
Volume 2 - Capítulo 90
Dominação do Abismo
Soran pulou levemente da varanda e pousou no jardim. Ele rapidamente se escondeu e lançou ‘Invisibilidade’ sobre si, depois saiu do distrito nobre. O saque que ele obteve era bastante decente; havia quase cem Derahls de Ouro e, se ele vendesse as joias e os anéis, conseguiria cerca de trezentos Derahls de Ouro adicionais, e claro que isso não incluía o Anel de Energia ou as coisas dentro do cofre. Quanto aos dois nobres desafortunados, Soran não poderia se importar menos com eles, já que deixaria a cidade amanhã.
Já estava na hora de os incidentes de esfolamento chegarem a Caminho Branco. Como foi um incidente de grande escala que afetou toda a região Sul, a maioria das cidades, se não todas, passou por esse evento tão aterrorizante. O objetivo desse ritual era espalhar o medo, o que fortaleceria uma certa divindade do Abismo, mas Soran, naquela época, não era forte o suficiente para desvendar a missão e conhecer os detalhes.
Soran, atualmente invisível, passou direto pelos guardas e saiu do distrito nobre como se tivesse acabado de dar um passeio no parque, no entanto, ao entrar em um beco escuro, ele notou uma silhueta nebulosa se esgueirando pela esquina.
É o Conselho das Sombras ou os Enviados do Sem Rosto?
Soran parou e se escondeu atrás de um caixote para observar a pessoa. A sombra era extremamente nebulosa e quase se misturava completamente com a noite escura. Se Soran não tivesse visão noturna, provavelmente não teria notado.
Soran observou os arredores, depois abriu um bueiro no chão e entrou nos esgotos subterrâneos. Em vez de seguir a pessoa e ver o que ela estava fazendo, ele decidiu se esconder e esperar, era perigoso meter a cabeça em todos os assuntos com os quais ele se deparava. Como se costuma dizer: a curiosidade matou o gato. Não era sensato investigar algo desnecessariamente.
Após algum tempo, Soran deixou os esgotos e voltou para o local onde estava hospedado.
Antes do início do Tempo das Perturbações, várias organizações lutavam entre si, sendo as mais ativas os Enviados do Sem Rosto, a Ordem dos Druidas e um certo grupo misterioso conhecido como Matadores de Deuses. Havia muitas existências Lendárias dentro dessas organizações e, se Soran fosse descuidado e seguisse a sombra, essas pessoas poderiam matá-lo facilmente.
De volta ao seu quarto, Soran retirou o cofre e todo o seu conjunto de ferramentas. Após mexer no cofre com muito esforço, ele ainda não conseguiu abri-lo, não tendo outra opção a não ser usar o último método: esmagá-lo com força. Felizmente, não se tratava de um cofre encantado, caso contrário, a força bruta não teria funcionado. Após abrir o cofre, Soran não pôde deixar de franzir a testa ao ver seu conteúdo. Dentro havia uma pilha de contratos imobiliários; eles não podiam ser trocados por dinheiro e poderiam ser facilmente reemitidos aos proprietários pelas autoridades da cidade, caso fossem perdidos. Em outras palavras, eles eram lixo para Soran.
No entanto, enquanto folheava os papéis, Soran não pôde deixar de prender a respiração ao notar algo entre os contratos: uma carta do Baralho de Magia Arcana.
Isso é…?
No entanto, as emoções de Soran rapidamente mudaram de direção quando ele percebeu que a carta já havia sido ativada, já havia uma foto na frente do cartão, que estaria vazio se ainda não tivesse sido usado. A imagem mostrava um braço mecânico que parecia o braço de um golem, e havia hexagramas nos quatro cantos. No verso do cartão havia um redemoinho preto. O cartão parecia ter sido guardado por um longo tempo, pois apresentava arranhões leves aqui e ali, e não pareciam ser recentes.
— O braço de um golem? — Soran murmurou enquanto observava a carta ativada. — Faz parte de um conjunto? Aquela mulher não tinha nenhuma habilidade de combate, então por que ela teria uma coisa dessas?
Ninguém sabia muito sobre o Baralho de Magia Arcana. Soran não era exceção; embora fosse mais experiente no que se refere ao Baralho de Muitas Coisas, seu conhecimento do Baralho de Magia Arcana era extremamente limitado. Ele sabia que as cartas do baralho podiam ser usadas em combinação para invocar criaturas poderosas ou fortalecer o usuário temporariamente. Por exemplo, era possível convocar um Elemental do Vento Ancião de Grau Lendário usando três cartas diferentes de elementais do vento. Essa foi a única combinação conhecida que alguém conseguiu coletar em todo o conjunto. Soran estava com tanto ciúme que, em um determinado momento, quase quis matar o cara.
De repente, uma linha de dados apareceu.
***
[Recebeu a Armadura de Mana (Braço) do Baralho de Magia Arcana! Deseja consertá-lo?]
***
Armadura de Mana?
Soran ficou assustado por um momento, mas depois respondeu:
— Iniciar reparo!
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[O reparo da Armadura de Mana (Braço) requer oitenta mil de Energia da Alma! Experiência de Abate insuficiente! Não é possível consertar!]
***
Oitenta mil de experiência? Que piada é essa? Isso é suficiente para eu alcançar o Grau Três!
Soran ficou sem palavras depois de ler a notificação. Ele continuou a olhar para a carta e notou algo: os arranhões na carta pareciam ter sido feitos por uma espada. O cartão foi feito de materiais consideravelmente resistentes e, para conseguir deixar até mesmo um arranhão, deve ter sido necessário um grande poder, no entanto, ele não tinha certeza de qual seria o significado disso, se é que haveria algum.
Pelo que Soran tinha ouvido, as armaduras de mana eram golens de alto nível e um dos itens de defesa padrão em fortalezas aéreas na época do Império Arcano. Podia-se até ver esquadrões de patrulha de golem em cidades controladas por Magos poderosos.
Os Golens podiam ser feitos com uma grande variedade de materiais, desde argila, pedra e ferro até aço e adamantita. Embora não fossem de forma alguma fracos, um golem de adamantita, basicamente o tipo mais forte de golem na era atual, tinha apenas cerca de Grau Quatro em termos de força. O único tipo de golem que possuía a força de combate de um combatente Lendário foi criado na época do Império Arcano, e era a Armadura de Mana. Tecnicamente falando, seu nome completo era armadura de golem exoesqueleto movida a mana. Certa vez, Soran se deparou com uma ruína, e seu esquadrão de aventureiros lendários quase foi dizimado.
O que vou fazer com apenas um braço?
O conjunto completo de cartas para a armadura de mana provavelmente incluía quatro membros, uma cabeça e um gerador de energia. A carta não tinha utilidade para ele no momento; não havia como obter as outras cartas ou tanta experiência de Abate do nada, sem mencionar que ele não tinha o luxo de gastar tanta experiência para consertá-las. Soran colocou o cartão em sua bolsa multidimensional, desapontado, e continuou a procurar outras coisas no cofre. Havia algumas joias, e isso pelo menos o ajudou a se acalmar um pouco.
O sol já estava despontando no horizonte.
Soran, que não estava nem um pouco cansado, mexeu no Anel de Energia e tentou avaliá-lo. Era um dos itens de Grau Raro mais comuns e pertencia a um conjunto de dois anéis, sendo o outro o Anel de Proteção. O primeiro podia disparar um raio de energia para causar dano, enquanto o segundo podia implantar um escudo de cem pontos de vida. Eles eram considerados ótimos itens para iniciantes.
***
[Tipo de item: Anel de Energia +1
Grau do item: Raro (Grau 1)
Descrição: Um anel encantado feito com alquimia. Quando ativado, o anel dispara um feixe com uma pontuação de trinta e seis em lançamento de feitiços. Ele pode ser recarregado por meio da alquimia.
Requisitos: Nenhum
Efeitos: Feixe de energia (1 / 1 uso restante)]
***
Apesar da descrição um tanto extravagante, os princípios por trás da operação do anel eram relativamente simples. Uma formação alquímica que converteu matéria em energia foi gravada no anel, e disparar o anel gastaria a gema no anel. Para recarregar o anel, bastava colocar outra gema ou joia no espaço vazio.
No jogo, Soran ainda usava o conjunto de anéis depois de entrar no Reino das Lendas, e ele os considerava quase tão úteis quanto os itens de Grau Lendário. Os anéis, especialmente o Anel de Proteção, salvaram a sua vida muitas vezes.
De manhã, Soran saiu de seu quarto e foi para a casa de Gloria. Ele não havia deixado rastros na noite passada, e os dois nobres não deveriam ter visto seu rosto, portanto, ele não estava preocupado em ser pego ou descoberto pelos guardas, mas parecia haver mais guardas nas ruas, e todos estavam mais alertados do que o normal. Soran não tinha certeza se os nobres haviam notificado os guardas, porque ser roubado durante um encontro não era a coisa mais gloriosa para se gabar.
Soran ficou surpreso ao ver que a segurança na mansão de Gloria também estava muito mais rígida do que antes. Quando ele entrou, Gloria falou com uma voz firme:
— Alguém foi esfolado ontem à noite!
O quê?
A expressão de Soran mudou e ele respondeu rapidamente.
— Onde está Vivian? Estou indo embora com ela agora mesmo!
Gloria olhou profundamente nos olhos de Soran.
— Você sabe de uma coisa, não sabe? Caso contrário, você não teria deixado Cidade Âmbar conosco às pressas! Você sabia de antemão o que aconteceria com a cidade, não é?
Soran se acalmou e ficou em silêncio por um segundo, depois respondeu lentamente:
— Eu também não sei muito, tudo o que sei é que os incidentes de esfolamento fazem parte de um antigo ritual de uma divindade maligna. Isso afetará muitos lugares, e os caídos trarão matança e morte, eles espalharão o medo por toda a região.
— Como esperado. — Gloria assentiu como se tivesse finalmente entendido alguma coisa, depois continuou: — É por isso que você está saindo com Vivian para entrar no território dos Elfos? Esse lugar pertence à Rainha da Floresta, e os caídos não conseguirão entrar facilmente. É isso?
Soran não sabia como responder, então simplesmente assentiu com a cabeça. Simplesmente não havia como ele contar a Gloria tudo o que sabia sobre o Tempo das Perturbações, embora contar a ela sobre os incidentes de esfolamento fosse um bom começo, afinal, era apenas o início de uma cadeia de eventos.
Gloria hesitou por um momento, depois tirou um pergaminho e o entregou a Soran. Ela perguntou a ele em um tom sério:
— O que você sabe? Isso foi entregue a mim pelo Conselho das Bruxas, na Cidade dos Salmos, ocorreu um incidente de suicídio em grupo. Mil pessoas assistiram à apresentação de um bardo, e centenas se mataram naquela noite. Havia Sacerdotes e Paladinos de alto escalão entre os mortos. Isso tem alguma coisa a ver com os incidentes de esfolamento?
O Hellpoemer?
Soran leu o pergaminho com uma expressão complicada.
— Não deveria haver nenhuma relação entre os dois. Esse bardo pode ser alguém de mitos e lendas. Você já ouviu falar do Hellpoemer?
Gloria estremeceu ao ouvir o nome.
— Hellpoemer! Ele deveria ter caído há séculos…
Soran olhou para ela e hesitou, mas acabou decidindo contar-lhe o que sabia.
— Apenas seu corpo morreu. No momento de sua morte, ele já havia feito um acordo com os demônios no Inferno.
O Hellpoemer: um dos três Bardos Lendários que já existiram no mundo.
* * *