
Capítulo 41
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Já fazia meia hora, e Amanda ainda não havia ido embora.
Kyle suspirou enquanto espiava pelo olho mágico. Ela continuava ali, apoiada no corrimão, com a cabeça baixa.
Ele voltou para o quarto e disse a Veronica em voz baixa:
— Ela não vai embora tão cedo.
Veronica murmurou:
— Mas por que ela está aqui?
A mulher de cabelos prateados não tinha certeza se Kyle já sabia que Amanda era uma caminhante noturna e havia ido verificar como ele estava por causa do incidente.
No entanto, ele respondeu:
— Como eu vou saber? Ela tem agido de um jeito estranho desde que terminamos.
Parecia que ele ainda não sabia.
Veronica fez uma pausa.
Ela havia evitado contar a Kyle, de propósito, o possível motivo por trás do término dos dois.
Como comandante responsável pela equipe de Ethan, Veronica sabia que Amanda havia passado muito mais tempo com os membros da equipe nos últimos meses. Talvez esse tivesse sido o motivo de tudo desmoronar entre ela e Kyle.
Ainda assim, Veronica escolheu ficar em silêncio.
— O que você vai fazer agora? — perguntou ela, recostando-se na cadeira.
Kyle soltou um suspiro baixo.
Não podia manter Veronica ali a noite inteira, e, se não saísse, Amanda nunca iria embora, não importava o que ele dissesse.
No fim, falou:
— Vou conversar com ela. Quando ela for embora, você também pode sair.
— Eu… não me importo de passar a noite aqui — Veronica disse de repente, embora a hesitação em sua voz fosse óbvia.
A sugestão claramente também a deixou constrangida.
Kyle balançou a cabeça e nem se deu ao trabalho de discutir.
Abriu o guarda-roupa e vestiu um moletom grosso para cobrir os ferimentos, junto de uma calça limpa para esconder qualquer vestígio de sangue. Veronica já havia enrolado bandagens ao redor de seu joelho, então nenhuma nova mancha estragaria a roupa.
Enquanto caminhava em direção à porta, respirou fundo várias vezes.
Virando-se ligeiramente, olhou por cima do ombro e disse:
— Hm… pode ficar em silêncio?
Mesmo dizendo isso, não tinha certeza se era necessário. Amanda não era mais sua namorada, então não deveria importar se ele havia trazido outra mulher para casa.
Veronica não respondeu.
Apenas permaneceu sentada.
A expressão dela o deixou um pouco confuso, mas Kyle não se demorou nisso. Em vez disso, abriu a porta.
A garota do outro lado estremeceu imediatamente ao ouvir o clique.
As sobrancelhas dela se ergueram devagar, e seus olhos se arregalaram.
O coração de Kyle já estava inquieto antes de abrir a porta, mas agora, encarando aqueles olhos brilhantes e a preocupação dentro deles, soube que não esqueceria aquele momento tão cedo.
— Ky… Kyle.
Ela deu um passo à frente de repente, cambaleando levemente, e passou os braços ao redor dele.
Kyle não a empurrou nem a impediu enquanto Amanda o abraçava com força, o queixo apoiado em seu ombro enquanto soluços baixos escapavam dela.
— Kyle… Kyle…
Ela continuou repetindo o nome dele sem parar enquanto chorava.
Kyle não fazia ideia do que exatamente estava acontecendo, mas não havia culpa na expressão dela.
Não.
O que ele viu foi preocupação pura, como se ela estivesse apavorada com a possibilidade de perdê-lo.
Ele franziu a testa.
Não podia ser que ela o tivesse visto perto do canteiro de obras, certo?
Não havia civis por perto naquele momento.
Então por que estava tão preocupada com ele?
Amanda se afastou devagar, os olhos ainda úmidos enquanto falava:
— Eu fiquei muito preocupada com você. Eu… eu tentei, eu juro. Tentei não incomodar você, m-mas existem coisas que eu não consigo controlar.
Kyle apenas a encarou em silêncio.
As emoções cruas nos olhos dela faziam parecer que ela ainda se importava de verdade.
Mas, querendo um julgamento mais racional, perguntou ao sistema:
Analise a expressão facial dela. Ela está sendo sincera?
A Gênese se ativou e, em um instante, o sistema examinou tudo: o leve tremor nos lábios, o estremecer dos olhos, as sílabas quebradas, o movimento da garganta quando ela engolia.
A análise final correspondia exatamente ao que os próprios olhos de Kyle já lhe diziam.
[Ela está extremamente ansiosa e preocupada neste momento, hospedeiro.]
Kyle soltou o ar devagar e finalmente falou:
— Por quê, Amanda? Por que você se importa comigo? Mesmo que tenha sido só uma impressão sua, por que não consegue me tratar como alguém que não tem mais nada a ver com você?
Amanda baixou a cabeça e murmurou suavemente:
— Porque… isso é impossível para mim. Você foi meu primeiro amor, Kyle. Você me mostrou o quanto esse sentimento pode ser bonito. Você me ensinou o que significa se importar tanto com alguém que até um pequeno arranhão nessa pessoa consegue deixar seu coração inquieto.
Kyle fechou o punho, a frustração crescendo em seu peito.
— Então por que você não pensou nisso quando me traiu com o Ethan?
Amanda ergueu a cabeça no mesmo instante e negou com força.
— Eu juro, Kyle, não existe nada entre nós. Ele é só um colega. Confie em mim.
Kyle soltou um riso de deboche.
— Ah, é? Então por que você nunca me deixou ver aquelas mensagens que ele mandava? Por que mentiu dizendo que sua tia tinha sofrido um acidente? E aquelas noites em que dizia que ia dormir cedo porque o dia tinha sido exaustivo? Acha que eu não entendo esses sinais, Amanda?
A garota de cabelos negros fungou, de repente sem palavras.
Ela realmente não podia contar o verdadeiro motivo por trás daquelas mentiras. Se fizesse isso, não colocaria apenas a si mesma em perigo, mas também Kyle.
E, se dissesse que ele estava apenas imaginando coisas, estaria mentindo para ele.
O silêncio se instalou entre os dois.
Depois de um momento, Kyle balançou a cabeça e murmurou:
— Vá embora, Amanda. Como eu imaginei, quanto mais a gente conversa, mais feias as coisas ficam. É melhor você parar de se preocupar comigo e focar na sua própria vida.
Ele deu um passo para trás e se virou.
Amanda agarrou sua mão de repente.
O aperto era fraco, trêmulo, quase hesitante.
A voz suave e vacilante dela chegou aos seus ouvidos.
— Kyle… não existe ninguém para mim além de você. Por favor… me dê outra chance.
Kyle fechou os olhos e soltou a mão dela.
— Já passamos do ponto em que conversar resolveria alguma coisa, Amanda. Não volte mais aqui. Ver seu rosto me dá nojo.
Click.
Com isso, entrou e fechou a porta atrás de si.
E, pela primeira vez, Kyle se arrependeu de ter aqueles poderes.
Porque, com seus sentidos ampliados, conseguia ouvir claramente.
Amanda estava chorando.
Os olhos dele ficaram úmidos, mas ele se recusou a deixar as lágrimas caírem.
Não podia se permitir fraquejar agora.
Ela merecia aquilo.
Não podia haver concessão. Uma vez quebrada, a confiança dele não voltava.
Balançando a cabeça, decidiu voltar para o quarto quando, de repente…
[Hospedeiro, enquanto analisava o alvo, o sistema descobriu outra coisa também.]
Kyle franziu a testa, mas recusou:
Não. Eu não quero saber…
[Ela é uma caminhante noturna.]
Os olhos de Kyle se arregalaram.