O Sistema do Necromante Mais Forte

Volume 1 - Capítulo 97

O Sistema do Necromante Mais Forte

Tradutor/Revisor: miggigibe


Depois que Katerina saiu do Portal Verde dez anos atrás e se tornou uma dos Cinco Governantes, mudou drasticamente em relação à pessoa que Tobias conhecera.

Katerina primeiro dedicou a vida a criar a guilda Corvo Sangrento, expandiu sua influência por todos os Estados Unidos e a transformou em uma das guildas mais poderosas do mundo, antes de finalmente se esconder naquela mansão e se recusar a sair.

A única interação de Katerina com o mundo exterior acontecia por meio de seu Dom, que usava para apoiar todos os membros da guilda, e por meio dos vice-capitães que às vezes vinham lhe trazer relatórios do que acontecia. Ela nunca saía daquele prédio e não tinha nenhum meio de comunicação com o mundo de fora.

Tobias sabia que o medo de Katerina em relação ao mundo exterior tinha relação com o Primordial que ela encontrara dentro do Portal Verde. Aquela experiência mudou Katerina para pior e fez com que perdesse o interesse por qualquer coisa ligada ao mundo além daquelas paredes. Foi por isso que Tobias decidiu não contar a Katerina muitas das coisas que fazia pela guilda, como os assassinatos que executava para impedir o surgimento do Rei.

Tobias era uma das únicas pessoas a quem Katerina contara a verdade sobre o Primordial que vinha atrás deles. Ela lhe disse que haveria alguém aclamado como Rei, o membro mais forte da raça deles, e que matar essa pessoa e impedir sua ascensão era a única forma de garantir que não fossem completamente exterminados.

Imediatamente após a revelação, Tobias começou a matar qualquer pessoa que parecesse capaz de ficar forte o bastante para se tornar o Rei. Katerina nunca perguntava como Tobias lidava com as coisas, e Tobias nunca lhe contava os detalhes de suas ações. Apenas depois de terminar o assassinato ele a informava, para que ela o abençoasse com mais de seu apoio.

De certo modo, Katerina acreditava que, ao permitir que o irmão fizesse seu trabalho sujo, de algum modo mantinha as próprias mãos livres de sangue.

Katerina encarou a estátua de Cristo pairando sobre ela. Sentiu uma faca de culpa perfurar seu coração, como se a estátua julgasse suas ações, e fechou os olhos com força enquanto fazia uma oração por perdão. Não havia nada que pudesse fazer. Nada. Antes de se tornar super-humana, Katerina estudava para se tornar freira na igreja. Dedicava a vida à oração diária e ao serviço, e fora seu desejo de ajudar os outros que a fizera entrar no Portal Verde com os outros Governantes, mesmo sabendo que era perigoso. Mas agora sabia que não tinha mais o direito de se tornar freira. Não depois de tudo que fizera. Katerina ainda rezava todos os dias por hábito, e sempre era por perdão.

— Obrigada por vir me informar sobre as atividades da guilda, Tobias. Meu coração se derrete de gratidão por sua lealdade contínua.

— Fazer a senhora feliz é a missão da minha vida, minha Deusa.

Tobias curvou a cabeça ainda mais fundo para dar à sua deusa o máximo respeito, e Katerina avançou e segurou seu ombro. Tobias ergueu os olhos para ela em surpresa quando ela o puxou para ficar de pé, e sentiu o corpo inteiro travar quando ela de repente o abraçou com força. Tobias não tocava sua deusa havia anos, e aquele pequeno contato bastou para fazer seu cérebro entrar em sobrecarga.

Katerina liberou o Dom de seu corpo, e Tobias grunhiu em êxtase ao sentir a mana dela correr por ele como cocaína pura. Os olhos de Tobias se arregalaram quando se sentiu mais forte do que jamais estivera. Seu cérebro parecia mais leve que o ar, e um sorriso tolo e estúpido se espalhou por seu rosto enquanto sua fé na deusa crescia a novas alturas.

Katerina fechou os olhos quando uma lágrima escorreu por sua bochecha, enterrou o rosto no ombro de Tobias e chorou pelo irmão que havia quebrado.

— Obrigada por tudo, irmão. Sinto muito.

Katerina falou entre lágrimas, e Tobias exclamou, feliz:

— Farei qualquer coisa pela senhora, minha Deusa. Qualquer coisa!


[Apartamento de Jason.]

[Com Jason e Gina.]

Jason carregou a princesa draconata inconsciente para dentro do apartamento, com Gina entrando atrás dele e fechando a porta. Caminhou até o quarto e deitou a princesa na cama, ouvindo Gina suspirar atrás de si enquanto observava o corpo com curiosidade. Agora que Jason tirara a máscara dela, Gina finalmente podia ver as escamas em suas bochechas e mãos, e já não conseguia negar que aquilo era real. Aquela mulher definitivamente não era humana.

A princesa vestia um casaco longo e estranho, tecido com fios pretos espessos. Também usava um colar, mas não havia mais nada nela. Gina não conseguiu evitar sentir certa simpatia pela mulher, mesmo sem conhecê-la pessoalmente. A princesa draconata parecia mais jovem que ela, então Gina quase sentia como se pudesse ser sua irmã mais velha.

— Tem certeza de que ela vai acordar logo?

Gina falou com Jason enquanto o observava ir até a janela ao lado do quarto. Jason abriu a janela e olhou para a noite do lado de fora enquanto seus olhos sangravam vermelho. Ao longe, a agente que espionava Jason o tempo todo estava sentada em um telhado, comendo uma barra de chocolate enquanto usava binóculos para vigiar a casa. Jason garantiu que seus olhos não se voltassem para ela, para que não soubesse que ele a observava, mas ainda podia vê-la claramente pelos olhos de Fenrir.

Jason olhou ao redor e garantiu que aquela perseguidora era a única ali antes de finalmente responder a Gina.

— Ela só sofreu um choque. Se descansar por um tempo, deve acordar em um ou dois dias. Tinha alguns ferimentos quando a encontrei, mas já desapareceram.

Jason se lembrou de que havia ferimentos no corpo da mulher quando a encontrara na floresta mais cedo. As chamas azuis tentavam curá-la naquela hora, mas ela não tinha mana suficiente para fazer algo significativo. Agora que descansara por um tempo, porém, todos os ferimentos já tinham sido curados, então Jason tinha certeza de que ela acordaria logo.

Jason estendeu a mão para o lado e chamou dois de seus subordinados. Dois grandes lobos Classe Peão Rank II apareceram ao lado dele, e Gina deu um passo para trás ao vê-los, preparando sua magia. Ainda não estava acostumada ao fato de Jason ter tantos monstros obedecendo a ele, e sua reação natural era ficar em guarda ao encarar monstros.

Os lobos ganiram e se aproximaram de Jason para esfregar os focinhos em seu rosto, e Jason sorriu enquanto os acariciava. Viu Gina olhando estranho para eles e disse que podia acariciá-los se quisesse. Eles não mordiam. Gina lançou a Jason um olhar hesitante primeiro, mas, depois de alguns segundos, avançou e acariciou a lateral de um dos lobos. O lobo se virou para Gina e empurrou o focinho contra seu rosto, e ela não conseguiu evitar rir ao sentir cócegas.

— Eles parecem tão reais… e frios.

Gina falou com assombro enquanto coçava o monstro atrás da orelha. A pele do lobo parecia tão real quanto a de qualquer outro monstro, mas ela conseguia perceber que eles não estavam mais vivos pelo frio ao toque. Não sentia coração batendo neles, e havia uma estranha aura roxa ao redor dos corpos como um manto. Jason sorriu antes de ordenar que os lobos vigiassem a princesa. Ambos ganiram em entendimento, e Jason suspirou antes de começar a sair do quarto, com Gina seguindo-o alguns segundos depois.

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