
Capítulo 32
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Ele precisou pegar um ônibus para chegar à casa dos pais, localizada em uma parte bastante isolada da cidade.
Aquela região era ocupada principalmente por gente rica: empresários, atores, médicos e outros moradores de posição semelhante.
Para entrar no condomínio, Kyle precisou mostrar sua identificação e confirmar a visita com um dos moradores.
Caminhando pela rua silenciosa, não pôde deixar de suspirar.
Houve uma época em que costumava correr por aquelas mesmas ruas logo cedo, como parte de sua rotina.
Não fazia tanto tempo desde que havia começado a morar sozinho, mas, sendo sincero, não sentia falta daquele lugar.
Luxo era uma coisa.
Ninguém podia negar que ter dinheiro suficiente para bancar uma vida confortável e sem preocupações era algo desejável.
No entanto, o que ele havia perdido durante aqueles anos vivendo com os pais era algo muito mais importante.
A si próprio.
Se alguém perguntasse quais eram seus momentos favoritos da infância, Kyle primeiro precisaria pensar se algum deles realmente existia.
Em seus aniversários, quando as crianças geralmente comemoravam com amigos, iam ao fliperama ou simplesmente faziam o que queriam, Kyle era obrigado a participar de encontros organizados por seu pai para fortalecer laços com figuras influentes.
Como já mencionado, a posição da família Astortia na alta sociedade não era exatamente forte. Por isso, manter conexões com outras famílias poderosas era uma necessidade, não uma escolha.
Então, sim.
Entre conforto e vida, ele escolheu viver.
Pouco depois, chegou à mansão onde sua família morava.
Respirando fundo, pisou no gramado da frente e caminhou até a entrada principal.
Ding.
Ele apertou a campainha e, após um instante, a grande porta de madeira se abriu lentamente pelo lado de dentro.
A pessoa parada ali era uma empregada loira que ele reconheceu de imediato. Era uma das três empregadas que serviam à família Astortia.
Ela fez uma breve reverência e não disse nada.
Kyle entrou em silêncio e olhou ao redor.
Fazia mais de seis meses desde sua última visita, mas quase tudo permanecia igual.
Depois de subir alguns degraus, entrou no salão de recepção, onde avistou os pais.
A mãe e o pai estavam sentados lado a lado, tomando chá com calma.
Os olhos deles pousaram sobre Kyle, e a primeira coisa que o homem perguntou foi:
— Você foi às aulas hoje?
Kyle suspirou por dentro.
É claro que essa seria a primeira pergunta.
Kyle assentiu e respondeu:
— Fui a todas as aulas e estou acompanhando os outros.
Dessa vez, sua mãe falou:
— Você não foi bem no semestre passado. Não use a condição do seu irmão como desculpa para fracassar de novo.
Kyle sentiu uma leve irritação subir dentro de si.
O comportamento deles não havia mudado nem um pouco.
Mesmo agora, enquanto Blake lutava pela vida, agiam como se tudo estivesse perfeitamente normal.
Ele permaneceu em silêncio por um instante antes de perguntar:
— Onde ele está? Vou vê-lo antes de ir embora. Claramente, minha presença é desagradável para vocês dois.
O casal pareceu ligeiramente surpreso com suas palavras. Mas, antes que pudessem responder, Kyle se virou para a empregada.
— Onde está Blake?
A empregada olhou brevemente para o senhor e a senhora da casa antes de responder em voz baixa:
— Ele está no andar de cima.
Kyle não disse mais nada e se afastou.
Enquanto subia as escadas, murmurou para si mesmo:
— Às vezes, eu simplesmente não consigo entender o que eles realmente sentem ou querem dizer.
[Quer ouvir o julgamento do sistema, hospedeiro? Pode ser um pouco duro.]
Kyle deu de ombros.
— Vá em frente. Nada que você diga sobre eles conseguiria me chocar.
[Pelo que o Olho de Deus observou em relação ao seu irmão, seus pais muito provavelmente perderam a esperança de que ele volte a ser o rosto dos Astortia. Como resultado, estão se voltando para a única opção restante para a sobrevivência da família.]
[Você.]
Kyle reduziu o passo por um instante antes de soltar uma risada curta pelo nariz.
— Acho difícil acreditar que algum dia eles confiariam em mim. E, apesar de tudo, ainda são nossos pais. Com certeza meu pai deve estar pensando em uma forma de salvar Blake.
Dessa vez, o sistema não respondeu.
Kyle não insistiu no assunto.
Logo chegou à porta.
Respirando fundo, empurrou-a e entrou.
Um bipe lento e constante vindo do monitor cardíaco o recebeu.
Do outro lado da entrada havia uma cama grande, onde seu irmão permanecia deitado, ferido e destruído.
No entanto, o que chamou a atenção de Kyle foi a mulher sentada ao lado da cama, segurando a mão de Blake com os olhos vermelhos e marejados.
Ele a reconheceu imediatamente.
— Corella?
Corella Dimitri era uma amiga próxima de Blake e gostava dele havia muito tempo. Kyle sabia disso, e aparentemente a família inteira também, exceto o próprio Blake.
Ela enxugou os olhos e disse suavemente:
— Kyle.
— Vim em uma hora ruim? — perguntou ele, pronto para sair caso ela precisasse de mais tempo sozinha.
No entanto, Corella balançou a cabeça e se levantou.
— Não, eu já estava prestes a ir embora mesmo…
Sua voz tremeu levemente, revelando que estava longe de estar calma.
Era compreensível.
Como todos os outros, ela devia ter sido informada sobre as chances de Blake sobreviver.
E a pior parte era que havia uma grande chance de ela nem sequer saber a verdadeira causa por trás da condição dele…
[Hospedeiro, ela é desperta.]
Kyle ficou em silêncio.
Bem, esquece isso.
Ela já sabia o que havia acontecido com ele.
Mas saber a verdade não tornava o peso menor.
Logo, Corella se aproximou dele. Seus olhos ainda estavam úmidos, então Kyle disse com gentileza:
— Por favor, tente se manter firme. Tudo vai ficar bem.
Foi então que as lágrimas transbordaram, e Corella o abraçou de repente.
— Ah, Kyle!
É claro que ela ficaria emotiva.
Provavelmente acreditava que Kyle não sabia a verdadeira causa da condição do irmão nem o destino que o aguardava.
Na cabeça dela, Kyle devia acreditar que Blake simplesmente havia sofrido um acidente de trânsito e logo se recuperaria.
Kyle suspirou baixinho e não tentou corrigir o mal-entendido.
Pouco depois, Corella se recompôs e foi embora, deixando-o sozinho com o irmão.
Kyle soltou um longo suspiro e se aproximou da cama.
Um pequeno frasco apareceu em sua mão enquanto ele olhava para o irmão pálido.
Vamos ver… se meus esforços valeram de alguma coisa.