
Capítulo 229
Water Magician (WN)
— Chegou alguma mensagem do Império?
— Sim, Vossa Excelência Ministro das Finanças. Os distúrbios no feudo do Conde Gother envolveram pessoas do Império, e o Ministério Imperial das Relações Exteriores emitiu um comunicado declarando que "O Império fará o que for necessário para garantir a segurança de seus cidadãos".
Eles estavam no escritório do Ministro das Finanças, localizado no castelo do Palácio de Cristal da capital real, popularmente conhecido como "Palácio".
O Subsecretário de Finanças, Schart, estava relatando a situação ao Ministro das Finanças, Fuka.
O Ministro das Finanças, Fuka, utilizou de todas as suas artimanhas para desviar de si as investigações sobre seu envolvimento com o Duque Flitwick, a União e o Cavaleiro Comandante Baccara antes dos distúrbios na capital real.
Além disso, ele continuava a ocupar seu espaço no palácio como uma figura importante da nação, que havia contribuído imensamente para conter os distúrbios na capital real.
O anúncio do Ministério Imperial das Relações Exteriores, o mesmo relatório entregue a todos os outros ministros, chegou a Fuka.
— Em outras palavras, é uma declaração para enviar um exército ao Reino? É o padrão de sempre.
"Proteger os próprios cidadãos" é uma tática frequentemente usada em todas as épocas e nações.
Naturalmente, isso levará à guerra.
O Império e o Reino vinham travando guerras envolvendo dezenas de milhares de soldados a cada poucos anos, ao longo dos últimos trinta anos.
O caso desta vez parecia ser o estopim para que o mesmo acontecesse mais uma vez.
Normalmente, isso seria algo "comum", e os preparativos prosseguiriam solenemente, mas o Reino ainda não havia se recuperado do caos gerado pelos distúrbios na capital real.
Devido aos distúrbios na capital real, a Ordem dos Cavaleiros do Reino fora destruída e atualmente passava por uma reorganização.
Além disso, os guardas do distrito aristocrático morreram durante a turbulência, enfraquecendo o poder militar da capital real e de seus arredores.
Para piorar, com a deterioração da segurança pública na região leste do país, que já se arrastava há algum tempo sem dar sinais de trégua, a falta de força militar estava se tornando evidente em todo o Reino.
— O Ministro dos Assuntos Militares instou os lordes do norte a participarem da guerra.
— Entendo... Mesmo que termine em empate, teremos que pagar uma recompensa do tesouro nacional aos lordes que participarem da guerra... O fardo financeiro aumentará ainda mais...
O Ministro das Finanças, Fuka, imediatamente percebeu que o problema caía sob sua alçada.
De fato, nenhuma ação estatal custa mais caro do que a guerra!
— Bem, podemos pensar nas recompensas para os lordes feudais depois da guerra... haverá soldados da capital real?
— Sim. Embora ainda esteja sendo reorganizada, a Ordem dos Cavaleiros do Reino irá participar. Além dela, a Ordem dos Magos da Corte e o Primeiro Exército do Reino. E a milícia conscrita.
— Isso também... vai custar dinheiro...
Fuka disse com um suspiro profundo.
Seu tom tornou-se ainda mais direto em comparação a antes, e parecia que os sentimentos de desespero de Fuka se aprofundavam a cada instante.
A cidade de Rune, ao sul, estava em paz.
Estava especialmente pacífica ao redor de Ryo.
Tudo estava tranquilo como sempre.
Acordar antes do nascer do sol.
Alongar-se vigorosamente por trinta minutos.
Depois, do lado de fora das muralhas de Rune, ele corre enquanto cria uma miniatura da Torre de Tóquio com gelo em suas mãos, pés e ombros.
Tomar o café da manhã e depois dedicar seu tempo à alquimia até o meio-dia.
Durante esse período, Sera costumava passar por lá e ler um livro na sala de estar.
No almoço, eles frequentemente comiam juntos em restaurantes perto do portão leste, como o Houshoku-tei.
Depois disso, geralmente eram batalhas simuladas na mansão do lorde.
No jantar, às vezes ele comia em casa, às vezes no refeitório da guilda dos aventureiros ou em alguma taverna que encontrava por acaso.
Então, ele tomava um banho e ia deitar.
Uma vida surpreendentemente rotineira.
Havia duas forças capazes de perturbar essa vida regrada.
A primeira eram as três pessoas do "Quarto 10".
E a outra...
— Ryo, está aí~?
Um espadachim aventureiro de rank A que entra pela porta lateral sem sequer bater.
Ele entrou esperando encontrar Ryo lá, mas se surpreendeu ao ver uma elfa lendo um livro na sala de estar.
— S-Sera...
— Olá, Abel. O Ryo está lendo materiais de alquimia lá nos fundos.
— Sim, eu estava lendo, mas parecia que um espadachim suspeito tinha entrado, então eu vim ver.
Abel ficou surpreso; Sera gentilmente apontou onde Ryo estava, e Ryo surgiu dos fundos.
— Ah, desculpa.
— Se você realmente se desculpa, deveria ao menos trazer algum agrado. Tipo, aqueles crepes deliciosos vendidos na cidade, para duas pessoas!
— Concordo, você deveria trazer isso. Como esperado do Ryo, você sempre tem ótimas sugestões!
Ryo pediu um crepe, e Sera embarcou na ideia.
— Ora, vocês dois... ultimamente, andam bem sintonizados.
Abel queixou-se com um longo suspiro.
— Claro. Comida gostosa é justiça!
Ryo declarou em voz alta, e Sera assentiu várias vezes com a cabeça.
— Desta vez, Ryo e io temos uma solicitação urgente da guilda.
— Eu e o Abel? Isso é raro.
— Bem, o meu grupo ainda está no Vilarejo Kona... O local desta solicitação de emergência é o Vilarejo Bemberton.
— Levaria dois dias de carruagem de Rune até Bemberton.
Abel informou a localização, e Sera complementou com os detalhes.
— Sim. Eles querem que a gente vá o mais rápido possível, e a carruagem da guilda já está preparada e esperando na frente desta casa.
— Entendo, fazer o quê...
Dizendo isso, Ryo guardou os documentos que tinha em mãos no quarto dos fundos e voltou com sua bolsa de sempre, a Murasame, a faca especial de Michael e um manto.
— Vamos? Desculpe, Sera. Ficarei fora por um tempo.
— Umu, cuide-se.
Dito isso, Sera abraçou Ryo gentilmente.
As bochechas de Abel ficaram vermelhas por algum motivo ao presenciar a cena.
— Bem, de qualquer forma, você se preparou bem rápido.
Dentro da carruagem, Abel começou a conversar.
Seu rosto ainda estava um pouco corado...
— Ah, são apenas as coisas básicas de aventura: poções e rações de viagem. E não se preocupe, eu trouxe grãos de café torrados de Kona.
— Como esperado...
Abel respondeu, expressando admiração e exasperação ao mesmo tempo.
— Então, em primeiro lugar, qual é essa solicitação urgente para mim e para o Abel?
Um grupo formado apenas pelos dois nunca havia recebido uma solicitação de emergência ou de indicação antes.
— Parece ser uma subjugação de wyvern.
— O quê...
Foi algo inesperado até mesmo para Ryo.
Parecia que a cidade de Rune também não estava tão pacífica assim.
Desde que Ryo chegara a Rune, ele nunca tinha visto um wyvern, muito menos recebido uma solicitação de subjugação.
Nenhuma única vez, mas...
— Falando nisso, não comentaram que o pessoal do "Quarto 10" subjugou um wyvern antes?
— Sim. Ouvi dizer que eles encontraram e derrotaram um com a ajuda do grupo de rank C de Acre, as "Seis Pétalas", durante uma outra missão. Eram nove pessoas, mas os rapazes do Quarto 10 ainda eram de rank D, não eram? Foi um grande feito.
Ao ouvir os elogios de Abel, Ryo assentiu feliz da vida.
As três pessoas do "Quarto 10" eram seus antigos companheiros de quarto.
Ao saber que estavam ativos e que um aventureiro de rank A os elogiara, ele naturalmente ficaria contente por eles.
— Porém, a forma como o derrotaram foi inacreditável...
— Sim... O Amon foi arremessado para o céu...
Ryo comentou enquanto se lembrava da história sobre a subjugação do wyvern que ouvira do trio.
— Gorky, o usuário de escudo das "Seis Pétalas", o arremessou... Ultimamente, parece que virou moda espadachins voando pelos céus...
Abel disse, fingindo seriedade.
— Por que você não tenta voar também? Peça ao Warren...
— De jeito nenhum.
— Então, o Mestre da Guilda nos escolheu desta vez, como esperado, para derrotar o wyvern de forma segura, com menos riscos e o mais rápido possível, diferente do que o pessoal do Quarto 10 fez. Além disso, parece que ainda não houve nenhuma baixa, então devemos concluir a missão antes que algo aconteça.
— Entendo.
Ryo e Abel derrotaram dezenas de wyverns no caminho da Floresta Rondo até a cidade de Rune, e certa vez pediram ao Mestre da Guilda, Hugh McGrath, para vender as pedras mágicas.
Por isso, Hugh sabia que os dois eram perfeitamente capazes de derrotar wyverns com segurança.
— Mas desta vez é uma solicitação oficial, não é? Posso acabar virando alvo de algum nobre estranho se concluirmos a missão com facilidade demais.
Quando Ryo expressou essa preocupação, Abel de repente pensou: "Agora já é tarde demais", mas as palavras que saíram de sua boca foram sabiamente diferentes.
— Parece que esta solicitação de emergência será, ao mesmo tempo, classificada como secreta. Isso raramente acontece, mas apenas o Mestre da Guilda que enviou o pedido e o Grão-Mestre da Capital Real podem ver os detalhes da missão. É protegida por magia ou alquimia, por isso é uma opção cara que só pode ser usada uma vez ao ano.
— Sendo assim, fico mais tranquilo.
Ryo assentiu e sorriu.
Parecia que ele estava seriamente preocupado em ser vigiado por algum nobre esquisito.
— Agora que resolvemos isso, vamos passar um café.
Disse Ryo, enquanto começava a moer o café de Kona com um moedor de gelo.