Dominação do Abismo

Volume 2 - Capítulo 130

Dominação do Abismo

O ar frio parecia uma faca! 

Soran também teve que vestir uma capa e se cobrir com ela. Este ano, estava mais frio no Norte do que costumava estar. De qualquer forma, Soran se lembrou de que não estava tão frio quanto agora. 

A neve havia parado, mas a velocidade de derretimento da neve e do gelo era muito lenta. Quase não havia sinais de derretimento. O gelo começou a congelar por todos os lados e alguns rios congelaram, permitindo a passagem de pessoas. 

Esse era o clima no final de setembro, e faltavam apenas cinco ou seis dias para outubro. 

Os animais dessa planície gelada começaram a sair para comer. Como os lobos também haviam começado a migrar no tempo frio, Soran encontrou muitas criaturas pelo caminho. 

Olhando para frente, parecia que a montanha estava bem na frente de Soran, mas quando Soran caminhou por algum tempo, descobriu que ainda estava muito longe. Soran já estava caminhando há meio dia e estava se aproximando gradualmente do Vale Congelado. Havia muitos cristais de gelo nas árvores ao redor dele. O Vale Congelado era o lugar mais frio do mundo. O clima lá era um tanto especial e não mudou por centenas de anos. 

O rastro de uma carruagem apareceu na neve. Soran parou para observá-la e descobriu que uma frota estava à sua frente. 

—Quem viajaria para o Reino do Gelo durante o inverno? 

Soran afastou a neve e olhou para os rastros de roda. As rodas das carruagens deveriam ter sido especialmente modificadas para ampliar sua área de contato, mas ele não havia sido transformado em um trenó. Não parecia que as pessoas vinham do sul, mas sim das cidades portuárias da região central. Era um grupo bastante grande, e Soran estimou o tamanho de pelo menos trinta a quarenta pessoas. 

— Não deveria haver nenhuma caravana chegando a essa hora? — Soran olhou cuidadosamente à frente, mas não as viu. Elas provavelmente passaram ontem e estavam se movendo lentamente na área da camada de gelo. Soran imaginou que seria capaz de encontrar essas pessoas antes do anoitecer. Ele simplesmente não conseguia entender quem estava indo para o norte em uma época tão fria. Também havia sinais de uma fogueira nas proximidades e alguns pedaços de comida foram jogados na beira da estrada. Soran olhou para o lixo e franziu a testa, porque sentiu que não se tratava de uma caravana de comerciantes. 

O gelo e a neve ficaram cada vez mais espessos. 

À medida que o dia ficava mais escuro, Soran finalmente viu um grupo de pessoas com três carruagens modificadas à sua frente. 

Um Carregador de Feras era um iaque de pele grossa. Ele tinha pelo branco como a neve em todo o corpo e apenas um chifre na cabeça. Esses iaques ficavam ao redor da caravana, bloqueando o vento frio. Essa era uma equipe de pessoas experientes que, obviamente, chegou ao terreno gelado sabendo como se sentir mais confortável. Assim como as pessoas no deserto sabiam como usar camelos para deter o vento e a areia. Os animais domesticados eram muito dóceis, e Soran não viu nenhum dos guardas da caravana nem viu muitas montarias. Soran agora tinha certeza de que as pessoas à sua frente não eram comerciantes. 

—Quem é? 

Uma pequena figura saltou para fora e olhou para Soran. Soran viu um Goblin verde, mas, ao contrário do Goblin que ele havia visto antes, sua expressão era mais rica. Seu rosto estava manchado com cores estranhas, como um palhaço. Quando o Goblin gritou, mais de uma dúzia de pessoas se levantou perto da carruagem e havia quase todos os tipos de raças, até mesmo belos Elfos ao lado de grandes Orcs. 

‘Um Circo?’ 

Soran franziu ligeiramente a testa, aproximou-se lentamente enquanto sorria. 

— Um transeunte. Após saber que vocês estavam aqui, vim pedir uma sopa quente. 

O Goblin verde olhou para ele de cima a baixo, depois deu um sorriso divertido e acenou. 

— Vamos lá. Acabamos de montar o acampamento. 

‘Um aventureiro solitário.’ 

Parecia ser de pouco perigo, pelo menos não para uma frota tão grande. 

Soran se aproximou lentamente, não completamente relaxado, olhou em volta de um momento para outro e depois perguntou: 

— Vocês são um circo? Você vai se apresentar no Reino do Gelo? 

Havia três caravanas grandes. 

Duas delas estavam carregadas com muitas coisas, muitas delas eram ferramentas para desempenho. A última não parecia tão óbvia, mas o exterior era bastante ornamentado. 

—É claro. — Uma bela Elfa se levantou. Ela tinha pele delicada e parecia ter uma linhagem dos Elfos das Pradarias, e usava uma saia delicada, como um vestido de dama para dançar, mas seu colarinho estava bem aberto, revelando seu peito branco. Havia um corte na lateral da saia que deveria ser preso por botões na parte interna. Se elas fossem abertas, suas coxas brancas como a neve ficariam expostas. Ela olhou para Soran com a cabeça inclinada e pensou que ele não parecia ser um homem ruim. Em seguida, ela reclamou casualmente. 

— Se não fosse pela apresentação, quem gostaria de vir a este lugar frio? 

Soran apertou ligeiramente os olhos, não por causa da beleza dela, nem por causa do peito branco, mas por causa das roupas em seu corpo. 

Em um clima tão frio, ela ainda usava muito pouco, no entanto, ela parecia estar bem. 

Ela deve ter uma classe avançada! 

Os artistas do mundo não deviam ser subestimados, pois muitos deles tinham várias classes, como Bardos. Isso era especialmente verdadeiro em grupos de circo, trupes de ópera e trupes de teatro, onde o número de classes podia chegar à metade das existentes. Esses artistas eram como estrelas dessa época, sendo bem recebidos em todos os lugares e uma apresentação formal lhes rendia mais do que aventuras. 

Como o Goblin verde agora mesmo. Ele devia ser um Palhaço de Combate de classe especial que avançou a partir do Bardo e, por isso, conseguiu detectar Soran tão rapidamente. 

Ao se aproximar, Soran viu um distintivo em uma figura sombria com barreiras por todos os lados e véus coloridos. Ele olhou para essas pessoas com surpresa e perguntou: 

— Circo Fantasma? 

—Hmm? — A senhorita Elfa deu uma risadinha, olhou para Soran e perguntou: —Você já ouviu falar de nós? 

—Sim, eu ouvi. — Soran assentiu com a cabeça enquanto dizia lentamente. — Vocês são muito famosos em Porto Arthur. Ouvi dizer que houve algumas apresentações muito especiais e maravilhosas. 

A senhora élfica deu uma risadinha e olhou para ele de forma brincalhona. 

— Essas apresentações não são para todos assistirem! 

Soran encolheu levemente os ombros, como se também não tivesse interesse no assunto. 

—Venha aqui. 

O Goblin verde estendeu a mão e lhe deu as boas-vindas à fogueira. Ele parecia totalmente diferente dos Goblins da região selvagem e deveria ser um dos Goblins perto de Porto do Cascalho. Os Goblins de lá já foram servos do Império Arcano, após a destruição do império, eles ainda mantiveram alguma herança. Sua pele era mais clara do que a dos outros Goblins, e eles não se identificavam com os Goblins da natureza. Eles tratavam os Goblins selvagens como os africanos tratariam os canibais, não demonstrando misericórdia quando entravam em guerra. 

— Meu nome é Penny, sou um Palhaço. — O Goblin mostrou um sorriso engraçado, levantou a comida em sua mão e disse: — Você gostaria de experimentar? Sapo de gelo com churrasco! Só podemos comer essa iguaria aqui. O gosto é muito melhor do que o das outras rãs-touro! 

‘Sapo Gelado?’ 

Soran olhou para a comida em sua mão e franziu a testa. 

— Isso não é venenoso? Comê-lo causará diarreia! 

— Está tudo bem. — Penny encolheu os ombros com indiferença e disse: —Os Goblins se atrevem a comer qualquer coisa. 

— Copper gosta de sapos e não tem medo de veneno! 

Ao redor da fogueira, um grupo de diferentes criaturas estava sentado. Havia Orcs, Anões, Elfos, Humanos e assim por diante. Havia mais de vinte pessoas, das quais quase metade eram mulheres. Soran deu uma olhada neles e descobriu que a maioria tinha uma classe avançada, com uma grande proporção de Bardos. O Circo Fantasma era uma organização ativa na região do porto, e havia mais membros do que Soran viu aqui. Com exceção dos dois que falaram, os outros estavam indiferentes a Soran, apenas cuidando de seus próprios negócios. 

Havia uma garota humana usando uma máscara de boneca com dezenas de facas voadoras em sua cintura. De vez em quando, ela olhava para Soran com olhos provocantes. 

‘A senhorita Elfa deve ser a pessoa responsável por aqui. Caso contrário, era a mulher desconhecida na carruagem.’ 

—Qual é o seu nome? Como um homem pode vir a este lugar frio? — A Elfa se aproximou e sentou-se ao lado de Soran. Ela tinha uma fragrância especial com a qual Soran estava familiarizado, um cheiro que os Sacerdotes da Senhora Luxuriosa tinham. 

Soran sorriu e a olhou. 

— Soran. Um aventureiro solitário que deseja conhecer o Reino do Gelo. Para onde você está indo? 

A senhorita Elfa olhou para sua espada curva e disse com um sorriso: 

— Para Arendell. Sua princesa mais velha será coroada em breve, então eles nos convidaram para nos apresentarmos. 

Ambas as partes fizeram perguntas de sondagem. 

Os outros pareciam não se importar, mas, na verdade, a atenção deles estava toda voltada para Soran, afinal, ele era um estranho. 

‘Arendell?’ 

A expressão de Soran ficou um pouco surpresa, pois ele se lembrou de algo. 

— Esse lugar parece ser um tanto especial. Você não ouviu nada antes? 

A senhorita Elfa deu uma risadinha astuta. 

— O que você ouviu? Não ouvimos falar de nada! Você ouviu falar de alguma coisa? 

Soran olhou para ela, encolheu os ombros de leve e fingiu estar inseguro: 

— Não havia uma lenda, há muito tempo, de que a encarnação da Deusa do Inverno estaria lá? 

A senhorita Elfa piscou os olhos várias vezes, sorrindo. 

— Sério? Eu ainda não vi a encarnação de uma divindade! 

De repente, um zumbido claro veio de uma das carruagens. 

A expressão da Elfa ficou séria. Ela se levantou rapidamente e entrou na carruagem. A cortina da entrada era tão espessa que nada podia ser visto do lado de fora. 

Após algum tempo, a senhorita Elfa saiu novamente, olhou para os outros e disse: 

— O líder pediu a todos que descansassem bem e saíssem do Vale Congelado amanhã de manhã. A propósito, seu nome é Soran, certo? Você pode acampar aqui se quiser. Se não tiver nada com você, pedirei que preparem um local. 

Soran sorriu e balançou a cabeça, indicando que não precisava da ajuda deles. 

Enquanto a mulher da carruagem falava, a atitude dos outros em relação a Soran melhorou um pouco. 

O grupo começou a se ocupar e Soran também fez uma tenda simples. Lá fora, o vento frio ainda era muito forte, e a fogueira se apagava de vez em quando. Soran olhou para a lateral da magnífica carruagem e notou algumas marcas úmidas especiais na neve, mas o clima frio já havia formado uma fina camada de gelo sobre ela. 

‘Parecem rastros deixados por uma cobra!’ 

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