
Capítulo 130
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Tlim.
O garfo perfurou a carne e pousou suavemente contra o prato.
A atmosfera na sala de jantar era sombria, e já estava assim havia algum tempo.
Desde que Blake Astortia confrontara o pai sobre o acordo que ele tentou firmar com a família de Corella, as coisas entre os dois apenas pioraram.
Blake não se arrependia de uma única palavra que dissera naquele dia. Na verdade, o velho merecia muito mais do que aquilo.
Presa entre os dois, a senhora da casa havia desistido há muito tempo de tentar mediar. Deixara que resolvessem as coisas por conta própria.
Tlim.
O garfo atingiu a cerâmica de novo, mas, desta vez, não foi o único som que rompeu o silêncio pesado.
— Kyle foi à celebração dos Maylith? — Mathew Astortia perguntou, as sobrancelhas se franzindo.
— Sim. Ele me contou — Blake respondeu com calma, sem sequer erguer o olhar.
A carranca de Mathew se aprofundou.
— E quem lhe deu o direito de tomar essa decisão? Eu ainda sou o Patriarca deste clã.
Rosnando, acrescentou:
— Ainda não oficializei que você assumiria o posto, e, considerando seu comportamento, você só está me forçando a reconsiderar.
A senhora hesitou, sem saber se deveria intervir ou permanecer em silêncio.
Blake, porém, não demonstrou sinal algum de agitação. Apenas ergueu o olhar para Mathew.
— Certo, vamos conversar.
Ele limpou os lábios antes de continuar, o tom medido.
— A empresa agora está sob meu controle. Possuo cinquenta e um por cento das ações, então você não tem mais autoridade sobre ela. Quanto ao pessoal, todos os recrutas dos últimos três anos respondem a mim. E suas economias? Confiscadas pelo governo. O que resta são alguns ativos espalhados… e esta casa.
Blake se recostou levemente, o olhar firme.
— Neste ponto, não sei se você está ignorando a realidade… ou se simplesmente ficou senil.
— Blake! — Mathew rugiu. — Você não vai falar comigo desse jeito! Eu criei você para ser o próximo chefe desta família. Investi tudo em você, só para você se virar e latir para mim assim?
A expressão de Blake permaneceu inalterada, intocada pela fúria do homem.
Com uma voz firme e inabalável, ele disse:
— Eu estava preparado para deixá-lo viver confortavelmente, sem forçá-lo a reconhecer o quanto caiu. Mas você cruzou a linha primeiro. Então agora… comece a contar os dias que lhe restam como Patriarca.
Com isso, Blake se levantou de seu assento e foi embora.
Deixando para trás um homem ardendo de raiva.
Kyle sorriu de leve ao se aproximar do cruzamento, usando as mesmas roupas formais do dia anterior.
Um carro já o esperava ali, e ao lado do veículo estava uma garota familiar, com a preocupação claramente escrita no rosto.
Quando Kyle ergueu a mão para acenar, ela não respondeu com um cumprimento. Em vez disso, avançou e envolveu os braços firmemente ao redor dele.
— Ei, eu estou bem, Amanda — ele disse suavemente, os braços envolvendo-a em resposta.
Ele havia ligado para ela mais cedo naquela manhã e contado tudo que acontecera, desde a suspeita de estar sendo observado em casa até a ajuda que recebeu de Blake.
Veronica Steelglade havia pedido a Blake que mantivesse sua ligação com Kyle em segredo de Amanda, então Kyle não a mencionou. Ainda não.
Mas, no fundo, sabia que não conseguiria esconder aquilo de Amanda por muito tempo.
Afinal, foi ele quem pediu honestidade entre os dois, e ainda assim ali estava, escondendo algo.
— Isso é injusto… ela não pode tornar sua vida tão difícil assim — Amanda reclamou, os dedos apertando a camisa dele com força em frustração.
Kyle soltou um murmúrio baixo.
— Bem, ela recebeu carta branca do governo, então está usando tudo que pode.
Ele conseguia perceber que Ava estava usando todos os recursos disponíveis para rastrear o caminhante noturno renegado, chegando ao ponto de grampear sua casa inteira.
Veronica também lhe dissera que Ava agora tinha acesso à rede de vigilância ao vivo da cidade.
Com aquele nível de autoridade e apoio, ela tinha meios para virar sua vida pacífica de cabeça para baixo.
Ainda assim, Kyle sabia que, desde que não cometesse nenhum erro descuidado, não seria pego.
Afinal, sem suas bênçãos, ele era apenas uma pessoa comum.
— Deve ter sido difícil dormir naquele galpão, não? E você disse que ficou no depósito… estava mesmo tudo bem, Kyle? — Amanda perguntou enquanto se afastava lentamente do abraço.
Kyle enxugou gentilmente as lágrimas das bochechas dela e disse:
— Sim, foi tranquilo. O lugar estava limpo, e consegui um colchão.
Ele normalmente se sentia desconfortável em espaços fechados e escuros, mas o depósito era relativamente amplo. E, como as luzes do galpão não podiam ser completamente apagadas sem uma senha, havia claridade suficiente para que dormisse sem muitos problemas.
— Eu disse para você ficar na minha casa… você é sensível demais com essas coisas.
Kyle riu baixinho e passou um braço pelos ombros dela.
— Certo, agora me leve para comer. Estou com fome.
Os ombros tensos de Amanda finalmente relaxaram um pouco antes de ela assentir e entregar as chaves do carro a ele.
Kyle assumiu o banco do motorista enquanto Amanda se acomodava ao seu lado.
Quando ligou o carro, Amanda perguntou:
— Você pensou em encontrar um novo lugar para morar? Podemos falar com um corretor, se quiser.
Ela já havia trazido o cartão com suas economias, completamente preparada para fazê-lo comprar uma casa segura naquele dia, não importava o quê.
Kyle não era alguém que aceitava favores com facilidade, mas, desta vez, Amanda estava pronta para ser teimosa.
— Sim. Blake já encontrou um lugar para mim e enviou o endereço. Vamos dar uma olhada depois de comer?
Amanda assentiu devagar. Se Blake havia escolhido a casa, então com certeza seria segura. Na família dele, Blake era o único que realmente se importava com Kyle, então ela confiava em seu julgamento.
Kyle, por sua vez, estava genuinamente faminto. Tinha comido pouco durante a celebração e, depois de voltar, nunca teve chance de pensar direito em comida. Então, agora, dirigia em direção a um restaurante conhecido perto da estação, famoso por servir seu macarrão favorito.
Deus, ele estava faminto.
— Vamos ao Deltome? — Amanda perguntou, de algum modo já adivinhando para onde ele estava indo.
— Sim. O único restaurante de macarrão onde a comida realmente parece valer o preço.
Era o único lugar que ele tinha visitado mais de dez vezes. Mesmo nos dias mais preguiçosos, arrastava-se até lá sempre que recebia sua mesada.
Amanda hesitou por um momento antes de perguntar:
— Kyle… você se importaria se outra pessoa viesse com a gente? Sabe, Melissa não conversa muito com as pessoas, e meu pai pediu para eu levá-la para sair um pouco.
Kyle piscou algumas vezes antes de assentir com facilidade.
— Sim, claro. Vamos buscá-la primeiro.
A casa de Amanda ficava no caminho, então chegaram lá rapidamente.
Ela ligou para Melissa e pediu que saísse.
Kyle olhou para si mesmo e murmurou:
— Cara… eu devia ter me trocado.
Ele ainda usava as mesmas roupas do dia anterior. Embora tivesse tomado banho e escovado os dentes, o tecido ainda carregava um traço discreto de suor.
Amanda se inclinou para mais perto e depositou um beijo suave em seus lábios.
— Você está bonito como sempre. Não se preocupe.
Com isso, recuou e saiu do carro.
Kyle riu de leve, balançando a cabeça diante das palavras dela.
Ele se virou e notou Melissa se aproximando, então abriu a porta e também saiu.
Tum.
No instante em que seu pé tocou o chão, ele congelou.
Seus olhos se arregalaram. Sua mente ficou em branco.
— Kyle?
Amanda percebeu a rigidez repentina e o chamou.
Mas ele não respondeu.
Naquele momento, a única coisa que conseguia registrar era a manopla dourada que havia aparecido em seu braço.
Lentamente, seu olhar se deslocou para a garota loira que se aproximava.
Então… era ela.