Water Magician (WN)

Capítulo 417

Water Magician (WN)

Editor: Tseirp

"Tenho resgatado muitos pares de homens e mulheres ultimamente."

Ryo disse enquanto cruzava os braços com satisfação.

O que lhe veio à mente foi a dupla composta pelo Capitão Bangan e a Vice-Capitã Amalia, da República.

"Dito isso, ainda não acabou."

"Verdade."

Ryo falou, e Niels assentiu.

"Patrice e Guti, certo? Conseguem encontrar o caminho de volta para seus amigos?"

"Sim... se for apenas caminhando... não tenho problemas."

Niels perguntou, e Guti respondeu.

Patrice parecia um pouco preocupado, mas seu olhar foi ignorado.

"Certo. Então vamos dar a volta pela esquerda, em direção aos países ocidentais do Continente Sombrio."

"Entendido!"

Niels disse, e os outros três responderam.

Então, os quatro membros do 'Quarto 10' começaram a correr.

Enquanto isso, a arena, local principal da cerimônia de posse do Papa, estava em um caos absoluto.

"Sua Santidade, o Papa, foi esfaqueado! O Arcebispo Goon o esfaqueou!"

"Rápido! Lancem 'Cura Extra'!"[1]

O Papa estava jogado no pódio onde foi esfaqueado.

O Arcebispo Goon estava sendo contido ao lado dele, com a cabeça no chão e os olhos desfocados, sem oferecer resistência.

Ao redor dele, estavam principalmente arcebispos e clérigos de nível superior...

Portanto, naturalmente, eles podiam usar a magia de cura.

No entanto...

"Como assim? A 'Cura' está sendo rejeitada!"

"O corpo de Sua Santidade é imune à cura?"

"É um ferimento grave. Por enquanto, temos que continuar lançando a magia para mantê-lo vivo."

Em meio a esse caos, quantos dos arcebispos reunidos ao redor do Papa caído notaram que um cardeal havia se aproximado?

O cardeal avançou para o lado direito do Papa, bem próximo ao seu pescoço.

Então, ele tirou algo de suas vestes.

Era um machado.

O machado não era tão grande.

Mas grande o suficiente.

Grande o suficiente para quê exatamente?

O suficiente para decapitar uma pessoa deitada e imóvel...

Zás.

"Eh..."

Naquele momento, ninguém entendeu completamente o que havia acontecido.

Um machado desceu e decapitou o Papa enquanto ele estava deitado ali.

O sangue jorrou.

A cabeça rolou.

O Cardeal Camillo, segurando o machado ensanguentado com as duas mãos, ajoelhou-se ao lado dele, encarando o chão.

Um mundo de silêncio absoluto.

"Por que...?"

De quem era aquela voz minúscula, aquela voz fraca?

Talvez fosse um dos arcebispos que estava trabalhando para reviver o Papa...

Mas aquela voz fraca desencadeou o caos que se seguiu.

Um rugido de indignação.

Era um tipo de fúria imprópria para sacerdotes de alto escalão, mas quando a cabeça do Papa, o objeto de sua lealdade, é cortada bem diante de seus olhos, é compreensível que alguns não consigam manter a sanidade.

Sacerdotes corriam de um lado para o outro.

Sem sequer saber o motivo de estarem correndo.

Algumas pessoas andam pelo ambiente quando estão frustradas. Aquilo era uma versão intensa disso.

E alguns permaneceram imóveis.

Essa é, provavelmente, a ação mais comum de muitas pessoas quando algo em que acreditam é subitamente perdido...

O caos não se limitou à arena.

Os sacerdotes da Igreja Ocidental que estavam sentados no auditório frontal... eles também foram envolvidos pelo caos.

Não, na verdade, com quase duas mil pessoas, pode-se dizer que eles estavam em uma desordem maior do que a dos arcebispos.

Gritando.

Correndo de um lado para o outro.

Caindo em prantos.

De modo geral, eles não eram diferentes dos arcebispos na arena.

Mas, entre os sacerdotes da Igreja Ocidental, alguns não estavam tão confusos quanto pareciam.

Onze cardeais estavam na mesma arena.

No entanto, eles não estavam em seu estado habitual, como seria de esperar.

Todos, exceto um, pareciam surpresos ou consternados.

E esse era o Cardeal Sacharias.

Nem mesmo ele esperava que o Papa fosse morto ali mesmo.

Não era uma questão de ter um substituto ou de ser capaz de trazê-lo de volta à vida.

Ele foi decapitado na frente de uma multidão de espectadores.

E se essa mesma pessoa aparecesse novamente... não, isso não pode acontecer.

Em outras palavras, eles não podem mais usar aquele Papa.

Ao mesmo tempo, pensamentos passavam pela mente de Sacharias.

(Por que Goon... Por que Camillo...)

Esses pensamentos se repetiam várias vezes em sua mente.

Mas então, de repente, ele teve uma epifania.

A resposta veio instantaneamente.

Cardeal Graham.

Mas o Cardeal Graham também parecia surpreso, e seus olhos permaneciam bem abertos.

Ao ver Graham daquela maneira, Sacharias imediatamente voltou seu olhar para o Papa.

(Eu pensei que fosse um plano de Graham, mas... não foi ele?)

Naturalmente, Sacharias reconhecia que, entre os cardeais, Graham era o oponente com quem eles mais precisavam se preocupar.

Mas ele havia deixado o Cardeal Camillo para lidar com isso.

Apenas para Camillo acabar decapitando o Papa, então ele se perguntou qual truque Graham havia usado, mas...

Ele pensou consigo mesmo, finalmente começando a conseguir pensar no futuro.

Na verdade, já faziam três minutos desde que a cabeça do Papa fora decepada.

(De qualquer forma, não resta nada para eu fazer. O poder mágico drenado do auditório começará a fluir para o círculo mágico subterrâneo e será ativado por conta própria, sem que eu precise fazer nada. Então, ele se tornará imediatamente o sustento de Legna-sama...)

Pensando nisso, Sacharias olhou de repente para as arquibancadas à sua frente.

A área reservada para a delegação dos Países Centrais.

Mas havia algo estranho nela.

A princípio, ele não conseguiu identificar, já que havia uma distância considerável entre as duas áreas, mas após encarar por um tempo, ele entendeu o motivo.

As cadeiras estavam brilhando intensamente.

Elas refletiam a luz do sol de forma surpreendente.

"Gelo?"

Sim, estavam cobertas de gelo.

Só havia uma explicação possível.

Eles notaram a drenagem de poder mágico e tentaram interferir nela.

"Mas, infelizmente, colocar gelo sobre isso não ajudará muito. O poder mágico em si pode penetrar o gelo."

Sacharias murmurou suavemente, mas ainda se sentia inquieto.

Então, enquanto prestava atenção aos arredores, ele tirou do bolso uma ferramenta alquímica do tamanho de um cartão.

Era uma ferramenta que lhe permitia verificar o status operacional das três ferramentas de drenagem de poder mágico instaladas na arena.

Ao verificar...

"Impossível..."

Ele involuntariamente elevou a voz mais do que pretendia.

Claro, não havia ninguém por perto, mas ele deveria ser cauteloso.

Em seguida, ele se afastou dos outros cardeais e examinou novamente a ferramenta alquímica.

"É, eu não vi errado... todas as três unidades pararam."

Então ele olhou para as arquibancadas à esquerda e à direita, além da que estava à frente.

Aquelas cadeiras eram para os convidados do Continente Sombrio.

No entanto, não havia gelo nelas.

"Então a delegação dos Países Centrais interceptou com gelo, enquanto os convidados do Continente Sombrio neutralizaram o primeiro andar."

Sacharias concluiu.

Se Neil Andersen tivesse morrido, isso teria aparecido no cartão, mas não apareceu.

Além disso, ele tinha Cavaleiros Sagrados como escolta. Então não chegariam a ele tão facilmente.

"De qualquer forma, é tarde demais."

Ele murmurou para si mesmo e pressionou o único botão no cartão.

Era um interruptor que forçava o poder mágico que havia sido sugado e acumulado a fluir para o círculo mágico subterrâneo de uma só vez.

Um interruptor que executa à força o que era feito automaticamente quando o tanque estava cheio.

Não deveria haver problema, mesmo que não estivesse cheio.

Agora, realmente não restava nada para Sacharias fazer.

(O resto é de acordo com a vontade de Legna-sama...)

No canto onde os cardeais estavam reunidos, um grupo de pessoas de mantos pretos correu até eles.

Era a Inquisição.

À frente do grupo estava Stefania, a chefe da Inquisição.

Os cardeais, que encaravam o Papa com surpresa, notaram isso.

Os oficiais da Inquisição cercaram o Cardeal Sacharias.

Stefania parou na frente de Sacharias.

"Chefe Stefania, o que posso fazer por você?"

Sacharias perguntou, sorrindo como de costume enquanto casualmente colocava o cartão no bolso.

"Gostaríamos de falar com o senhor, Eminência, a respeito dos atos hediondos cometidos contra Sua Santidade, o Papa. Esta é uma Inquisição oficial."

Naquele momento, um olhar de emoção agitada passou pelo rosto de Sacharias.

Então ele encarou Graham.

Ele finalmente entendeu.

Graham havia planejado tudo, desde o início.

Sim, tanto o Arcebispo Goon quanto o Cardeal Camillo foram manipulados por Graham.

A expressão de surpresa em seu rosto anteriormente era uma farsa para ganhar tempo para este momento.

"A Chefe Stefania disse que é uma Inquisição oficial. Nem mesmo um cardeal pode evitar ser submetido à Inquisição."

Graham disse em voz alta, com uma demonstração descarada de ousadia.

"Graham...!"

Como se murmurasse, forçando a voz... cerrando os dentes...

A palavra escapou da boca de Sacharias.

"Nos últimos meses, o Arcebispo Goon, assim como o Cardeal Camillo, têm trabalhado sob a direção de Sua Eminência Sacharias. Embora eu acredite que a Inquisição também deva achar este momento um pouco inoportuno, eles provavelmente não podem se dar ao luxo de ignorar isso."

Graham falou novamente em voz alta.

Para que os cardeais ao redor pudessem ouvi-lo.

E para que os arcebispos ouvissem.

A expressão no rosto de Sacharias, que vinha cerrando os dentes com tanta força que um som de rangido quase podia ser ouvido, suavizou-se.

Então, ele disse em voz baixa e calma:

"Muito bem. De qualquer forma, eu já fiz a minha parte."

Graham foi quem o ouviu.

"Odeio ser aquele que lhe conta isso, Sacharias. Mas o círculo mágico no subsolo é inútil."

"!"

A reação de Sacharias às palavras de Graham foi feroz.

O olhar em seu rosto ao se virar para Graham era malévolo e horrendo.

O olhar de um homem prestes a perder a sanidade.

"V-Você, miserável... miserável... o que você fez...?"

Sua voz baixa era como um sussurro, com um rosto que parecia um espírito maligno, mas não era uma voz fraca que soava como se fosse quebrar, mas uma voz com o perigo de explodir em raiva por dentro.

"Nós fizemos com que ele não fosse capaz de coletar os Fragmentos de Deus."

"Isso é impossível... o teste operou perfeitamente..."

"Sim, tenho certeza de que sim. Exceto que não funcionará durante a operação real. Isso foi feito por alguém tão adepto à alquimia quanto você é."

Graham falou com ele em um tom mais frio.

Sacharias caiu de joelhos e sentou-se no chão.

Então ele coçou a cabeça.

"Inacre... inacreditável... que erro terrível... Angel-sama... Legna-sama, meus mais sinceros pedidos de desculpas... por não ter conseguido ser útil a você..."

A partir daquele momento, sua voz estava tão baixa que nem mesmo Stefania, que estava parada bem na frente dele, pôde ouvir.

"Eu, por meio deste, ofereço meu corpo a você como seu receptáculo."

Então ele levantou a mão e mergulhou a adaga que havia escondido nas mangas em sua própria garganta.

"O quê..."

Até mesmo Stefania ficou perdida, pois não esperava por aquilo.

E então... o mundo explodiu!


Nota do autor:

Um desenvolvimento raro de violência extrema para o Mago da Água!

Bem, o Papa não é humano.

Então, mesmo que sua cabeça seja cortada, está tudo bem.

...Pensando bem, já houve o aparecimento de alguém tendo a cabeça cortada.

Akuma Leonor.

Tecnicamente falando, deveria ser muito difícil cortar a cabeça de uma pessoa.


[1] - *Extra Heal* (Cura Extra): Uma magia de alto nível utilizada para restaurar ferimentos graves ou recuperar vitalidade crítica.

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