
Capítulo 38
Water Magician (WN)
Um momento para relaxar após o jantar.
Embora estivessem em uma jornada, seus nervos não aguentariam se ficassem alertas o tempo todo.
Relaxar quando há oportunidade e manter-se vigilante quando necessário. Isso era importante.
— Um monstro vegetal que cospe veneno paralisante... e ainda é invisível... é a primeira vez que ouço falar de um monstro assim.
Até mesmo Abel, que tinha uma experiência considerável como aventureiro, não conhecia tal criatura.
— Não existiam monstros vegetais desse tipo na região onde eu vivia.
— Monstros vegetais geralmente surgem em áreas bem concentradas, já que não se movem como os monstros animais. As pessoas normalmente não os encontram. Mas alguns aventureiros caçam apenas monstros vegetais.
— Hoho. Eles deixam bons materiais quando derrotados?
— Sim, materiais de alquimia ou componentes para ferramentas mágicas.
— Estou muito interessado em alquimia!
Ryo expressou sua admiração pela alquimia, algo que nunca tinha visto antes, com os olhos brilhando.
— Aparentemente, é bem difícil se tornar um alquimista completo.
— É exatamente como eu quero! "Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura!"[1]
Abel não entendeu o significado do ditado, mas decidiu deixar passar.
— A propósito, como o Ryo se defendeu do veneno paralisante daquele monstro?
Sim, Abel achou aquilo estranho.
Abel usava um item que lhe permitia recuperar-se de condições anormais.
Ele conseguia desintoxicar venenos comuns imediatamente.
O veneno paralisante desta vez foi tão potente que afetou seu corpo, ainda que levemente, a ponto de fazê-lo cair de joelhos.
No entanto, Ryo não parecia ter sido afetado pelo veneno.
— Não, eu não fiz nada em particular.
Sim, Ryo não fez nada.
Dito isso, ele nunca tinha treinado para obter resistência a venenos.
Para começar, Ryo nem conseguia encontrar "Ervas de Desintoxicação" perto de sua casa.
(Eu me pergunto por que nada aconteceu. A bênção do Rei das Fadas da Água... não, não posso presumir que este mundo tenha tais bênçãos... talvez...)
— Será que foi o efeito desta túnica?
Ele pensou nisso e decidiu testar a ideia.
De qualquer forma, não havia como verificar, então, por enquanto, ele apenas agradeceu à pessoa que lha deu.
(Obrigado, Mestre.)
— Ah, isso é plausível. À primeira vista, parece uma túnica comum, mas definitivamente não é normal.
— Abel, a maneira como você formula isso é estranha.
— Bem, eu sei, mas não posso evitar, porque só consigo me expressar dessa forma.
— Eu só agradeci mentalmente ao meu mestre por ter me dado isto.
— Ah, isso é bom, porque a gratidão é importante.
No momento em que ouviu isso, o rosto de Ryo transbordou de espanto.
— Abel disse algo sensato...
— Ei, oi, as coisas que eu digo são sempre sensatas!
— É um padrão em que apenas a própria pessoa pensa isso.
— Não quero ouvir isso logo de você!
A partir do dia seguinte, eles começaram a preparar carne seca para atravessar a montanha.
Enquanto estavam na floresta, quiseram caçar coelhos e javalis.
Havia muitos coelhos e javalis nas florestas, mas raramente eram encontrados nos campos abertos.
Ryo nunca tinha ouvido falar de tais hábitos na Terra, mas quando perguntou a Abel,
— É assim que funciona.
Ele recebeu uma resposta monossilábica.
Em cerca de dois dias, conseguiram caçar cinco de cada.
Era mais do que suficiente para a cota de carne seca de duas pessoas.
"Sal" era indispensável para fazer a carne seca.
E uma quantidade razoável era necessária.
Originalmente, ele queria deixá-la de molho em molho de soja, mas... não tinha à mão.
Não havia o que fazer, então ele polvilhou sal e pimenta-do-reino na carne fatiada e a deixou secar por cerca de 3 dias.
Foi só isso.
— É bem fácil, não é?
— Sim, é porque fizemos carne seca simples, como os aventureiros costumam fazer durante viagens. No pior cenário, eles fariam apenas com sal, então ter pimenta já é uma sorte e tanto.
— Fico feliz por ter encontrado pimenta na floresta Rondo.
Ryo assentiu e disse.
Os dois seguiram para o norte em direção à cordilheira, segurando varas de gelo feitas por Ryo, com a carne seca espetada nelas para continuar secando enquanto caminhavam.
A propósito, além da carne, as peles foram "curtidas" por Ryo e transformadas em uma capa para Abel e como "roupas sobressalentes" para Ryo.
Isso porque Abel comentou que seria doloroso atravessar uma montanha coberta de neve sem uma capa.
Apenas ter uma capa já aumentaria consideravelmente a proteção contra o frio.
Além disso, Ryo fez... roupas para si mesmo com a aparência de um "Kantogi".[2]
Basicamente, era um grande pedaço de couro de Javali Superior curtido com um buraco no meio para a cabeça.
Se ele o amarrasse na cintura com trepadeiras para substituir um cinto, teria uma vestimenta idêntica ao "Kantogi" do período Yayoi.
Ryo estava usando a túnica dada a ele pelo Dullahan, então não precisava de uma capa.
Em vez disso, ele fez um Kantogi para usar por baixo da túnica, dobrando o calor.
Com isso, ambos melhoraram drasticamente sua capacidade de proteção contra o frio.
— Ei, Ryo, aquelas bolsas que você fez junto com a capa...
— Sim, pretendo colocar a carne seca nelas para carregá-las conosco.
Poderia ser considerada o tamanho padrão para uma bolsa de ombro.
— Se for maior que isso, será difícil quando o Abel estiver em batalha, certo?
— Bem, é verdade... mas mesmo se colocarmos as duas bolsas juntas, parece que não vai caber toda a carne seca.
— É, não tem jeito. Aquelas que não couberem...
— Pois é, não tem jeito.
Era um desperdício jogá-las fora, mas não podiam evitar. Abel pensou assim.
— Vamos carregar o que não couber nas mãos.
— ...O quê?
— Vamos comê-la todo dia, então quanto mais avançarmos, menos teremos, certo? Podemos terminar primeiro o que estiver em nossas mãos.
Os olhos de Abel ficaram arregalados.
— Mas eu não consigo lutar se estiver com as mãos ocupadas...
— Eu lutarei nesse meio tempo.
Ryo assentiu com uma determinação sombria.
Na verdade, quando terminaram de embalar a carne seca nas bolsas, eles só tinham o equivalente a um dia de consumo para carregar nas mãos.
Nem é preciso dizer que Abel ficou aliviado por ser apenas essa quantidade.
[1] - Um provérbio brasileiro equivalente ao original, indicando que a perseverança leva ao sucesso.
[2] - Kantogi: Uma peça de vestuário histórica japonesa simples, feita de um tecido ou pele com um buraco para a cabeça passar.