
Volume 1 - Capítulo 1
O Sistema do Necromante Mais Forte
Tradutor/Revisor: miggigibe
— Jason! Quando terminar de levar o lixo para fora, venha me ajudar com o próximo pedido! Querem um hambúrguer com batata frita!
A voz alta ecoou pela pequena lanchonete enquanto uma mulher contornava as mesas com dois pratos generosos de hambúrgueres, levando-os até os clientes que haviam feito o pedido. Ela parecia estar na casa dos quarenta e poucos anos, mas se movia com a leveza de alguém bem mais jovem. E, quando sorria, era o tipo de sorriso bonito o bastante para fazer qualquer pessoa sorrir de volta.
Seu nome era Mira Marc. Ela era mãe solo e proprietária da Marc Diner. Seu filho, Jason Marc, ajudava na lanchonete sempre que não estava na escola e, naquele momento, lidava com um grupo de rapazes que vinha causando problemas no estabelecimento.
Os garotos estavam gravando vídeos para o TikTok e fazendo barulho demais, incomodando os outros clientes. Jason foi até eles para conversar. E, quando se recusaram a ouvir, levou-os para fora para uma conversa um pouco mais física.
O sino acima da porta tocou, e Mira se virou para ver Jason entrando de volta. Jason era um rapaz de dezessete anos, de cabelos e olhos escuros. Era alto, passava com folga de um metro e oitenta e ficava acima de praticamente qualquer pessoa que se aproximasse dele. Seu rosto mantinha uma expressão impassível enquanto ele limpava uma das mãos no avental, acenava para a mãe e seguia para a cozinha.
— Você disse que eles queriam batata frita e hambúrguer?
Jason perguntou com curiosidade, e Mira sorriu ao notar um pouco de sujeira em sua bochecha. Ela se aproximou e limpou a mancha com o polegar. Depois, olhou pela porta de vidro da lanchonete e viu os garotos correndo rua abaixo, apressados para se afastar.
Mira soltou um suspiro cansado.
— Espero que você não tenha machucado demais aqueles meninos. Você sabe como os jovens de hoje são frágeis. Nunca vão à academia.
Mira deu algumas palmadinhas satisfeitas no peito largo do filho, e Jason apenas riu baixo da piada.
Jason não tinha machucado os garotos tão gravemente. Quando saíram, apenas mandou que fossem embora e nunca mais voltassem. E, quando um deles tentou atacá-lo por se sentir insultado, Jason deu nele um tapa forte o bastante para fazer seus ouvidos zumbirem por alguns segundos. Se alguém perguntasse, diria que foi legítima defesa. Afinal, o garoto atacou primeiro.
Foi suficiente para garantir que eles nunca mais pensassem em voltar. Jason sabia que todos aqueles rapazes eram mais velhos do que ele, mas, com sua altura e seu porte físico, isso não fazia muita diferença. Estavam agindo como crianças, então ele também os trataria como crianças.
— Não se preocupe, mãe. Eu só conversei com eles. Disseram que estavam arrependidos e prometeram que não fariam de novo.
Jason abriu um sorriso inocente, e a mãe apenas lhe deu um tapinha na bochecha enquanto ria. Ela sabia que ele não estava dizendo a verdade. Não havia chance de aqueles garotos simplesmente irem embora sem tentar arrumar briga. Ainda assim, Mira ficava feliz por ter o filho ali para ajudá-la sempre que surgia algum problema.
— Igualzinho ao seu pai… ah.
Mira levou a mão à boca de repente ao ver a expressão de Jason se fechar quando ela mencionou o pai dele. Jason suspirou, passou a mão pelos cabelos e se virou para voltar à cozinha.
— Jason, espere—
— Você disse hambúrguer e batata frita, certo? É para viagem?
Jason interrompeu a mãe antes que ela pudesse dizer qualquer coisa. Ele não queria falar sobre o pai. Não depois de tudo que haviam passado por causa dele.
Mira soltou um suspiro cansado enquanto limpava as mãos no avental e assentiu. Ela queria poder falar mais sobre o pai de Jason, mas sabia que o assunto machucava o filho sempre que era mencionado.
O pai de Jason estivera ausente durante a maior parte da vida do garoto. Mais de dez anos antes, o homem simplesmente desaparecera da vida deles de um dia para o outro. A única coisa que deixou para trás foi a lanchonete e um bilhete dizendo para não irem procurá-lo.
Mira, obviamente, ficou arrasada por ter sido abandonada daquele jeito, mas aquilo foi ainda mais difícil para Jason, pequeno demais na época para entender tudo sem se quebrar por dentro. Ele precisou assumir o papel de homem da casa desde muito cedo, e Mira não pôde fazer nada além de observar o filho se forçar a amadurecer muito além da própria idade em pouquíssimo tempo.
Mira, Jason e Maya, a irmã mais nova dele, eram os únicos que restavam da família original de cinco pessoas. Os três faziam tudo o que podiam para se manter de pé em meio à situação difícil que assolava o país naquele período.
Ela sequer conseguia se lembrar da última vez que Jason lhe pedira alguma coisa para si. Jason morava sozinho e enviava dinheiro de seus outros empregos de meio período para ajudar com as despesas da casa e os estudos de Maya. E, sempre que não era necessário em seus outros trabalhos, aparecia depois da escola para ajudá-la na lanchonete.
Eles não tinham muitos clientes, já que aquela era apenas uma lanchonete pequena e pouco conhecida, mas ter Jason por perto tornava tudo muito mais fácil para Mira. Ela era grata por tudo que ele fazia.
Só queria que ele expressasse mais o que sentia. Doía vê-lo guardar tudo para si e agir como se precisasse carregar o peso do mundo nos ombros.
— Mãe, pedido pronto.
Jason falou atrás do balcão ao colocar o hambúrguer com batata frita sobre a bancada. Mira se aproximou e lhe deu um sorriso antes de pegar o pedido para entregá-lo ao cliente. Jason sorriu de volta para a mãe e suspirou enquanto observava as pessoas passando pela rua. Era mais um dia lento e, pelo visto, eles não receberiam mais de trinta clientes antes do fechamento.
Talvez eu precise arrumar outro emprego.
Jason estalou a língua, irritado, ao pensar nisso. As coisas já estavam difíceis o bastante.
[E agora, nas notícias de hoje. As informações que chegam indicam que outro Portal Vermelho se abriu no coração de Los Angeles, levando à paralisação total da cidade. O Portal surgiu hoje às 12h21 e, infelizmente, matou quinze pedestres antes que a área ao redor fosse evacuada. Nossos relatórios também mostram que a guilda Falcão Negro, de rank C, liderada pelo super-humano de rank B conhecido como Relâmpago Vermelho, chegou ao local. Temos Ferrow Wheeler em campo para nos atualizar conforme a situação se desenrola—]
— Outro já abriu? Não tivemos dois desses na semana passada? O que está acontecendo com este mundo?
Mira falou, cansada, ao ver a reportagem passando na televisão. A notícia mostrava uma visão aérea da cidade, com um grande Portal Vermelho girando de forma sinistra no centro da avenida principal. Havia enormes barricadas policiais e tanques militares estacionados ao redor do Portal para impedir qualquer pessoa de se aproximar. Também era possível ver com clareza uma energia estranha tentando sugar tudo nas proximidades, praticamente forçando qualquer um que chegasse perto demais a entrar no Portal.
Aquilo era um Portal Vermelho, um dos estranhos fenômenos que haviam surgido no mundo dez anos atrás.
Dez anos antes, o mundo inteiro passara por uma mudança gigantesca. Portais de várias cores começaram a se abrir em diversas cidades ao redor do planeta, e esses Portais puxavam as pessoas para dentro por meio daquela energia bizarra. A curiosidade tomou conta de todos. Muita gente se perguntava o que poderia ter causado aquilo, mas ninguém conseguia entender completamente. As autoridades precisaram isolar os Portais, pois não queriam que ninguém fosse sugado para dentro.
Mas isso acabou se revelando um erro.
Porque, depois de certo tempo sem que ninguém entrasse em um Portal, ele passava pelo que hoje era conhecido como Ruptura.
Os Portais explodiam para fora, e criaturas que antes eram consideradas coisa de fantasia jorravam de dentro deles, inundando as cidades.
Lagartos Gigantes, Goblins, Kobolds e Cães Monstruosos! Todos avançaram contra os muitos soldados e policiais que guardavam o Portal, e as forças de segurança foram completamente sobrecarregadas pela quantidade absurda de inimigos. Foram derrotadas com facilidade, e os monstros começaram a aterrorizar a cidade, matando centenas de milhares de pessoas em sua devastação.
Mas, antes que conseguissem tomar a cidade inteira, foram subitamente confrontados por um grupo de humanos que possuía habilidades extraordinárias conhecidas como Dons.
Esses humanos tinham força, velocidade e resistência física aprimoradas, além da capacidade de usar diversos tipos de magia para lutar contra os monstros.
Essas pessoas passaram a ser chamadas de super-humanos, e foram louvadas por toda a humanidade como os novos protetores da espécie humana.
Os super-humanos repeliram os monstros com facilidade, mataram a maior parte deles e forçaram os sobreviventes a recuar para dentro do Portal. Depois disso, entraram no Portal e lidaram com os monstros que ainda estavam lá dentro.
Segundo as histórias contadas pelos canais de notícia naquele dia, os super-humanos continuaram matando monstros até finalmente enfrentarem o Chefe do Portal, uma criatura muito mais forte do que todos os outros monstros daquele lugar. Somente depois de conseguirem matar aquele monstro é que puderam sair do Portal e fechá-lo.
Os cinco super-humanos que participaram da primeira Incursão da história receberam o título de Cinco Governantes e, até hoje, são reverenciados como os super-humanos mais poderosos, cada um liderando sua própria guilda de rank S.