O Sistema do Necromante Mais Forte

Volume 1 - Capítulo 49

O Sistema do Necromante Mais Forte

Tradutor/Revisor: miggigibe


— Hm… com licença.

Uma voz fofa veio do lado de Jason, e ele se virou para olhar a garota sentada ali. Ela era jovem, mal havia passado dos dezoito, e usava roupas estilosas que expunham um pouco do decote e das coxas. Era óbvio que estava no ensino médio ou na faculdade, e Jason lhe deu um pequeno sorriso ao ver a expressão ligeiramente tímida em seu rosto.

— Posso ajudar?

A garota corou ao ouvir sua voz e rapidamente falou.

— V-você é ele? O super-humano de Riverdale que Despertou como rank A?

A garota falou em tom baixo, e Jason ficou grato por ela não estar fazendo muito barulho. Não se sentiria confortável se todos no ônibus de repente começassem a se aglomerar ao redor dele por ser um super-humano. Jason assentiu para a garota, e o rubor dela ficou ainda mais intenso enquanto ela batia palmas com um sorriso enorme.

— Isso é incrível! Eu li todos os artigos sobre você e não consegui acreditar no quanto diziam que você era poderoso. Limpar um Portal Vermelho no seu primeiro dia como super-humano é incrível. Você está planejando entrar em alguma guilda em breve?

Jason piscou, surpreso com a conversa disparada em alta velocidade, e apenas balançou a cabeça.

— Não. Não vou entrar em nenhuma guilda tão cedo.

A garota inclinou a cabeça para o lado. Era uma bela garota, com um rosto jovem e arredondado, e aquele gesto a deixou ainda mais fofa aos olhos de Jason.

— Por quê?

— Só não gosto de receber ordens dos outros.

A garota ficou em silêncio por alguns segundos antes de rir de repente, cobrindo a boca. Era uma universitária que fora visitar a família em Riverdale e estava voltando para a NYU. Quando viu Jason no ônibus, reconheceu-o imediatamente, mas ficou nervosa para falar com ele porque achou que ele a dispensaria. Agora que finalmente juntara coragem para puxar assunto, ficou chocada ao ver como ele era fácil de lidar.

A garota deu um empurrão em Jason com o ombro, e ele apenas ergueu uma sobrancelha divertida enquanto a observava.

— Você não gosta de receber ordens. Esse é o melhor motivo que já ouvi. Acho mesmo que você daria um ótimo líder de guilda.

— É mesmo?

— Aham. Pode confiar em mim; a estranha fofa e adorável do ônibus jamais mentiria para você.

Jason não conseguiu evitar uma risada quando a garota ergueu os dedos em uma saudação graciosa. Ela pegou o telefone e o apresentou timidamente.

— Você se importa se a gente tirar uma foto juntos? De lembrança. Meus amigos na faculdade nunca vão acreditar se eu contar que conheci você.

Jason deu de ombros, e a garota sorriu antes de tirar uma selfie animada. O ônibus finalmente parou no destino, e Jason pediu licença para descer antes que a garota pudesse pedir seu número. Foi bom conversar com ela, mas Jason não tinha tempo para colocar mais garotas em sua vida naquele momento.

A garota ficou um pouco decepcionada por Jason não ter pedido seu número, e observou suas costas se afastando com um pequeno bico no rosto. Aquela não era sua parada e ela ainda tinha alguns quilômetros pela frente, mas rapidamente pegou uma caneta e um papel, escreveu algo e correu para fora do ônibus, gritando.

— Espera! Jason!

Jason se virou ao ouvir sua voz, e ela parou diante dele, colocando o papel em sua mão com um sorriso. Piscou para ele e falou em voz baixa e convidativa.

— Meu nome é Tiana. Me liga para qualquer coisa, tá?

O tom de Tiana não deixava nada para a imaginação, e ficou imediatamente óbvio para Jason o que ela estava propondo. Tiana riu ao ver a sobrancelha dele se erguer, então saiu correndo para pegar o próximo ônibus no ponto.

Jason olhou para o papel com uma expressão resignada antes de ir embora. Precisaria encontrar um jeito de esconder o rosto para impedir que coisas assim continuassem acontecendo.


[Está no rastro dele?]

— Sim, senhora. Ele chegou a Nova York sem incidentes, mas ainda não consegui determinar seu destino exato.

Uma jovem sentada em um Toyota escuro observava Jason com olhos calmos e calculistas enquanto ele caminhava pelas ruas de Nova York. Ela usava óculos escuros, roupas escuras e um boné que esconderia sua identidade de qualquer pessoa que a visse, e se certificava de manter Jason em seu campo de visão enquanto falava com alguém pelos AirPods.

[Ele fez algum desvio ou falou com alguém no caminho?]

— Sim, senhora. Houve uma garota no ônibus que conversou com ele, mas acredito que seja apenas uma fã, não alguém importante. Passei o histórico dela pelo sistema e vi que estuda na NYU, então não precisamos nos preocupar.

A mulher no carro seguia Jason desde que ele deixara Riverdale algumas horas antes. Mantinha uma distância razoável para garantir que Jason não a notasse, e atualizava sua superiora regularmente pelo telefone.

Ela tirou o carro devagar do meio-fio e começou a movê-lo na direção em que Jason seguia. Jason caminhava bem rápido, mas não olhava para trás, e ela tinha certeza de que ele não sabia que estava sendo seguido. A mulher também era super-humana, mas sua área de atuação não exigia que usasse seu poder com frequência. Como rastreadora, seu trabalho era ser o mais irreconhecível e insignificante possível.

Quando Jason começou a seguir na direção do Metrô de Nova York, ela franziu a testa em confusão. A voz de sua superiora veio novamente pelo comunicador.

[Garanta que ele não descubra você. Se houver qualquer mudança, me avise.]

— Claro, senhora.

A ligação foi encerrada imediatamente, e a mulher finalmente estacionou o carro ao lado da rua e saiu. Usava uma roupa preta que cobria seu corpo inteiro. Uma calça preta larga, um moletom preto grande e um boné preto impediam qualquer pessoa de saber que tipo de corpo havia por baixo.

Ela começou a seguir Jason a uma distância razoável, e os dois foram na direção do Metrô de Nova York.


Jason desceu as escadas do metrô usando uma máscara no rosto. Depois de toda a situação com Tiana, percebeu que estava reconhecível demais e decidiu começar a usar máscara sempre que estivesse na rua para impedir que as pessoas se aproximassem. Também usava um boné que comprara em uma loja barata e, felizmente, ninguém havia se aproximado dele durante todo aquele tempo.

Nova York era tão movimentada quanto Jason se lembrava. Ele já estivera ali algumas vezes com a mãe e a irmã, mas nunca foram a nenhum lugar importante. Na maior parte do tempo, apenas passeavam e se divertiam.

Nova York era o tipo de lugar onde todo mundo tinha algo para fazer. As pessoas nunca paravam, e você acabaria se tornando um incômodo se tentasse ficar parado em um só lugar. Jason também sentia isso agora enquanto descia as escadas.

Atrás de Jason, a mulher de preto tentava, sem sucesso, acompanhar seu ritmo, sendo constantemente empurrada e atingida por ombradas das pessoas ao redor. Ela xingou e tentou manter Jason em seu campo de visão. Se tentasse abrir caminho à força pela multidão, causaria uma cena, e isso faria Jason se virar. Então só podia suportar os empurrões e esbarrões até conseguir passar.

Pelo canto dos olhos, Jason olhou para trás, na direção da mulher que o seguia. Jamais a teria notado se fosse o mesmo de dois dias atrás, mas seus novos sentidos super-humanos, somados à sua impressionante capacidade de perceber irregularidades, permitiram que a identificasse com facilidade.

Ela o seguia havia um tempo, e Jason estava andando mais rápido para garantir que ela o perdesse na multidão.

Ao redor de Jason, Nova York zumbia com atividade constante. Homens e mulheres de negócios falando ao telefone, estudantes, viajantes e outras pessoas passavam rapidamente, todos seguindo pelo metrô.

Jason viu um homem que falava ao telefone esbarrar em uma mulher e xingá-la enquanto continuava andando. A mulher ergueu o dedo do meio para ele e gritou um xingamento de volta.

Outro homem estava deitado em um banco do metrô com um jornal sobre a cabeça e uma garrafa de uísque na mão, enquanto um terceiro estava sentado bem perto, olhando para a garrafa como se quisesse roubá-la.

Jason riu baixo.

Nova York continua tão maluca quanto eu lembrava.

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