
Volume 1 - Capítulo 37
O Sistema do Necromante Mais Forte
Tradutor/Revisor: miggigibe
— Está cedo demais para isso, pessoal. Façam silêncio.
Todos os lobos se calaram com um ganido, e Jason riu baixo antes de seu rosto assumir uma expressão mais séria. Se ele não estava sonhando, então também não havia sonhado com o Livro do Apocalipse nem com o aviso que seu pai lhe enviara. Todos estavam caminhando para um futuro maldito, e o pai de Jason tentava garantir que ele estivesse preparado o bastante para lidar com aquilo.
Jason precisava começar a trabalhar para ganhar mais poder, e a primeira coisa que faria seria ir ao prédio do Departamento de Gerenciamento de Super-humanos para vender os Cristais Mágicos que conseguira no Portal Vermelho. Depois, iria a Nova York para abrir um Portal usando a Chave Laranja que recebera.
Nova York ficava a apenas alguns quilômetros de Riverdale, então Jason conseguiria chegar lá em poucas horas de ônibus intermunicipal.
Jason se sentou na cama e virou para o lado, olhando para o lençol amarrotado. Havia uma mancha vermelha de sangue no meio do tecido, e Jason sorriu quando as lembranças da noite anterior inundaram sua mente.
Ele e Gina haviam feito aquilo mais três vezes antes de finalmente irem dormir. Mas, dessa vez, precisaram ficar em silêncio para não incomodar os vizinhos.
Jason se perguntou o que ela estaria fazendo naquele momento. Levantou-se da cama, vestiu uma calça jogger e saiu do quarto com calma. Decidiu que jogaria o lençol fora depois, já que estava arruinado.
Jason ouviu um som vindo da pequena cozinha e soube que só podia ser Gina. Enquanto caminhava até lá, o cheiro de algo queimando de repente o atingiu. Sua testa se franziu em choque, e ele entrou na cozinha para ver Gina correndo de um lado para o outro enquanto tentava impedir uma frigideira em chamas de queimar a casa inteira.
Gina usava a camiseta dele com uma calcinha preta, e Jason sentiu os olhos descerem até sua bunda quando ela se curvou, praguejando, para tentar tirar alguma coisa do forno.
— Merda! Merda! Merda!
Gina xingou enquanto jogava a frigideira na pia. Uma tosse veio de trás dela, e Gina congelou antes de se virar lentamente e ver Jason parado ali. Seu rosto ficou vermelho de vergonha, e Jason riu ao falar.
— Que diabos você está fazendo? Eu não te disse para nunca mais chegar perto da minha cozinha? Você quase colocou fogo na minha casa mais de dez vezes só este ano. Merda! Ei! Ei, o fogo! O fogo!
O fogo que Gina estava tentando apagar de repente ganhou força de novo, e ela gritou antes de começar rapidamente a tentar apagá-lo com um pano. Gina sabia que não devia usar água, então apenas bateu no fogo como se ele fosse sua vadia até apagá-lo, e então jogou a panela queimada na pia junto com a frigideira. Jason suspirou, levando a mão à cabeça. Não conseguia acreditar naquela mulher. O que diabos ela estava fazendo?
Gina sorriu em desculpa e depois fez bico quando Jason lhe lançou um olhar sério. Não era culpa dela. Só estava tentando fazer algo para os dois comerem, mas o fogo estava alto demais e acabou queimando tudo. A linha de gás liberava gás demais, então ela não conseguia controlar.
Gina disse tudo isso a Jason, e Jason apenas lhe lançou um olhar seco antes de um sorriso divertido se espalhar por seus lábios. Ele riu baixo quando Gina fez ainda mais bico, então se aproximou e a abraçou. Gina era uma cozinheira horrível e, na maior parte do tempo, não fazia ideia do que estava fazendo na cozinha. Mas, por algum motivo, nunca parava de tentar. Era como alguém que não sabia cantar insistindo em ir ao karaokê toda vez. A pessoa só estava se preparando para fracassar.
— Talvez seja melhor você ficar longe da cozinha de agora em diante. Você vai acabar queimando este lugar se continuar. Vamos pedir alguma coisa pela internet. Eu não tenho aula hoje, então estou com a manhã livre. Você precisa trabalhar?
Gina ainda fazia bico por Jason ter rido dela, mas, quando ele mencionou pedir comida, seu rosto se iluminou, e ela imediatamente gritou por pizza. Era cedo demais, mas isso não importava, já que não havia ninguém ali para impedi-los. Comeriam pizza no café da manhã.
Gina disse a Jason que só precisava ir trabalhar mais tarde, à tarde, e Jason riu. Ele se inclinou e lhe deu um selinho, e Gina corou intensamente antes de ficar na ponta dos pés e beijá-lo com profundidade.
Gina segurou o pescoço dele com suavidade e aproveitou o beijo por um tempo antes de recuar com um suspiro e falar:
— Feliz aniversário, Jason.
A sobrancelha de Jason se ergueu quando ele de repente se lembrou de que era seu aniversário. Tinha esquecido completamente. Ele sorriu e agradeceu a Gina de coração, e ela enterrou o rosto em seu peito com um gemido feliz.
— Eu ainda não acho que isso é real. Você, eu… nós. Estou tão feliz que isso poderia me matar.
Jason riu e beijou o topo da cabeça dela. Sentiu os seios de Gina pressionando contra seu peito, e a visão da bunda dela aparecendo sob sua camiseta acendeu algo dentro dele. A mão de Jason instintivamente começou a descer pelas costas de Gina, e ele apertou sua bunda grande com força. Gina se sobressaltou com o gesto e lhe deu um tapa brincalhão no peito.
— Pervertido!
Jason riu quando seu telefone tocou de repente, e falou enquanto tirava o aparelho do bolso.
— Não fui eu quem manteve os vizinhos acordados ontem à noite. Vamos, pede a pizza enquanto eu atendo.
Gina deu um soco no ombro de Jason, corando ainda mais, enquanto ele se afastava para atender a ligação, e Jason riu de novo.
Ele ouviu Gina fazendo a ligação para pedir pizza atrás dele, então caminhou até o sofá da sala e atendeu. Havia latas de cerveja espalhadas ao redor do sofá, e Jason pegou uma delas e bebeu com calma. Agora tinha dezoito anos, então podia beber o quanto quisesse. A cerveja tinha gosto amargo e quente, mas não era ruim, e Jason ouviu a voz da mãe vir do outro lado da linha.
[Alô? Jason?]
— Oi, mãe.
Jason respondeu com um sorriso e perguntou como ela estava. A mãe apenas descartou sua preocupação e disse que estava bem. Não tinha ligado para falar de si mesma.
[Feliz aniversário, meu bebê. Espero que esteja se divertindo com a Gina.]
Jason riu e disse que estava, antes de sua mãe continuar.
[Eu comprei uma coisa para o seu aniversário, mas está no apartamento. Venha hoje à noite para eu te entregar. O médico disse que vou poder sair até lá.]
— Certo. Eu passo aí para te buscar esta noite—
[Não, você não precisa me buscar.]
— Mãe, não dificulta. Eu vou te buscar. Tenho uma coisa para fazer hoje à tarde, então vou passar um tempo em Nova York, mas devo voltar antes do anoitecer. Se eu não voltar, a Gina te busca. Você não devia ficar se movimentando nesse estado.
Do outro lado da linha, Mira sorriu com o tom de Jason. Jason podia ser muito mandão em momentos assim, e Mira sabia que era apenas por causa do quanto ele a amava. Jason cuidava da família havia tanto tempo que ela já se acostumara.
Mira voltou a falar enquanto acenava para uma enfermeira que passou e colocou a cabeça no quarto para ver como ela estava.
[Por que você vai a Nova York? É coisa de super-herói?]
Jason riu quando a mãe disse “super-herói”, mas não se deu ao trabalho de corrigi-la.
— Sim… algo assim. Preciso me registrar no SMD primeiro, depois tenho que ir a Nova York por outra coisa.
Mira suspirou, cansada. Todo o conceito de ser um super-humano lhe escapava completamente, então ela ainda não conseguia entender de verdade o quanto seu filho havia mudado.