
Capítulo 706
Getting a Technology System in Modern Day
"Não somos perfeitos," começou Aron, mudando seu tom para algo mais sério após as cumprimentos habituais, o que fez muitos na plateia erguerem as sobrancelhas com curiosidade.
"Como humanos, lutamos entre nós. Matamos, roubamos, traímos e cometemos inúmeras atrocidades uns contra os outros." Ele fez uma pausa, o peso de suas palavras pairando no ar. As pessoas começaram a se perguntar se ele se arrependia de ter falado aquilo ou se havia recebido o roteiro errado.
Mas Aron insistiu, sem se deixar abalar. "Não digo isso para nos enaltecer por nossas falhas ou diminuir a humanidade. Digo isso para deixar claro—somos indivíduos imperfeitos."
Ele prosseguiu: "Sim, lutamos entre nós, mas também ajudamos uns aos outros. Sim, cometemos atrocidades, mas também fizemos coisas melhores—tão melhores que essas ações superiores ofuscaram as piores. E, mais importante, aprendemos. Aprendemos com nossos erros e tomamos passos para que eles não aconteçam novamente, ou, se ocorrerem, para minimizar os danos."
"Isto," ele afirmou com convicção, "é nossa única verdadeira vantagem sobre vocês—a experiência. Experiência adquirida por tentativa e erro, pelo tempo em que nossa espécie precisou aprender e evoluir."
Ele fez uma nova pausa, dando ao público um momento para refletir sobre suas palavras. "Experiência conquistada porque tivemos que sobreviver e prosperar em um planeta que muitas vezes parecia decidido a nos eliminar, com corpos não feitos para os desafios que enfrentamos."
"Experiência adquirida através de interações com diferentes grupos, com pontos de vista variados, forçando-nos a fazer concessões, a nos adaptar, a crescer."
"E tudo isso," ele disse, gesticulando amplamente, "nos trouxe até aqui, a este sistema estelar."
Ele fez outra pausa, deixando que suas palavras caíssem profundamente na plateia. Os humanos na multidão sentiram uma mistura de orgulho e reflexão, enquanto os Proximians tentavam se imaginar no lugar da humanidade, considerando a longa jornada que ela havia percorrido até chegar a esse momento.
"Mas só porque vocês não passaram pelo que nós passamos não significa que não tenham vantagens sobre nós," continuou Aron, passando a reconhecer as forças dos Proximians.
"Sua vantagem está na pureza, na experiência de vida não contaminada que a maioria dos humanos perde durante o nosso desenvolvimento. Os obstáculos do destino que complicaram a sociedade humana desde seu começo tiraram isso de nós."
Ele fez uma pausa e acrescentou: "Outra vantagem é como vocês começaram suas vidas como um grupo unido. Vocês não tiveram que suportar a brutalidade e a divisão que experimentamos para alcançar a unidade. É algo que tenho inveja—algo que acredito que precisamos desesperadamente manter para não nos perdermos pelo caminho."
O tom de Aron suavizou ao chegar ao ponto final. "Por isso, desde o momento em que soube da existência de vocês e de suas características únicas, percebi que era vital que vocês se juntassem a nós. Seja como cidadãos imperiais ou como aliados, vocês funcionariam como um contrapeso, assim como nós podemos ser para vocês, garantindo que nenhum de nós se desvie do caminho."
Ele sorriu ao concluir: "Com esse raciocínio, e por muitas outras razões, dou as boas-vindas oficiais a vocês em nosso império, como seus mais novos membros. Que essa união seja tão próspera quanto todos nós desejamos."
O discurso de Aron foi notavelmente breve para um evento de tamanha importância, especialmente se comparado aos discursos muitas vezes longos dos líderes mundiais de regimes anteriores. Mas ele não precisou se extender em assuntos irrelevantes; tinha foco e influência suficientes para abordar a essência da questão, o que valorizava.
A multidão explodiu em uma maré de aplausos, agitando as bandeiras do império com alegria e orgulho. Alguns ficaram tão emocionados que encheram os olhos de lágrimas. Foi uma ocasião memorável—com implicações de longo alcance não só para os Proximians, mas também para a humanidade.
'Espero que a humanidade possa adotar algumas de suas características,' refletiu Aron consigo mesmo enquanto observava a cena. A profunda gratidão dos Proximians era evidente. Eles estavam plenamente cientes de que sua própria existência dependia de um acidente, que até havia custado algumas vidas humanas.
Mas mesmo que tivessem sido criados por outros meios, sabiam que levaria milhares de anos para alcançarem esse nível de desenvolvimento. Graças ao império, eles pularam aquele processo longo e difícil, chegando diretamente à era moderna.
Sua pureza e inocência significavam que absorviam tudo o que aprendiam com intensidade. Isso moldava seu comportamento e valores. Para eles, conceitos como violar contratos, golpes, acordos quebrados e desonestidade eram profundamente repudiados.
Foram criados sob a orientação do império, e essas virtudes se tornaram a base de suas ações. Como resultado, tinham os mais altos padrões para si mesmos, incorporando a integridade que Aron esperava que influenciasse o restante do império.
"Por que estão comemorando?" perguntou Crabapple, virando-se para Birch, que estava ansiosamente se juntando à celebração.
Seus novos corpos haviam sido devolvidos há apenas algumas horas, antes da cerimônia. Após assimilar o conhecimento que Aron havia preparado, decidiram participar como espectadores, ansiosos por experimentar a vida sob a perspectiva de seus filhos.
Como o público não sabia de suas novas formas físicas e sem planos de revelar sua existência tão cedo, eles se misturaram perfeitamente à multidão.
"Minha personalidade facilita as coisas para eu aproveitar," respondeu Birch com um sorriso. "Diferente de você, que provavelmente ficaria um introvertido se ficássemos na sua companhia." Ele deu uma risadinha e voltou a comemorar, fundindo-se na atmosfera energizada.
Crabapple suspirou, olhando ao redor. "Gostaria de poder sair daqui," murmurou. A área ao redor tinha uma zona sem voo, então ele não podia fugir pelo ar, e tentar navegar a pé pela multidão enorme levaria horas. Resignado, decidiu ficar pelo restante do evento.
A cerimônia seguiu normalmente, com uma série de performances previamente combinadas acontecendo conforme o planejado. Primeiro, veio a assinatura cerimonial da transferência de autoridade, um momento formal que simbolizava a união entre os Proximians e o Império.
Logo depois, ocorreu um evento solene, porém poderoso, com todos os oficiais de alto escalão do governo se aproximando para jurar lealdade ao Império e ao Imperador, consolidando a nova fase de governança.
Mas o ponto alto foi a primeira interpretação oficial do hino imperial. Quando as vozes de vinte milhões de pessoas se uniram em um só canto, o som encheu a vasta praça e ecoou além.
A força e a unidade do canto em conjunto fizeram arrepios na espinha de todos, criando uma atmosfera de emoções avassaladoras. Seja assistindo de longe, pelo streaming ao vivo, ou entre a multidão, aquele momento parecia histórico, como se fosse o nascimento de algo muito maior do que qualquer um poderia imaginar.
Após o encerramento de todas as formalidades, a cerimônia se transformou suavemente em um grande festival, mudando o tom de formalidade para celebração. O palco ganhou vida com a energia de quase todos os principais cantores dos Proximians, convidados especialmente para essa ocasião histórica.
Proximians e humanos presentes participaram das festividades, dançando, cantando juntos e celebrando a nova união.