Getting a Technology System in Modern Day

Capítulo 821

Getting a Technology System in Modern Day

— Você tem certeza disso? — uma pessoa com aparência jovem perguntou ao seu amigo com um tom preocupado.

— Sim, não posso participar dessa excursão por causa dos recursos necessários para acomodar minha presença lá — respondeu Henry, com o olhar fixo na tela à sua frente. A tela exibia um anúncio de uma próxima excursão organizada para crianças do programa Casa da Esperança, prevista para daqui a uma semana.

A pessoa que questionava era um dos poucos amigos próximos que Henry tinha feito na vida. Eles tinham se conhecido há alguns anos, quando Henry acompanhou seu irmão numa visita a um dos edifícios do programa Casa da Esperança. Desde então, a ligação entre eles havia se fortalecido, tornando a decepção do amigo com a decisão de Henry ainda mais evidente.

Após essa primeira convivência, Henry manteve visitas regulares aos amigos que conquistara, e Aron até garantiu que Henry estudasse na mesma escola que eles, para lhe proporcionar uma infância o mais normal possível.

— Mas o sistema solar não é um dos lugares mais seguros pra você? E nós nem estamos chegando às bordas dele — perguntou Paul, claramente relutante em aproveitar a excursão sem Henry.

— Paul, você tem ideia do esforço que leva só para eu me deslocar de uma cidade para outra, mesmo na Terra? — respondeu Henry, caindo na mesma prática do irmão de responder a uma pergunta com outra pergunta.

— Acho que... pelo menos alguns seguranças? Embora eu nunca tenha visto nenhum — respondeu Paul, revirando a memória para ver se lembrava de ter notado algum segurança além do motorista que acompanhava Henry nas inúmeras vezes em que eles tinham saído juntos com os outros amigos.

Ao ouvir a resposta de Paul, Henry sorriu de leve, antes de levantar um dedo e apontar para o céu. Paul seguiu instintivamente o gesto, esperando ver algo importante, mas não passou de uma visão familiar do céu. Confuso, virou o olhar de volta para Henry, silenciosamente pedindo uma explicação.

— Temos um satélite nos monitorando e acompanhando tudo o que acontece nesta cidade — começou Henry com um pequeno sorriso. — Ele é controlado por uma inteligência artificial, que filtra e garante que não haja nada ao nosso redor que possa representar uma ameaça. E, mesmo que eu não possa dizer exatamente quem são porque nem eu sei, alguns dos que estão por perto fazem parte da minha equipe de segurança, todos altamente treinados na habilidade de despertar.

Enquanto falava sobre as medidas de segurança próximas, as íris de Henry brilharam brevemente em dourado antes de voltarem à cor habitual.

— Toda a força de segurança desta cidade está em alerta máximo, pronta para agir assim que o sistema detectar algo fora do comum. E isso… — ele disse, levantando o pulso para mostrar um aparelho elegante que se assemelhava a um relógio, — é um escudo pessoal. Ele se ativa instantaneamente se perceber um perigo à minha vida e consegue suportar ataques pesados por tempo suficiente para que a equipe de segurança próxima possa intervir e neutralizar a ameaça.

Henry fez uma pausa por um momento, olhando para o dispositivo com um sorriso irônico. — E isso é só a segurança que consegui descobrir analisando os registros financeiros associados a mim. Aposto que nem chega a dez por cento do que meu irmão tem de proteções. Honestamente, nem ficaria surpreso se houverem naves clandestinas me seguindo onde quer que eu vá.

Paul, agora plenamente consciente da escala das medidas de segurança ao redor do seu amigo, sentiu um calafrio subindo por sua espinha. Pele com formigamento, ele relembrava todas as aventuras tolas que ele e o grupo de amigos tinham se envolvido ao longo dos anos. A percepção de que cada uma daquelas situações provavelmente tinha sido gravada — e talvez até observada — pelos atentos seguranças de Henry o deixava desconfortável. O que o assustava ainda mais era o fato de Henry, consciente dessa vigilância constante, parecer tão despreocupado com ela.

Percebendo o desconforto de Paul, Henry sorriu suavemente e disse: — Não se preocupe com eles. Enquanto não estivermos cometendo nenhum crime, vão simplesmente ignorar o que estamos fazendo. — Sua voz era leve e tranquilizadora, numa tentativa de acalmar o amigo, que agora parecia um pouco paranoico.

Conforme Paul se acalmava gradualmente, seus pensamentos retornaram ao tema inicial. Ele percebeu que, se medidas de segurança tão rigorosas eram necessárias para garantir a segurança de Henry na Terra — provavelmente o lugar mais seguro do império — então os recursos e esforços para protegê-lo durante uma excursão fora do planeta, especialmente logo após a guerra, seriam impensáveis.

— Hah — suspirou Paul, finalmente entendendo. Então, perguntou: — E que tal planejarmos uma visita a algum lugar na Terra nesse dia, em vez disso? —

Henry levantou uma sobrancelha, surpreso com a sugestão do amigo. — Por que você está desistindo de uma oportunidade maravilhosa de dar uma volta pelo sistema solar só porque eu não posso ir? — perguntou, realmente perplexo.

Paul encolheu os ombros e respondeu: — A gente pode explorar o sistema solar quando você puder nos acompanhar. Até lá, que tal ficarmos na Terra e aproveitarmos ao máximo? — sorriu e colocou a mão no ombro de Henry.

Porém, assim que fez isso, Paul congelou, olhando ao redor de forma nervosa, claramente preocupado se alguém da extensa equipe de segurança de Henry poderia aparecer de repente para repreendê-lo — ou pior, quebrar a sua mão.

Henry explodiu de rir com a reação de Paul, achando sua paranoia tanto divertida quanto fofa. — Relaxa, Paul. Eles não vão te machucar por ser simpático! — brincou, balançando a cabeça.

…………………

Na Simulação Universal, Aron sentado na sua mesa analisava dados quando a voz de Nova interrompeu sua concentração. Ela lhe atualizou sobre uma conversa entre Henry e seu amigo Paul e a decisão que Henry havia tomado.

Aron permaneceu em silêncio por um instante, processando as informações que Nova lhe passou. Finalmente, quebrou o silêncio perguntando: — Será que é adequado eu participar deles? —

A surpresa de Nova era evidente na entonação dela.

{Você quer ir na excursão para convencer ele a seguir você?}

Aron riu, reconhecendo o quão incomum seu pedido parecia. — Você também acha que é exagero, né? —

{É,} respondeu Nova de forma direta. {Tudo o que você precisa fazer é explicar que os gastos com segurança não são tão altos quanto ele pensa, pelo menos enquanto estiver dentro do sistema solar. Além disso, sua presença tornaria uma simples excursão um espetáculo. Isso desviaria a atenção dos crianças, talvez colocando uma pressão indevida sobre elas e atrapalhando o propósito do evento. Elas devem criar memórias, não lidar com a atenção que sua presença inevitavelmente atrairia.}

Aron suspirou, concordando. — É, você tem razão. Preciso conversar com ele sobre isso. —

Ele se recostou na cadeira, já pensando na melhor forma de abordar a conversa. Ainda que não seja exatamente uma escuta clandestina, a ideia de uma IA monitorando e sinalizando conversas privadas para sua atenção era delicada. Apesar de ser uma ferramenta necessária para garantir a segurança de Henry, exigia cuidado ao agir com base nessa informação.

{Quando ele voltar, te aviso,} Nova garantiu a ele.

— Obrigado — disse Aron, oferecendo um sorriso discreto antes de voltar a concentrar-se em sua pesquisa.

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