Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 143

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Na noite anterior, Amanda havia sido obrigada por Blake a voltar para casa, já que seus pais estavam preocupados, e ninguém além dos familiares de Kyle tinha permissão para ficar com ele.

No fim, ela engoliu o aperto no peito e, relutante, obedeceu.

Ainda assim, fez Kyle prometer que ficaria em chamada com ela durante a noite inteira, mesmo dormindo. Só ouvir o som calmo de sua respiração já bastava para aliviar seu coração.

Felizmente, quando Amanda voltou para casa, seus pais não a questionaram muito. Parecia que eles ainda não tinham ideia do caos que a desgraçada da Ava Klaus havia causado. O fato de Kyle ser um caminhante noturno também não havia vindo à tona, ou seu pai definitivamente teria mencionado alguma coisa.

Enquanto estava sentada à mesa de jantar, Amanda percebeu que Melissa não estava ali, o que imediatamente a deixou um pouco preocupada.

No entanto, seu tio explicou casualmente:

— Ela só tinha um trabalho para resolver. É por isso que vamos passar a noite aqui. Provavelmente iremos embora amanhã.

Amanda fez um som baixo, pensativa.

Ela não havia esquecido o que Kyle lhe contara sobre a bênção que Melissa havia recebido recentemente. Uma bênção que, supostamente, estava destinada a se tornar um desastre.

Amanda queria ver com os próprios olhos como exatamente Melissa trabalhava. Talvez aquilo a ajudasse a chegar a alguma convicção.

Foi por isso que ela falou:

— Vou acompanhá-la e garantir que coma alguma coisa.

Seu tio pareceu ligeiramente desconfortável ao ouvir aquilo, mas não a impediu.

Fosse o que fosse que Melissa estava fazendo, claramente parecia importante tanto para ele quanto para sua empresa.

E isso só chamou ainda mais a atenção de Amanda.

Ela atravessou o corredor e subiu as escadas, seguindo em direção ao quarto de hóspedes onde Melissa passava a maior parte do tempo.

Sem se preocupar em bater, Amanda empurrou a porta e entrou.

No instante em que pisou lá dentro, encontrou Melissa encolhida ao lado do guarda-roupa, os joelhos puxados contra o peito, os olhos vazios e desfocados.

Amanda entrou em pânico imediatamente.

— Milli? O que aconteceu?

Ela correu até a prima e se ajoelhou diante dela.

— Você se machucou? Por que está sentada aqui desse jeito?

Foi então que Amanda notou o celular caído ao lado de Melissa, a tela ainda acesa.

Franzindo a testa, Amanda olhou para a notícia.

[O pequeno grupo de terroristas que entrou em Danitwin pela costa causou um caos massivo na região central. Milhares de civis foram massacrados no local, seus corpos deixados completamente intactos, mas desprovidos de vida, como se a própria essência de sua existência tivesse sido drenada. Nada restou além de cascas vazias do que um dia foram.]

Amanda franziu profundamente a testa.

— Esse não é aquele país insular do leste? Por que você está assistindo a algo assim e ficando desse jeito?

Sim, Amanda concordava que a notícia era horrível. Muitas pessoas inocentes haviam morrido.

Mas por que Melissa reagiria daquela forma?

— Milli… — Amanda hesitou antes de perguntar, até ela mesma lutando para acreditar nas próprias palavras. — …você sabia que isso ia acontecer?

Melissa finalmente reagiu.

Ela estremeceu visivelmente diante da pergunta.

Seus olhos grandes se moveram devagar até Amanda e, instantes depois, lágrimas começaram a se acumular neles.

Melissa se inclinou para mais perto antes de finalmente abaixar a cabeça no ombro de Amanda.

Amanda imediatamente a abraçou de volta, a preocupação se aprofundando.

— O que foi, Milli? Você pode me contar qualquer coisa.

Melissa levou um momento para organizar os pensamentos antes de finalmente falar.

— Eu… eu criei aquela arma.

Amanda franziu a testa, confusa.

— O que você quer dizer?

Melissa fungou contra seu ombro, os olhos bem fechados e os punhos cerrados.

— Um dispositivo capaz de extrair Gênese de humanos… eu fiz isso algum tempo atrás. M-Mas me disseram… — Sua voz tremia terrivelmente. — …me disseram que seria usado apenas para defesa…

Amanda congelou.

— Você quer dizer que… esse ataque terrorista… — Seus olhos se arregalaram um pouco. — …foi realizado usando algo que você criou?

Melissa não respondeu diretamente, mas o jeito como chorava nos braços de Amanda tornou a verdade dolorosamente óbvia.

Amanda não conseguia se lembrar de já ter ouvido Melissa chorar daquele jeito.

A agonia enterrada dentro dela escapava por cada soluço e por cada respiração trêmula. A culpa que esmagava seu coração era tão pesada que parecia insuportável, como se sua existência inteira tivesse sido soterrada por ela.

Amanda esfregou gentilmente suas costas em silêncio.

Qualquer hesitação que ainda restava em Amanda sobre aquele assunto desapareceu completamente no instante em que ouviu sua prima desabar daquele jeito.


— Então é verdade. Ela realmente causou um desastre com a bênção.

— Mas, Kyle… ela não sabia de nada.

— É, você tem razão. — Kyle se desculpou imediatamente, sabendo que Amanda ainda estava sensível com o assunto. — Eu não devia ter colocado desse jeito. O pai dela é quem está forçando Melissa a criar essas coisas. Ela não tem controle sobre como esses dispositivos acabam sendo usados.

Amanda assentiu devagar.

— Melissa disse que o equipamento talvez tenha sido roubado, mas, sinceramente… — Sua expressão escureceu. — Do jeito que eu vejo, meu tio poderia muito bem vendê-lo para quem pagasse mais, mesmo que o comprador fosse um terrorista.

Kyle franziu profundamente a testa.

— Então por que o governo ainda não a colocou sob supervisão? Quero dizer, se existisse uma cientista capaz de criar algo equivalente a um míssil nuclear, não há chance de deixarem uma empresa privada manter controle sobre ela.

Amanda ficou pensativa por um momento.

— Talvez eles ainda não tenham plena noção disso. Melissa entrou no departamento de pesquisa e desenvolvimento há pouco tempo, e, até agora, só criou armas para o Ministério Central.

Kyle assentiu em compreensão.

— Então isso, na verdade, é benéfico para nós. Assim que se juntar ao governo, ela vai se tornar um ativo intocável.

Ele fez uma pausa antes de lançar um olhar para Amanda.

— Amanda… você está preparada para isso?

Desta vez, Amanda não hesitou.

Ela assentiu com firmeza.

— Depois da nossa conversa ontem à noite… do jeito que ela chorou nos meus braços e acabou adormecendo enquanto pedia desculpas repetidas vezes… — Amanda baixou ligeiramente o olhar. — Aquilo partiu meu coração, mas também fortaleceu minha decisão.

Kyle sentiu alívio ao saber que Amanda estava ao seu lado nisso.

Não apenas porque ela poderia ajudar a suavizar as coisas com Melissa, mas porque, emocionalmente, ele também precisava da concordância dela.

— Então… como devemos proceder? — Kyle perguntou, querendo ouvir a opinião dela.

Amanda pensou por alguns instantes antes de perguntar:

— Depois que você extrair a bênção, ela vai sentir alguma dor? Ou sofrer algum dano permanente?

Kyle balançou a cabeça.

— Ela provavelmente vai continuar dormindo por algumas horas, mas é só isso. Fora isso, ficará completamente bem.

Amanda assentiu antes de falar novamente:

— Meus pais e os pais da Melissa vão sair para jogar golfe esta tarde. Quando eles forem embora, volto para casa e encontro algum jeito de fazê-la desmaiar. — Ela lançou um breve olhar para ele. — Você consegue chegar à minha casa sozinho, Kyle?

Kyle assentiu.

— Vou chamar um táxi. Não se preocupe.

Ele pensou por um momento antes de perguntar em voz baixa:

— Mas e a Melissa, Amanda? O que você vai dizer a ela quando perceber que não consegue mais usar a bênção?

— Vou contar a verdade, Kyle — Amanda respondeu sem um segundo de hesitação. — Não vou envolver você nem explicar como foi feito, mas vou assumir a responsabilidade por remover essa maldição dela.

Kyle ficou em silêncio.

Ele não fazia ideia de como Melissa reagiria àquilo, mas, como era um assunto entre as duas primas, escolheu não interferir.

Segurando a mão dela com delicadeza, falou suavemente:

— Você sempre terá meu apoio, Amanda. Não importa que decisão tome, eu vou ficar ao seu lado.

As bochechas tensas de Amanda relaxaram um pouco, e um sorriso tênue surgiu em seus lábios.

Essa era a verdadeira fonte de sua confiança.

O apoio dele.

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