
Capítulo 902
Getting a Technology System in Modern Day
Embora a invasão tenha inicialmente provocado pânico geral e tentativas desesperadas de fuga, os navios imóveis, flutuando sem poder, na órbita, serviam como um aviso sombrio: não havia como escapar. A mensagem se espalhou rapidamente, e ninguém mais ousou tentar fugir.
A vida sob uma liderança quase feudal tinha ensinado à população a se adaptar rapidamente às mudanças de poder. Assim, quando ficou claro que os invasores não estavam mirando civis, o pânico geral começou a diminuir. Ainda assim, o povo permanecia em alerta, optando por se esconder. As forças invasoras haviam deixado claro suas intenções ao atingir apenas estruturas militares e de liderança, mas isso não garantia que os civis não seriam os próximos, assim que as maiores ameaças fossem neutralizadas.
Já faz sete dias desde o início dos combates, e os sons de batalha quase desapareceram. Os céus, antes frenéticos, agora estavam calmos. Contudo, nenhuma declaração de vitória havia sido feita, nenhum anúncio, nenhuma notícia, nem mesmo rumores. O silêncio pesava sobre todos. Ninguém tinha coragem de sair para buscar respostas. Sem informações, tudo que podiam fazer era esperar, e quanto mais tempo passava, maior era a ansiedade.
Então, o silêncio foi quebrado.
Todos os dispositivos conectados à rede planetária soaram ao mesmo tempo. Cada tela se iluminou com uma mensagem breve, porém arrepiante:
[O novo líder vai falar ao planeta em poucos minutos. É obrigatório assistir. Quem for pego não assistindo será severamente punido.]
A mensagem era curta, mas seu significado era inequívoco. A guerra tinha acabado. O governo anterior caiu. Uma nova força assumiu o controle.
O medo percorreu a população. Muitos se perguntaram que tipo de líder exigiria tal protocolo e que punições poderiam esperar quem desobedecesse. Por mais aterrorizante que fosse a liderança antiga, ao menos ela era familiar. Agora, enfrentavam o desconhecido, e o desconhecido havia chegado com força avassaladora.
Ninguém ousou testar se o aviso era uma farsa.
Por toda parte, as telas mudaram para a transmissão ao vivo. Um contador regressivo de dez minutos começou a contar. Todos assistiram.
E esperaram.
…………………….
{Se você seguir adiante, todas as forças do Conclave vão te perseguir no momento em que descobrirem sua real intenção,} advertiu o Pequeno Protagonista ao Dreznor uma última vez.
— Eu sei, — respondeu Dreznor, com calma e determinação. — Mas alguém tem que ser a face da libertação. Não tenho mais nada que eles possam usar contra mim — minha família toda já morreu. E usar um ex-pirata como cabeça de cartaz? Isso só afastaria possíveis aliados. Viriam a chamar de golpe. Mas um ex-escravo… alguém que escapou do sistema e voltou pra lutar contra ele? Essa é uma história em que vale a pena acreditar.
Embora parte disso fosse resultado de um acordo com o Império, era evidente pela chama em sua voz que aquilo não era apenas cumprir sua parte no plano. Agora, era algo pessoal.
— Se você entende o risco, basta isso, — ela respondeu, sua voz suavizando. Parecia que ela ia desistir de tentar mudar a cabeça dele, mas, na verdade, ela estava orgulhosa. Dreznor não estava mais apenas seguindo ordens. Ele escolheu lutar. O Império, honrando sua promessa, tinha levado a algo que nenhum deles esperava.
— Então vá. Faça sua entrada. Torne-se o homem mais caçado do Conclave e o símbolo de esperança para os oprimidos, — ela acrescentou com uma ponta de sorriso na voz.
Dreznor assentiu silenciosamente ao entrar na sala de imprensa virtual. Era ali que ele se dirigiria a todo o planeta e além.
— Mh... — ele fungou, enquanto sua roupa se transformava, brilhando e mudando para o traje tradicional de seu mundo natal, régio, mas simples. Restavam trinta segundos.
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— Povos de Zypharion — começou Dreznor, erguendo-se com firmeza enquanto a transmissão entrava no ar, — Eu sou Dreznor, líder das forças de libertação, e a partir de hoje, o novo comandante deste planeta. Mas antes disso... eu fui um escravo.
Ele deixou a frase pairar por um instante.
— Venho de uma civilização que perdeu uma guerra com os vizinhos. Desde então, minha existência foi marcada não por liberdade ou escolha, mas por correntes. Tenho certeza de que muitos já deduziram isso pela minha aparência. Mas isso não importa mais.
— O que importa é o que eu vi, o que suportei, o que muitos de vocês também suportaram.
— Vi crueldade de perto. Vi escravos usados como reprodutores, forçados a abusar um ao outro para que seus senhores lucrassem. Vi pessoas obrigadas a lutar até a morte por entretenimento. Vi meus povos sendo usados como urinários, privadas, ou brinquedos distorcidos para fetiches de alguém.
— Quando finalmente consegui escapar... minha família pagou o preço. Cada um deles foi morto porque eu fugi. Naquele dia, ao segurarmos seus corpos sem vida, fiz uma promessa — uma promessa de que não ficaria parado, permitindo que essa barbárie continuasse. Que não seria um participante silencioso desse sistema. Que vingaria cada pessoa quebrada, torturada ou descartada, sejam escravos, serviçais ou cidadãos livres pisoteados pelos poderosos.
Ele fez uma pausa. Respirou fundo. Deixou o silêncio carregado do peso de suas palavras.
— Hoje, começo a cumprir essa promessa.
— A partir de agora, declaro que todos neste planeta são livres. Iguais. Protegidos pela lei e pela dignidade, não pelo nascimento, espécie ou dono.
— Se você era escravo, quebrei suas correntes agora mesmo.
— Se foi falsamente acusado, estou lhe isentando.
— Se foi oprimido, acolho sua voz e prometo lutar pelos seus direitos.
— Mas nem todos caminharão conosco nesta nova fase. Alguns precisarão ser removidos para que a luz volte a brilhar. Para que o sol nasce novamente sobre Zypharion... a escuridão deve ser erradicada.
Ao dizer isso, o cenário atrás dele começou a cintilar. Figuras começaram a surgir uma a uma, vestindo roupas simples, mãos amarradas, colares de metal ao redor do pescoço. Cada uma exibia uma placa pendurada no peito, com seus nomes e antigos cargos de poder.
— Estes — continuou Dreznor, com tom mais severo — são os que governaram enquanto outros sangraram. Hoje, vou julgá-los, não com crueldade, mas com justiça. Que o raio dessa justiça seja forte o suficiente para atravessar a cortina que há anos encobre o nosso planeta.
Ele ergueu a mão. Num flash de luz, o ex-líder planetário apareceu ao seu lado, ajoelhado como um homem quebrado, diante de um palco de leilão.
Dreznor virou lentamente para ele, com voz firme e carregada de gravidade.
— Está preparado — perguntou — para ser julgado pelo justo?
O pedestal desapareceu. A sala digital se desfez. No seu lugar, um campo aberto, infinito, se estendia sob um céu cinzento.
Antes que o homem pudesse responder, ou talvez tentasse, mas sem som algum vindo, Dreznor levantou novamente o braço.
— Então, que comece o julgamento.
De repente, quase cem mil bonecos surgiram. Humanoides, em silêncio, assustadores. Estavam alinhados em formação, como um exército convocado do nada.
Os espectadores de Zypharion ficaram em silêncio de horror.
Até o ex-líder, agora tremendo, só conseguia olhar com olhos arregalados, horrorizado.
Porque ninguém sabia o que eram aqueles bonecos...
Mas todos sabiam que estavam prestes a descobrir.