Water Magician (WN)

Capítulo 242

Water Magician (WN)

Editor: Tseirp

Faz três dias desde a queda da Capital Real.

A essa altura, a maioria das cidades do Reino já estava sabendo da rebelião dos nobres do norte e da tomada da capital pelo exército imperial.

Nem é preciso dizer que não houve qualquer anúncio vindo da capital, nem da família real, nem do governo do reino...

Desde a queda, os portões da capital permaneceram fechados.

Isso servia, em parte, para evitar ataques externos, mas também, e mais importante, para impedir que qualquer pessoa escapasse da cidade.

Para impedir quem, exatamente?

Dignitários, cidadãos do Reino e sabotadores.

— Eles estão vindo na sua direção!

— Nada de matanças, precisamos deles vivos!

— Ah, qual é, você está pedindo o impossível. Esses caras não são amadores.

— Essa é a ordem!

O local que estava sendo incendiado já foi o quartel-general dos Cavaleiros. Agora, era o depósito de suprimentos do Exército Imperial.

Cinco sombras fugiam às pressas.

— Tudo bem, conseguimos!

— Ainda não. Só conta como sucesso se conseguirmos escapar!

O mago disse alegremente, e o líder do grupo, um espadachim, o repreendeu.

Na verdade, a área estava infestada pelas tropas do exército imperial e da nobreza do norte.

— Agora, isso deve facilitar a infiltração para "eles" assim que os inimigos se reunirem...

— Mas não fará sentido nenhum se formos pegos depois de reuni-los.

O sacerdote reafirmou a importância da operação e a batedora expressou sua preocupação.

E mais um, um lanceiro carregando uma lança portátil, corria em silêncio.

Após correrem por cerca de dez minutos, os cinco finalmente recuperaram o fôlego.

— Será que conseguimos escapar?

Hector, o espadachim, perguntou em voz baixa.

— Provavelmente.

Oriana, a batedora, assentiu enquanto vasculhava qualquer presença ao redor.

Kenzie, o mago, e Tarlow, o sacerdote, tentavam recuperar o fôlego e não conseguiam falar.

Os cinco que realizaram a sabotagem eram o "Estrela da Manhã", um grupo de rank C da capital real.

Eles eram aventureiros que já haviam tentado sequestrar Abel e, depois de algumas reviravoltas, foram contratados pelo Marquês de Heinlein para se infiltrarem no território do Conde Gothar, no norte, até pouco tempo atrás.

Os cinco estavam fazendo uma pausa.

O quinto membro, o lanceiro Isaiah, estava sempre calado, mas...

— Quem está aí!

Isaiah perguntou rispidamente, o que era um pouco fora de seu costume.

Ao mesmo tempo, ele estendeu sua lança dobrável e a ergueu.

— N-não tem ninguém ali, tem?

Oriana, a batedora, que era tão boa em detectar sinais quanto o lanceiro, sussurrou enquanto olhava alternadamente entre Isaiah e o beco escuro à frente.

Mas...

— Rebeldes, hein...

Murmurando isso, um homem emergiu das sombras do beco.

Ele era jovem, de pele morena e rosto destemido, mas seu cabelo era de um branco magnífico, e ele era tão calmo que parecia desproporcional à sua idade aparente.

— Não pode ser...

Oriana, a batedora, murmurou baixinho.

Ela não conseguia detectar nenhum sinal do sujeito de cabelos brancos.

Às pressas, ela sacou sua adaga e a preparou.

A essa altura, o líder, o espadachim Hector, também havia se movido para a vanguarda, ao lado do lanceiro Isaiah.

No entanto, a retaguarda demorou a agir.

O sacerdote Tarlow estava simplesmente exausto de tanto correr, mas o mago de atributo terra, Kenzie, estava claramente agindo de forma estranha...

— Kenzie?

Tarlow chamou Kenzie, que parecia muito diferente de seu eu habitual.

— N-não adianta...

Tarlow mal conseguiu distinguir os murmúrios de Kenzie.

— Kenzie?

Tarlow o chamou novamente.

Nesse momento, Hector, o espadachim da vanguarda, moveu-se.

— Não faça isso!

Kenzie, o mago, gritou, mas era tarde demais.

Hector se aproximou do homem de cabelos brancos num piscar de olhos e desferiu seu golpe de cima para baixo.

No entanto, a espada não atingiu o homem de cabelos brancos.

Num movimento rápido, uma espada surgiu na mão do homem, já fora da bainha, aparando facilmente toda a força do golpe do espadachim.

Falhando no ataque, Hector recuou e retornou ao seu ponto original.

— Não adianta, Hector... vamos fugir...

A voz de Kenzie, embora fraca, alcançou os ouvidos de todo o grupo.

— O que há com você, Kenzie? O que não adianta?

Hector perguntou bruscamente, com os olhos fixos no homem de cabelos brancos.

Hector sabia muito bem que o homem à sua frente era perfeitamente capaz de usar uma espada, já que fora capaz de aparar seu golpe com tanta facilidade e tranquilidade.

Portanto, ele não podia se dar ao luxo de desviar o olhar.

— Não somos páreo para essa pessoa...

— O quê?

Kenzie disse com voz fraca, e Hector olhou para trás enquanto perguntava.

Lá, ele viu Kenzie, o mago, pálido e vacilante, e Tarlow, o sacerdote, parecendo igualmente pálido e sem cor.

— Hmph.

Após alguns segundos, o homem de cabelos brancos murmurou suavemente, guardou a espada e começou a caminhar.

O homem de cabelos brancos se aproximou dos cinco, passo a passo.

Foi só então que Hector, o espadachim, finalmente começou a entender.

O motivo dos rostos pálidos de Kenzie e Tarlow.

Não era algo lógico.

Não era algo que pudesse ser compreendido racionalmente.

Mas também não era necessário compreender.

Cada poro de sua pele se abriu e o suor escorreu incessantemente.

Cada parte de seu corpo, exceto sua mente, compreendia... que ele era um "oponente contra o qual não se deve lutar".

Não apenas Hector, mas também Isaiah, o lanceiro ao seu lado, sentiram o mesmo.

Oriana, a batedora, não conseguiu se manter em pé e caiu sentada.

Os cinco quase puderam sentir suas almas deixando seus corpos enquanto o homem de cabelos brancos passava por eles.

Passaram-se mais de dois minutos depois que ele foi embora até que eles conseguissem se mover novamente.

— Todos estão bem?

Hector, o espadachim, perguntou num sussurro.

Todos os quatro assentiram sem dizer uma palavra.

Como se, falassem em voz alta, o homem pudesse ouvir e voltar... era assim que eles se sentiam.

— Vamos sair daqui primeiro.

Os cinco conseguiram se afastar.

— Quem diabos era aquele maldito homem de cabelos brancos agora pouco...?

Hector perguntou em voz alta.

— Talvez, o Mago da Chama Explosiva.

Kenzie, o mago, respondeu.

— Era ele...? — murmurou Oriana, a batedora, e depois disso, todos ficaram em silêncio.


— Tem certeza de que vai deixá-los ir, Vice-Comandante?

Jurgen, o segundo em comando, perguntou a Oscar.

Ele estava observando à distância e o viu deixar os membros do 'Estrela da Manhã' irem embora.

— Não é nossa função manter a segurança.

Oscar disse e continuou a caminhar.

— Bem, você não está errado...

Isso foi praticamente a única coisa que Jurgen pôde dizer.

Eles são a divisão mágica do 'Imperador'.

Isso significa que estão sob o controle direto do imperador e, embora façam parte da força expedicionária, a rigor, o Marquês Musel, o comandante-em-chefe, não tem autoridade para lhes dar ordens.

No entanto, mesmo Oscar basicamente segue a política da força expedicionária, já que ele não está tentando sabotar a expedição ativamente.

Contudo, ele está ciente de que a manutenção da segurança está fora de suas atribuições.

Seria uma história diferente se fosse o continente imperial, mas este é apenas um mero reduto inimigo.

— Jurgen, amanhã deixaremos a capital real e avançaremos para as cidades vizinhas. Se ficarmos aqui, só vamos nos envolver em todo tipo de confusão.

— Sim, senhor.

Jurgen também entendia o que preocupava Oscar.

Então, ele concordou com seu plano.

Assim como acabara de acontecer, insurgentes já começavam a surgir.

E amanhã, coisas mais problemáticas viriam.

— Apenas três dias após a queda e insurgentes já estão atacando o depósito de suprimentos... Isso é rápido demais. Eu me pergunto... quem diabos está no comando?

Os murmúrios de Oscar foram baixos demais para chegar aos ouvidos de Jurgen.

No dia seguinte.

Um grupo luxuoso chegou ao portão norte, passando pela divisão mágica do imperador, liderada por Oscar, que havia deixado a capital real.

Era o irmão mais novo do rei, Raymond, Duque Raymond de Flitwick, e sua guarda real.

Nesse dia, o quarto dia após a queda da capital, o portão norte foi finalmente aberto.

No entanto, as ruas estavam vazias, exceto pelos soldados que faziam patrulha, já que a lei marcial fora imposta na capital e saídas desnecessárias eram proibidas.

— Esse pessoal do império fica andando por aí como se fossem donos de tudo.

Raymond murmurou para si mesmo na carruagem, olhando para a capital real, onde ninguém além dos soldados imperiais podia ser visto.

— Com toda a razão...

Assentindo com entusiasmo em concordância com as palavras de Raymond, estava Parker Fletcher, o Conde de Kirkhouse, que é o braço direito encarregado do Ducado de Flitwick.

— Mas também é verdade que o exército imperial é poderoso. A cooperação do Império não pode ser apenas por causa de interesses comerciais lucrativos. Por favor, seja cauteloso.

— Eu entendo. Você se preocupa demais, Parker.

Ele franziu a testa, nervoso, mas não se agitou.

Para aqueles que conheceram Raymond quando ele estava no palácio, foi uma mudança notável.

O motivo pelo qual Raymond, que de forma alguma era incompetente, não conseguiu conquistar o apoio dos nobres era sua natureza petulante.

Ele chegou a ganhar o apelido maldoso de 'Príncipe Birrento' pelas costas, o que dizia muito sobre seu temperamento instável.

No entanto, após seu rebaixamento e a criação do Ducado de Flitwick, Raymond adquiriu diversas experiências.

Grande parte delas veio de Parker, seu braço direito.

Embora Raymond tenha perdido alguns privilégios por não ser mais da realeza, ele conseguiu ganhar estabilidade emocional e oportunidades de crescimento.

— Estávamos esperando pelo senhor, Sua Alteza Real.

— Marquês Musel, parabéns pelo sucesso desta operação.

Ninguém sabia o que ambos estavam pensando lá no fundo, mas, superficialmente, eles sorriram e apertaram as mãos.

Lá, no escritório do Rei.

O Marquês e o Duque conversavam.

Inúmeras cortesias sociais foram trocadas.

E além dos dois homens, as únicas outras pessoas presentes eram o filho mais velho do Marquês Musel, o ajudante-chefe, Visconde de Kruger, Linus Warner, e o braço direito de Raymond, o Conde de Kirkhouse, Parker Fletcher.

"Duque, Marquês, Conde, Visconde... agora, se adicionarmos um Barão aí, teremos os cinco graus da nobreza!" Ou algo assim Ryo diria se estivesse lá.

Foi Raymond quem interrompeu as formalidades sociais e foi direto ao ponto.

— A propósito, Marquês Musel, eu gostaria de subir ao trono o mais rápido possível.

A reação do Marquês Musel a isso foi de perplexidade.

Ele olhou para Linus, o ajudante-chefe, que estava parado atrás dele.

Em resposta, Linus abriu a boca.

— Sobre isso, a segurança na capital ainda é instável. Apenas na noite passada, insurgentes incendiaram uma parte da capital. Sugiro que aguarde um pouco até que o povo da capital real se acalme.

— Razão a mais, Visconde Kruger. Não apenas as pessoas na capital real, mas todos os cidadãos do Reino estão preocupados com o que está acontecendo. É por isso que preciso subir ao trono e conduzir o reino pelo caminho certo. Meu irmão não é mais capaz de exercer suas funções como rei, então tomarei seu lugar e falarei à nação para tranquilizar o povo.

Linus ficou surpreso com a réplica equilibrada de Raymond.

(Acho que decidiram colocar esse cara, o irmão do rei, no trono porque acharam que seria fácil de lidar, mas... não tenho certeza se é uma boa ideia? De acordo com os relatórios, ele é facilmente provocado e mais fácil de manipular que o Rei Stafford, mas... pergunto-me se isso é verdade...)

— Há algo de errado, Visconde Kruger?

— Não, desculpe. Eu entendo, Sua Alteza Real. Farei todos os esforços para preparar a coroação, então, por favor, aguarde um pouco.

— Obrigado.

Linus fez o melhor que pôde para não assumir nenhum compromisso claro com Raymond...

O Marquês Musel e Linus deixaram a sala após entregar o escritório do rei a Raymond, o irmão do monarca.

— Devemos adiar a ascensão o máximo possível... Nesse meio tempo, muitas coisas precisam ser feitas.

— O irmão do rei deve ter sentido algo.

O amigo de ontem é o inimigo de amanhã...

— Tentarei ganhar tempo.

Linus franziu a testa e prometeu elaborar um plano.

Mas uma grande comoção veio de onde a Força Expedicionária Imperial não previa.

No dia seguinte, notícias urgentes chegaram ao castelo real.

'A União invadiu o Reino'.

Comentários