Water Magician (WN)

Capítulo 378

Water Magician (WN)

Editor: Tseirp

No dia seguinte.

Jantar apetitoso, sono confortável, café da manhã delicioso.

Continuava perfeito.

A pousada não decepcionou em nada.

Após o café da manhã, Ryo fez alguns alongamentos leves e desceu até a recepção.

— Sua carruagem está pronta, Duque Rondo.

— Obrigado.

Ele já havia recebido a informação de que uma reunião havia sido agendada para aquele dia, às nove horas.

Desta vez, como representante do Reino, o Duque Primordial e possivelmente um convidado, ele decidiu andar de carruagem como se deve.

No entanto, ele estava usando seu habitual manto.

Bem, seu manto estava sempre limpo, já que não suja de jeito nenhum, então não deveria ser um problema...

Exatamente às nove horas, ele passou pelos portões da Companhia de Navegação Franzoni.

Cerca de dez pessoas estavam na entrada para receber a carruagem de Ryo.

— Estávamos à sua espera, Sua Excelência, Duque Rondo.

O homem que deu as boas-vindas à carruagem de Ryo foi Girolamo Franzoni, presidente da Companhia de Navegação Franzoni.

O próprio presidente veio até a entrada para recebê-lo.

Era o mais alto nível de hospitalidade.

— Olá, Sr. Girolamo, faz tempo. Peço desculpas por esta visita inesperada.

— Sem problemas. O senhor é sempre bem-vindo. Por favor, venha por aqui.

Como da última vez, ele foi conduzido ao escritório do presidente.

Café do Continente Sombrio foi servido prontamente.

— Então... posso perguntar por que o senhor está aqui hoje, Excelência?

Girolamo perguntou.

— Na verdade, estou aqui para comprar um navio capaz de fazer longas viagens.

— Entendo...

Ao ouvir as palavras de Ryo, Girolamo ficou em silêncio.

Mas, pela sua expressão, até Ryo podia perceber.

Ele já sabia disso.

O irmão de Girolamo é Bonifacio Franzoni, Chefe da Agência de Serviços Secretos.

O Capitão Bangan e a Vice-Capitã Amalia, que procuraram Ryo ontem, devem ter reportado a informação ao seu superior, o Chefe Bonifacio.

Não seria surpresa se a informação tivesse sido passada ao Presidente Girolamo.

Claro, não havia problema mesmo se a informação tivesse sido repassada.

Isso não mudava nada para Ryo.

— Vocês têm alguma embarcação à venda pronta para entrega?

Ryo perguntou na lata.

— Minhas desculpas, senhor. Quando se trata de navios capazes de realizar longas viagens, só os construímos sob encomenda. Não mantemos estoques de produtos acabados desse tipo...

A resposta de Girolamo foi a esperada.

Agora começavam as negociações.

— Eu gostaria de comprar o que vocês têm atualmente em construção.

— Isso é um pouco...

Girolamo recusou Ryo sem alterar sua expressão.

Era natural.

Todo navio em construção tem um contratante.

O cronograma de conclusão e entrega ao cliente também já foi decidido...

Se eles dessem o navio a Ryo unilateralmente, seria uma questão de credibilidade para a empresa.

— Estamos dispostos a pagar generosamente ao contratante pelos transtornos.

— Entendo.

Ryo insistiu e Girolamo assentiu.

Para a Companhia de Navegação Franzoni, eles não veem problema, desde que o cliente concorde.

Se o contratante aceitar o valor oferecido por Ryo e abrir mão do navio, então está tudo bem para eles.

Ou...

— O senhor também pode recomendar embarcações que já foram lançadas, mas que ainda não partiram para o mar.

Basicamente, os navios usados para transporte estão sempre ocupados indo e vindo.

Alguns podem até ter portos de escala agendados para vários meses ou até mesmo um ano, em alguns casos.

Caso contrário, eles não seriam capazes de determinar sua carga total.

Em outras palavras, mesmo que alguém fosse a um porto e dissesse "por favor, venda-me este navio", seria inútil.

Já que o navio tem escala confirmada para os próximos meses.

No entanto, há apenas uma instância em que a agenda está livre.

Quando o navio está passando por manutenção.

Um navio é colocado em dique seco, passa por reparos no calado e limpeza ao longo de vários meses.

Com um navio assim, não é necessariamente impossível... fechar um negócio para comprá-lo.

Mas o Presidente Girolamo, com um leve balançar de cabeça, contou a Ryo a verdade trágica.

— Excelência. Existe uma lei que diz que, uma vez que um navio é registrado na República, ele não pode ser vendido para outro país.

— O quê...

Como esperado, isso não constava no "Guia de Viagem".

— Você quer dizer que não tenho escolha a não ser conseguir um navio que esteja em construção... e ainda não registrado?

— Sim, provavelmente.

Ryo disse com relutância, e Girolamo respondeu com o cenho franzido.

O obstáculo para adquirir o navio acabara de aumentar significativamente.

A Companhia de Navegação Franzoni constrói navios, mas também comercializa usando suas próprias embarcações.

E é uma das maiores da República...

— Mesmo nossa empresa tem apenas três embarcações que podem fazer longas viagens.

Em outras palavras, não há muitos clientes fazendo pedidos de construção naval.

— Atualmente, temos apenas um navio sob contrato.

— Um navio...

— Se for um navio que pode ir da costa até o Continente Sombrio, sempre temos perto de dez navios sob contrato... Mas para os que podem fazer longas viagens... E mesmo esse único navio...

— Esse único navio...?

— Foi encomendado pelo governo da República.

— Argh...

E a arma mais poderosa, o dinheiro, foi assim bloqueada.

Suas cartas restantes eram o selo sagrado que ele estava pegando emprestado e seu status como duque primordial do Reino.

Mas o selo sagrado provaria ser contraproducente na República.

Deixando-o apenas com seu status de duque primordial do Reino...

— Isso é cruel demais.

Como esperado, Ryo balançou a cabeça repetidamente.

Após deixar a Companhia de Navegação Franzoni, a carruagem de Ryo dirigiu-se à pousada Doge Pietro.

Onde ele pediu educadamente ao recepcionista:

— Você poderia, por favor, agendar uma reunião para mim com o chefe de estado na residência oficial amanhã?

— Certamente, senhor.

Embora tenha feito o pedido, ele não esperava que fosse aceito, mas... seu pedido foi recebido como de costume.

Será que uma pousada de primeira classe conseguiria mesmo marcar uma reunião com o alto escalão da residência oficial do chefe de estado...?

Pousadas de primeira classe não devem ser subestimadas.

Em seguida, Ryo dirigiu-se à sede da Agência de Serviços Secretos.

Enquanto esperava na recepção, o Capitão Bangan e a Vice-Capitã Amalia o chamaram.

— Desculpe por mantê-lo esperando, Excelência.

Bangan e Amalia correram apressados e se curvaram diante de Ryo.

— Oh, não, de jeito nenhum. Desculpe por aparecer sem avisar. Eu estava me perguntando se vocês poderiam me ajudar com uma parte específica das leis da República.

— As leis da República?

— Ajudar o senhor?

Ao ouvir as palavras de Ryo, tanto Bangan quanto Amalia inclinaram a cabeça.

— Ah, é isto aqui. Artigo 200 da Lei do Mar.

Repositório da Agência de Serviços Secretos.

Era onde todas as leis, decretos e comunicados dos chefes de departamento da República eram mantidos.

Em qualquer país, os serviços secretos ou agências de inteligência entendem incrivelmente bem de leis.

Porque eles também precisam saber o quão protegidos ou vulneráveis estão antes de agirem de forma ilegal.

Sem entender as zonas cinzentas, eles não podem realizar espionagem adequada.

No repositório da Agência de Serviços Secretos, o Capitão Bangan e a Vice-Capitã Amalia mostravam a Ryo as partes pertinentes da lei.

— Mm... Acho que realmente não há como contornar a aquisição de um navio que já tenha sido registrado na República, hein...

— Parece que não. Não é possível alterar o registro de um navio para outro país que não seja a República. Na verdade, também não é possível que estrangeiros possuam um...

Ryo ficou abatido, e Bangan também balançou a cabeça levemente.

— De acordo com o Artigo 333 dos Regulamentos para Execução da Lei do Mar, o registro do navio ocorre quando a embarcação é entregue pelo estaleiro, então acredito que apenas embarcações que estão em construção ou que nem começaram... podem ser adquiridas pelo Reino.

Amalia também verificou se havia brechas em relação ao período de registro do navio, mas sem sorte, pelo que parece...

— Agora, para onde vou daqui...

Ryo estava no fim da linha...


No dia seguinte.

— Duque Rondo, estamos preparando uma carruagem.

— Obrigado.

A Doge Pietro havia providenciado corretamente a reunião com o figurão na residência oficial do Chefe de Estado.

Além disso...

— Obrigado por arranjar tempo para me ver, Excelência.

— Naturalmente, Excelência, o Duque.

Ryo agradeceu, e o Chefe de Estado Columbano, caolho, respondeu.

A Doge Pietro agendou uma reunião com o Chefe de Estado...

Embora Ryo seja o duque primordial do Reino... pousadas de primeira classe não devem ser subestimadas, de fato.

O Chefe de Estado Columbano é uma figura imponente, com um metro e noventa de altura e noventa quilos.

Ele está no final dos quarenta anos, tem pele escura e cabelos castanhos-escuros curtos, que já começaram a se misturar com fios brancos.

E a característica mais marcante é seu olho esquerdo coberto por um tapa-olho.

Talvez fosse mais apropriado chamá-lo de capitão pirata do que de chefe da República...

Columbano é, por natureza, um homem do mar.

— Na verdade, eu tenho uma ideia muito boa do porquê o senhor está aqui, Duque.

O Chefe de Estado Columbano não é bom em florear as palavras.

E, portanto, é direto em seu discurso.

— Ah, isso torna as coisas muito mais fáceis.

Ryo também, eram como dois lados da mesma moeda.

— O senhor precisa de um navio que possa fazer longas viagens. Mas na República, uma vez que um navio é registrado na República, ele não pode ser vendido para outro país. Então, o senhor pensou em conseguir um navio que está em construção e pode fazer longas viagens. Mas, atualmente, a única embarcação de longo curso em construção na Companhia de Navegação Franzoni é aquela encomendada pelo governo da República. E o senhor a quer.

— Sim, isso é absolutamente correto.

A explicação de Columbano foi perfeitamente precisa.

— Aliás, existem vários estaleiros na República além da Companhia de Navegação Franzoni, mas... nenhum deles está construindo navios de longo curso que estejam perto da conclusão.

— Oh, céus...

— Em outras palavras, sua única opção é o navio encomendado pelo governo da República, mas infelizmente...

— Infelizmente...?

— Lamento, não podemos entregá-lo.

— ...É assim mesmo?

Ele meio que esperava por isso.

Se fosse uma encomenda de um indivíduo ou de uma empresa comercial, poderia ter sido gerenciável usando o poder do dinheiro e da amizade.

Mas sendo do governo, tornou-se impossível imediatamente.

Não é culpa de ninguém, é assim que as coisas funcionam com os países.

É como pedir a um alto funcionário do governo ou a um burocrata de topo que venda o que pertence à nação sem permissão, não é?

Não dá para culpá-lo.

Bens nacionais são ativos de toda a nação.

Mesmo que o governo seja encarregado de sua gestão, não lhe é permitido dispor deles arbitrariamente.

Claro, ficaria tudo bem se a disposição seguisse a lei, mas este não era o caso.

O governo vendendo um navio em construção para outro país...

É óbvio que o congresso faria uma caça às bruxas contra ele depois.

Poderia até servir de justificativa para o impeachment do Chefe de Estado, se ele não tivesse cuidado.

Nunca foi uma opção, para começo de conversa...

Ryo então foi à Companhia de Navegação Franzoni.

Ele não tinha hora marcada, mas o Presidente Girolamo o recebeu.

— Infelizmente, esgotei minhas opções.

Ryo assentiu e disse isso a ele.

— Entendo...

O Presidente Girolamo respondeu com uma expressão triste.

No caminho deles estava a lei do país.

E os bens do Estado.

Certamente não eram trivialidades que pudessem ser resolvidas por um indivíduo ou uma câmara de comércio...

— Ah, Excelência. O senhor gostaria de ver o navio que o governo da República encomendou?

O Presidente Girolamo deve ter feito o convite a Ryo porque ele parecia muito deprimido.

Provavelmente achou que não seria uma boa ideia mandá-lo embora com aquele aspecto.

— Claro... Obrigado.

A resposta de Ryo também foi muito sem vida...

O segundo estaleiro da Companhia de Navegação Franzoni.

Lá, um enorme navio estava sendo construído.

— Oooohhh~

Até Ryo, que estava deprimido, não pôde deixar de ficar de boca aberta e exclamar.

Era verdadeiramente majestoso.

Pelos padrões de navios à vela da Terra, ele ficaria em algum lugar entre um Navio de Linha e uma Fragata.

— Hã? Um Navio de Linha? Não, ele ainda não tem canhões... certo...?

O murmúrio de Ryo foi ouvido por Girolamo, mas ele não pareceu entender.

— Uh... esta embarcação é um navio de combate, certo? Como ela monta uma ofensiva...

— A pequena janela na lateral do navio se abre, e os magos disparam através dela.

— E-entendo...

Não bombardeio de artilharia, mas bombardeio de magos...

A tecnologia se desenvolve de forma diferente dependendo da região.

— Teria adorado tê-lo...

Ryo observou a majestade do navio de guerra e murmurou.

Claro, não precisa ser um navio de guerra.

Ryo adiantou-se e perguntou o que notou de repente.

— Presidente Girolamo, o senhor chamou este lugar de segundo estaleiro, certo? E quanto ao primeiro...?

— Oh... Fica bem aqui ao lado. Há um navio em construção lá, mas atualmente suspenso, o senhor gostaria de dar uma olhada?

— Atualmente suspenso? Uh, claro, adoraria ver.

O primeiro estaleiro parecia maior que o segundo.

Ao entrar...

— Um clipper...

Embora o navio de guerra que ele viu antes fosse majestoso, este era elegante.

Quando se falava em navios elegantes, o "Rain Shooter" que ele viu em Whitnash era a primeira coisa que vinha à mente, mas este era diferente.

Não, totalmente diferente.

Aquele era um trimarã.

Mas o que estava bem diante de seus olhos agora era, ao que tudo indicava, uma legítima embarcação à vela.

Na Terra, este tipo de embarcação seria chamado de navio clipper.

Três mastros enormes para múltiplas velas.

Um casco gracioso, longo e estreito de frente para trás, para minimizar a resistência da água.

Era inequivocamente um navio clipper, com o qual até Ryo parecia estar familiarizado.

Como o navio à vela "Nippon Maru", não era exagero dizer que é o auge da beleza.

A beleza estrutural definitiva possível para uma embarcação à vela.

Esse é o clipper... Ryo concluiu unilateralmente.

Considerando que a maioria dos navios nos Países Centrais ainda eram galeões, este clipper também havia alcançado uma evolução extraordinária.

Mas, como o Presidente Girolamo disse antes:

"A construção do navio está atualmente suspensa".

Como assim?

— Como a construção de um navio tão bonito e maravilhoso como este pode ser colocada em espera...?

— Pois é. A verdade é que este navio não se move.

— Hã?

O mastro estava lá.

O leme também.

O exterior parecia bom.

Tudo o que faltava era colocar as velas e ele deveria estar pronto, certo?

— Este navio, do jeito que está, tem baixa estabilidade e vira de lado no momento em que é atingido por uma onda lateral. Fizemos algumas modificações para resolver esse problema, mas os cálculos mostraram que isso causaria uma queda significativa na velocidade. Originalmente, o navio pode ser impulsionado não apenas pela magia de atributo vento, mas também como um navio à vela puro que não precisa de nenhuma magia... Foi aí que o problema surgiu. Então, a alquimia deveria resolver o problema da estabilidade, mas...

— Mas...? Espere, n-não me diga, Sr. Neil?

A explicação de Girolamo resolveu o quebra-cabeça para Ryo.

— Sim. O Sir Andersen deveria resolver o problema, mas ele deixou o país... E como o governo da República era responsável por isso, eles, claro, prometeram que o problema deste navio seria resolvido pelos alquimistas a serviço do governo. Mas como o senhor pode ver... eles não conseguiram.

— Entendo.

Finalmente... realmente, após tanto tempo, a força retornou aos olhos de Ryo.

— Com licença, o senhor poderia me mostrar as plantas deste navio por um momento?

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