O Sistema do Necromante Mais Forte

Volume 1 - Capítulo 111

O Sistema do Necromante Mais Forte

Tradutor/Revisor: miggigibe


As primeiras palavras de Jason mataram o sorriso de Griselda de forma brutal.

— Você devia desistir desse sonho. Entrar em um Portal não é esse passeio no parque que você imagina. Pessoas morrem lá dentro. Eu tive sorte de Despertar antes de ser devorado pelos monstros, mas outros não tiveram a mesma sorte.

Um sorriso tenso se formou no rosto de Griselda enquanto Jason continuava falando. Depois de alguns instantes, ela ergueu a mão e o interrompeu.

— Eu entendo tudo o que você está dizendo, mas não pense que pode me dizer o que eu posso ou não fazer só porque virou super-humano há alguns dias.

— Estou só tentando te ajudar…

— Eu sei, mas não preciso da sua ajuda. Já ouvi tudo isso de mil pessoas antes. Ninguém acredita que eu posso fazer o que coloquei na cabeça, mas isso não vai me fazer desistir. Vou me tornar Capitã de Guilda, mesmo que leve anos. Eu juro. E, quando eu me tornar Capitã de Guilda, vou fazer você entrar para a minha.

Griselda se virou e começou a caminhar para dentro do prédio. Jason apenas a observou ir embora com um leve respeito no olhar. Ela realmente acreditava que conseguiria, mesmo com todas as desvantagens no caminho, e Jason não pôde deixar de admirar aquilo.

Ele tirou três Cristais Mágicos do bolso, jogou-os rapidamente na boca e começou a andar em direção ao prédio da escola. Não diria mais nada a Griselda, já que ela estava determinada demais. Se ela queria morrer dentro de um Portal, quem era ele para dizer que não?

Os outros alunos ainda encaravam Jason, e alguns até tentavam falar com ele, mas ele ignorou todos e continuou andando. Não se importava com os alunos antes de se tornar super-humano e, agora que era um, continuava sem se importar.

Mas, quando estava entrando no prédio, foi parado de repente por um dos estudantes.

Era um garoto um palmo mais baixo que Jason. Tinha cabelo castanho, uma expressão rígida que o fazia parecer levemente constipado e, no lado direito do uniforme, usava o distintivo de monitor. O garoto olhou para Jason com intensidade, e Jason ergueu uma sobrancelha enquanto esperava que ele dissesse alguma coisa.

— Você devia ter mais bom senso do que causar uma confusão logo no seu primeiro dia de volta à escola.

Jason revirou os olhos, passou o braço pelo ombro do garoto com uma risada e bagunçou o cabelo dele. O garoto gritou em protesto e tentou se soltar.

— Me larga, seu bruto!

O menino gritou com raiva, e Jason não conseguiu conter a risada antes de finalmente soltá-lo.

O nome do garoto era Ferdinand. Ele era o monitor-chefe da escola e um dos poucos alunos da Riverdale High School que Jason conseguia tolerar por perto. A relação dos dois havia começado muito mal. Ferdinand achava que Jason era apenas um brutamontes sempre procurando confusão, enquanto Jason achava que Ferdinand tinha uma régua de um metro enfiada onde não devia. Mas, depois que aprenderam mais um sobre o outro, ambos perceberam que estavam errados.

Ferdinand entendeu que Jason não era só um bruto ou um encrenqueiro. Ele também era alguém que se importava com a família e só faltava tanto às aulas porque precisava ganhar dinheiro para pagar os estudos da irmã. Já Jason decidiu que a régua de Ferdinand devia ter apenas meio metro.

Depois que chegaram a esse entendimento, tornaram-se amigos relutantes e até passavam algum tempo juntos na escola quando os dois estavam livres. Ferdinand cobria Jason sempre que ele faltava por causa do trabalho, e Jason mantinha alguns alunos longe de problemas para aliviar a carga do monitor-chefe. Ainda assim, por mais próximos que tivessem ficado, Jason sabia que a rigidez de Ferdinand jamais permitiria que ele relaxasse de verdade.

Ferdinand bufou enquanto arrumava o cabelo de volta ao penteado liso e impecável, encarando Jason com irritação. Jason apenas sorriu.

— Tenta relaxar um pouco, cara. Se continuar com essa cara fechada o tempo todo, vai parecer ter trinta anos quando chegar aos vinte.

— Prefiro parecer ter trinta do que continuar agindo como se tivesse quinze.

Jason riu da provocação, e Ferdinand bufou antes de terminar de arrumar o cabelo e voltar a olhar para ele.

— Então você é super-humano agora. Eu realmente não deveria mais me surpreender com as coisas que você faz, mas isso parece exagerado até para você.

— Ha. Você só está com inveja.

Ferdinand corou de constrangimento antes de estreitar os olhos em um olhar irritado. Ele não negaria que estava um pouco invejoso da sorte de Jason. Tornar-se super-humano era algo que toda criança sonhava pelo menos uma vez na vida, e até Ferdinand já havia desejado desenvolver habilidades. Era uma pena que elas nunca tivessem surgido.

Mas Ferdinand se recusava a deixar Jason constrangê-lo daquele jeito. Recuperou a compostura e se virou para caminhar pelo corredor.

— Venha comigo. A diretora pediu para falar com você. Tente não causar problemas e se comporte enquanto fala com ela. Eu sei que você não tem muito respeito por autoridade, mas nem você está acima de uma expulsão.

Jason riu de Ferdinand. O infeliz estava tentando fugir do assunto. Estava constrangido pra caramba. Jason se aproximou de novo e bagunçou o cabelo dele outra vez, rindo enquanto Ferdinand gritava de raiva.


Os dois seguiram até a sala da diretora, e Ferdinand bateu uma vez à porta para avisar que haviam chegado. Quando a diretora mandou que entrassem, Ferdinand se despediu de Jason e saiu para terminar sua ronda.

Jason entrou no escritório e foi imediatamente recebido pelo cheiro de livros antigos e madeira. A sala da diretora parecia uma cabana. O piso e o teto eram de madeira envernizada, e três grandes estantes cheias de livros volumosos ocupavam a parede oeste. No centro, a mesa de mogno da diretora ficava contra a luz que entrava pela janela lateral, com três cadeiras para visitantes do lado oposto. Jason fechou a porta atrás de si e cumprimentou a diretora com um aceno respeitoso e um pequeno sorriso.

A diretora se chamava senhorita Harold. Era uma bela mulher na casa dos trinta e poucos anos, com cabelo castanho curto e olhos castanhos profundos que haviam atraído muitos homens quando era mais jovem. Mesmo agora, Jason não podia negar que ela ainda era bonita. Tinha nariz pequeno, lábios vermelhos e cheios que quase não enrugavam quando sorria, e olhos levemente inclinados de um jeito quase sedutor. Nenhuma roupa modesta era capaz de esconder totalmente a figura marcante que possuía. Mais de uma vez, rapazes na casa dos vinte anos haviam tentado flertar com ela por acharem que tinha a idade deles.

Assim que viu Jason, a diretora se levantou rapidamente da mesa. Lágrimas se juntaram em seus olhos enquanto ela contornava a mesa e o abraçava com força.

Jason aceitou o abraço com facilidade, sorrindo, e deu alguns tapinhas gentis nas costas dela ao sentir o suspiro de alívio contra seu peito.

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