O Sistema do Necromante Mais Forte

Volume 1 - Capítulo 151

O Sistema do Necromante Mais Forte

Tradutor/Revisor: miggigibe


Rosa sentia que havia algo muito errado desde o instante em que pôs os olhos em Jason. Da primeira vez que se encontraram, ela tinha certeza de que Jason era apenas rank A. O poder e o mana dele exalavam a aura de alguém desse rank, então não havia dúvida de que estavam no mesmo nível de força. Mas agora, vendo-o outra vez, Rosa já não sabia se podia confiar nos próprios sentidos. Porque, ao contrário de antes, quando Jason era apenas um rank A de baixo nível, agora ela tinha certeza de que ele estava muito acima disso. Ele tinha de ser, no mínimo, rank S.

Mas aquilo simplesmente não fazia sentido.

Super-humanos não cresciam a uma velocidade tão absurda. E com certeza não havia como um super-humano que Despertara havia apenas alguns dias ficar tão forte tão depressa. O nível de poder de Jason agora estava muito além do que Rosa sentira antes, e não havia dúvida de que ele era mais forte do que ela e o irmão juntos. Rosa vinha tentando encontrar uma explicação razoável para aquilo desde o começo. Chegou até a considerar que pudesse ter cometido um erro ao sentir o poder de Jason, mas não havia dúvida. Ela tinha certeza de que Jason agora era rank S.

Rosa contou imediatamente ao irmão o que sentia em Jason e o alertou de que deveriam cancelar o plano, mas Ricardo não quis nem ouvir. Ele esperara por aquela chance tempo demais e não mudaria tudo por causa de uma “sensação”.

— Apenas se concentre na missão e garanta que não vai cometer erros. Quem se importa se ele está mais forte agora? Somos dois contra um, e nossos Dons são mais do que suficientes para cobrir qualquer diferença de força. Foco.

Ricardo se virou e lançou um olhar duro para a irmã. Rosa se acalmou, abaixou a cabeça e assentiu. Ela queria dizer a Ricardo que estavam cometendo um erro ao entrar naquilo sem reunir mais informações, mas não tinha coragem de retrucar. Só conseguiu desviar os olhos com submissão enquanto obedecia às ordens dele. Além disso, mesmo preocupada, ela também sabia que o irmão tinha razão quanto aos Dons deles cobrirem qualquer diferença de força. Desde que não cometessem erros, a missão ainda deveria correr sem problemas.

Do outro lado da sala, Jason observava os irmãos com a testa franzida, perguntando-se sobre o que conversavam. Sua atenção, porém, foi desviada quando Keith se aproximou. Keith falou em voz baixa, de modo que apenas ele e Jason pudessem ouvir.

— Você ficou mais forte.

Essas foram as primeiras palavras de Keith, e Jason apenas murmurou em resposta, sem se dar ao trabalho de comentar. Keith o avaliou por alguns segundos antes de voltar o olhar para os gêmeos, os olhos estreitados.

— Tenho certeza de que não preciso dizer isso, mas tome cuidado lá dentro.

Jason murmurou de novo.

— Você não pode fazer nada a respeito?

Jason perguntou em tom curioso, e Keith fez uma leve careta.

— Não. A diretora foi irredutível quanto aos agrupamentos, então você ficará com eles. Meu irmão tentou puxar alguns cordões para me deixar entrar no grupo, mas a diretora foi muito cuidadosa em não permitir que nenhum Executor participasse das avaliações.

Os olhos de Jason se estreitaram.

— Se eles me atacarem, você sabe que eu vou matar todos os envolvidos, não sabe?

Keith lançou a Jason um olhar pesado antes de desviar o rosto. Ele não ficaria ali dizendo que Jason não tinha direito de ficar irritado, mas isso não significava que pudesse aprovar a morte de alguém. Seria melhor deixar a lei cuidar das coisas.

— Liam está cuidando dos procedimentos legais, mas não podemos fazer nada a menos que eles saiam da linha. Se você falar agora, o SMD vai suspender a avaliação por possível risco aos participantes.

Na verdade, Keith viera até ali com um plano em mente para impedir que a avaliação acontecesse. Pelo que sentira da última vez que se encontrara com Jason, ele sabia que Ricardo e Rosa eram tão fortes quanto Jason, se não mais. Mas Keith interrompera o próprio plano depois de sentir o novo nível de poder que Jason empunhava. Era completamente diferente do que ele sentira antes, e Keith percebia que Jason agora era mais forte que os irmãos.

Esse simples fato foi o que fez Keith esperar e observar como as coisas se desenrolariam. Ele sabia o quanto aquela avaliação era importante para a maioria dos novos despertos e não queria interrompê-la a menos que houvesse risco real de Jason se ferir.

Jason lançou aos gêmeos um olhar crítico antes de perguntar:

— Você acha que eles conseguem me machucar?

— Não sei. Nunca os vi lutar. Descobrir quais são os Dons deles está acima do meu nível de autorização. Mas, pelo jeito, eles têm experiência em combate.

Jason encarou os irmãos por um instante antes de sorrir.

— Não há necessidade de parar a avaliação. Se os impedirmos agora, eles simplesmente tentarão de novo em outra hora. Além disso, eu gostaria de conversar com eles cara a cara para descobrir quem está por trás deles. E eu não ia querer que alguém me impedisse de conseguir a informação que quero.

Os olhos de Keith se estreitaram.

— Se você matá-los a sangue-frio, eu irei atrás de você.

— A sangue-frio? Não, não. Não é nada disso. Isso se chama legítima defesa, senhor Executor.

O sorriso de Jason ficou perigoso e, antes que Keith pudesse dizer qualquer outra coisa, Naomi voltou a falar.

— Chamaremos seus nomes em grupos de três, junto com o agente responsável pela avaliação de vocês. Quando ouvirem seus nomes, juntem-se aos membros do seu grupo.

Naomi pegou uma prancheta e começou a chamar os nomes. Os adolescentes se remexeram nervosos enquanto esperavam.

Ao lado, Henry estava de braços cruzados e olhos estreitados em concentração. Havia nervosismo em seu corpo enquanto aguardava ser chamado, e ele rezava para todos os deuses existentes para não acabar, de alguma forma, no mesmo grupo que Jason.

— Henry Ford.

Naomi chamou seu nome, e Henry se sobressaltou levemente. Ele olhou para onde Naomi apontava, assentiu e seguiu na direção do par de agentes que estava ali. Naomi consultou a prancheta e chamou:

— Darren White.

Henry bufou quando o garoto gordinho abriu um sorriso feliz e foi ficar ao lado dele. Henry não se importava muito com o garoto e não se incomodava em tê-lo na equipe, desde que ele conseguisse fazer a própria parte. A única pessoa que preocupava Henry era Jason. Henry rezou a todos os deuses lá em cima. Por favor, não deixem que ele faça parte da minha equipe. Por favor. Ele não podia ter—

— Jason Marc.

Merda!

A sala ficou em silêncio de repente, quando todos se viraram para olhar para Henry. Foi só então que Henry percebeu, em choque, que realmente gritara aquele xingamento. Ele corou de leve, constrangido, antes de se recompor e desviar o olhar com calma. Aos poucos, a sala voltou a se movimentar, e Naomi indicou a Jason onde Darren e Henry estavam.

Jason se aproximou e assentiu para Henry antes de erguer uma sobrancelha quando Darren gritou, empolgado, o quanto estava animado por fazer a avaliação com seu “chefe”.

Henry se esforçou ao máximo para garantir que ele e Jason não interagissem, e acabou apenas observando enquanto Naomi chamava os outros nomes. Quando terminou, Naomi mandou os instrutores irem até seus alunos. Henry ergueu uma sobrancelha ao ver dois agentes vindo na direção deles. Todos os outros grupos tinham um. Por que eles tinham dois?

— Bratza, jovens! Meu nome é Ricardo, e esta aqui é minha irmã, Rosa. Vamos nos divertir muito juntos!

Henry percebeu de imediato que o instrutor homem, Ricardo, era muito mais expressivo e jovial que a irmã. Ele falava com um leve sotaque mexicano, mas tinha aparência americana, então Henry só podia imaginar que ele vivera no México por algum tempo. A outra integrante da dupla, a mulher chamada Rosa, era muito mais reservada e não ofereceu nada além de um simples aceno como cumprimento.

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