
Volume 6 - Capítulo 266
Life Hunter
Arima estava sentado contra Yggdrasil com Layla dormindo em seu ombro. Ele estava assistindo enquanto uma menina de seis anos com cabelos e olhos prateados brincava com vários animais que vagavam pelo jardim.
Veados, leões, tigres, coelhos, pássaros, ouriços… Todos eles se comportavam em torno dela e os leões até agiam como gatinhos e deitavam de costas para ela acariciar.
Seu nome era Lea R. Blade, filha de Arima e Layla. Ela nasceu com a capacidade de se comunicar com a natureza e herdou os poderes elementares de seu pai. Ela acordou como uma Imperatriz de Prata quando tinha dois anos de idade.
Arima apertou os olhos e olhou para Layla ao lado dele antes de rir.
‘Quem diria que eu experimentaria essa paz um dia…’ Ele pensou.
Lea o ouviu e olhou curiosamente com as pupilas de fenda.
— Pai?
— Não é nada — Arima balançou a cabeça. — Apenas relembrando o passado.
— Hm — sua filha cantarolou, em seguida, virou-se para a entrada do jardim. Arima seguiu seu olhar e viu Alice, que agora tinha doze anos, entrando junto com uma velha que carregava um menino em seus braços.
— Baba Yaga — gritou Arima e ela sorriu fracamente antes de se aproximar.
— Bom dia — disse ela enquanto Alice alegremente ia brincar com sua prima mais nova.
— Aconteceu algo? Alice e Moira estão com você.
— Sim — Baba Yaga sorriu ironicamente. — Noturno está atualmente lutando com Malum e Karma está fora junto com Shakti. Então, eu tenho que cuidar deles. Não foi por isso que você me trouxe aqui em primeiro lugar?
Arima encolheu os ombros e apontou para o menino com o queixo.
— E então? Você está acompanhando a Moira? A natureza de seus pais fez dele uma existência muito especial. Tenha cuidado para não ser cortada em pedaços por acidente.
Baba Yaga sorriu amargamente.
— Sim, eu quase fui… ‘cortada em pedaços’ como você diz. Mas estou pegando o jeito. Enquanto ele estiver dormindo, pelo menos, nada vai dar errado.
— Tio! — Alice de repente gritou e correu em direção a ele. Lea seguiu em silêncio. Ambas se entreolharam e assentiram com uma expressão determinada. Elas inspiraram e estenderam as mãos em direção a Arima.
O último fez uma careta e Layla acordou ao mesmo tempo. Ela esfregou os olhos e acabou de ver as duas meninas invocando uma formação mágica.
Os olhos de Arima se arregalaram. Ele tirou os óculos do casaco e os colocou antes de olhar para a formação.
—…o que é isso? — Ele pergountou depois de alguns segundos.
Lea e Alice sorriram.
— É algo que nós duas temos trabalhado. Queríamos surpreender a todos. Então, tio, o que você acha? — Ela explicou.
Arima riu e as duas meninas inclinaram a cabeça em confusão.
— Para ser honesto, isso é muito impressionante. Pelo que posso ver, existem 114 camadas. Vocês devem ter gasto muito tempo nisso.
Lea e Alice ficaram boquiabertas. Elas nunca esperaram que ele fosse capaz de descobrir o número de camadas tão facilmente.
Lea fez beicinho.
— Não é justo, papai tem Natus.
Arima riu e Layla finalmente percebeu o que estava acontecendo. Ela sorriu e tocou a formação mágica em curiosidade. Os olhos de Lea se iluminaram.
— O que você acha, Mãe?
Layla meditou e Arima se recostou.
— Eu vou ser franca com você, querida, eu também posso ver todas as camadas e que cada uma delas deve se conectar à anterior, como um loop. Também posso dizer que isso tem algo a ver com transferência espacial… Mas isso é tudo. Eu não tenho ideia do que ela fará quando você a ativar.
— Bem, principalmente porque é uma bagunça — Arima brincou e Layla bateu na parte de trás da cabeça dele. Ele sorriu e olhou para as duas garotas à sua frente. — Eu também não tenho ideia do que isso vai fazer. Mas, se estiver correto, isso deve permitir o teletransporte incondicional sem consumo de mana. Estou impressionado que você tenha feito isso por conta própria.
Baba Yaga ficou chocada quando ouviu enquanto Alice e Lea simplesmente pareciam presunçosas.
— No entanto… — Arima continuou e tocou a formação mágica. Ele brincou com as runas e cantarolou. Seus olhos de repente se arregalaram e ele se endireitou. Sua mão estava alterando a formação a uma velocidade incrível.
Todo mundo olhou para ele. Depois de alguns minutos, ele abriu a boca novamente, e foi para rir. Ele riu de todo o coração. Ele deu um tapinha na cabeça das meninas e disse: — Você tem alguma ideia da descoberta que você fez?
— O que você quer dizer? — Layla perguntou.
— Essas duas acabaram de resolver o problema que eu tive em um dos meus projetos. Viagem no Tempo Não Linear — ele afirmou e continuou a alterar as runas. — Viajar no tempo é fácil. Tão fácil que é chato. Mas quando você adiciona não-linear à coisa toda, é uma questão completamente diferente.
— Então, o que isso implica? — Perguntou Alice.
— Essencialmente, significa viajar entre paradoxos e…! — Antes que ele pudesse terminar sua frase, a formação mágica foi ativada prematuramente e ele desapareceu do jardim.
Baba Yaga, Layla, Alice e Lea piscaram e se entreolharam.
— Hauahaha! — Uma risada ressoou em suas cabeças ao mesmo tempo. Veio de Asgorath, que agora passava seus dias nadando no oceano da alma com Apana e conversando com Arima.
— Asgor, você sabe o que aconteceu? — Layla perguntou.
— [Na verdade, eu tenho minha ideia] — ele respondeu. — Meu velho amigo finalmente fez um avanço graças a essas duas jovens senhoras, mas ele ficou muito animado e foi sugado pelo feitiço.
Todos podiam dizer o quão divertido Asgorath estava enquanto falava.
— Em outras palavras, isso… Viagem no Tempo Não Linear, ele fez isso? — Lea perguntou timidamente e Asgorath sorriu.
— Sim, ele fez, mocinha — ele fez uma pausa. — Por engano — acrescentou ele e quase caiu na gargalhada novamente.
— Asgor, você pode nos dizer o que essa magia deve fazer? — Layla perguntou com um tom mais sério. Ela não conseguia nem prever o que aconteceu com sua previsão e isso a incomodava.
— Sim, certamente. Sinto muito. Eu me empolguei. Afinal, ele é seu marido. É normal você ficar preocupada. Pelo menos, deixe-me tranquilizá-la, ele não está em perigo. Algo assim não pode ser um problema para ele. Quanto à sua pergunta, a Viagem no Tempo Não Linear está fundamentalmente indo contra as Leis do Rio do Tempo.
***
— Ok… essa foi a coisa mais estúpida que eu já fiz. — Arima proferiu depois de pousar no meio de uma floresta. Ele se levantou e estalou o pescoço enquanto avaliava os arredores.
No começo, nada o pareceu tão estranho. Isso foi até que ele olhou para o céu. Seus olhos se estreitaram e sua expressão se contraiu.
— Merda — Krynox expressou seus pensamentos atuais por ele.
***
— Deixe-me explicar-lhe como é a viagem normal no tempo primeiro. Também conhecido como Viagem Linear no Tempo, tem geralmente duas abordagens diferentes. — disse Asgorath.
— O primeiro é quando você pula do presente para o passado em sua linha do tempo. Nesse caso, seu futuro se torna seu passado e seu passado se torna seu presente. Portanto, o que acontece em seu presente pode afetar seu futuro, que é o atual você. Isso é o que geralmente pode provocar pequenos paradoxos.
— A segunda abordagem é completamente diferente. Em vez de ‘pular’, você recua na linha do tempo. Em outras palavras, você retrocede. Este é um método que não permite a existência de dois mesmos seres ao mesmo tempo. Ou seja, não causa paradoxos. Mas também é muito difícil retroceder o tempo, lembre-se. A menos que você tente reencarnar.
— Agora, deixe-me explicar o que é um paradoxo. Em termos simples, geralmente se refere a uma ação, ou um evento, que não pode ocorrer, mas ocorreu ou algo que ocorreu, mas na verdade não ocorreu… Quero dizer, vocês entenderam. Por exemplo, quando alguém volta ao passado e, por algum motivo, interrompe os eventos que causaram seu nascimento, é um paradoxo.
Mais uma vez, existem dois tipos de paradoxos. Os autossolúveis e os autodestrutivos. No caso do meu exemplo, o tipo em questão é o primeiro. Como a pessoa em questão apagou seu nascimento da existência, o paradoxo fixará o mundo em consequência e a pessoa será esquecida por todos e desaparecerá. Embora em alguns casos menores, pequenas alterações sejam feitas e isso não mexa com a cognição das pessoas.
— Quanto ao segundo tipo, é uma história completamente diferente.
***
— Estamos na merda — resmungou Arima enquanto ele saltava casualmente para fora da floresta. Ele pisou no ar e olhou em volta. Ele avistou uma cidade e voou em direção a ela. — Eu não posso nem acessar o meu reino da alma. Como isso é possível?
— Qualquer coisa que o Rio do Tempo não alcance, é algo que nada pode alcançar. Nem mesmo a sua própria alma. Você está apenas aqui como “você mesmo”.
Arima estalou a língua e caiu nas ruas. No momento em que tocou o chão, ouviu muitos suspiros. Os habitantes sombrios da cidade se voltaram para ele em puro choque, como se tivessem visto algo que nunca deveria ter acontecido.
— Q-Quem é você…?! Você não deveria estar aqui! — Um homem gritou de repente.
Arima franziu a testa e o ignorou. Sua atenção foi atraída para outra coisa, mais especificamente, o número de raças diferentes à sua frente. Excluindo os animais, havia pelo menos mil raças diferentes nesta cidade. Caramba, ele podia até sentir dragões, deuses, demônios, divindades espirituais e muito mais.
Ele olhou para o céu novamente e fez uma careta. O céu era como uma pintura figurativa confusa. Era uma mistura de espaço, planetas, estrelas, Terras de Origem que deveriam ter sido destruídas, buracos negros e outras coisas. Era como se tudo no mundo tivesse sido fechado no céu como um só.
***
— Paradoxos autodestrutivos ocorrem quando a continuidade é dobrada além da salvação. Em outras palavras, quando muitos paradoxos ocorrem dentro de um único paradoxo. Por exemplo, imagine esse cenário; meu velho amigo volta no tempo, se mata no início de sua vida. O que acontece na sua opinião?
— Cataclismo temporal — Layla respondeu. — Arima nunca nasceu, os Téra nunca nasceram, o Noturno nunca nasceu, Karma, Malum, Alice, Moira, Lea, Arsu, Azizos… Lanya teria morrido e eu não teria existido. Angra Mainyu teria perecido e nunca reencarnado e Ahura Mazda nunca o teria seguido. O Deus e o Diabo originais ainda estariam vivos e as Terras Originais nunca teriam sido destruídas… Muitas consequências e ainda há muitas mais.
— Correto. Isso é um paradoxo aniquilador. Quando isso acontece, você pode pensar nisso como um Big Bang. Um Big Bang induzido pelo tempo que engole a totalidade da linha do tempo em que está presente antes de explodir em um milhão de fragmentos, fora do Rio do Tempo. Esses fragmentos flutuam em um espaço ainda mais evasivo do que o Mundo dos Sonhos. Eles estão todos trancados no tempo e representam cada um uma fração da linha do tempo a que pertencia. Eles são comumente chamados de fragmentos de paradoxo.
***
Arima suspirou e sentou-se na cama de um quarto que havia sido oferecido pelas pessoas da cidade. Depois de explicar-lhes a situação, e que ele estaria procurando uma saída, eles imediatamente tentaram ajudá-lo de todas as maneiras possíveis.
— Eu nunca esperei ficar preso dentro de um Fragmento— ele murmurou.
— Eu nem sabia que a vida poderia sobreviver em um Fragmento. Pelo que os familiares que você enviou descobriram, este fragmento só é grande o suficiente para esta cidade e a floresta em que você estava. Se você vai mais longe, está fora dos limites e você acaba em qualquer que seja o caos paradoxal que somos. — disse Krynox.
— Sim, mas isso também representa uma descoberta maciça. Pense nisso, quantos fragmentos de paradoxo você acha que existem? E provavelmente há pessoas vivendo em cada um deles. É como descobrir um novo continente.
— Sim, mas mais importante, como saímos? Não posso ficar aqui para sempre. Ou talvez você não queira ver sua filha crescer?
— Cale a boca, é claro, temos que sair. — Arima retrucou e acenou com a mão. A formação mágica de Alice e Lea apareceu à sua direita, enquanto a que ele estava trabalhando sozinho apareceu à sua esquerda. — Nós só podemos fazer o nosso melhor para completar esta teoria.
***
— Agora que você sabe disso. Deixe-me explicar qual era o objetivo do Arima. A Viagem no Tempo Não Linear consiste em separar-se da linha do tempo usando Fragmentos de Paradoxo como degraus. Em outras palavras, você pula do Rio do Tempo, pousa em um Fragmento e pula novamente para voltar ao Rio. O resultado final é praticamente o mesmo que Viagem no Tempo Linear, mas há uma grande variação.
— Que é? — Lea estava incrivelmente curiosa. Ela herdou a sede de conhecimento de seu pai.
Asgorath riu.
— Pense no que eu lhe disse anteriormente. Quando você volta no tempo, seu futuro se torna seu passado e seu passado se torna seu presente. Tente imaginar o que aconteceria se você usasse um Fragmento de Paradoxo que não tem nenhuma conexão com o Rio do Tempo e, portanto, com a linha do tempo.
Lea e Alice começaram a refletir sobre a pergunta. Layla também pensou um pouco e chegou a uma conclusão antes das duas meninas.
— Seu passado desaparece… — Ela murmurou e seus olhos se arregalaram. — Pular em um Fragmento de Paradoxo significa que ele retorna na linha do tempo com uma ficha limpa. Basicamente, a teoria de “seu futuro se torna seu passado” não funciona mais porque um fragmento não pode ser referido como presente, futuro ou passado.
— Correto — disse Asgorath. — Como esperado de você, o tempo é o seu domínio. No final, essa magia permite viajar no tempo sem arriscar nada. Mesmo que alguém cause um paradoxo, contanto que eles usem Viagem no Tempo Não-Linear, o paradoxo será absorvido pelo Fragmento em vez de alterar a linha do tempo.
Lea inclinou a cabeça.
— Isso não faz sentido algum.
Alice assentiu.
— Ela está certa. Se o paradoxo for cancelado, como a linha do tempo deve se consertar?
— Você tem que ver isso de outra perspectiva. Um paradoxo é como um software super atualizado. Ele atualiza o mundo com base nos “parâmetros” que é dado. Se os parâmetros forem alterados, mas a atualização não for iniciada, nada mudará. Simples assim.
Baba Yaga, que estava ouvindo até agora, ofegou.
— Você está dizendo que é possível fazer o que quiser com o passado com esse método e isso não mudará o futuro?
— Isso é realmente o que estou dizendo — Asgorath assentiu e Apana olhou para ele com seus grandes olhos inocentes. — Você pode voltar no tempo, conquistar o mundo, se quiser, não terá qualquer impacto sobre o futuro a partir do qual você veio.
— Mas e se alguém usar a Viagem Linear no Tempo para chegar a essa parte específica da linha do tempo? O que acontece? — Lea perguntou.
— Bem, nada. A pessoa em questão apareceria em um passado desconhecido, mas é isso. Ele não será de nenhuma importância. Vejamos um exemplo. Imagine que alguém apaga a existência de um certo indivíduo com o método não linear. Se alguém tentar voltar no tempo para matar esse indivíduo com o método Linear, ele não será capaz de encontrá-lo e é isso. Embora, se ele entra em outro período, um antes da mudança trazida pelo viajante não- linear, e mata o mesmo indivíduo, desta vez ele vai realmente provocar uma nova “atualização”, um paradoxo.
…
Lea e Alice caíram em pensamentos profundos e Asgorath sorriu.
— Bem, o tempo é um conceito difícil de entender. Não dê muita atenção a isso. Há também a teoria de que uma linha do tempo pode se dividir para acomodar dois resultados diferentes. Mas esse é um fenômeno que só ocorre quando o paradoxo autodestrutivo falha ou não é poderoso o suficiente para destruir sua linha do tempo, portanto, causa uma divisão em vez de produzir fragmentos… — Como ele estava dizendo isso, de repente ele percebeu algo. — AH!
— Hm? — Layla fez uma careta. — O que há de errado, Asgor?
— Acabei de pensar em algo. Como ele usou uma teoria incompleta, Arima pode estar preso em um Fragmento de Paradoxo enquanto falamos.
— É uma coisa ruim?
— Sim e não. Eu ainda não acredito que ele esteja em perigo, mas para sair de lá, ele deve completar sua formação. Isso pode levar algum tempo. Felizmente, essas jovens conseguiram inventar uma parte crucial desse feitiço. A propósito, como vocês duas conseguiram?
***
— Tudo bem… — Arima esfregou suas têmporas. — Eu tenho o desejo de explodir alguma coisa.
— Mantenha-o dentro — retrucou Krynox.
Arima estava trabalhando na formação há algumas horas, mas não havia feito nenhum progresso. Ele suspirou e recostou-se na cadeira. Ele tirou os óculos e o hexagrama vermelho em suas pupilas, Natus, desapareceu.
— Não entendo. Eu sinto que tenho todas as peças, mas há uma informação que está faltando. Eu praticamente terminei de desmantelar a formação das meninas. É um pouco áspero nas bordas, mas não há nada de errado com isso. Elas usaram uma dobra espacial básica como o núcleo secundário… 114 camadas separadas para alimentá-lo de acordo com o Gráfico de Wolder… uma camada intermediária para conversão… e um núcleo para definição de alvo…
Arima zumbiu e mergulhou em seus próprios pensamentos.
***
— Bem, para começar a coisa toda, primeiro fomos ver o tio Ray para que ele pudesse nos ajudar com a primeira camada — disse Alice.
— Raylein? O que você perguntou especificamente?
— Uma formação mágica básica para dobrar o espaço. — Lea respondeu por sua prima.
— Entendo… Verdade, se você quer trabalhar em teorias espaciais, Raylein pode ser ainda melhor do que meu velho amigo. Então, você usou isso como base, você deve ter encontrado uma maneira de torná-lo mais barata ao custo de mana. Como?
— Tivemos a ideia quando Alice encontrou um caderno contendo a pesquisa de um certo Wolder Kristan na biblioteca. Lá dentro, havia uma explicação completa de como fazer um gerador autossustentável usando 114 pólos de refino — declarou Lea e os olhos de Layla se arregalaram.
— Wolder Kristan?
— Você o conhece? — Baba Yaga perguntou.
— Ele é um inventor e estudioso famoso. Foi ele quem criou a convocação da alma e as masmorras do mundo humano — disse Asgorath. Ele também pareceu um pouco impressionado. — Onde você encontrou esse caderno exatamente?
— Não tenho certeza… — Alice coçou a cabeça. — A biblioteca é maior que uma estrela. Aconteceu de eu encontrá-lo quando me perdi um dia. Papai teve que vir me buscar naquele dia. — Ela riu.
— Esse gerador que você encontrou é chamado de Gráfico Wolder. Ouvi falar sobre isso e admito que é uma descoberta engenhosa. É suposto agir de forma semelhante a um acelerador cinético. Um ping de energia é enviado de um pólo para outro antes de enviá-lo de volta mais forte e assim por diante. Cada camada da formação supostamente tem um trabalho diferente por causa da energia cada vez maior transmitida. Tem uma estrutura muito complexa e a maioria das pessoas abandonou a ideia de usá-la porque a energia resultante não era compatível com a maioria das formações mágicas. Você pode ver isso como a diferença entre corrente alternada e contínua para eletricidade. Suponho que você ainda usou isso para alimentar a camada de dobramento espacial, mas então como você converteu a energia em uma viável?
Alice e Lea olharam para cada um e colocaram um rosto presunçoso.
— Nós projetamos um conversor para isso.
— Oh?
— Como? — Layla perguntou curiosa.
— No começo, também não tínhamos ideia de como fazer isso. Mas então nos lembramos disso — disse Lea enquanto apontava para o céu.
Baba Yaga e Layla olharam confusas e foi Asgorath quem percebeu do que estavam falando.
— Oh, você quer dizer a Formação de Estrelas de Nêutrons criado dentro deste oceano?
— Sim!
— É verdade que essa coisa é um gerador auto-sustentável e libera mais energia espacial do que eu já vi na minha vida a cada segundo. Mas essa formação só funciona porque essa água é especial. Ele conecta todas as estrelas e também conduz a energia para a estrela de nêutrons no centro, que está em constante… Ah, agora eu entendi.
Alice assentiu.
— Sim, foi aí que tivemos a ideia. Estava nos livros do tio no escritório dele. Ele escreveu uma tese inteira para essa formação. A estrela de nêutrons age essencialmente como um ‘triturador’. O núcleo da estrela é matéria ultra-densa que pode até romper a própria realidade. Esse núcleo receberá impulso das outras estrelas e depois o quebrará antes de liberar energia espacial não filtrada.
— Hm, então você adicionou essa teoria para aperfeiçoar o Gráfico de Wolder.
— Sim, alteramos a formação original de Wolder e fizemos com que o sinal final de energia entrasse em uma camada especialmente feita para deixá-lo furioso e implodir. Esse é o nosso ‘triturador’ — Fascinante. Mas não está terminado, certo? Se fosse esse o caso, esta Formação de Nêutrons teria sido suficiente para Arima ir e voltar dos Fragmentos do Paradoxo.
— Sim, o que resolveu isso é a camada central da nossa formação — disse Lea. — Embora a formação estelar do papai seja quase perfeita, ela não tem um alvo. Quando você o usa para se teletransportar, o destino é limitado pela percepção do usuário. Então, nossa camada principal é definir um alvo. Queríamos que essa formação permitisse que alguém viajasse para qualquer lugar que quisesse. Portanto, usamos algo comum a qualquer lugar na Existência.
— Algo comum? — Layla refletiu. — Matéria? Não, não está em todos os lugares… Nem átomos nem moléculas… Espaço-tempo?
— Não — Lea balançou a cabeça. — Nós tentamos isso, mas descobrimos que não funciona. Na verdade, a noção de tempo não está em nossa formação. É por isso que ficamos surpresas quando papai de repente o reciclou para viajar no tempo.
— Não é tempo, hein? Vida? — Asgorath levantou uma sugestão, mas as meninas balançaram a cabeça novamente. — Eu teria dito circuitos mágicos, mas há lugares sem eles, mesmo depois do incidente de Pandora.
— Isso… seria existir? — Baba Yaga inclinou a cabeça e todos olharam para ela. — Algo comum a todos os lugares do mundo é que eles existem… Né?
Alice sorriu e acenou com a cabeça várias vezes.
— Certo! Usamos essa teoria. Se existe um lugar, podemos nos teletransportar para ele. Essa é a camada central da formação.
Asgorath de repente compreendeu algo.
— Ele inverteu isso! Meu velho amigo inverteu sua formação, ele a usou para ir a algum lugar que ‘não existe’. Um Fragmento de Paradoxo é exatamente assim. É assim que sua formação foi usada.
— Faz sentido… mas há algo estranho nisso — Layla retrucou. Alice e Lea olharam para ela com sorrisos de conhecimento.
***
— Aquele maldito gato — Arima proferiu e Krynox ficou sem palavras.
— Por que diabos você de repente está amaldiçoando gatos? Você está bem?
— Eu quis dizer o Gato de Schrödinger, idiota. É isso que está me cansando agora. Um gato dentro de uma caixa; você não sabe se está vivo ou morto, portanto, pode ser considerado ambos. É assim que a teoria funciona. Mas a coisa é, você também pode dizer assim: há uma caixa; você não sabe se há um gato dentro ou não, assim ele existe e não existe ao mesmo tempo. Em outras palavras, algo que não pode ser visto ou não é visto também é considerado inexistente, o que tornaria essa camada central defeituosa.
— Mas obviamente não é. Então, isso significa que essas crianças usaram outra coisa para cobrir esse problema… É isso que você não consegue encontrar?
— Sim…
***
— Entendo… Asgorath ficou em silêncio.
— Bem, nós realmente ficamos presos por causa do Gato de Schrödinger — Alice admitiu. — Fomos forçadas a pedir a ajuda de alguém depois de uma semana ou mais.
— Então, você recebeu ajuda de alguém? Mas não consigo pensar em ninguém na casa que possa responder a esse problema, talvez exceto meu velho amigo. O Caluniador ou Ahura poderia ter sido capaz de ajudá-la, vocês os procuraram?
— Não — Lea balançou a cabeça. — Fomos ver a Grande Irmã.
— Grande Irmã? — Layla inclinou a cabeça. — Há apenas uma pessoa que você chama assim. Breksta te ajudou?
— Sim, foi graças a ela que conseguimos completar a formação. Tivemos a ideia de perguntar a ela quando pensamos em como alguém poderia olhar sob a caixa sem realmente entrar ou movê-la.
Asgorath, Layla e Baba Yaga abruptamente soltaram uma exclamação coletiva: “Ah!”
***
— Sonhos??!! — Arima gritou enquanto caía da cadeira em que estava se equilibrando. Ele gemeu e se levantou. Ele voltou a se sentar na cama e suspirou. — Então, esta é a peça restante. Droga, essas garotas são gênios.
— Certo. Não diga isso na cara delas. Eles provavelmente passaram dias chegando a essa conclusão para o seu problema. Nunca diga a elas que você o encontrou em algumas horas.
— Sim, sim, eu sei. Mas Lea tem seis anos, sabe? Tenho medo de como ela é inteligente para a idade dela. O mesmo vale para Alice…
— Sim, você provavelmente está traumatizado porque aquela criança te venceu no xadrez sem sequer estar na adolescência. Talvez você deva procurar algum aconselhamento.
— Cale a boca, Krynox. Vamos voltar ao assunto em questão — Arima acenou com a mão enquanto organizava a formação. A formação de repente se dividiu em exatamente 114 círculos mágicos que giravam em torno dele.
Arima deu uma olhada em cada um deles e começou a organizar sua posição de uma certa maneira. A camada central foi colocada bem na frente dele, girando. Então, ele colocou a camada conversora logo acima dela e a fez combinar com a rotação do núcleo antes de fazer a mesma coisa com o núcleo secundário.
Ele então fez um movimento de agarrar no ar e virou a mão como se estivesse interagindo com uma maçaneta. Os círculos restantes seguiram seu movimento e girou em torno das duas primeiras camadas como planetas em torno de seu sol.
Arima se inclinou para trás e observou cuidadosamente a interação entre os círculos. Quanto mais ele olhava, melhor ele podia ver as runas escondidas espalhadas pelas camadas.
— O sonho é um conceito muito difícil de integrar na magia — murmurou Arima. — A única maneira de empregá-lo efetivamente é tornar a formação completamente indescritível em relação aos Sonhos, em vez de fazer qualquer camada para ela. É por isso que…
Seus olhos brilharam quando um hexagrama se manifestou, os 114 círculos mágicos de repente encolheram e desapareceram enquanto deixavam para trás algumas runas estranhas. Essas runas se reuniram e rapidamente formaram um novo círculo. Este era transparente e incrivelmente complexo.
Arima riu e guardou esse círculo em sua memória.
— Este é um bom trabalho, Breksta.
***
— Sim, a Grande Irmã compôs uma camada oculta para nós — disse Lea. — Então, na verdade, existem 115 camadas em nossa formação. Essa ‘Camada dos Sonhos’ foi a última peça do quebra-cabeça. Seu papel era verificar o destino.
— Em outras palavras, verificaria se o lugar poderia ser sonhado ou não. — Alice seguiu. — Os Sonhos têm um registro de tudo o que pode existir. Eles mantêm coisas que ainda não existem, coisas que existiram e coisas que teriam existido ou poderiam ter existido. Não é perfeito, mas foi a melhor escolha para completar a formação.
— Entendo… Eu me pergunto quanto tempo levará para meu velho amigo descobrir. — Asgorath disse então abruptamente congelou antes de olhar para trás no oceano sem fim. — Bem, risque isso. — Ele gargalhou enquanto observava a estrela de nêutrons esmeralda. Ele podia sentir os caminhos da energia sendo redirecionados e modificados.
Layla ergueu uma sobrancelha e também percebeu.
— Parece que Arima ainda tem uma conexão com sua alma, mesmo depois de ter sido expulso dela…
— É? O que aconteceu? — Lea perguntou confusa.
— Meu velho amigo acabou de modificar a Formação de Estrelas de Nêutrons. Acho que ele já pode ter desvendado os segredos de sua formação e completado os dele.
— Aww, sério? — Alice fez beicinho. — Como o tio fez isso tão rápido?
— Bem, é do meu velho amigo que estamos falando — Asgorath riu. — Mas eu aposto que o tempo está fluindo mais rápido onde ele está agora. Mesmo para ele, não há como ele ter completado isso durante a nossa conversa.
Lea cantarolou.
— Hm, tio Asgor?
— Sim?
— Estou curioso sobre algo. E quando você viaja para o futuro? O que é diferente do que você já nos disse?
— Pfff! — Asgorath não pôde deixar de cuspir. — Uh, mocinha, você está me colocando em uma situação muito ruim agora. Indo para o futuro é mais simples, mas a explicação é muito mais complicado do que para o passado…
Assim como Asgorath estava tentando encontrar uma maneira de sair da conversa, os olhos de Layla de repente se transformaram em pedras preciosas semelhantes a cristais e suas pupilas se tornaram fendas. Ela fez uma careta e suspirou antes de se levantar.
— Bem, só podemos esperar pelo retorno de Arima por enquanto. Eu posso ver isso, ele deve estar de volta amanhã. Por outro lado — ela murmurou a última parte e se dirigiu para a saída do jardim. — Malum e Noturno vão causar problemas em breve. Eu vou cuidar disso.
Alice e Lea se entreolharam antes de seguir Layla com uma risadinha. Era sempre divertido quando a última repreendia os dois dragões de sangue quente depois que eles iam longe demais com seus treinamentos.
Asgorath suspirou silenciosamente de alívio.
Baba Yaga riu. Ela verificou que Moira ainda estava dormindo e saiu para trazê-lo de volta ao seu quarto antes que ela tivesse que alimentá-lo. Enquanto caminhava pelos corredores da mansão, Asgorath entrou em contato com ela: — Então, como está o pequeno?
A ex-feiticeira sorriu.
— Ele melhorou muito desde o nascimento. Ele não perde mais o controle sobre sua magia.
— Hm, o nascimento deste menino foi um grande evento… — Asgorath murmurou. — Até meu velho amigo, de todas as pessoas, ficou ansioso quando Karma quase perdeu a vida naquele dia. Certifique-se de dizer a mim ou ao meu velho amigo qualquer coisa estranha que possa acontecer. Sua existência é muito instável. Uma criança nascida de uma besta da alma e uma arma da alma… — ele riu. — Como devemos chamá-lo?
— Bem — Baba Yaga pensou um pouco antes de acenar para si mesma. — Eu acho que ‘Dragão da Espada’ é uma boa descrição desse pequeno sujeito.
***
— Pronto — declarou Arima. — Eu terminei de fundir a formação das meninas e a teoria não-linear à minha formação estelar.
Ele se levantou e se esticou um pouco antes de sair da casa que lhe foi oferecida. No momento em que ele saiu, uma brisa soprou ao lado dele e um velho com uma bengala veio até ele.
O ancião usava um manto cinza e Arima não pôde deixar de notar o sentimento incrivelmente ameaçador vindo de sua bengala, que provavelmente era uma arma da alma a par com Karma. Seu cabelo estava branco como cinza e alcançou seus ombros, alguns fios estavam esvoaçando livremente sobre seu rosto enrugado, mas não fizeram nada para esconder o olhar incrivelmente afiado.
…
Arima elogiou esse senhor mais uma vez em sua cabeça. Ele atuava como chefe da aldeia e era muito respeitado aqui. Pelo que ouviu, quando o paradoxo ocorreu em sua linha do tempo original, foi ele quem conseguiu salvar muitos deles e preservar suas vidas. Ele também foi o único que construiu a aldeia e expandiu seus interiores.
Na verdade, esta cidade aparentemente pequena abrigava cerca de dez mil moradores. Para acomodar tantas pessoas, cada edifício foi expandido com magia espacial para extensões inacreditáveis.
‘Este senhor conseguiu de alguma forma orientar-se durante um paradoxo e salvar as pessoas ao mesmo tempo. Ele está se aproximando do pico do Rank de Existência… Eu precisaria liberar pelo menos 70% do meu selo para derrotá-lo. Eu não deveria precisar assumir minha forma de ‘Demônio Gentil’ Arima comentou interiormente.
— Você já terminou? — O chefe perguntou, tirando-o de seus pensamentos.
— Sim, minha formação está completa. Mas eu preciso experimentá-la primeiro e eu não recomendaria trazer pessoas comigo. Você terá que ficar aqui, então eu voltarei para trazê-lo para fora quando tiver certeza de que funciona bem o suficiente.
— Hm, sem problemas. Eu moro aqui há quase dez mil anos, ficando mais forte, observando as pessoas que eu resgatei criando suas próximas gerações… — O senhor riu amigavelmente. — Eu posso esperar mais alguns dias. Ah, certo. Acredito que ainda não me apresentei. Meu nome é Korna Gorgo. As pessoas costumavam chamar a ‘Serpente Sem Cabeça’ no passado.
— Arimane Reigen Blade, Deus da Noite Eterna. Também conhecido como o Demônio Gentil — Arima respondeu gentilmente e sorriu. — Você talvez seja parente da Medusa Gorgo?
Korna riu. Ele girou com o punho de sua bengala, que era a cabeça de uma cobra mostrando suas presas.
— De fato. Minha mãe é Medusa. Eu me pergunto, você descobriu isso apenas com o meu nome?
— Não exatamente — respondeu Arima. — Sua mãe é na verdade uma residente da minha prisão, Kymestuos. Acabei de reconhecer a aura dela em você. Mas não se preocupe, não é tão ruim quanto parece. Quando ela morreu, ela foi automaticamente admitida como prisioneira. Mas foi por cobranças leves. Considerando a injustiça que ela sofreu, posso libertá-la a qualquer momento, se você quiser.
Korna franziu a testa.
— Receio que não entendi direito. Como você poderia deter minha mãe, já que não somos da mesma linha do tempo?
Arima riu levemente.
— Não é uma boa ideia para mim explicar isso em detalhes. As teorias da linha do tempo são extremamente complexas. É um equívoco comum associá- lo aos diferentes Planos e suas versões paralelas de si mesmo. Mesmo que as pessoas gostem de usar a palavra ‘linha do tempo’ para descrever semelhanças entre os Planos de Existência, está longe do conceito literal. Mas, basicamente, não importa o que aconteça, cada linha do tempo envia seus mortos para o mesmo local do qual eu escolho meu prisioneiro com base em seus erros. Então… sou obrigado a receber a mesma pessoa várias vezes.
— E como você lida com isso?
— Kymestuos possui uma função para isso. Os presos “repetidos” recebem a mesma cela e são separados por uma dimensão muito especial. Sempre que é hora de um deles ser lançado, a natureza da dimensão os trará para sua linha do tempo original.
— Entendo… — Korna assentiu. — Desde que minha mãe morreu antes que o paradoxo ocorresse, ela não foi apagada da existência, mas desembarcou em sua prisão. Bem, se isso é verdade, tenho que te agradecer por me dar a chance de encontrar minha mãe novamente. Embora tenhamos nos separado serenamente, e eu já tenho feito as pazes com isso há muito tempo, que criança não gostaria de ver sua mãe novamente? — Ele disse enquanto sorria.
Arima bufou.
— Você não tem ideia do quanto eu posso me relacionar com isso — ele proferiu e acenou com a mão. Seu selo de repente liberou 20% de sua capacidade e uma Cruz do Demônio Gentil se materializou no ar.
— Isso me permitirá retornar a este Fragmento. No entanto… — Arima fez uma careta quando sua Cruz começou a se estilhaçar chocantemente. — Isto é temporário. Minhas cruzes não devem ser lançadas fora de meu alcance de influência. Vou ter que ser rápido — ele disse e fechou os olhos, invocando sua formação recém-criada.
Korna recuou silenciosamente quando ondas de magia espacial e temporal irromperam.
Dentro do reino da alma de Arima, a estrela de nêutrons pulsava cada vez mais rápido. Como um motor indo em potência máxima.
— Dez por cento a mais deve fazer o truque — ele pensou e lentamente abriu os olhos. Suas pupilas duplas brilhavam e seu pingente brilhava pouco antes de desaparecer.
Korna apertou os olhos, olhando para o espaço vazio.
— Esses olhos… Os Antigos Espíritos. Agora entendo.
***
Arima voou e fez um som de assobio enquanto caía em uma grande duna no meio do deserto. Ele foi enterrado sob toneladas de areia em um segundo.
‘Eu odeio essa merda…’ Ele resmungou internamente e explodiu toda a duna com um único pensamento. Quando a areia caiu ao seu redor, ele observou seus arredores e suspirou antes de olhar para cima.
— Não, o céu ainda parece uma obra de arte desprezível.
— O que aconteceu? Você falhou? — Krynox perguntou.
— Sim e não. Desde que eu consegui ir de um Fragmento para outro, eu diria que funcionou. Embora não seja o que eu queria fazer, tenho certeza de que a formação é relativamente perfeita.
— Por que você veio parar aqui?
— Não tenho certeza. Parece que algo me tirou do meu caminho original e me fez cair aqui.
— Então, você está dizendo que há algo aqui que pode ter poder suficiente para desviar sua magia? Estes fragmentos são impressionantes. Primeiro Korna, agora isso…
Arima encolheu os ombros e olhou em volta. Não havia nada além de areia em sua visão.
— Este Fragmento parece muito maior do que o anterior também — ele comentou e voou em uma direção aleatória.
Ele explorou o Fragmento por algumas horas até que finalmente encontrou algo. Era uma grande entrada de caverna que saía visivelmente da areia. No momento em que ele pousou na frente dele, ele já estava prestes a entrar quando algo o atingiu abruptamente.
Seus olhos se arregalaram quando ele cavou um caminho na areia por causa da repulsão. Ele rapidamente recuperou o equilíbrio e pousou com a mão no chão. Então, algo que teria chocado qualquer um dos companheiros de Arima aconteceu. Ele entrou em um ataque de tosse e a areia amarela foi tingida em seu sangue.
‘Mas que diabos…’ Arima ficou confuso pela primeira vez em um tempo. Era tão violento que ele pensou que iria vomitar sangue em vez de apenas tossir. Ele enxugou o sangue de cristal em sua boca com a mão enquanto olhava para a caverna que se aproximava mais cedo.
Antes que ele percebesse, uma figura enorme estava de pé na frente dele. Foi sem dúvida o mesmo que o atingiu do outro lado do deserto. Em poucas palavras, era um robô gigante. No entanto, “robô” foi quase um insulto para descrevê-lo. A maquinaria exposta era impecável e seus movimentos eram tão fluidos que pareciam orgânicos.
Arima se levantou e solenemente mediu seu agressor. Ele tinha trinta metros de altura, placas pretas de metal cobrindo seu corpo, um rosto humano e várias armas discretas de longo alcance no ombro, peito, braços e pernas.
— Essa coisa tem uma aura. Está vivo. — Krynox observou. Sua voz também estava cheia de descrença.
— Máquinas vivas não são tão surpreendentes, mas… — Arima inalou quando ele finalmente recuperou o fôlego após o golpe anterior. — Este é muito forte. Como diabos uma máquina pode alcançar o Rank Original?
— Tenha cuidado, este provavelmente está no mesmo nível que os Criadores.
— Eu sei — murmurou Arima e seu pingente queimou. Os olhos do crânio se iluminaram, as correntes racharam e a eletricidade acendeu em torno dele. — Não posso brincar.
O selo foi totalmente liberado e o pingente literalmente se fundiu com seu corpo.
O lado oposto sentiu o aumento do poder e imediatamente se preparou para se envolver. Seus olhos circulares mudaram de verdes para vermelhos e lâminas pretas emergiram de seus pulsos.
Trovões rugiram e alguns tornados de areia se formaram à distância enquanto nuvens escuras enchiam o céu. Arima invocou Natus e um par de espadas relâmpago apareceu em suas mãos.
Os dois oponentes silenciosamente se entreolharam. Foi só quando um raio atingiu o espaço entre eles que eles finalmente se moveram.
A primeira troca que ocorreu entre eles foi quase incompreensível. Em um ponto, eles estavam parados e, no outro, trocaram de lugar. O robô não apresentava absolutamente nenhuma mudança, mas, em contraste, o ombro de Arima havia sido clivado.
— Isso não vai ser fácil… — Krynox disse e Arima concordou interiormente quando sua lesão terminou de cicatrizar. Ele inalou e começou a se mover para sua ação.
O mundo ao seu redor desacelerou em seus olhos, mas o robô estava tão lívido como sempre. Ambos estavam acelerando o tempo dentro de seus corpos. Além disso, ambos eram capazes de se teletransportar nessa condição. Os dois desapareceram e reapareceram em algum lugar longe da caverna onde haviam começado.
As lâminas negras provocavam uma explosão toda vez que se chocavam. Mas eles nunca poderiam realmente detonar, já que mesmo antes que pudesse produzir uma faísca, Arima e o robô já haviam balançado suas armas centenas de vezes.
Com cada um dos balanços de Arima, um ‘Aeterna’ seria conjurado. Como ele se tornou o Deus da Noite Eterna, esse poderoso ataque dele poderia ser lançado tão facilmente quanto respirar. Mas o robô o cortava como se não fosse nada.
Em um ponto, Arima descartou uma de suas espadas e seu braço ficou coberto de escamas negras de cristal.
— [Terminus Confractus] (Quebra de Limite) — ele cantou silenciosamente e deu um soco que caiu bem no meio do peito do robô.
Quando isso aconteceu, o tempo voltou à sua velocidade normal e como o robô foi enviado voando, as inúmeras explosões causadas pela luta poderiam finalmente ocorrer. O robô caiu bem no meio de uma e fez com que ele se espalhasse.
Arima suspirou e suas escamas se retraíram dentro de seu braço. Ele ignorou completamente o caos de energia ao seu redor e manteve os olhos fixos em seu oponente. Depois de alguns segundos, o robô saiu lentamente da tempestade de areia transformada em vidro sem danos aparentes.
Arima estalou a língua.
— Esse desgraçado é durão. Mesmo um soco a 200% de força apoiado com um impulso do próprio tempo não pôde sequer danificá-lo.
— De fato…
O robô preparou suas lâminas mais uma vez e Arima estendeu a mão livre. Mana começou a se reunir em torno dele e em pouco tempo, uma formação mágica já estava pronta para ser lançada.
—[Estuans Sors] (Destino Ardente). — Uma enorme bola de fogo azul surgiu e de repente explodiu cada explosão que acontecia. A areia de todo o deserto se transformou em vidro por centenas de quilômetros e as nuvens escuras do céu foram queimadas e substituídas por chamas azuis.
O domínio de Arima de suas Artes era inacreditável agora. Cada Arte do Demônio Gentil classificada abaixo da Segunda poderia ser conjurada em um instante e, quanto ao resto, elas só precisavam de uma única palavra-chave.
A Primeira Arte Azul cercou o robô com um tornado de chamas. Os olhos da máquina viva analisaram a estrutura da magia em um segundo e liberaram um campo de força que a explodiu instantaneamente.
Arima franziu a testa quando sua magia de fogo mais forte foi eliminada assim. Natus girou e desconstruiu a magia que foi usada, mas Arima não conseguiu uma leitura boa o suficiente para copiá-la.
— O que é isso? Telecinesia?
— Parece que sim. Mas isso não é uma simples telecinese. Atingiu o nível de manipulação da matéria. Não perca o foco, essa é uma habilidade perigosa.
Como se para provar as palavras de Krynox, o robô de repente correu com uma explosão de telecinese e apareceu bem na frente de Arima.
Este último não conseguiu reagir a tempo e mal conseguiu levantar sua espada para bloquear a lâmina que chegava. Ele até dragonizou os dois braços, mas isso foi em vão quando a espada negra gigante perfurou a dele e o esfaqueou no peito. Mas não foi apenas isso, o robô empurrou a lâmina presa ao pulso ainda mais até que seu punho acertasse.
Arima engasgou e a força do golpe puxou com força a lâmina para fora de seu corpo enquanto ele era jogado no ar até fazer uma cratera no vidro que agora compunha o chão. Alguns pedaços quebrados até perfuraram seu corpo.
Os olhos de Arima foram arregalados ao máximo. Fragmentos de vidro perfuraram seus membros e cintura e a maioria de seus órgãos internos foi gravemente sacudida.
‘Puta m… essa coisa quebrou meus corações e a telecinese apertou todos os órgãos’. Ele pensou enquanto construía uma nova formação em sua mente. ‘[Vashta Nerada] (As sombras que derretem a carne).’
A Quarta Arte Negra imediatamente envolveu seu conjurador em uma grande esfera de sombras. O robô de repente parou para ler a magia, mas a esfera se expandiu antes que ele pudesse e o prendeu dentro de uma cúpula gigante da escuridão.
…
Arima então prontamente saltou da cúpula enquanto fazia o vidro esfaqueando seu corpo se desintegrar. Seus corações estavam bombeando e curando seu corpo até o ponto em que já não havia nenhuma lesão visível em seu corpo. Até suas roupas foram consertadas.
— Que pena para você. É difícil matar um imortal. — Arima proferiu e apontou a mão para o céu. As chamas no céu se reuniram em uma para formar um crânio risonho com olhos roxos.
No instante seguinte, um poderoso pulso de espírito dissipou Vashta Nerada. Arima riu ironicamente.
‘Sério? Você pode afetar substâncias intangíveis com sua telecinese? Isso está muito errado, cara.’
O robô estava ileso como de costume. Ele olhou para cima em direção a Arima e numerosos mini-lançadores se abriram em seus ombros para revelar cabeças de foguete.
A expressão de Arima se contraiu. Ele já podia sentir a ameaça. Na verdade, ele podia sentir do que era feito.
‘Metal mais forte de todos os tempos, vitrênio comprimido a um milésimo… Cada um deles tem um poder equivalente a um buraco negro em colapso.’
— Oh merda… provavelmente vai impulsionar isso ainda mais ao quebrar sua composição com telecinese.
Arima gemeu e cerrou o punho. O aspecto final da Primeira Arte Azul foi iniciado. O crânio em chamas caiu do céu exatamente quando o robô disparou seus foguetes.
Os dois ataques atingiram seu alvo ao mesmo tempo. Os foguetes explodiram em uma espécie de raio apagador; dez mil vezes pior do que um buraco negro. Ele primeiro se expandiu para fora de seu epicentro antes de encolher e implodir.
Do outro lado, as chamas azuis se transformaram em um inferno devastador de calor e destruição. O vidro que havia sido inicialmente convertido da areia literalmente derreteu em nada desta vez. O ar tornou-se vazio e até mesmo o próprio espaço-tempo parecia se tornar instável por causa da energia constantemente liberada.
O cenário do deserto se transformou em um ataque caótico entre uma espécie de matéria negra e chamas azuis sagradas.
Depois de longos minutos de explosões contínuas, uma figura emergiu repentinamente à medida que o tempo diminuía. Era o robô sombrio. A maior parte de sua blindagem foi deformada por causa do calor que sofreu e parte da integridade de seus circuitos internos foi comprometida.
O robô estendeu a mão depois de observar as explosões em câmera lenta por um momento. Quando isso aconteceu, tudo começou a se reunir em um único lugar. A máquina viva então cerrou o punho e finalmente desapareceu.
Os elementos voltaram ao normal e não havia vestígios mágicos. O robô estava prestes a sair quando não conseguiu mais localizar seu oponente quando ouviu duas palavras sendo ditas.
— [Comoediae Mundi] (Comédia Mundial).
A voz soou mais como um rosnado do que qualquer outra coisa. Antes que pudesse reagir, o robô foi perfurado por uma garra gigante. Tudo o que aquela garra tocou se transformou em nada.
A mente do robô começou a passar por inúmeros erros sobre seu sistema. Ele lentamente olhou para trás para ver um demônio de cinquenta metros de altura vestindo um manto rúnico. Pele preta ao redor do pescoço, pulsos e tornozelos, e dois conjuntos de chifres. Nunca tinha visto tal criatura antes, mas reconheceu o pingente de cruz de seis braços.
Os olhos serenos e inspiradores do demônio fizeram com que o ser feito de metal sentisse admiração pela primeira vez.
Arima apertou os olhos e puxou o braço. O robô usou sua telecinese para permanecer flutuando, mas ainda cambaleou um pouco. Seus componentes internos vazaram uma mistura de metal líquido e nanomáquinas altamente avançadas.
Arima e o robô se entreolharam até que o último não aguentou mais e caiu no vidro abaixo, fissurando-o por quilômetros.
Arima pousou perto dele e dobrou seus dois pares de asas híbridas emplumadas. Ele ergueu a palma da mão e estava prestes a concluir essa luta quando suas quatro pupilas se estreitaram e ele se teletransportou.
De onde ele reapareceu, ele assistiu estupefato quando um cachorro, um golden retriver, se aproximou do robô abatido. Ele choramingou e acariciou a cabeça uma e outra vez. Os gemidos gradualmente se tornaram mais altos até que o robô conseguiu redirecionar energia suficiente para mover seu braço.
Arima deu um passo à frente para intervir antes de congelar em seus rastros.
O robô gentilmente acariciou o cão com o dedo. Ele não atacou ou perseguiu o pequeno animal. Seus olhos até voltaram para o verde, quase fazendo-o parecer gentil.
— O… o quê? — Krynox estava confuso.
— De onde vem esse filhotinho? — Murmurou Arima. O que foi ainda mais surpreendente foi como esse cão ainda estava ileso depois de tudo o que aconteceu durante o combate. Arima não conseguia sentir nada em particular dele. Ele parecia exatamente como um cão normal.
— Espera… — Arima então notou que a caverna que ele queria verificar mais cedo estava agora perto dele novamente. — Essa coisa ainda está intacta. Este cão ficou lá durante toda a luta? — Ele se perguntou e tocou as paredes da caverna. Estranhamente, fez um barulho estridente quando sua garra a arranhou.
— Isso é feito de metal… — Arima juntou os pontos e olhou para o robô em choque. Ainda estava acariciando o cachorro que agora abanava o rabo para frente e para trás. — Agora que eu olho mais claramente… esse robô parece não ter algumas partes. Reciclou-se para construir um abrigo para o cão?
Enquanto refletia sobre esse fato, ele lentamente retornou à sua forma humana. O robô então olhou para ele antes de colocar a mão na frente do golden retriver como se ele quisesse protegê-lo.
Arima não sabia o que fazer. Ele apenas deu um passo para trás e suspirou.
— Eu não vou machucá-lo, não se preocupe — disse ele. Ele se sentiu culpado. Não era porque as pessoas agora o chamavam de Deus que ele tinha a resposta para tudo.
Ele não tinha ideia de que essa máquina estava realmente lutando contra ele para proteger o que provavelmente era seu único amigo neste Fragmento.
‘O tempo é irrelevante neste lugar. Há quanto tempo estão juntos? Décadas? Séculos?
— Não se culpe. Você não poderia saber.
— Eu sei… — Sussurrou Arima. Ele estremeceu quando viu as luzes nos olhos do robô piscando, ameaçando se desligar a qualquer momento. — O que eu odeio é o fato de que não posso mais ajudá-lo.
— Vocês não pode fazer nada? Por que?
— Ele… ele não tem alma por si só, eu não posso ressuscitá-lo. A magia da vida não vai funcionar com ele e nem me faça começar na magia do tempo. Normalmente, eu teria sido capaz de rebobinar seu corpo, mas estamos em um Fragmento de Paradoxo… Mesmo que eu o tire daqui, o rebobinador ficará preso no estado em que ele deixou o Fragmento. A última alternativa seria consertá-lo diretamente. Eu poderia tentar, e eu provavelmente poderia ter sucesso. Mas eu destruí seus componentes principais. A IA está sendo formatada lentamente. A mesma IA que ganhou emoções… é algo que eu não posso restaurar porque é nada menos que um milagre.
O robô deu um tapinha no cão uma última vez antes que seus sistemas não pudessem mais alimentá-lo. Seu braço caiu no chão com um baque alto. Logo depois, seus sensores visuais diminuíram e o cão o cutucou com a pata em confusão. Quando as luzes verdes finalmente se apagaram, o golden retriver parou. O animal não estava sem noção. Quando ele viu a luz desaparecer, ele sabia que estava acontecendo.
Arima sentou-se no chão. Ele esfregou o rosto e olhou para o céu enquanto ouvia os gemidos e gritos de angústia do cachorro. Ele não se mexeu enquanto isso continuou. Aquela criatura indefesa estava chorando por seu amigo e ele não tinha o direito de perturbá-lo.
***
Nas horas seguintes, Arima retornou à aldeia de Korna e ajudou todos a sair. Ele os trouxe de volta à sua linha do tempo e lhes deu um pequeno planeta para viver.
Pouco depois, ele levou o cão com ele de volta ao seu reino da alma. O golden retriver estava completamente silencioso. Ele sabia que Arima era quem havia matado seu amigo, mas ele não o culpou.
Arima só podia suspirar enquanto o levava para dentro da mansão. Quando ele entrou, Layla o cumprimentou com um sorriso suave. Ela parecia já ter se preparado para a chegada dele enquanto o abraçava.
— Você está bem?
Arima riu amargamente.
— Não, não estou.
— Está tudo bem. É bom admitir isso e é bom que você se sinta triste. Isso não prova a todos que você é humano?
Arima sorriu e deu um tapinha na cabeça de Layla antes de ir em direção ao jardim.
— Obrigado. Por favor, cuide do carinha para mim. Eu tenho que fazer uma coisa.
Layla assentiu antes de olhar para o cachorro mal-humorado sentado no chão. Ela suspirou tristemente. Ela já conhecia a história deste pequenino. Ela não podia olhar para o passado para entender, mas podia ver futuros alternativos onde Arima explicava para ela.
Ela se agachou e acariciou as costas do cachorro.
— Seja forte. Seu amigo estava pronto para dar a vida por você. Orgulhe-se. Seja forte… — Suas palavras pareciam afetar o animal enquanto ele dormia lentamente.
Layla o pegou e o levou para um dos sofás do salão. Ela o colocou no chão e sentou-se ao lado dele enquanto cantarolava uma canção de ninar. Sua voz sempre foi misturada com o poder das emoções. Pode deixar qualquer um relaxado.
***
Enquanto isso, Arima chegou na frente de Yggdrasil e acenou com a mão. O corpo do robô ébano foi colocado contra o tronco da árvore em uma posição sentada.
— Ei, Arima. Por que você me chamou? — Uma voz soou abruptamente. Arima olhou por cima do ombro para ver Fafnir voando em sua direção. — O que é isso? — O pequeno dragão dourado perguntou quando viu o robô.
— Eu quero que você me ajude a consertá-lo.
— Consertar? Esse robô? Você quer um guarda para a casa ou algo assim?
— Não, deixe-me reformular. Quero que me ajude a restaurar este robô. Não estou planejando reiniciá-lo. Eu quero restaurar os componentes e o corpo.
Fafnir inclinou a cabeça.
— Sobre o que está falando? Você planeja transformar essa coisa em uma decoração ou o quê?
— Mais ou menos.
— Mais ou… — Fafnir estava confuso agora. — Tudo bem… tudo bem então. Em que posso ajudar?
— Você reconhece esse metal? Krynox disse que não se lembra de nada assim. — Arima apontou para o robô gigante e Fafnir pousou em seu ombro para observá-lo.
O dragão ponderou antes de responder: — Sim. É também um material extremamente escasso. É chocante que haja alguém que tenha encontrado o suficiente para fazer um robô inteiro com isso. Chama-se Xyertium. Não é tão resistente quanto o vitrênio, mas tem uma memória de forma e é capaz de produzir os campos telecinéticos mais fortes que alguém poderia imaginar.
Fafnir mudou de lugar e pousou no buraco flagrante no peito do robô.
— Droga, os circuitos internos dessa coisa têm Qerionita líquida neles. É ainda mais raro. Você pode fazer qualquer coisa com isso. Apenas uma gota dele pode fazer uma máquina ou um dispositivo eletrônico evoluir drasticamente. Imagine um disco rígido de 100 megabytes. Bem, se você adicionar uma gota disso, ele se transforma em um disco de um bilhão de terabytes.
Quanto mais ele inspecionava o robô, mais espantado ficava Fafnir.
— Onde diabos você encontrou essa coisa, Arima? Este robô provavelmente tem poder de fogo suficiente para aniquilar algumas realidades.
— Um Fragmento de Paradoxo. Você tem algum desses materiais em seu cofre? O suficiente para restaurá-lo?
Fafnir franziu a testa.
— Sim, tenho. Mas… Vale mesmo a pena?
Arima olhou para ele e ele cedeu rapidamente.
— Tá bom, tá bom. Você não precisa ficar com raiva de mim — disse ele e convocou um portal dourado atrás dele. — Vamos fazer isso. Vamos começar com o núcleo. Se não me engano, a fonte de energia desta coisa era uma Joia das Estrelas. Um sistema estelar comprimido no tamanho de uma pequena joia…
***
Mesmo com os inúmeros artefatos que Fafnir possuía e sua capacidade de auxiliá-los, Arima e ele ainda levaram uma semana para terminar. Durante o processo, eles também encontraram um número de série no robô. Dizia ‘Ark-Mk2’. Ao mesmo tempo, o golden retriver foi nomeado ‘Noah’ por Layla.
Assim, quando a restauração de Ark terminou, Arima trouxe Noah para ver o resultado final. Quando o cão viu o robô perfeitamente renovado, ele soltou um gemido e lentamente subiu em suas pernas antes de se enrolar.
Arima pretendia partir depois disso. Quando ele estava prestes a sair do jardim, um latido redirecionou sua atenção. Ele olhou para trás e viu Noah olhando para ele. Ele latiu mais uma vez como se estivesse agradecendo antes de se deitar. Arima sorriu e estalou os dedos. A noite caiu imediatamente no jardim e ele saiu.
Quando Noah adormeceu, e apenas o farfalhar das folhas permaneceu, ninguém estava lá para notar o braço gigante se mover ligeiramente para cobrir o animal do vento.
…