Water Magician (WN)

Capítulo 287

Water Magician (WN)

Editor: Tseirp

No dia seguinte, Ryo visitou a Guilda dos Aventureiros na capital real.

O motivo era que ele queria saber mais sobre Zeke, o habilidoso sacerdote, depois do que descobrira sobre ele no dia anterior.

Como regra de ouro, a guilda não divulga informações pessoais, então ele pensou em perguntar a Etho, do 'Quarto 10', que parecia conhecer Zeke… mas ele nem sequer sabia onde Etho morava…

Desnecessário dizer que ele também não fazia a menor ideia do endereço de Niels e Amon.

Então, ele passou na guilda para ver se conseguia encontrar alguém que soubesse…

"Ei, você, o que diabos está fazendo?"

Ele provavelmente notara Ryo espreitando de um lado para o outro.

Como alguém que nunca tinha sido visto na Guilda dos Aventureiros da capital real… ele parecia extremamente suspeito.

E ser abordado por algum aventureiro hostil aleatório era praticamente inevitável.

Já que, por todas as aparências, Ryo não parecia exatamente forte…

Apenas uma pessoa ficou encantada com essa reviravolta.

O próprio Ryo, obviamente.

Sim, finalmente! Até que enfim!

O clássico desenvolvimento das histórias de reencarnação isekai, um confronto na guilda… ele talvez pudesse vivenciar isso.

Até que enfim, finalmente chegou! Isso aí, finalmente!

Demorou, mas chegou!

Ninguém poderia culpar Ryo por abrir um sorriso.

E se esse sujeito suspeito que fora confrontado fizesse uma cara tão condescendente, o aventureiro hostil naturalmente perderia a cabeça.

"Seu moleque de merda, do que está rindo?!"

Disse ele, erguendo o punho no ar…

"Ei, o que você está fazendo?!"

Uma voz afiada e intimidadora ecoou pelos arredores.

"G-Grão-Mestre…"

A voz pertencia a Hugh McGrath.

O aventureiro, que havia erguido o punho, começou a suar frio enquanto balbuciava desculpas esfarrapadas.

"E-Esse cara estava agindo de forma suspeita e me fazendo de bobo…"

Sua justificativa carecia de qualquer sentido, mas não havia o que fazer… a pressão vinda de Hugh era tremenda.

Hugh então desviou o olhar do aventureiro babaca para Ryo, ao lado dele.

E de alguma forma compreendeu a situação.

Ao observar o quão frustrado Ryo estava por ter chegado tão perto.

"Ryo… você poderia, por favor, parar de provocá-lo…"

"Hã?"

Ryo e o aventureiro falaram em uníssono.

Ambos queriam dizer "como assim"… mas suas conotações pareciam ser bem diferentes.

"Escute bem, esse cara é Ryo, um aventureiro de rank C de Rune. E embora ele seja rank C, esse rank é só fachada.

"Hã…"

Ryo ficou absolutamente mortificado. O próprio grão-mestre tinha revelado que seu rank era uma farsa.

"Não mexa com esse cara. Você já deve ter ouvido falar do mago do atributo água de Rune, certo? Esta guilda vai desmoronar. E não metaforicamente, mas fisicamente. Agora, se você valoriza a sua vida, é melhor ficar bem longe dele."

O grão-mestre nunca foi de medir as palavras ao dizer esse tipo de coisa.

Os olhares ao redor estavam deixando Ryo desconfortável…

"Não, eu não iria tão longe…"

"Mais importante, o que faz aqui? Quero dizer, você nunca esteve aqui antes, esteve?"

Disse Hugh, entrando nos fundos com Ryo.

Então, o restante dos aventureiros começou a cochichar.

"Eu já ouvi falar dele, o mago de atributo água de Rune, Ryo…"

"Você está falando daquele boato de muito tempo atrás, né… de quando ele congelou alguns aventureiros de rank A no passado…"

"Isso era só um boato, não era?"

"Deve ser verdade, não? Para o próprio grão-mestre ter mencionado isso?"

"O apelido dele, se não me engano, é Duque de Prata…?"

"Ou, Queda de Gelo…"

Quando Ryo chegou à sala do Grão-Mestre, encontrou visitantes que haviam chegado antes.

Três pessoas.

Eram os elegantes aventureiros de rank B, Niels, Amon e…

"Etho! Na verdade, preciso te perguntar uma coisa…"

"Hum?"

Ryo avistou o sacerdote Etho e imediatamente começou a lhe fazer perguntas.

"É sobre Zeke, o sacerdote do Império."

"Zeke? Como você o conhece, Ryo?"

Em resposta à pergunta de Etho, Ryo lhe contou o que havia acontecido no 'Café de Chocolat' e na sala de audiências.

Em poucas palavras.

Omitindo convenientemente a parte do duelo… na sala de audiências.

Niels, Amon e até Etho ficaram surpresos… mas, no fim, Ryo ficou um pouco insatisfeito com o fato de eles parecerem convencidos com a simples frase "Isso é tão a cara do Ryo", mas… decidiu deixar para lá.

Ryo é alguém que sabe ler o ambiente!

Mas obter informações era a prioridade.

"Zeke tem a mesma idade que eu, vinte e um anos este ano. Sou cerca de seis meses mais velho que ele. E como você sabe, Ryo, ele vem do Império, mas o que é ainda mais incomum é que ele é do Templo Imperial do Império."

"Isso é incomum?"

"Sim, muito. O Império tem uma instituição nacional de treinamento para curandeiros. Lá, você pode aprender magia de cura como Heal e Cure, então pouquíssimas pessoas entram no templo. Originalmente, o número de pessoas que conseguem usar magia de cura — ou seja, magia do atributo luz — já é pequeno em comparação com vento, fogo, terra e água, mas como elas são admitidas na instituição de treinamento, o número de pessoas que entram no Templo Imperial é ainda menor."

Essa foi a primeira vez que Ryo soube da situação dos sacerdotes no Império.

"Quando deixei o Templo Central depois de me tornar um aventureiro, ficamos juntos por apenas seis meses, eu acho? Zeke é, claro, um sacerdote altamente capacitado, mas ele também parecia saber artes marciais e treinou técnicas de bastão junto com os monges."

Monges são os monges armados do Templo Central.

Eles se dedicam à Deusa da Luz e são capazes de lutar incansavelmente.

Eles são a vanguarda que luta com seus cajados sagrados abençoados, expondo-se na linha de frente da batalha.

Ryo também se lembrou de lutar ao lado deles na defesa dos túmulos subterrâneos durante o tumulto na capital real.

"Entendo…"

Ryo assentiu várias vezes enquanto dizia isso, associando a informação com algumas de suas memórias.

Foi quando aconteceu.

Um alvoroço começou na entrada da guilda.

"E agora? Entrou outro Ryo por acaso?"

Hugh espiou em direção à entrada da guilda com um olhar cético.

Ryo, cuja reputação sofrera um golpe, abaixou a cabeça… lamentando o fracasso de seu clássico desenvolvimento que estivera tão perto de se concretizar.

"Que droga, eu estava tão perto!", disse ele.

Mas o barulho na entrada parecia diferente desta vez.

Acalmou-se imediatamente.

Então, a recepcionista trouxe o visitante para dentro.

"Grão-Mestre, Sua Majestade o Rei está aqui para vê-lo."

"Sua Majestade? Ah, Sua Majestade o Rei. O Rei… Abel."

A recepcionista anunciou o visitante, e Hugh confirmou sua identidade.

Então Abel I, ex-aventureiro de rank A e atual rei do Reino de Knightley, apareceu.

"Grão-Mestre, desculpe pela visita repentina… hum? Niels, Etho e Amon? Faz bastante tempo, pessoal."

"Sua Majestade!"

Niels exclamou, e os três se apoiaram em um joelho e se curvaram.

"Que raro… é bem incomum ver Sua Majestade vir à guilda."

Disse Hugh, curvando-se em um joelho, embora de forma um pouco desleixada.

"Você está matando trabalho de novo, Abel…"

Disse Ryo, balançando a cabeça repetidamente na mesma posição, dando de ombros com uma expressão que parecia dizer: "francamente".

Claro, ele não se curvou…

"O que você está fazendo aqui, Ryo?"

Abel perguntou a Ryo.

Era muito incomum Abel visitar a guilda, mas também era incomum Ryo estar na Guilda dos Aventureiros da capital real.

Na maior parte do tempo, ele estava largado no sofá do quarto de Abel ou comendo bolos no Café de Chocolat… já que essa era a imagem que ele passava…

No entanto…

"Bem, para sua informação, sou um aventureiro ativo de rank C. É natural me encontrar na guilda."

"…Estou sem palavras com a sua capacidade de dizer descaradamente algo em que ninguém provavelmente vai acreditar."

Disse Abel, balançando a cabeça de leve.

"Como assim é difícil de acreditar…?"

"Bem, provavelmente por causa da sua rotina diária…"

O sussurro desesperado de Ryo foi abafado pelo sussurro confiante de Niels.

"Grão-Mestre, embora isso ainda não esteja decidido…"

Abel foi direto ao assunto assim que seu café chegou.

Com Ryo e os três do 'Quarto 10' ainda na sala, ouvindo Abel.

Sob a condição de manterem a boca fechada e não vazarem nenhuma informação para fora daquela sala, é claro.

"Eu gostaria que o Grão-Mestre chefiasse a delegação do nosso reino."

"É sério isso…"

Disse Abel, e Hugh murmurou baixinho.

Depois de pensar por um tempo, Hugh olhou de relance para Ryo e então abriu a boca.

"Não seria melhor ter o Primeiro Duque como chefe em meu lugar? Acredito que isso também aumentaria a reputação dele."

"Infelizmente, Ryo não tem muita experiência em negociar com a realeza ou nobres de alto escalão…"

Ryo assentiu repetidamente enquanto Abel explicava isso.

Ele estava ciente de sua falta de experiência no assunto, bem como de sua aversão a isso.

"Eu também não gosto disso…"

"Mas você é uma escolha melhor."

"Sim, o senhor Hugh vai se sair bem."

Diante do lamento de Hugh, Abel o assegurou de forma irresponsável, e Ryo fez o mesmo.

"Hum, minha esposa vai ter um bebê e…"

"Lady Frederica, certo? Não se preocupe, a família real se responsabilizará por cuidar muito bem de sua esposa."

"Se o grão-mestre se ausentar da guilda por um longo período…"

"Nós também pensamos nisso. Não se preocupe, providenciarei um substituto perfeito para o período."

Abel refutou as reclamações de Hugh uma por uma.

Depois de repetirem o mesmo vaivém algumas vezes… Hugh finalmente desistiu.

"Tudo bem… Eu aceito o papel."

"Entendido! Sabia que podia contar com você, grão-mestre. Com isso, não precisaremos nos preocupar com quem quer que esteja representando o Império ou a União!"

Disse Abel, muito animado.

Ryo, que ouvia ao lado dele, também ficou contente.

Os três do Quarto 10 não sabiam exatamente o que estava acontecendo, apenas continuaram sentados tomando seu café.

Mas quer eles imaginassem ou não que logo seriam incluídos no assunto…

"Então, escute, Niels. Pedimos para vocês ficarem porque provavelmente virão conosco."

"Nós? Sim, com certeza! Se o senhor Abel… quero dizer, Sua Majestade desejar, iremos até o fim do mundo!"

Niels respondeu entusiasmado.

Tanto Etho quanto Amon riram baixinho, mas no fundo era improvável que recusessem.

"Que bom! Fico aliviado em ouvir isso! Porque vocês farão uma viagem aos Países do Oeste."

"O quê…"

As palavras de Abel fizeram os três exclamarem.

Embora tivessem dito "até o fim do mundo", não tinham ideia de que realmente iriam para o extremo Oeste…

Mais tarde, após receberem informações sobre a delegação, sua escala e a explicação de que o Reino não seria o único a participar e que muitos aventureiros e cavaleiros se juntariam a eles, os três do Quarto 10 conseguiram se acalmar.

Como era de se esperar, há uma grande diferença na sensação de segurança entre apenas alguns jovens indo sozinhos para os Países do Oeste e ir acompanhado de centenas de pessoas.

"A propósito, Sua Majestade…"

Hugh interveio quando a conversa parecia estar quase no fim.

"Sim?"

"E quanto ao Primeiro Duque e aventureiro de rank C aqui do lado?"

O olhar de Hugh se voltou para Ryo, que estava tomando sua segunda xícara de café e já se perguntando mentalmente como seria o golem do oeste.

Foi somente com essas palavras e esse olhar que Ryo percebeu pela primeira vez.

A sua participação ainda não havia sido decidida oficialmente.

"Hã… bem, eu vou também, obviamente? Eu vou, certo? Quero dizer, ele acabou de dizer algo sobre aumentar minha reputação ou algo assim, não foi? Bem, eu vou, só para vocês saberem!"

"Hum~, Ryo é um recurso valioso para o país, e seria um pouco inconveniente se esse recurso deixasse o território…"

"Eu vou com certeza! Não me importa o que você diga, Abel, eu vou!"

Ryo se levantou e gritou com os olhos marejados diante das palavras de Abel.

"Mas você sabe…"

"Muito bem. Hoje, a partir deste exato momento, o Ducado de Rondo se separará do Reino de Knightley, e eu partirei para os países do oeste! Se o Reino tentar me impedir pela força, reunirei todo o poder do ducado contra ele!"

"Ei, pare com isso, seu cabeça-dura."

Disse Abel, um pouco impaciente, para Ryo, que enxugava as lágrimas e tentava declarar independência.

Ele sabia que seria impossível impedir Ryo de ir de qualquer forma.

Ele estava apenas sendo um pouco maldoso.

Teria sido o cúmulo se Ryo declarasse independência por causa disso.

"Tudo bem, vou incluir você na delegação também. Você irá como aventureiro de rank C e guarda-costas, e não como Primeiro Duque."

"Uau, eu sabia que podia confiar no seu julgamento, Abel! Agora, os monstros da Floresta de Rondo não precisarão mais atacar o Reino."

"Sim, e trate de fazer com que continue assim."

Abel balançou a cabeça de leve, imaginando uma cena angustiante de grifos, wyverns ou behemoths atacando o Reino.

Embora não achasse que Ryo pudesse comandar aqueles monstros à vontade… ele tinha a sensação de que Ryo seria capaz de fechar um acordo com eles usando carne, por exemplo… o que, de fato, era algo que ele já estava fazendo…

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