
Capítulo 120
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
A celebração era organizada e elegante. Não era comum que as pessoas fizessem comemorações formais de aniversário, e era isso que diferenciava a família Maylith.
A família Maylith sempre se manteve firme em seus valores e princípios. Em vez de seguir os costumes não escritos de outros clãs, se enredar em política ou deixar tendências passageiras moldarem seu comportamento, eles permaneciam fiéis ao que acreditavam.
Aos olhos de alguns, a família Maylith era considerada fraca por causa de seu sentimentalismo e de seus julgamentos emocionais. No entanto, o Patriarca entendia o verdadeiro valor de seu povo, de sua família e do clã como um todo.
Por isso, quando outras famílias receberam um convite para celebrar o aniversário de um homem de quarenta e um anos, não ficaram surpresas.
Embora nem todos os membros principais das cinco famílias secundárias tenham comparecido, um número significativo de convidados ainda se reuniu na residência Maylith.
— Esse vestido combina bem com você.
Amanda Maylith se virou e encontrou a mãe parada à porta.
— Obrigada — ela murmurou baixinho, concentrada em prender o brinco.
A mulher caminhou até ela e parou às suas costas.
Com um suspiro suave, disse:
— Amanda… você ainda está chateada com aquilo?
— O que você acha? — Amanda retrucou.
— Seu pai ficou constrangido na frente do velho amigo dele, mas não o vejo chateado. Na verdade, ele estava preocupado com você. Aquele homem só é sensível demais para se aproximar de você.
Como sempre, ela ficava entre pai e filha, tentando criar uma ponte entre os dois.
Amanda, na verdade, não sabia o que o pai pensava sobre aquilo.
Como ele não havia falado com ela desde o dia anterior, Amanda presumiu que ainda estivesse descontente com seu comportamento.
Encontrando o olhar da mãe pelo espelho, perguntou:
— Você não está mentindo, certo? Não quero estragar o aniversário dele tentando conversar.
Se ele estivesse realmente chateado, Amanda preferia manter distância por enquanto, especialmente naquele dia, entre todos os outros.
— Por que eu mentiria? — a mulher mais velha balançou a cabeça. — Ele estava esperando você desejar feliz aniversário para ele esta manhã. Mas você nem saiu do quarto, e isso com certeza o entristeceu.
Amanda desviou o olhar e fingiu procurar algo na gaveta.
Não era como se estivesse evitando os pais. Ela simplesmente tinha acordado perto das dez.
Depois de tudo que fizera com Kyle no dia anterior, naquele quarto, pela cama, pelo chão, pela mesa e até no banheiro, Amanda estava completamente drenada.
Ainda não conseguia entender como, apesar de ser uma sobre-humana capaz de suportar horas de treinamento intenso, não conseguia durar tempo suficiente para acompanhar o ritmo dele.
Àquela altura, até a ideia de uma conversa tranquila de travesseiro com Kyle parecia um sonho distante. Sua resistência a traía todas as vezes, deixando-a inconsciente depois de apenas algumas rodadas.
— Amanda?
— Ah, sim! — ela respondeu rápido, com um toque de constrangimento na voz.
— O que aconteceu? Seu rosto está vermelho — sua mãe perguntou, preocupada.
Nada bom. Ela estava tendo aqueles pensamentos enquanto a mãe estava bem ali. Amanda má. Precisa de bronca.
— Ah, mãe — Amanda falou de repente. — A Melissa já chegou?
— Chamou?
As duas mulheres se assustaram com a voz monótona. Uma garota espiou do outro lado da penteadeira, como se estivesse parada ali o tempo todo.
Seus olhos verdes e vazios contrastavam intensamente com os chamativos cabelos loiros na altura dos ombros. A cabeça permanecia inclinada enquanto ela olhava alternadamente para as duas.
Ela usava um vestido azul e preto que caía pelo corpo esguio.
— Milli? Quando você chegou? E como acabou no meu quarto? — Amanda disparou as perguntas uma após a outra, surpresa por sua prima e melhor amiga estar ali sem que ela percebesse.
— Tentei pregar uma peça em você, mas perdi a motivação no meio do caminho — a garota respondeu, tirando um pacote de batata chips de algum lugar e mastigando casualmente.
— Milli… sério.
A mais velha entre elas suspirou, balançando a cabeça antes de perguntar:
— Onde estão seus pais?
— Lá embaixo. Meu pai já está tomando o primeiro drinque com o tio — ela disse, lambendo os dedos até limpá-los.
A mulher assentiu e, depois de apertar gentilmente o ombro de Amanda, deixou as duas jovens sozinhas.
— Milli! Eu senti sua falta.
Melissa ergueu os braços de leve para proteger suas batatinhas enquanto deixava Amanda puxá-la para um abraço apertado.
Sua expressão permaneceu tão vazia que, se não fosse pelo movimento discreto da boca, ela pareceria uma boneca finamente esculpida.
— Tirei uma folga para vir porque você disse que queria…
Ela deixou a frase morrer com um longo suspiro.
Amanda riu. Melissa ainda não conseguia lidar com frases longas, não por doença ou deficiência alguma.
Ela simplesmente se cansava rápido demais.
— Sim, sim, eu sei que minha prima genial tem muita coisa para fazer. Mas eu queria muito você aqui hoje.
Amanda praticamente forçara Melissa a vir, fazendo-a voar por quatro horas com os pais, tudo porque queria que ela conhecesse Kyle.
Além dos pais, Melissa era a única pessoa da família em quem Amanda realmente confiava.
Ela não era como os outros primos, facilmente influenciados por poder, fama e riqueza. Melissa era alguém capaz de ficar confinada no próprio espaço por dias sem reclamar.
Era uma ouvinte natural e, às vezes, uma conselheira surpreendentemente boa também.
A maioria das lembranças mais doces da infância de Amanda incluía aquela garota.
— Mm… pare de se agarrar em mim — Melissa reclamou com um gemido.
Amanda riu e a soltou, embora sua mão permanecesse no ombro de Melissa enquanto a observava.
— Quem escolheu esse vestido para você?
Não era como se ela estivesse mal, mas ainda parecia jovem demais para aquele tipo de evento.
— Você poderia se vestir um pouco mais de acordo com a sua idade, não acha?
Com o rosto pequeno e aquelas roupas, ela não parecia ter mais que dezesseis anos. Não era necessariamente algo ruim, mas as pessoas muitas vezes não a levavam a sério por causa disso.
— Eu não queria fazer compras — Melissa respondeu, colocando casualmente outra batatinha na boca.
Amanda suspirou.
— Quer que eu te ajude a escolher algo mais adequado para a ocasião?
Ela tinha alguns vestidos no armário que serviriam em Melissa. Sim, Melissa tinha uma estrutura menor, mas, com alguns ajustes, Amanda sabia que daria um jeito.
Melissa gemeu.
— Intrometida. Ninguém olha para mim mesmo.
Amanda balançou a cabeça.
— Olham, você só não percebe.
Ela virou Melissa gentilmente para o espelho.
— Quer dizer, olhe para você. Tem traços tão angelicais e está desperdiçando tudo isso.
A resposta de Melissa?
Croc.
Nhac. Nhac.
Amanda soltou um suspiro derrotado. As coisas sempre tinham sido assim com ela. Melissa era um daqueles raros seres capazes de ver o mundo queimar e permanecer completamente impassível, desde que seu horário de sono não fosse perturbado.
Balançando a cabeça, Amanda disse:
— Bem, sente-se aqui e me deixe terminar a maquiagem.
Melissa obedeceu, ou melhor, Amanda a puxou para o lado como se ela não pesasse nada e a deixou sobre a cama.
Melissa observou enquanto Amanda ajustava o brinco e aplicava um retoque leve, então comentou:
— Você mudou.
Amanda murmurou em leve surpresa.
Melissa continuou:
— Você terminou, e agora já tem outro cara?
Amanda piscou, então soltou uma risada suave.
Ah, ela teria uma bela surpresa com isso.