
Capítulo 488
Water Magician (WN)
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Editor: Tseirp
Naquele dia, o porto de Purri, a capital do Reino de Suje, estava agitado com tanta empolgação.
O motivo? A Princesa Iliaja, a Sexta Princesa, estava retornando à capital... depois de três meses fora.
Rumores circulavam de que ela logo ascenderia ao trono como rainha.
Para aqueles que prestavam muita atenção, poderia parecer suspeito que ambos os boatos tivessem se espalhado tão rapidamente logo naquela manhã.
Como se alguém tivesse disseminado tudo deliberadamente.
Era como se alguém estivesse tentando conduzir a opinião pública em uma direção específica.
Como se alguém tivesse orquestrado tudo cuidadosamente...
Caso contrário...
— A Princesa deve chegar ao meio-dia.
— Dizem que toda a marinha é leal à Princesa.
— Comentam que Kabui Somal, que se tornou o Lorde Protetor, liderou uma rebelião para colocar a Princesa no trono.
Rumores como esses, tão detalhados, dificilmente teriam se espalhado entre a população por conta própria...
Se Ryo tivesse ouvido esses boatos, ele teria murmurado:
— Isso é o que chamam de manipulação de informação...
À medida que o meio-dia se aproximava.
Uma frota de navios surgiu no horizonte.
A cada momento que passava, o número deles crescia.
— Aqueles são...?
— A Marinha Real?
— Se forem inimigos, estamos em apuros.
Os cidadãos reunidos no porto começaram a expressar suas opiniões enquanto observavam a quantidade crescente de navios, apesar da falta de qualquer explicação oficial.
No entanto, ninguém saiu do local.
Eles permaneceram ali, cheios de expectativa.
Se a frota fosse realmente liderada pela Princesa, como sugeriam os rumores, e se a marinha fosse de fato leal a ela, e se o invicto almirante e Lorde Protetor estivesse apoiando-a...
As esperanças do povo eram altas.
Quando a frota finalmente surgiu por completo.
Ficou claro que era uma armada massiva, cobrindo todo o horizonte.
Os mastros ostentavam a bandeira do Reino e o estandarte da Marinha Real.
— Uau...
Ninguém ali jamais tinha visto uma frota tão vasta.
E não era para menos.
Eram quatrocentos navios de guerra.
Uma visão que a maioria das pessoas jamais testemunharia em sua vida.
Liderando a frota, havia um navio gracioso.
Uma embarcação tão elegante que, uma vez vista, jamais poderia ser esquecida: um trimarã.
— É o Bralcau...
— Uma das embarcações de classe capitânia da Marinha...
— Ouvi dizer que o Lorde Kabui Somal costuma navegar nele...
Os quatrocentos navios de guerra pararam logo fora do porto.
Mas um elegante trimarã navegou suavemente para dentro da baía.
O centro do porto vinha sendo guardado por soldados desde a manhã, e o píer estava liberado.
Como se fosse a coisa mais natural do mundo, o navio deslizou para sua posição.
Do navio desembarcou... uma bela mulher.
Uma mulher que todos conheciam.
Uma mulher que todos amavam.
Uma mulher que todos... desejavam ver coroada como rainha.
— A Princesa...
— Princesa Iliaja...
— A Princesa retornou!
E com isso, as emoções do povo explodiram.
— Vida longa à Princesa!
— Vida longa à Princesa Iliaja!
Vivas irromperam por todo o porto.
Espalhando-se do porto até o coração da capital.
A Princesa Iliaja desembarcou do navio, sorrindo calorosamente enquanto acenava para a multidão.
— Ah!
Mais uma vez, as emoções das pessoas dispararam.
Para os cidadãos do Reino de Suje, uma governante digna havia retornado para liderá-los.
— Isso é incrível. É a vitrine perfeita para a Rainha dos Navios, o Rain Shooter!
— Uh, sim... mas a Princesa Iliaja não é a estrela principal aqui...?
— Ah, mas o papel de escolta também é crucial! De certa forma, é incrivelmente importante.
— Suponho que seja verdade...
No convés do Rain Shooter, Ryo e Abel observavam a cena desenrolar-se com deleite.
— A alegria das pessoas é avassaladora.
— Ela é bastante popular. Lembra do que você disse, Ryo? Um governante deve ter o apoio do povo.
— Eu disse isso. É o primeiro princípio, a Lei Moral.
— O que é isso?
— Primeiro: a Lei Moral; Segundo: o Céu; Terceiro: a Terra; Quarto: o Comandante; Quinto: Método e disciplina. A Lei Moral é o que faz com que o povo e o governante compartilhem o mesmo propósito. Se você governar de acordo com a Lei Moral, o povo o seguirá voluntariamente até a vida ou a morte.
— Agora estou ainda mais confuso...
— É uma passagem de 'A Arte da Guerra'. A Lei Moral refere-se ao tipo de política que pode alinhar os corações do povo com o do governante. Quando isso é feito corretamente, o povo seguirá o governante até o ponto da vida ou morte... eles lutarão ao lado dele com entusiasmo.
— Entendo. Bem, é natural, mas...
— O fato de você achar natural, Abel, mostra que você governa com justiça. E a Princesa Iliaja deve ter agido de uma forma que realmente se conectou com as pessoas durante seu tempo como princesa. É por isso que ela ganhou tanto apoio antes mesmo de ascender ao trono. Só espero que ela continue a governar com a 'Lei Moral' quando se tornar rainha.
Ryo assentiu repetidamente enquanto dava essa explicação séria.
— Ryo, às vezes você diz coisas surpreendentemente sensatas.
— Que grosseria! Não é às vezes, é o tempo todo!
— É, não posso concordar com isso.
— Ugh...
Enquanto trocavam gracejos, a Princesa Iliaja e sua comitiva seguiram para o castelo real.
Claro, o Lorde Protetor Kabui Somal seguia a cavalo atrás da carruagem da princesa.
Como estrangeiros, Ryo e Abel estavam programados para entrar na cidade por último, junto com os guardas.
Disseram-lhes que quartos haviam sido preparados para eles no castelo real.
— Isso é muito gentil da parte deles. Eu gostaria que o Reino de Knightley preparasse um quarto dedicado para mim no castelo deles também.
— O quê, você queria um quarto privado?
— Claro! Como Duque Premier, eu emitiria ordens irracionais usando minha autoridade...
— Farei com que arranjem imediatamente. Mas, a partir desse dia, você ficará enterrado em papelada.
— Retiro o que disse! Exercer poder e ostentar a autoridade do Duque Premier é errado! Quero ser um duque próximo do povo...
Ryo rapidamente reverteu suas declarações anteriores diante das palavras de Abel.
— Um Duque Premier próximo do povo? Tudo o que consigo imaginar é você descansando no 'Café de Chocolat'.
Abel murmurou para si mesmo, sabendo que Ryo não ouviria.
Os aposentos da Princesa Iliaja ficavam em uma parte isolada do castelo real.
Conhecido como o 'Anexo Branco'. Este anexo era exclusivo para a Sexta Princesa, Iliaja.
E mesmo após seu retorno à capital, ela continuaria a viver ali até sua coroação como rainha.
O Anexo Branco era mais silencioso que o castelo em si, com menos pessoas indo e vindo.
O que o tornava mais fácil de vigiar.
Embora conectado ao castelo principal por um corredor, o fato de ser um prédio separado trazia suas vantagens.
Além disso, três pavilhões eram adjacentes ao 'Anexo Branco'.
Embora chamados de pavilhões, eram mais como casas de hóspedes, totalmente equipadas para uma vida confortável.
Um deles foi designado ao espadachim e ao mago de vestes.
— Oh! Isso é ótimo. Quando ouvi "pavilhão", não tinha certeza do que esperar, mas este lugar tem uma sala de estar espaçosa, dois quartos e até um escritório! Faz parte de um anexo, mas é tão bem equipado... isso realmente mostra a força do Reino de Suje como nação.
— Muito obrigado.
A empregada que os escoltara até o 'Anexo Branco' sorriu calorosamente e fez uma reverência diante dos elogios de Ryo.
Abel observou a cena pelo canto do olho.
(Ele conquista as pessoas com apenas alguns elogios... Ryo é um sedutor nato.)
— Abel, você estava pensando em algo estranho?
— Não, nem um pouco. Você não estava mais preocupado com o café?
— Ah, é verdade! A empregada mencionou que Kabui Somal-san nos prometeu um café delicioso assim que chegássemos ao castelo. Dizem que é da parte leste do reino...
— Ah, seria Kenja [1].
— Hã? Kenja?
A mente de Ryo pensou imediatamente na palavra "sábio" (em japonês, *kenja* significa sábio).
— Sim. Vou trazer imediatamente.
A empregada respondeu e saiu do quarto.
— Abel, chama-se Kenja aqui.
— Foi o que ela disse. Por quê? Existe algo estranho em ser chamado de Kenja?
— Não, é só que... Pensando bem, não ouvi a palavra "sábio" sendo usada aqui.
— Hmm? Não tenho certeza do que você quer dizer, Ryo...
Talvez nos Países Centrais não houvesse indivíduos referidos como sábios.
Até Ilarion Baraha não se autodenominava um sábio...
Após uma breve espera, a empregada retornou com o café.
Assim que ela entrou no quarto, o aroma preencheu o ar.
— Oh... que cheiro maravilhoso.
— Com certeza é.
Ryo disse com prazer, e Abel assentiu em concordância.
Embora Ryo fosse obviamente um entusiasta do café... ele suspeitava que Abel fosse igualmente fã da bebida.
— Abel, você costumava consumir café Kona, não era?
— "Consumir" talvez seja forte demais. Era apenas a única maneira simples de relaxar naquela época.
— Ah é, enterrado em papelada.
— Cala a boca...
Enquanto trocavam farpas, a empregada colocou as xícaras de café na mesa e serviu de um decanter.
— Isso é incrível...
— Sim. Existe algo reconfortante no cheiro do café.
Ambos saborearam o aroma antes de tomar o primeiro gole.
— Aah...
— Ooh...
Ryo e Abel só conseguiram expressar sua aprovação com suspiros de satisfação.
Eles tomaram outro gole.
— Hmm...
— Sim...
Mais uma vez, suas únicas palavras foram simples murmúrios de contentamento...
— Tem um toque frutado?
— Sim, e uma nota de mel? Como aquele tipo que você às vezes encontra no centro de uma maçã perfeitamente madura...
— Bem, seja lá o que for...
— É delicioso.
Ryo terminou, e Abel assentiu em concordância.
— Muito obrigada.
A empregada sorriu novamente, fazendo uma reverência em resposta às expressões e palavras de satisfação deles.
Naquele pavilhão, o aroma rico do café misturava-se a uma atmosfera pacífica que se espalhava por todo o ambiente.
[1] - Kenja: Em japonês, o termo "Kenja" significa "sábio". No contexto da história, o autor brinca com a semelhança entre o nome da região e o termo honorífico.