Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 34

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Ethan estava sentado em silêncio na biblioteca com Hannah e Clara, estudando sem dizer nada.

Na verdade, ele nem precisava fazer aquilo.

Já havia terminado a maior parte do currículo do terceiro ano e, com um emprego garantido à sua espera, a urgência de se concentrar nos livros havia desaparecido.

Para dizer a verdade, se pudesse escolher, teria ficado ao lado de Layena durante aqueles dias difíceis. Ela estava ferida e, sem família por perto, devia estar enfrentando tudo sozinha em casa.

Mas visitá-la não era simples.

Layena não era o tipo de garota que convidaria um homem para sua casa de forma casual. Se ele aparecesse sem avisar, apenas a deixaria constrangida e tornaria as coisas mais difíceis.

— É estranho não termos recebido notícias da comandante hoje — Hannah murmurou de repente. — Normalmente, ela pede nosso relatório pelo menos uma vez por dia.

Clara gemeu.

— Isso não é uma coisa boa? Sinceramente, estou aliviada. Aquela mulher provavelmente encontraria defeito em você só por respirar.

Hannah balançou a cabeça.

— Tenha um pouco de respeito. Ela é apenas alguns anos mais velha que nós, mas já alcançou um patamar que a maioria talvez nunca consiga tocar.

Clara ficou em silêncio.

A verdade era que a comandante não havia ascendido por sorte, como Layena, que despertara uma habilidade poderosa.

Sua habilidade era considerada comum.

Ainda assim, por pura disciplina e esforço implacável, ela havia escalado alto o bastante para se tornar uma oficial de comando.

Então, apesar de todas as reclamações, Clara também a respeitava.

Foi então que o celular de Ethan começou a vibrar.

Por um momento, os três presumiram que fosse a comandante. Mas, no instante em que Ethan olhou para a tela, sua expressão ficou fria.

Hannah trocou um olhar com Clara. Nenhuma das duas perguntou quem era. Já sabiam.

Ethan se levantou em silêncio e caminhou em direção à saída de emergência.

Respirando fundo, atendeu a chamada.

— Boa noite, mãe.

[Onde você está?]

— Biblioteca — respondeu calmamente.

[Com Amanda?]

Ele quase estalou a língua, mas se conteve.

— Não… ela tinha algumas coisas para fazer.

[Tsc. Isso significa que você não está passando tempo com ela fora das aulas, não é?]

Ethan fechou o punho, mas manteve a voz estável.

— Mãe… ela acabou de terminar um relacionamento. Precisa de um tempo—

[Eu não me importo! Você vem adiando isso há tanto tempo que estou começando a achar que é gay ou algo assim.]

A mão dele apertou o celular com tanta força que a estrutura quase rachou. Ainda assim, não esmagou o aparelho nem disse as palavras que queimavam em sua garganta. Sabia exatamente quais consequências viriam se fizesse isso.

Depois de uma breve pausa, a mulher continuou:

[Escute, Ethan… é importante para nós construir uma ligação com a família de Amanda.]

[Usei meus contatos para colocá-la na sua equipe. Mas você nem sequer é próximo o bastante dela para trazê-la aqui uma única vez.]

O outro lado fez uma pausa antes de acrescentar:

[A mãe dela é uma amiga próxima minha. Se você começar a namorá-la, a aliança entre nossas famílias nos beneficiará muito. Então, pelo bem dos nove meses em que tolerei você no meu ventre, faça dela sua parceira.]

[E, se não conseguir isso, ao menos convença-a a acompanhá-lo ao jantar da família daqui a dois dias.]

Bip.

A chamada terminou.

Ethan permaneceu parado ali, com o celular ainda pressionado contra a orelha.

Seus dentes rangeram de frustração.

Ele não tinha interesse em Amanda. Sim, havia desempenhado um papel enorme em afastá-la daquele relacionamento, mas não por ciúme.

Era porque sua família tinha muito a ganhar com aquela aproximação, e Ethan deveria fazê-la se apaixonar por ele.

— Tsc… que irritante.

Passando a mão pelos cabelos, discou para Amanda.

A chamada completou.

Ela não atendeu.

Sua frustração dobrou.

Um instante depois, ele voltou à biblioteca e se aproximou da mesa onde Hannah e Clara estudavam.

Ao vê-lo de volta, a garota de cabelo curto ergueu os olhos.

— O que aconteceu?

Ethan guardou o celular no bolso e perguntou:

— Alguma de vocês sabe onde Amanda está?

Hannah olhou para Clara antes que esta respondesse:

— Ela não foi enviada para Fortis para fazer uma vistoria?

Ethan se lembrava vagamente de ter ouvido isso dela mais cedo. Mas por que ela correria para lá sozinha, sem a equipe? Se ele se lembrava corretamente, havia uma fenda não registrada naquela área que ela deveria inspecionar.

Então por que tanta pressa de repente?

— Vou verificar como ela está — Ethan disse de repente.

Antes que qualquer uma das duas pudesse responder, ele já havia se virado e ido embora.

Tinha a sensação de que aquilo, de alguma forma, estava ligado àquele fracassado de cabelo de alga.


Kyle entrou no prédio abandonado que Veronica havia mencionado, com o capuz baixo e uma máscara cobrindo a boca para esconder o rosto.

O lugar estava deserto.

Sem trabalhadores.

Sem sinais de atividade recente.

Barricadas cercavam o prédio para manter civis afastados.

Em algum lugar mais ao fundo, água pingava sem parar. O amplo saguão de entrada amplificava cada som fraco, tornando o silêncio ainda mais pesado.

A construção claramente havia parado pela metade. Ferramentas estavam espalhadas pelo chão, e materiais permaneciam parcialmente montados, como se os trabalhadores tivessem ido embora às pressas.

Sistema… o que acontece se uma fenda for deixada sem inspeção?

[Depende do estágio da fenda. Uma fenda de alto grau continua se expandindo, ampliando sua influência sobre a área ao redor. Conforme seu alcance cresce, começa a corromper os humanos próximos.]

[Quando a Gênese natural de um humano é suprimida pela Ausência, o resultado é morte ou mutação.]

[Na maioria dos casos, eles não sobrevivem.]

Sinceramente, estou surpreso, Kyle murmurou em pensamento. O governo conseguiu esconder algo tão enorme das pessoas comuns por tanto tempo.

[Vários departamentos estão envolvidos na manutenção desse sigilo. Caminhantes noturnos são poucos em número, mas não são os únicos lidando com o Mundo Etéreo.]

Kyle assentiu levemente.

Aquilo fazia sentido. Se as pessoas fossem bem pagas o suficiente, por que exporiam uma informação daquelas ao público?

Ainda assim… continuou pensando. Alguém já deveria ter surtado a essa altura. Um funcionário insatisfeito, alguém irritado com o chefe, desabafando online sobre o Mundo Etéreo. Esse tipo de coisa acontece o tempo todo.

Ainda havia coisas demais que ele não entendia sobre aquele mundo oculto.

Talvez Veronica acabasse explicando mais.

Foi então que a respiração de Kyle ficou subitamente rasa.

Uma pressão se formou em seu peito, como se tivesse acabado de subir uma ladeira íngreme.

Sistema… que sensação é essa? perguntou em pensamento, levando a mão instintivamente ao peito.

[Hospedeiro, você está perto. Por favor, aguente. O sistema o notificará se a condição se tornar severa.]

Kyle confiou no sistema e continuou avançando.

Havia uma grande caixa de ferramentas por perto. Ele a abriu rapidamente e pegou um martelo de pregos e uma chave inglesa pesada.

Não eram armas ideais, mas ele não tinha tempo para procurar algo melhor.

Teriam que servir.

Ele subiu para o andar superior.

A cada passo, a pressão em seu peito se intensificava, como se o próprio ar tivesse ficado mais pesado.

[Atrás de você, hospedeiro.]

Kyle inspirou devagar e se virou.

Lá estava.

Na parede.

Uma mancha escura agarrada à superfície de concreto, moldada como um botão de flor fechado prestes a desabrochar. Ainda assim, aquela escuridão antinatural tornava tudo muito mais sinistro.

Parecia menos uma rachadura na realidade e mais algo vivo, esperando para se abrir.

— Vamos farmar alguns pontos.

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