
Volume 1 - Capítulo 162
O Sistema do Necromante Mais Forte
Tradutor/Revisor: miggigibe
À medida que Jason se aproximava, seus olhos se estreitaram lentamente em um olhar duro, e seu rosto assumiu uma expressão séria ao se lembrar de tudo que os gêmeos Santos haviam lhe contado sobre a diretora do SMD. Jason sabia que, no momento em que a diretora soubesse que ele saíra do Portal, entenderia que os gêmeos Santos haviam falhado. Por isso, ele precisaria passar por todos imediatamente e pegá-la antes que tentasse fugir.
Do outro lado do Portal, os agentes do SMD e outros Executores estavam no meio de uma discussão feroz enquanto tentavam entender o que havia acontecido lá dentro.
— Eu juro que vi! Era um dragão! Um dragão, porra!
— Dragões não existem!
— Você está de brincadeira comigo!? Depois de tudo que aconteceu nos últimos dez anos, ainda acha tão difícil acreditar que possa haver dragões!? Eu sei o que vi!
— Eu vi um lobo! Um lobo enorme, negro como a morte!
— Eu também vi! O lobo tinha quase quatro metros de altura!
— Vocês estão delirando!
— Parem de gritar e vamos conversar como adultos!
Os Executores tentavam fazer os agentes do SMD se acalmarem, mas obviamente não estava funcionando. Os estudantes que participaram da avaliação estavam sentados ao lado, observando com curiosidade toda a situação se desenrolar. Eles também haviam visto o lobo e o dragão que os agentes do SMD viram, mas todos tinham dificuldade para acreditar que criaturas assim pudessem existir dentro de um Portal Vermelho.
Aquela tinha sido a primeira vez deles entrando em um Portal, e ainda estavam tentando processar os Macacos-Aranha que tinham enfrentado quando, de repente, foram atingidos por uma das pressões mais intensas que já sentiram na vida. Foi quase como se uma força física tentasse esmagá-los naquele momento. E, quando alguns dos estudantes ousaram erguer os olhos para ver o que causava aquela pressão, poderiam jurar que viram um dragão gigantesco abrindo as asas sobre a floresta como um pesadelo.
— Acho… acho que vou ficar longe de Portais de agora em diante.
Uma das estudantes disse algo absurdo de repente. Era uma garota, e havia um olhar assombrado em seus olhos enquanto encarava o Portal Vermelho à sua frente. Os outros estudantes ao redor se viraram para ela em choque ao ouvi-la dizer aquilo, e um deles rapidamente disse para ela não tomar decisões precipitadas. Eles nem sabiam se o que tinham visto era real ou não. Não podiam simplesmente tomar decisões baseadas em algo assim.
A garota abraçou o próprio corpo e rangeu os dentes ao gritar:
— Não tem como aquilo não ter sido real! Era um monstro e poderia ter esmagado todos nós em um segundo se quisesse! Se existem monstros assim em Portais Vermelhos, então estamos assinando nossa sentença de morte!
As palavras dela atingiram todos profundamente, e os outros estudantes começaram a pensar se ela estava certa ou não. Mas um deles, mais ao fundo, falou antes que a imaginação de todos fosse longe demais.
— Não acho que todos os Portais sejam assim. Esse Portal era só estranho.
— É, nenhum outro super-humano jamais disse que viu coisas assim.
— A gente só imaginou tudo isso. Tenho certeza!
— Tem alguém saindo do Portal!
Todos se viraram de novo para o Portal ao verem pessoas saindo, e ficaram chocados ao ver Jason, Darren e Henry deixando o Portal juntos. Jason olhou ao redor para todas as pessoas reunidas com os olhos estreitos. Alguns agentes e cientistas do SMD se aproximaram imediatamente. Eles pensaram que Jason e os outros tinham morrido, então ficaram atônitos ao vê-lo sair do Portal daquele jeito. Mas todos pararam no mesmo instante ao verem o que Jason arrastava atrás de si. Os cadáveres dos gêmeos Santos foram largados no chão diante dos agentes do SMD, e o silêncio que tomou a sala era tão absoluto que quase seria possível ouvir um alfinete cair.
— Jason. O que aconteceu?
Keith falou de lado enquanto começava a avançar, mas Jason nem se deu ao trabalho de responder. Apenas se virou e começou a sair da sala. Keith chamou Jason de novo, tentando obter uma resposta, e o seguiu enquanto os dois deixavam os demais para trás.
Um dos Executores parados ao lado imediatamente apontou para Darren e falou com os olhos semicerrados:
— Explique. Agora.
O rosto de Darren estava sombrio e abatido. Quando falou, havia um tom de dor em suas palavras.
— Não sei o que aconteceu, senhor Executor. Em um instante, estávamos passando pela avaliação, e no outro esses dois… eles nos atacaram.
Os olhos do Executor se estreitaram em choque.
— Eles atacaram vocês?
Darren assentiu.
— Sim, nos atacaram. E, se não fosse pelo chefe… quero dizer, se não fosse por Jason salvar nossas vidas… eu nem quero pensar no que teriam feito conosco.
— Mas eles eram seus instrutores. Por que atacariam vocês?
— Acho que eram pedófilos— uff.
Henry deu uma cotovelada em Darren assim que ele disse aquilo e o encarou com uma expressão de incredulidade. Que diabos ele estava fazendo? Ele precisava vender a história, não torná-la impossível de acreditar. Se começasse a adicionar idiotices daquele tipo, seria mais difícil fazê-los acreditar.
O Executor ergueu uma sobrancelha para os dois, e ambos sorriram sem jeito em resposta.
[Apartamento de Jason]
Gina entrou com o carro no estacionamento do apartamento de Jason e estacionou ao lado do prédio. O sol já começara a se pôr no céu, e Gina soltou um suspiro cansado enquanto se recostava no banco. Ela verificou o celular em busca de alguma mensagem de Jason e franziu a testa ao ver que não havia nenhuma. Gina estava se perguntando fazia algum tempo como a avaliação de Jason estava indo. A avaliação normalmente não demorava tanto assim, demorava?
Vou mandar uma mensagem.
Gina digitou uma mensagem perguntando se Jason estava bem e pedindo que ele respondesse assim que terminasse a avaliação. Depois de enviar, saiu do carro e caminhou até o prédio com o artefato em uma das mãos. Alguns dos super-humanos mais fortes da guilda de Gina tinham sido chamados para ajudar outra guilda em um Portal Vermelho mais cedo naquele dia, e Gina mal podia esperar para contar tudo a Jason. A incursão demorara muito mais do que ela esperava, e por isso estava voltando tão tarde. Ainda assim, também estava feliz, porque o fato de a guilda chamá-la significava que começavam a vê-la como uma das integrantes mais importantes.
O único lado ruim de tudo aquilo era que Randy, o rank C que vinha competindo com Gina pela posição de vice-capitã, estava começando a ficar insuportável. Desde que Gina o derrotara no exercício de treinamento, Randy tornara missão pessoal sempre causar algum problema para ela. Seja contrariando todas as sugestões que ela fazia nas reuniões, seja dizendo aos outros que ela só estava ficando mais forte porque usava artefatos para aumentar o próprio poder.
Aquilo estava ficando irritante, e Gina sabia que, se continuasse assim sem que ninguém fizesse nada, talvez começasse a repensar sua permanência na guilda.