a cada dia, sua esperança diminuía.
Un Am levantou-se silenciosamente.
“Estou indo.”
“Hm.”
“Ah…” Un Am parou, justamente quando estava prestes a sair. “Líder da seita.”
“Hm?”
“Se essa criança quiser se juntar a nós, o que planeja fazer?”
“Juntar-se a nós…” A Seita do Monte Hua não aceitava mais discípulos. No entanto, seria diferente se ele fosse descendente de um dos discípulos.
“Isso não vai acontecer.” Hyun Jong assentiu com firmeza.
“Entendido.”
“Espere.”
“Sim, líder da seita.”
“Qual é o nome dessa criança?”
“Chung Myung. É Chung Myung.”
“… Chung Myung.” A expressão de Hyun Jong escureceu. “Certo. Pode ir.”
“Sim.”
“Chung Myung…” Ele tinha o mesmo nome de um dos espadachins do Monte Hua.
“Estranho.” Era definitivamente estranho.
“Se ao menos ele ainda estivesse vivo.” Se ao menos o famoso Santo da Espada da Flor de Ameixeira tivesse sobrevivido àquele banho de sangue, o destino do Monte Hua seria muito diferente. Era um devaneio sem sentido, mas Hyun Jong não conseguia evitar.
“…Tanta dívida.”
Hyun Jong sentia-se tão, tão sozinho.
𓆩❀𓆪 𓆩❀𓆪 𓆩❀𓆪 𓆩❀𓆪 𓆩❀𓆪 𓆩❀𓆪
“Seus desgraçados malditos.” Chung Myung cuspiu xingamentos. “Vocês não tinham mais nada, então venderam isso?”
Era enlouquecedor. Mesmo que estivessem morrendo de fome, essas eram coisas que jamais deveriam ser vendidas. Não importava o quão gastas parecessem, os discípulos… Estavam mortos. As crianças mais novas não teriam… Sabido de nada.
Certo…
Mas, mesmo que o Monte Hua estivesse destruído, aquilo não podia ser vendido—
“Não, isso é melhor do que ele estar arruinado.” Se os ancestrais tivessem visto Chung Myung, teriam repreendido ele. Nenhum artista marcial deveria se apegar a coisas materiais. Ele sabia disso. Sabia muito bem.
“Droga.” Chung Myung gemeu.
Ele olhou para a cadeia de montanhas. Sempre que se sentia frustrado, subia outra montanha e olhava para o Monte Hua. Quando via os picos intermináveis emergindo das nuvens como espadas, seu ânimo se elevava. Mas agora…
“Droga.” Tudo estava ruim. Tudo estava de cabeça para baixo. Ele sentia o estômago revirar sempre que via algo que faltava.
“A seita decaiu.” Na verdade, era mais como “desabou” do que “decaiu”.
“Qualquer coisa de valor foi vendida.” Isso significava praticamente tudo no Monte Hua. Sem dúvida, Okcheon foi o último lugar que tocaram – depois de ver o Templo de Okcheon, era compreensível por que aquele lugar estava tão degradado. Eles estavam tão desesperados que arrancaram as pedras azuis e as venderam.
“…Certo. Eu entendo tudo isso! Todo o restante não tinha problema, mas isso–!”
Por que as artes marciais estão tão distorcidas?!
Chung Myung rolou pelo chão do lado de fora do salão. Ele morreria se caísse dali, mas não tinha tempo para pensar nisso.
“Aquele velho… Nem mesmo um discípulo de terceira classe?” Que destino. Em circunstâncias normais, Chung Myung nem seria capaz de adivinhar o nível de Un Am. Não importava o quão forte ele fora no passado, agora ele não era mais que um garoto.
No entanto, Chung Myung podia ver claramente o nível de artes marciais de Un Am. Não era que seus sentidos fossem fortes, mas Un Am era apenas fraco demais. Quando Chung Myung estava no auge, Un Am nem mesmo teria qualificação para ser um aluno.
“…O que eu devo fazer?” Ele nem sabia por onde começar. Sabia que deveria começar do básico, mas a situação era profunda demais para ele enxergar uma saída.
Este é o Monte Hua?
Eu devo dizer a eles que sou aquele Chung Myung? Eles o xingariam, sem dúvida. Com sorte, não o espancariam antes de expulsá-lo. Nem o próprio Chung Myung acreditaria em si mesmo.
Mas digamos que acreditassem. Suponha que o homem fosse infinitamente paciente e pedisse para ele provar isso com suas artes marciais.
Eu não tenho força. Chung Myung era como um tesouro ambulante. Ele tinha todo o conhecimento para reviver a seita, mas não o poder para se proteger. Chung Myung sabia que nem todos eram tão maravilhosos quanto seu Sahyung. E se um deles não gostasse de Chung Myung e decidisse eliminá-lo? Sua segunda vida seria roubada, assim, num instante.
Isso também não é bom.
“Então terei que reviver a seita sem revelar minha identidade.” Ou, pelo menos, escondê-la até ter os meios para se proteger.
“… Seria mais fácil lutar contra a Seita Demoníaca.” Ele deu uma risada irônica. Ele precisava ensinar artes marciais para salvar o Monte Hua e a si mesmo. Ele queria começar a bater nas pessoas, mas…
“… Se eu soubesse que isso aconteceria, não teria vindo correndo para cá.”
Ele devia isso ao Monte Hua. A única razão pela qual podia andar por aí dizendo que era o melhor espadachim do mundo era por causa do Monte Hua. No entanto, ele não havia dado nada em troca ao Monte Hua, apenas a honra de derrotar o Demônio Celestial. Graças a isso, o Monte Hua estava à beira da destruição. Como poderia ignorar o Monte Hua? Ele não podia.
“Oh, Sahyung…” Chung Myung balançou a cabeça com pesar.
Lá no céu azul, ele podia ver seu Sahyung Jang Mun sorrindo para ele.
“Ainda assim, é o Monte Hua.”
“…Uh.” Chung Myung ergueu-se. Se ele não quisesse que seu Sahyung o matasse na vida após a morte, teria que se tornar útil ao Monte Hua.
“Droga, quem disse que algo poderia ser impossível neste mundo?” Quando ele começou a aprender artes marciais no Monte Hua, quem teria imaginado que se tornaria um grande mestre? Todos pensaram que teriam sorte se ele não causasse problemas. Chung Myung superou seus olhares frios e tornou-se famoso no Monte Hua – desafiar o impossível era sua especialidade!
“Eu farei desta a melhor seita de Murim!” Os olhos de Chung Myung brilhavam com paixão.
Todos no Monte Hua estremeceram.