O Sistema do Necromante Mais Forte

Volume 1 - Capítulo 81

O Sistema do Necromante Mais Forte

Tradutor/Revisor: miggigibe


Jason voltou a olhar para a garota em seus braços e, por um instante, avaliou qual seria seu próximo passo. Podia deixá-la ali e permitir que ela resolvesse a própria vida quando acordasse. Porém, pelo que ouvira de seus subordinados Formigas Adamantinas, aquele formigueiro estava cheio de outros monstros perigosos, e Jason tinha certeza de que pelo menos um deles acabaria encontrando a garota e a mataria se ela ficasse sozinha. A única outra opção era levá-la consigo, mas ele precisava de mais informações antes de decidir. Jason não gostava de se enfiar em uma situação sem saber exatamente onde estava pisando.

Ele olhou para o corpo do cavaleiro de dragão caído no chão e ordenou que a Torre que o carregava descesse até lá. A Torre pousou perto do cadáver, e Jason estendeu a mão na direção dele.

— Ressuscitar.

Doon!

Uma pressão massiva preencheu a área quando a mana de Jason mergulhou no corpo do homem. Por um segundo, Jason temeu que não conseguisse ressuscitá-lo. Ele sentira a força de vontade daquele homem durante a batalha anterior e vira o fogo intenso que ardia em seus olhos. Sabia que o sujeito tinha uma vontade poderosa, então havia chance de resistir à invocação. Mas Jason descartou esse pensamento imediatamente quando seus olhos se estreitaram em um olhar duro. E daí se o homem tivesse a vontade mais forte do mundo? Ele lutara contra o exército de Jason e perdera. Jason o teria em sua Legião, gostasse ele ou não.

A mana de Jason agarrou a alma do homem e a puxou à força para fora do corpo. Jason observou uma cópia astral do cavaleiro de dragão se formar à sua frente com uma expressão calma. O cavaleiro usava a mesma roupa que vestia ao morrer, mas o braço perdido havia retornado, e uma espada espectral pendia em sua cintura.

O Usuário obteve [1] subordinado Classe Peão Rank III

+60 PM

O Usuário obteve a habilidade rank D [Brasas Incandescentes]

[Brasas Incandescentes: Esta habilidade concede ao Usuário a capacidade de imbuir qualquer arma que esteja segurando com uma aura flamejante, permitindo que a arma rasgue inimigos com mais facilidade e inflija o status [Queimadura] em adversários enfraquecidos. Esta habilidade pode evoluir.]

ATRIBUTOS

Força: A [82,1%]

Estamina: A [87,2%]

Agilidade: S [15,6%]

Durabilidade: S [11,8%]

Então é verdade. Também consigo invocar criaturas humanoides. E ele está usando a armadura e a espada, então eles sempre voltam com tudo que tinham quando morreram. Será que a armadura e a espada têm as mesmas propriedades dos equipamentos originais?

Os pensamentos de Jason começaram a correr imediatamente. Se as armas e armaduras do draconato mantivessem as mesmas propriedades dos originais, seria como ganhar dois artefatos a cada abate.

Mas o Sistema respondeu de imediato.

[Os subordinados são invocados no estado em que foram derrotados. Artefatos, armas e armaduras são tratados como parte da força geral deles e serão invocados junto com o subordinado para garantir a manutenção dessa força.]

Jason murmurou, pensativo, enquanto observava o homem parado ali. Havia inteligência no olhar dele, quase como se soubesse quem era Jason e estivesse apenas aguardando instruções. Jason falou:

— Você se lembra de quem eu sou?

O homem assentiu uma vez, e Jason ergueu uma sobrancelha.

— Você me odeia por ter tirado sua vida?

O homem balançou a cabeça imediatamente, e Jason coçou o queixo, curioso. Então não importava o quanto seus subordinados fossem hostis antes de morrer. Depois de ressuscitados, tornavam-se leais a ele de imediato. Isso era bom. Jason não queria subordinados rebeldes em sua Legião.

Jason fez outra pergunta.

— Você consegue falar?

O homem franziu a testa por um instante enquanto tentava formar palavras, até que uma resposta passou pela mente de Jason.

Só consigo falar desta forma.

Jason estalou a língua e desviou o olhar, irritado. Ficou incomodado pelo homem ter perdido a capacidade de falar e se perguntou se aquilo tinha relação com o fato de ele não estar mais vivo. Bem, não era tão ruim, já que ainda podia se comunicar pelo vínculo mental. Jason só precisava que ele revelasse o máximo de informações possível.

Jason perguntou ao homem o que havia acontecido entre ele e a mulher que atacava, e o subordinado começou a explicar de imediato que ela era a princesa de uma das tribos draconatas de Radagan.

Segundo o homem, a mulher se chamava Riyala e pertencia a uma das tribos draconatas mais poderosas de Radagan: os Montadores de Wyverns.

Havia duas grandes tribos draconatas em Radagan. A primeira era a dos Montadores de Dragões, que haviam formado vínculos com dragões e usavam esse poder para conquistar honra nos campos de batalha. A segunda era a dos Montadores de Wyverns, uma raça mais pacífica, focada em comércio e cura mais do que em guerra.

A tribo dos Montadores de Wyverns conquistara renome por participar de acordos comerciais entre várias outras tribos e acumular uma grande fortuna. Isso lhes permitiu se tornar a maior autoridade do mundo de Radagan, e não demorou até surgirem rumores de que o pai de Riyala estava prestes a ser coroado como o próximo Rei.

Mas o poderoso Soberano que liderava os Montadores de Dragões se recusou a permitir que isso acontecesse. Ele arquitetou um golpe massivo em uma única noite e atacou os Montadores de Wyverns com seu exército. Queimaram o reino dos Montadores de Wyverns, e não demorou até chegarem ao castelo e capturarem o rei. O Soberano estava disposto a deixá-lo viver, desde que ele abrisse mão de sua pretensão ao trono e entregasse a esposa e a filha como concubinas. Mas, embora os Montadores de Wyverns não fossem guerreiros como os Montadores de Dragões, ainda eram draconatos. Eram orgulhosos e ferozes.

A esposa do rei mordeu a própria língua na noite em que o Soberano tentou forçá-la e morreu engasgada com o próprio sangue. O rei, por sua vez, atravessou mais de vinte guardas lutando para dar à filha uma chance de fugir. Normalmente, o Soberano não teria se incomodado tanto com o desaparecimento da princesa, já que seu objetivo principal era tomar o trono, mas não podia permitir que ela escapasse por causa de uma habilidade especial com a qual nascera.

Todos os Montadores de Dragões possuíam alguma forma de habilidade baseada em fogo, e a maioria só conseguia usar suas chamas para destruição. A princesa era diferente. Suas chamas lhe davam a capacidade de curar qualquer ferimento que tocasse. Era uma habilidade tão poderosa que havia até um rumor de que ela já fizera o braço perdido de um soldado crescer de novo em batalha. Ela era praticamente uma fênix em carne e osso.

O Soberano não podia perder um recurso tão valioso, então enviou guardas imperiais para recuperá-la antes que ela fosse longe demais. Ao todo, eram três homens perseguindo-a, mas ela usou uma explosão de mana para forçar a abertura de uma Fenda Dimensional e escapar. Seu wyvern matou os outros dois com uma rajada de magia. Aquele homem foi o único sobrevivente e mal conseguiu segui-la pela fenda antes que ela se fechasse.

Quando o cavaleiro de dragão terminou sua explicação, Jason apenas murmurou com curiosidade enquanto olhava para a garota deitada nas costas de sua Torre. Então ela era algum tipo de refugiada fugindo de uma guerra. Pelo menos agora Jason tinha certeza de que escolhera o lado certo. Se ela fosse algum tipo de criminosa fugindo da prisão, teria se sentido um pouco mal por matar o homem.

Mas o que mais o preocupava agora era como ela havia chegado ali. Era mesmo tão fácil para qualquer pessoa abrir uma Fenda Dimensional?

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