
Volume 1 - Capítulo 146
O Sistema do Necromante Mais Forte
Tradutor/Revisor: miggigibe
— Mas você… você é diferente. Sua Essência Central não se parece em nada com a de um humano. Ela é forte e dominante. Não tenta se adaptar ao ambiente. Em vez disso, força o ambiente a se adaptar a ela. E há ainda mais dentro dela. Outras Essências Centrais que não fazem parte da Essência principal. E uma delas é a mesma Essência que sinto no meu próprio povo. A Essência Central de um draconato. Você é… um de nós?
Riyala ergueu os olhos para Jason quando terminou de falar. Havia seriedade em seu olhar, mostrando que estava genuinamente curiosa, e Jason teve que se perguntar quanta informação ele realmente deixava escapar apenas pelo mana. Se era tão fácil para Riyala perceber o que ele era lendo seu mana, então seria igualmente fácil para um oponente mais forte fazer o mesmo.
Preciso aprender a controlar isso.
Esse pensamento passou pela mente de Jason, e seus olhos se estreitaram quando falou com o Sistema.
Existe uma forma de esconder minha Essência Central?
[A Essência Central faz parte da composição biológica de todas as espécies. Não há método conhecido para mascará-la, e apenas espécies com traços biológicos específicos que lhes permitem ocultar a própria Essência são capazes de fazê-lo.]
A mensagem do Sistema era clara, e Jason estalou a língua em silêncio antes de balançar a cabeça. Sabia que as mudanças em sua Essência Central aconteciam porque os Cristais Mágicos que vinha comendo alteravam sua composição biológica e lhe concediam habilidades, então não precisava pensar muito no motivo das mudanças. Mas precisava de uma forma de garantir que as pessoas não identificassem suas habilidades com um único olhar. O melhor caminho talvez fosse encontrar uma nova habilidade que lhe permitisse mascarar o mana e a Essência Central.
Quando Riyala viu Jason estreitar os olhos, tentou se desculpar imediatamente, achando que o deixara irritado, mas Jason a impediu com um pequeno sorriso.
— Tudo bem, não estou bravo. Só fiquei surpreso por você conseguir identificar minha Essência Central com tanta facilidade. Deve ter trabalhado muito para aprender a fazer isso. Mas não, não sou draconato. Nunca estive em Radagan.
Jason voltou aos hambúrgueres, e Riyala o observou virá-los com calma antes de enfim perguntar.
— Se você não é draconato, então pode me dizer de que mundo veio?
Os olhos de Jason se estreitaram para os hambúrgueres.
— Meu mundo não existe mais.
Riyala piscou em choque diante da revelação e imediatamente desviou o olhar, envergonhada. Riyala não era estranha às atrocidades que aconteciam na Expansão Primordial. Havia muitos mundos que tinham sido extintos simplesmente porque algum mundo mais forte decidiu que precisavam ser destruídos. E havia ainda mais mundos destruídos por conflito interno e ganância. Riyala não precisava saber qual dessas duas possibilidades levara o mundo de Jason à destruição. Tudo o que importava era que Jason estava sozinho.
— Sinto muito.
— Não sinta. Eu mal conheci a maior parte do meu povo, e isso foi há muito tempo. Ficou para trás. Vamos, a comida está pronta. Come. Tem mais na panela, então pode pegar se ficar com fome depois. Gina deve voltar em breve.
Jason limpou as mãos no avental outra vez e começou a sair com um sorriso. Riyala o observou partir com olhar calmo. Mesmo que Jason estivesse sorrindo e agindo como se não fosse afetado pelo que conversaram, Riyala conseguia perceber que ele estava magoado. Ninguém ficaria feliz sabendo que seu povo estava extinto.
Eu não deveria ter perguntado.
Riyala se repreendeu enquanto voltava a olhar para os hambúrgueres à sua frente. Mas, assim que sentiu o cheiro, seu estômago roncou de novo, e ela corou levemente de vergonha. Jason riu atrás dela ao se despedir uma última vez e saiu de casa. Riyala decidiu que precisava lidar com a fome antes de qualquer outra coisa.
Vou encontrar uma forma de me desculpar quando ele voltar.
[Prédio do SMD]
O som de conversas altas vinha de todas as ruas que levavam ao prédio do SMD. O caminho até a entrada estava literalmente lotado de pessoas. De um lado, repórteres e blogueiros se reuniam com câmeras piscando e microfones enquanto faziam reportagens para quem assistia de casa. Do outro, havia centenas de representantes de guildas, alguns ao telefone com suas guildas, outros conversando entre si, todos ansiosos para ver como o dia se desenrolaria.
O motivo de uma multidão tão enorme era simples: aquele era o único dia do mês em que o público teria uma visão clara da próxima geração de super-humanos que logo se juntaria às Forças de Guilda. O dia da avaliação era visto como algo importante todos os meses por causa da quantidade de novos talentos promissores que podiam surgir. Como o SMD permitia que alguns representantes de guildas mais respeitáveis entrassem no prédio e observassem os jovens talentos, os repórteres também ficavam curiosos para ver se algum dos novos super-humanos entraria em alguma grande guilda.
Vroom!
O som de um veículo alertou todos os repórteres e representantes de guildas sobre a chegada dos super-humanos, e todos viraram as câmeras para o grande ônibus que chegou ao local. O ônibus abriu, e muitos adolescentes começaram a descer, de olhos arregalados, olhando ao redor com admiração.
Os repórteres enlouqueceram.
— Aqui! Crianças, aqui! Deem um sorriso para a câmera!
— E atrás de mim vocês podem ver claramente a próxima geração de super-humanos que fará hoje o Teste de Avaliação Super-humana! Ainda não sabemos se algum drama vai se desenrolar, mas, pelo que vemos até agora, parece que nossas vidas estão em boas mãos.
— Os super-humanos finalmente chegaram, chat! Dá para acreditar que esses garotos vão entrar em Portais em breve? Parecem cordeiros indo para o abate!
Uma bela garota usando acessórios rosa e grandes orelhas de gato falou de lado enquanto pulava animada e exibia seus atributos para a câmera do celular.
— Ei, ei, nação estelar! É a garota estrela de vocês falando ao vivo do prédio do SMD, nya! Os super-humanos chegaram e são todos tão lindos e bonitos! Ai, meu Deus, olhem aquele garoto. Se eu ainda tivesse dezesseis, eu devorava ele, nya! Tão lindo!
— Olhem ali, é o Henry!
— Merda, é ele mesmo! Disseram que ele foi o melhor formando da turma em Core City!
— O Dom dele é incrível! Ele consegue controlar água como se fosse parte do corpo!
— É, eu até ouvi que ele derrotou um super-humano do Japão no exame final! Passou na TV nacional!
A multidão começou lentamente a concentrar o foco em um único garoto que caminhava à frente de todos os outros adolescentes. Era Henry Ford, um garoto de aparência efeminada e rosto bonito. Tinha cabelos loiros longos presos em um rabo de cavalo atrás da cabeça e olhos roxo-escuros que pareciam cintilar sob o sol. O rosto estava firme em uma máscara fria, e ele nem se deu ao trabalho de virar para dar atenção a ninguém enquanto seguia direto para a entrada.