
Capítulo 46
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Blake estava em um estado semelhante a um coma, com a mente entorpecida e o corpo distante, incapaz de responder.
Por isso, no instante em que uma onda repentina de energia o inundou, como água do mar ardendo em suas veias, seus instintos reagiram.
Sua mão avançou e agarrou a presença mais próxima.
A visão ainda estava turva. Ele mal conseguia distinguir que a pessoa que estava estrangulando era um homem.
— Guh… seu idiota… me solta…
De repente, uma dor aguda percorreu seu antebraço quando unhas se cravaram em sua pele.
Blake franziu a testa.
— Kyle?
Sua mão afrouxou quando a clareza voltou lentamente aos seus olhos.
— O que você está fazendo aqui?
Kyle tossiu com violência, e marcas vermelhas já começavam a se formar em seu pescoço por causa da força que Blake havia usado.
Por um breve instante, ele ficou sinceramente tentado a invocar o arco e mandar Blake de volta para a inconsciência.
Endireitando-se, disparou:
— Desgraçado, no que você estava pensando? Gah… você quase me matou.
Blake se ergueu devagar na cama, enquanto uma constatação incerta, mas cada vez mais forte, tomava forma em sua mente.
Ele… conseguia se mover.
Blake ergueu a mão esquerda, a mesma que havia sido esmagada a ponto de ficar irreconhecível.
Ela se moveu sem dificuldade.
E não era só isso. Não havia dor alguma.
Como…?
Blake se virou para o irmão, mas parou ao notar uma doçura sutil ainda presa aos lábios.
— O que você me deu…? Espera, você não mijou em mim, né?
Definitivamente havia um gosto salgado.
— Ahaha… que oportunidade perdida. Mas não, eu não fiz isso — Kyle respondeu, com um sorriso sarcástico.
Blake soltou uma risada curta.
— É, até parece que você teria coragem.
Ele olhou de novo para a própria mão e perguntou:
— Mas, falando sério, o que você fez? Por que eu estou me sentindo assim?
Ele não conseguia entender.
Lembrava-se com clareza. Antes de perder a consciência, havia sentido seus circuitos etéreos se despedaçarem. Seu corpo tinha sido destruído além de qualquer recuperação.
Não deveria haver volta depois daquilo.
E, ainda assim…
Aquilo não fazia sentido.
Seu irmão não deveria ser capaz de algo assim.
Por outro lado, Kyle sentiu uma onda de nervosismo se espalhar por dentro.
Ele não esperava que o elixir funcionasse tão bem.
Não a ponto de Blake se sentar imediatamente e começar a interrogá-lo.
Sua mente correu por várias possibilidades antes de ele finalmente dizer:
— Eu… consegui com uma amiga.
Blake franziu a testa.
— Como assim, uma amiga?
— Na verdade… minha namorada me deu. Disse que conseguiu com alguém da família dela. Eu não perguntei muita coisa.
Ele soltou um suspiro leve.
— Ela me disse que ajudaria você. Eu não acreditei no começo… achei que fosse algum tipo de mito. Mas eu estava errado. Preciso agradecer a ela.
Amanda Maylith.
A herdeira do clã Maylith.
As sobrancelhas de Blake se franziram levemente.
Não havia dúvida de que a família dela tinha influência e conexões. Mas algo assim? Um elixir capaz de trazer alguém de volta da beira da morte?
Ele conseguia sentir com clareza. Seu núcleo estava estável. O fluxo de Gênese estava suave e completo.
O que significava que seus circuitos etéreos tinham sido restaurados.
Completamente.
Que diabos poderia fazer algo assim?
— Você pode me mostrar o recipiente onde estava o tônico? — ele perguntou.
Kyle deu de ombros.
— Joguei fora. Por que você está tão interessado em saber a origem? Não deveria estar feliz por eu ter salvado sua bunda?
Blake soltou um escárnio.
— Não foi você. Foi aquela garota. Se for o caso, eu deveria agradecer a ela e à família dela.
— Por favor, não — Kyle disse imediatamente, balançando a cabeça. — A única coisa que Amanda pediu em troca do elixir foi que o nome dela ficasse fora disso. Não sei por quê, mas ela levou isso muito a sério. Então, sob nenhuma circunstância, você pode deixar alguém saber que sua recuperação foi graças a ela.
Blake estreitou os olhos para o irmão.
Seu irmão mentiroso.
Naquele exato momento, Blake já havia ativado sua habilidade, Julgamento. E, por causa disso, sabia de uma coisa com absoluta certeza.
Cada palavra que Kyle acabara de dizer era falsa.
Ele sabia que Kyle não teria como conseguir aqueles elixires sozinho e devia tê-los recebido de alguém… mas de quem, exatamente? E por que não dizia o nome?
— Então Amanda Maylith é a fonte desses elixires, certo? — Blake perguntou de novo.
Kyle piscou, surpreso, antes de cruzar os braços e assentir.
— Sim. Quantas vezes eu preciso dizer?
Outra mentira.
Blake confiava em sua habilidade mais do que em qualquer outra coisa. Se Julgamento determinava que algo era falso, então era falso.
O que significava que Kyle estava escondendo alguma coisa.
Mas por quê… e como?
Se não era Amanda, então era outra pessoa?
Então por que usar o nome dela?
Sim, era uma mentira plausível. A família Maylith tinha influência e conexões para obter algo milagroso. Mas Kyle não deveria saber algo assim sobre a família dela.
Então por que Amanda?
E, se ela não era a fonte, quem era?
Alguém tinha dado a poção a ele e mandado usar o nome dela?
Perguntas demais. Respostas de menos.
No fim, Blake olhou diretamente para ele e perguntou:
— Kyle… você está escondendo alguma coisa de mim? Algo importante demais para guardar só para você?
Kyle ficou rígido ao ouvir aquelas palavras.
O que ele estava perguntando de repente?
Será que tinha descoberto seu despertar repentino?
Não podia ser…
Blake se aproximou e colocou uma mão no ombro de Kyle.
— Seja o que for, você pode me contar, Kyle. Se estiver preocupado, eu não vou contar aos nossos pais. Isso fica entre nós.
Por um breve instante, Kyle ficou tentado.
Tentado a contar a verdade.
Que ninguém havia lhe dado aquelas poções. Que ele mesmo as havia conquistado, arriscando a própria vida.
A contar que não era mais comum.
Que havia se tornado um caminhante noturno.
Mas… ele se conteve.
Abaixando a cabeça, disse:
— Eu já te contei a verdade. Não tem mais nada.
Blake apertou os lábios e o observou. Ele nem precisava de sua habilidade para saber que Kyle estava escondendo alguma coisa.
Ainda assim, em vez de insistir, deu um passo para trás.
— Se você não quer falar sobre isso agora, tudo bem — Blake disse. — Mas, se algum dia isso ficar pesado demais, ou se você se meter em outra situação de merda, me liga.
Kyle soltou um suspiro baixo.
— Você não se irrita comigo te enchendo o saco o tempo todo?
Blake deu de ombros.
— Irrito. Mas também sei que esse meu irmão solitário não tem mais ninguém em quem se apoiar. Então vá em frente, use esse privilégio enquanto puder.
Kyle soltou uma risada baixa e balançou a cabeça.
Dando um passo para trás, abriu um sorriso.
— Bem-vindo de volta, irmão. Tente não acabar destruído de novo.
Blake balançou a cabeça, embora o sorriso discreto em seu rosto não passasse despercebido.