
Volume 1 - Capítulo 113
O Sistema do Necromante Mais Forte
Tradutor/Revisor: miggigibe
— Conversei com a minha mãe sobre isso e achei melhor terminar o último ano, já que faltam só alguns meses para a formatura. Além disso, já ganhei dinheiro suficiente para me manter por um tempo.
A senhorita Harold sorriu, satisfeita. Era uma forma muito inteligente de encarar as coisas. Era exatamente o que a maioria dos super-humanos da escola fazia. Eles planejavam concluir apenas a educação obrigatória para ter uma boa base, depois ignorariam a faculdade e simplesmente entrariam em uma guilda.
A diretora deu a Jason outro sorriso respeitoso antes de sua expressão enfim assumir um tom mais sério. Desta vez, havia certa firmeza por trás de sua voz.
— Fico feliz que tenha decidido concluir seus estudos, e nunca duvide de que sempre torcerei por você no futuro. Mas também preciso apontar que as coisas serão muito diferentes agora que você é um super-humano. Esta escola não é voltada apenas para educar super-humanos, então houve muita discussão entre funcionários e pais sobre a segurança dos humanos comuns, que estão em grande desvantagem física. Prometi aos pais que eles não precisavam se preocupar, pois todo super-humano entende seus limites e assina um contrato vinculativo ao entrar na escola, garantindo que não ultrapassará certos limites.
Ela fez uma pausa breve antes de continuar.
— Como você Despertou relativamente tarde, nunca tivemos de lidar com uma situação tão “única” quanto a sua, mas quero acreditar que não teremos problemas, mesmo com a mudança repentina. Está disposto a assinar o mesmo contrato que os outros estudantes super-humanos assinaram? Ele basicamente afirma que você enfrentará consequências severas se causar dano consciente a qualquer aluno usando suas habilidades. Nada muito complicado.
Jason murmurou em pensamento. Aquilo era novidade para ele. Jason nunca prestara muita atenção ao que acontecia no mundo super-humano, então não imaginou que frequentar a escola pudesse ser tão complicado. Mas entendia. Ele podia causar muito dano aos alunos dali sem nem tentar, então a escola precisava de uma forma de garantir que ele permanecesse na linha.
Jason não pretendia machucar ninguém de qualquer forma, então assinar o contrato era aceitável. Não havia nada que um humano comum pudesse fazer para causar qualquer dano real a ele.
— Eu assino. Podemos fazer isso agora ou preciso voltar em outro momento?
Jason falou, e a senhorita Harold sorriu com gratidão antes de abrir uma gaveta e retirar o contrato. Jason se recostou e começou a ler o documento enquanto ela o observava. Jason não era advogado, mas o contrato era apenas uma única folha de papel com alguns parágrafos. Basicamente, declarava que os super-humanos que o assinassem prometiam não causar destruição consciente à propriedade ou aos funcionários da escola, sob pena de punição “suficiente” conforme determinado pela lei.
Era simples o bastante para até um aluno do ensino fundamental entender tudo. Além disso, Jason confiava na senhorita Harold o suficiente para acreditar que ela não o conduziria a uma armadilha.
Jason assinou o documento. A senhorita Harold agradeceu, então se levantou, contornou a mesa e se inclinou para lhe dar outro abraço apertado.
— Só quero dizer que fico feliz por você estar bem de novo, Jason. Não sei o que eu teria feito sem suas piadas bobas. Você tem tempo mais tarde? Talvez possamos comer alguma coisa quando eu sair do trabalho.
Jason pensou por um instante e então balançou a cabeça.
— Desculpa, minha namorada vai estar me esperando em casa, então preciso voltar o mais rápido possível.
A senhorita Harold piscou ao se afastar.
— Namorada? Eu não sabia que você tinha uma namorada. Que bom.
— É. Minha amiga de infância, Gina. Começamos a sair recentemente.
— Uau… isso é… bom.
A senhorita Harold balançou a cabeça e riu baixinho antes de dar a Jason um sorriso sincero.
— Se você vai estar ocupado, tudo bem. Talvez possamos remarcar. Eu só queria colocar a conversa em dia e ter certeza de que você está bem. Bom, é melhor ir para a aula agora. Conversamos em outra ocasião.
A senhorita Harold indicou a porta com um gesto, e Jason assentiu antes de se levantar e sair.
Quando ele foi embora, a senhorita Harold desabou de volta na cadeira, encarou o teto e soltou um suspiro sofrido. Ela já sabia que ela e Jason jamais dariam certo, mas ainda sentia uma pontada dolorosa no coração.
Jason caminhou para a sala de aula com uma expressão levemente culpada. Ele não era idiota e percebera que a diretora gostava dele desde o momento em que se conheceram, dois anos antes. Mas Jason sabia que os dois não dariam certo, não apenas pela diferença de idade, mas porque ele já amava Gina até naquela época.
A forma como a senhorita Harold sempre o abraçava e sorria para as piadas dele eram sinais óbvios de que ela gostava dele como mais do que um amigo. Jason, na verdade, havia deixado a própria idade escapar em uma das conversas justamente para desencorajar qualquer avanço. Felizmente, ela não era alguém que perseguiria um interesse romântico sem se importar com as consequências, então ele não precisava se preocupar com ela tentando forçar alguma coisa.
O corredor que levava às salas já estava deserto, pois o sinal havia tocado alguns minutos antes. Jason passou por algumas salas que já estavam em aula. Os alunos interrompiam o que estavam fazendo para olhar para a porta sempre que ele passava, e ele fez o possível para ignorá-los, já que sabia que aquilo era normal para super-humanos.
Os alunos comuns ficavam admirados com os super-humanos da escola. Como eram jovens, tratavam-nos do mesmo jeito que se trataria uma celebridade encontrada na rua. Ficavam encarando, cochichando, debatendo se deviam pedir uma foto ou um autógrafo. Felizmente, depois de algum tempo, o interesse diminuiria e tudo voltaria ao normal. Aquilo já acontecera tantas vezes que Jason sabia o que esperar.
[Olho do Rei] foi ativado.
Jason ativou subitamente a habilidade da Legião, e o espaço diante dele ficou turvo quando outra cena surgiu em sua mente. A visão vinha dos olhos dos dois grandes lobos que cuidavam da Princesa em sua casa. Jason viu que ambos estavam deitados no chão, observando-a com atenção. A Princesa ainda estava em sua cama, e Jason franziu levemente a testa, perguntando-se por que ela ainda não havia acordado.
Havia algum outro ferimento impedindo-a de despertar? Já fazia quase um dia inteiro desde que ela desmaiara, então ela não deveria estar se recuperando? Jason decidiu que tentaria acordá-la quando voltasse. Talvez ela só precisasse de algum estímulo ou algo assim.
Jason desativou a habilidade, e seus olhos ficaram vermelhos quando ativou [Olhar do Predador] ao passar diante de uma grande janela. Ele olhou para fora do prédio e vasculhou o horizonte em busca de qualquer sinal da agente que vinha seguindo-o. Franziu a testa ao não vê-la.
Jason havia chamado Fenrir de volta para a Dimensão Alternativa quando o sol começou a nascer naquela manhã, para que ninguém o visse. Ainda assim, fora capaz de notar a agente seguindo-o quando vinha para a escola mais cedo. Agora que ela não estava mais ali, Jason se perguntou para onde teria ido.