
Volume 6 - Capítulo 263
Life Hunter
— Mas que mer…
Baphomet ficou boquiaberto com o jardim sem fim; cheio de trepadeiras verdes pulsantes, árvores, flores e até animais selvagens de aparência graciosa. O ar estava cheio de energia e luzes de cores diferentes flutuavam ao redor.
O céu e as nuvens foram substituídos por um oceano imensuravelmente vasto que continha o que pareciam ser centenas de estrelas, bem como um sol esmeralda muito grande.
De tempos em tempos, “abaixo” da superfície da água, uma figura gigantesca podia ser vista colocando a cabeça para fora antes de mergulhar novamente. A besta gigantesca era intimidante o suficiente para fazer alguém imaginar que poderia engolir um planeta como um todo.
Além disso, Baphomet não podia ignorar a serpente aparentemente imensurável que estava literalmente deitada sobre algumas nuvens estranhas para dormir.
— Rak-Loyra, Jormungand; as Bestas Divinas… — Baphomet sussurrou. Ele viveu o suficiente para ouvir sobre elas; sem mencionar que seu pai era uma delas.
Enquanto o demônio cabra estava tentando recuperar sua mente, ele ouviu um som de asas batendo e olhou em direção à fonte.
Veio de uma besta magnífica que se assemelhava a um dragão do céu. A criatura tinha dois pares de asas brancas emplumadas, outra camada de penas no resto de seu corpo e uma camada final de escamas sobre sua barriga.
Baphomet franziu a testa.
— Esta energia; eu reconheço você. Você não era a Origem?
Deva soltou um rosnado suave de aprovação e voou para longe. Ela então olhou para trás por um segundo e sugeriu uma certa direção com seus olhos azuis.
— Hm? — Baphomet exclamou confuso e se virou para ver ao que ele estava de costas por todo esse tempo. — Sério mesmo?
Arima disse ‘mansão’. Isso certamente poderia ser chamado de mansão se você estivesse pronto para não se preocupar. Todo o edifício era maior do que qualquer castelo existente. O exterior parecia uma fusão intrincada entre uma casa de alta tecnologia com uma presença predominante de vitrais e um edifício monumental muito refinado com pilares e estátuas de granito.
A estrutura geral da casa era bastante geométrica e foi interessante notar que um dos ‘cortes‘, telhados planos separados, era atualmente usado por Deva para dormir. Seu lugar na casa parecia tão natural que parecia que foi feito para ela. O que não estava incorreto.
Baphomet olhou para a porta da frente que era grande o suficiente para recebê-lo. As paredes ao redor eram feitas de granito branco-pérola que tinha sido gravado com diversos padrões que iam de algo simples como uma flor a um dragão majestoso. Tudo simétrico.
Baphomet também não deixou de notar que tudo havia sido encantado até o limite. Havia até alguns materiais que ele não conseguia reconhecer. A madeira usada definitivamente não era normal, o granito ainda menos, e o vidro parecia ser mais resistente que o mithril.
O demônio até se sentiu um pouco pressionado pela ‘aura’ que a mansão exalava.
— Hã? Temos um convidado?
Uma voz rouca soou quando alguém abriu a porta. Baphomet quase se engasgou quando viu quem era. Ele não podia acreditar no que via!
— Que diabos você está fazendo… pai?
Sebasfiel, em seu traje de mordomo, arregalou os olhos. Ele piscou enquanto examinava Baphomet. Então, ele começou a rir. Uma risada que fez Jorga acordar e Apana colocar a cabeça para fora do oceano para olhar para ele.
— Então, ele reviveu você no final, hein? Filho. — Sebasfiel proferiu e riu novamente.
Baphomet gemeu e seu pai finalmente começou a se acalmar.
— Ahem, desculpe. Eu me empolguei. Fico feliz em ver que está vivo.
— Essa é a primeira coisa que você tem a dizer ao seu filho depois de seis mil anos? — Baphomet fez uma careta e Sebasfiel se conteve de rir novamente.
— Nós dois sabemos que não somos tão íntimos — disse o mordomo e sorriu com uma expressão solene pela primeira vez em muito tempo. — Mas, estou realmente feliz em vê-lo vivo.
Baphomet pareceu surpreso com o tom de seu pai e grunhiu em resposta.
— E então? Você pode me dizer o que está acontecendo?
— O que? Não tá na cara? Arima não te disse que estamos construindo a casa dele? Estamos ajudando Lady Layla. Você também pode vir dar uma mãozinha. Bem, embora esteja praticamente pronta agora. — O velho disse e então percebeu algo. — Ah, mas antes disso, talvez você queira assumir outra forma. Digamos que você é bastante ‘intimidante’, além de ser muito grande, você arriscaria bagunçar as coisas por dentro. E, acredite em mim, você não quer ver a Lady Layla zangada.
Baphomet franziu a testa, evidentemente confuso sobre como alguém poderia ser assustador para alguém como seu velho.
— O que você quer dizer?
Sebasfiel estremeceu ao pensar nisso.
— Há alguns dias, ela nos ordenou ir buscar um pouco de Uyzre, a Pedra da Origem da Vida. Demorou cerca de vinte horas para encontrar alguns. Quando voltamos, estávamos bastante exaustos, para dizer o mínimo. Era Sir Malum que estava carregando a pedra. Veja, essa coisa é pesada. Muito pesada. Talvez mais pesada do que várias galáxias combinadas. Sir Malum estava ficando irritado com o peso e estava prestes a jogar a pedra ao custo de bagunçar um pouco o solo ao redor da casa. Então, uma luz explodiu instantaneamente do nada e Lady Layla já estava olhando para Malum antes que ele pudesse fazer qualquer coisa — o mordomo estremeceu novamente. — Depois disso, fiquei horrorizado demais para assistir, então desviei os olhos para não olhar enquanto Sir Malum chorava de angústia. Acredite em mim, filho, esse homem é mais forte do que eu, de longe. Pense sobre isso.
Baphomet ficou inevitavelmente surpreso ao ouvir isso e olhou para seu pai trêmulo.
— Tá bom. Mas isso foi culpa dele por tentar derrubar a pedra…
Estranhamente, Sebasfiel começou a balançar a cabeça.
— Espere, eu não terminei. Você sabia? Desde que começamos a construção, nem um único erro foi cometido. Sabe o porquê?
—…por quê?
— Porque Lady Layla previa o erro antes mesmo que pudesse ser cometido e punia severamente aquele que estava prestes a cometer o erro. Marque minhas palavras, era sobre isso. Eles não foram punidos por algo que fizeram, eles foram punidos por algo que estavam prestes a fazer. Imagine o quão assustador isso é.
Baphomet olhou fixamente para o velho e suspirou.
— Entendi — ele proferiu e lançou uma magia sobre ele. Seu corpo encolheu e adotou uma aparência mais humana. Suas pernas ainda eram semelhantes às de cabras e ele ainda possuía chifres, mas o resto de seu corpo era o de um humano comum. Ele tinha pupilas retangulares e seu cabelo preto era tão longo que chegava aos joelhos.
— Satisfeito?
— Muito — Sebasfiel assentiu e começou a olhar para algo atrás de Baphomet.
— Você foi rápido — disse ele.
Os olhos de Baphomet se arregalaram quando ele se virou para ver Arima seguido por Baba Yaga e Loren. Apana, que estava nadando no oceano, emitiu um grito de felicidade quando o viu, e Jorga também reconheceu sua presença antes de voltar a dormir com um bocejo.
— Sim, foi uma pequena viagem de qualquer maneira — Arima respondeu a Sebasfiel quando Loren, ao lado dele, começou a inspecionar as plantas do reino da alma.
— Isso é incrível — observou o jardineiro recém-nomeado enquanto escovava a folha de uma planta com os dedos. — Essas plantas estão cheias de vida, energia e até mesmo leis. Esta é a primeira vez que vejo tantas reunidos em um só lugar.
Loren parecia ser mais fascinado por uma única folha do que pelo resto da paisagem. Baba Yaga foi severamente afetada. No momento em que ela entrou no reino da alma, sua expressão congelou.
Arima olhou para os dois e encolheu os ombros. Ele deixou Loren e Baba Yaga com suas palhaçadas antes de caminhar em direção à entrada.
— Siga-me, Baphomet — disse ele e o demônio cabra levantou uma sobrancelha antes de obedecer.
Sebasfiel sorriu e abriu a porta para os dois entrarem. Quando ele entrou, a expressão de Baphomet se contraiu quando seus olhos rolaram lentamente para cima. Ele só podia ver o telhado depois de inclinar totalmente a cabeça para trás.
O telhado tinha pelo menos trinta metros de altura e, além disso, também era feito de vidro, vidro esculpido, que parecia imune ao calor gerado pela luz proveniente das estrelas e do sol esmeralda do lado de fora.
O salão da ‘mansão’ parecia ser a sala de estar, que era, aliás, gigantesca. Para dar uma comparação, a sala tinha mais superfície do que qualquer campo esportivo na Terra.
Dentro dele, havia muitos, muitos tipos de decorações e móveis. Sofás extravagantes, cadeiras, mesas, cerâmica de aparência deslumbrante, pinturas, armas ornamentais; tecnologia moderna, como TVs, lustres elétricos…
Mas isso definitivamente não foi a coisa mais impressionante. Na verdade, havia alguns objetos muito grandes “colocados” nesta sala de estar. Para ser exato, eles estavam pendurados no telhado de vidro.
Esses objetos somavam um total de doze. Eram coisas que você não esperaria ver em uma casa. Primeiro de tudo, houve uma reconstrução completa do esqueleto do Tiranossauro Rex. Depois, havia um velho modelo de avião da Terra, um sistema Eion embelezado e outras peças valiosas da história.
Havia até mesmo uma pequena árvore cristalina no centro da sala. Arima tinha ido pessoalmente ao Reino Espiritual para tomar uma semente da Árvore Espiritual para plantá-la. O que ele tinha agora em sua casa não tinha nenhum tipo de poder em comparação com a original, mas era a mais bela ‘obra de arte’ que você poderia encontrar.
— Ei — a boca de Baphomet se contraiu enquanto ele falava. — Isso está indo longe demais… Eu não te via como um homem rico pomposo que gostava de grandes decorações. Este lugar já é um maldito museu e ainda estamos na sala de estar.
Arima riu indiferentemente e caminhou em direção a um dos sofás e sentou-se. Ele deitou as costas e olhou para cima enquanto colocava um pirulito na boca. Ele sorriu maliciosamente.
— Para ser justo, nada disso foi ideia minha. Talvez tenha sido minha culpa. Eu não deveria ter dito ‘eu meio que quero construir uma casa aqui’ enquanto eu estava ao lado de Layla.
Sebasfiel riu.
— De fato, Lady Layla ficou bastante emocionada com todo esse caso desde o início até o fim. Baphomet, você realmente não pode nem imaginar o quão longe isso foi. O tamanho da casa que você pode estimar do lado de fora é apenas cerca de um milésimo da real. E foi só por causa de nós fazendo o nosso melhor para segurá-la. Além desta sala principal, há um enorme campo de treinamento, uma biblioteca contendo mais livros do que eu poderia ler na minha vida, uma piscina tremendamente grande, uma cozinha de classe lendária, centenas de quartos, um subterrâneo cheio de portões espaciais fixos para qualquer lugar na existência… e eu poderia continuar detalhando por horas. E não esquecerei de mencionar que toda esta casa tem a funcionalidade de encolher, de uma percepção externa, é claro, e se teletransportar para qualquer lugar que o proprietário desejar.
O velho mordomo riu e Baphomet suspirou enquanto se sentava em um sofá na frente de Arima.
— Estou perdido… — Ele resmungou e olhou para Arima. — O que diabos aconteceu depois daquela guerra? Você certamente não é mais humano, ou mesmo algo remotamente próximo de um mortal.
Arima bufou.
— Bom, muita coisa.
— Oh, senhor, vou dizer a todos que você está de volta — afirmou Sebasfiel e desapareceu.
Baphomet olhou para onde seu pai estava há um segundo e se virou para Arima.
— Eu honestamente me pergunto como você conseguiu que meu velho trabalhasse tão diligentemente como mordomo para você.
Arima riu.
— Ele mesmo ofereceu. Ele disse algo como ‘já que você é irmão da Srta. Ahura, você é efetivamente tanto um mestre meu do que ela é para mim’, então se tornou meu mordomo.
— O que? Você tem irmã? Espere, mais importante, você disse Ahura? Ahura Mazda?
Arima riu mais uma vez da reação confusa de Baphomet e acenou com a mão.
— Vamos manter a história para outro dia.
— Ebaa! Arima está de volta!
— Ele está.
…
Duas vozes ressoaram quando duas crianças entraram na sala de estar de mãos dadas. Uma era loira e a outra era morena. As duas eram evidentemente gêmeas e pareciam ter cerca de doze anos de idade.
Quem primeiro exclamou o nome de Arima foi a garota muito enérgica. Ela usava um vestido dourado e prateado e seus olhos dourados complementares eram muito fofos. Ela estava sorrindo brilhantemente quando se aproximou de Arima.
A segunda voz, ligeiramente monótona, originou-se do menino. Seus olhos vermelhos escuros assustadores e expressão inexpressiva pareciam um pouco com Malum, mas, em contraste, o menino era muito mais inocente e seus olhos não eram realmente afiados, apenas desinteressados e cansados. Ao contrário de sua aparente irmã, ele usava trajes pretos e vermelhos.
As duas crianças correram em direção a Arima e saltaram sobre ele sem qualquer aviso. Arima suspirou e balançou a cabeça. Ele os agarrou pelos braços e os fez sentar ao lado dele, um de cada lado.
— O que vocês estavam fazendo, Azizos, Arsu?
— Estávamos ajudando Layla a terminar o parque de diversões! — A garotinha, chamada Azizos, respondeu e Baphomet quase se engasgou quando ouviu ‘parque de diversões’.
— Hm, isso mesmo. Ela disse que poderíamos fazer uma pausa e que haveria uma surpresa na sala de estar. — Arsu complementou com seu tom levemente indiferente.
— Sim, ela deve ter visto minha chegada. Bem, eu estive fora por apenas alguns dias. Eu tive que ir verificar algo no Reino Espiritual e fiz uma visita ao Caluniador antes de buscar Baphomet e aqueles dois.
Arima apontou para a entrada com o polegar quando disse a última parte. Azizos e Arsu inclinaram a cabeça e avistaram a estupefata Baba Yaga, e o mistificado Loren enquanto olhava para a Árvore Espiritual em miniatura.
Baphomet meditou enquanto olhava para os gêmeos à sua frente.
— Arima, eles são seus filhos? — Ele perguntou e Arima contemplou.
— Bem, em certo sentido, eles são meus filhos. Mas não da maneira que você está pensando — ele respondeu enquanto dava um tapinha nas duas crianças em suas cabeças. — Eles são minhas ‘criações’, para ser exato.
— Não me diga…
— Sim, eles são a versão senciente das minhas armas gêmeas.
— Eu nem sei se devo comentar sobre isso…
— Se não sabe; então, não faça. De qualquer forma, esses dois são mais fortes do que você individualmente, sabe? E como eles ficaram ainda mais tempo do que o Karma ligados à minha alma, eles são muito poderosos no momento. As balas de Arsu irão rastreá-lo até o fim do tempo, se necessário, até que você seja atingido, enquanto as balas de Azizos literalmente perfurariam o espaço-tempo enquanto atacam. Juntos, eles formam uma combinação assustadora.
Baphomet estremeceu ao perceber a ameaça daqueles dois irmãos de aparência jovem.
— Ah, então você já trouxe o cara da cabra?
Outra pessoa chegou por uma das portas localizadas em algum tipo de segundo andar intermediário. Seu tom casual e voz baixa apontavam para uma pessoa. Malum caminhou em direção ao pequeno grupo e sentou-se.
— Malum… — Baba Yaga murmurou. Se ela não estava errada, era o nome do homem que estava prestes a ser o pai do filho de Shakti. Ela curiosamente deu uma olhada em suas feições. Um corpo alto e musculoso, cabelos brancos e olhos roxos. Suas características faciais eram muito próximas das de Arima, mas, ao mesmo tempo, pareciam completamente diferentes simplesmente por causa de suas respectivas personalidades.
— Hm? — Malum sentiu o olhar e finalmente notou a presença da velha bruxa. — Ei, Arima, por que ela está aqui?
— Bem, ela será nossa empregada chefe a partir de agora.
— Empregada Chefe… Por que precisamos de algo assim agora? Aquele velho já está fazendo seu trabalho como mordomo com perfeição.
— Adivinhe. — Arima riu. — Eu pensei que era uma boa ideia recrutar outra pessoa para ajudar Shakti a criar seu filho, você não acha?
Malum estalou a língua e desviou o olhar.
—… então você percebeu?
— Claro. Embora Layla provavelmente tenha descoberto sobre isso antes mesmo de acontecer.
— Sim, tive ocasiões suficientes para provar a capacidade de sua visão de futuro. Você não sabe quantas vezes ela ficou com raiva de mim por algo que eu não fiz.
— ‘Ainda’ — acrescentou Arima e Malum gemeu.
— Hã? Estamos tendo um bate-papo em grupo? — Noturno se juntou à conversa quando ele e Karma entraram pela porta da frente.
— Parece que sim — comentou Karma e acenou com a mão para uma das mesas da sala. Ela foi movida por uma força invisível antes de parar entre os dois sofás em que todos estavam sentados. Ela então pegou muitos tipos diferentes de aperitivos e lanches e os colocou na mesa.
— Noturno e eu estamos voltando de uma viagem a Fiarosezten. Layla nos pediu para comprar o máximo de ingredientes que pudéssemos. Passando da carne mais básica para a essência de um fantasma. Aproveitem isso.
Baba Yaga e Loren finalmente fizeram o seu caminho para se sentar com todos.
— Fiarosezten? — A velha perguntou intrigada.
— É uma galáxia — Arima respondeu enquanto cortava um bolo depois de terminar seu pirulito. — É o maior, mais influente e poderoso centro comercial desta Realidade — explicou ele enquanto provava o bolo doce.
Os olhos de Baba Yaga se arregalaram de espanto e antes que ela pudesse dizer qualquer outra coisa, Karma exclamou abruptamente: — Ah! Certo! Arima, você nunca vai acreditar no que encontramos no caminho.
Arima inclinou a cabeça em confusão e Karma sorriu enquanto apontava para Noturno ao lado dela. Ele direcionou os olhos para a besta da alma e finalmente notou algo.
Havia uma pequena criatura empoleirada no ombro de Noturno. Tinha garras pequenas e quase bonitas. Seu minúsculo par de asas abanava de vez em quando, e suas escamas douradas brilhavam com a luz vinda dos candelabros e do sol esmeralda.
Era, sem dúvida, um dragão bebê. Mas por alguma razão, o dragão tinha um olhar muito arrogante e agravado em seu rosto que Arima não deixou de reconhecer.
Os cantos de sua boca gradualmente se arrastaram para cima.
— Ei, já faz um tempo — ele cumprimentou o dragão enquanto fazia o possível para conter sua risada.
Noturno e Karma não eram uma exceção e estavam claramente divertidos com a situação, para grande confusão de todos, exceto Malum, que riu.
O dragão dourado rosnou.
— Ei, não ria. É melhor você não rir, está me ouvindo?!
Seu aviso só parecia alimentar o desejo de Arima de rir, mas ele conseguiu se acalmar e forçou uma tosse.
— Não estou rindo — ele proferiu, mas depois não conseguiu mais segurar e soltou um bufo depois.
— SEU…! — O pequeno dragão rugiu, mas seu corpo parecia ter sido drenado de sua força vital e sua voz não era realmente ameaçadora ou alta. Esta também foi a razão pela qual Arima levou algum tempo para notá-lo.
Logo após o grito do dragão, outra pessoa entrou na sala de estar/museu. Todos se voltaram para ele. O recém-chegado era um menino de cabelos dourados que parecia ter cerca de dez ou onze anos de idade.
— Ei, Gilga — Arima acenou com a mão e Gilgamesh assentiu enquanto se concentrava no dragão dourado. A razão era que a pequena criatura estava ferozmente olhando para ele.
— Você! Eu posso sentir meu Dragão de Ouro dentro de sua alma! Devolva!
Gilgamesh estava confuso sobre por que o bebê dragão estava com raiva dele.
— Hum… que dragão?
— Ouça, garoto. Esse artefato é uma estátua de ouro que eu fiz dividindo minha alma. E eu posso sentir isso dentro de você. Agora eu estou querendo de volta.
Gilgamesh estava ainda mais confuso agora, mas o dragão continuou olhando para ele.
Baphomet levantou a mão com uma expressão inexpressiva.
— Alguém pode me explicar o que está acontecendo?
Arima riu e capturou a atenção de Gilgamesh e do dragão dourado.
— Bem, sabe… Esta situação é bastante fascinante, para ser honesto. Gilgamesh é o rei mais rico que se rebelou contra os deuses. E então você tem… — Arima apontou para o dragão que zombou dele. — O dragão mais ganancioso que se atreveu a roubar dos deuses, Fafnir.
Quando Arima revelou o nome do dragão, todos exclamaram em choque e surpresa.
Arima sorriu e continuou: — Foi Layla quem selou Fafnir depois da nossa luta. Malum, que estava usando meu corpo na época, usou a teoria da Babilônia para se livrar do Dragão de Ouro a que ele está se referindo. Então, naturalmente acabou no ‘Tesouro‘ de Gilgamesh, direto do ‘Cofre‘ de Fafnir. Agora que penso nisso, esses dois têm habilidades muito semelhantes.
— Não me compare com aquele pirralho — Fafnir zombou e Gilgamesh franziu as sobrancelhas.
Arima riu.
— Eu não acho que você está em uma boa posição para dizer isso. Você gastou metade de suas posses para acionar o Olho da Discórdia naquela época, então Jorga engoliu o Ouro Nibelungen e, finalmente, você perdeu toda a sua força vital ao ser selado pela Primeira Arte Branca. Você é o mais fraco aqui de longe.
Fafnir gemeu, mas não conseguiu dizer nada de volta. Sinceramente, Fafnir não era fraco. Na verdade, se ele não tivesse sido derrotado por Arima logo depois que ele saiu de seu sono milenar dentro do núcleo de Fantasia, ele teria facilmente se tornado uma potência no nível dos Guardiões. E com a maldição do Ouro Nibelungen, ele teria sido capaz de sempre reviver mais forte do que antes.
— A propósito, como você o encontrou? Ele deveria ter sido selado por muito mais tempo normalmente — Arima perguntou a Karma.
— Na verdade, nós o encontramos enquanto estava selado. O “casulo” em que ele estava preso estava sendo leiloado em Fiarosezten. Então, compramos e Noturno desfez o selo depois de garantir que Fafnir estivesse enfraquecido o suficiente.
— Entendo — Arima assentiu e olhou para o dragão fazendo beicinho. — Fafnir.
— Ah? O quê? Você quer me selar de novo?
— Não. Francamente, eu não acho que você seja tão mau se omitirmos o fato de que você quer roubar todo o ouro do mundo e se vingar dos deuses. Você é apenas um sujeito bastante direto, eu acho. — Arima disse categoricamente e todos sorriram enquanto Fafnir o encarava com um olhar confuso.
— Aonde você quer chegar?
— Simples. Seja um bom menino e eu posso pedir a Jorga que lhe devolva o Ouro Nibelungen.
— Eu acho que é razoável, mas eu não gosto de como você disse isso.
— Apenas prometa que você não matará e prejudicará injustamente as pessoas por sua ganância e eu vou perdoá-lo e poupá-lo de ser torturado em Kymestuos.
— Kymestuos?
— Meu inferno.
Fafnir ficou em silêncio. Ele parecia estar considerando seriamente isso.
— Eu posso prometer… mas quero que você me permita roubar de idiotas merecedores pelo menos.
— Se por idiotas você quer dizer criminosos, com certeza. Vou até contratar você nesse caso.
— Me contratar?
— Sim. Eu irei te nomear como “Guardião de Kymestuos”, juntamente com Chulainn Kerberos, que eu já nomeei como “Cão de Kymestuos”.
— Hmm, quais são minhas vantagens?
— Eu lhe darei força e você terá permissão para supervisionar os prisioneiros e tomar suas posses para si mesmo, se quiser. Considerando que o Kymestuos está conectada a cada Realidade, você basicamente terá uma riqueza ilimitada.
— EU ACEITO! — A voz de Fafnir provavelmente nunca foi tão entusiasmada como essa em toda a sua vida.
Arima sorriu.
— Então, eu lhe dou as boas-vindas, Guardião. Você também atuará como meu tesoureiro, já que ama tanto o ouro.
Malum bufou.
— Esta aberração não tem realmente nada além de ouro em sua cabeça.
— Me chame do que quiser. Minha crença é que o ouro e a riqueza são os ápices da vida. Isso é quem eu sou, e isso é o que eu sou — disse o pequeno dragão com orgulho.
— Mantenha sua busca por ouro sob controle, Fafnir-chan — uma voz feminina suave ressoou.
— ‘Chan’? Esse honorífico humano? — Fafnir ergueu uma sobrancelha. — Quem se atreve a me chamar assim? — Ele se virou e congelou ao se deparar com o sorriso meio malicioso e meio divertido de Layla. Atrás dela estavam Aergia, Ahura, Evangeline e Shakti.
— Garotinha… — Fafnir grunhiu. — Parece que você percorreu um longo caminho desde que me selou, hein?
— Claro que sim, Fafnir-chan.
— Pare de me chamar assim.
— Por quê? Por alguma razão, senti que seria adequado para você na perfeição dessa forma. Eu não estava errada nem um pouco.
— Hmph, zombe de mim o quanto quiser. Assim que recuperar meus poderes, voltarei a ser o mais poderoso Dragão Dourado de Sangue Puro.
Layla sorriu novamente e se virou para o marido.
— Arima.
— Hm?
— Você poderia, por favor, algemar a alma de Fafnir-chan para que ele não possa ficar maior?
— Claro — Arima riu e estalou os dedos.
Fafnir não conseguiu reagir a tempo, pois sentiu sua alma sendo substituída.
— Ei! Arimane!
— Não se preocupe, sua força não será afetada.
— Mas essa não é a questão!
— Desculpe, não posso recusar minha esposa.
— Droga… estúpido… — Fafnir começou a xingar, mas então as palavras de Arima alcançaram sua linha de pensamento. — Espera, o quê? Sua esposa? Você é casado? Sério? Com essa garotinha? Você é doido?
Ahura, Shakti e Evangeline se entreolharam e inconscientemente olharam para Layla quando ele disse isso. Eles haviam notado anteriormente que sua expressão endureceu quando ela ouviu ‘garotinha’. Agora que Fafnir havia dito isso pela segunda vez, nenhum deles queria ficar ao lado dela enquanto ela desencadeava uma torrente de magia do Tempo.
Aergia piscou e bocejou. Ela foi para um sofá desocupado e adormeceu enquanto ignorava os sons de dor genuína e medo que Fafnir estava emitindo.
Todos fecharam os olhos para o sofrimento do pequeno dragão e começaram a conversar novamente.
— A propósito, parabéns Shakti — disse Arima e a futura mãe corou. Layla também parou de atormentar Fafnir e o deixou desmaiado no chão com espuma saindo de sua boca.
— Obrigada — ela respondeu e os olhos de Evangeline e Ahura se arregalaram.
— Uau… você nunca nos contou.
Shakti sorriu timidamente.
— Bem, só faz uma semana.
Ahura inclinou a cabeça e se virou para Malum com um olhar severo.
— Ei.
Ele fechou a cara.
— O quê?
— É melhor você não trair os sentimentos dela. Shakti é muito mais do que você merece. Valorize-a. Mesmo que você seja tecnicamente meu irmão também, não hesitarei em te partir em dois se você alguma vez machucá-la.
Malum rosnou e desviou o olhar.
— Sim, eu já sei disso. Cala a boca.
Shakti riu enquanto observava sua reação. Arima sorriu enquanto levava uma xícara de chá aos lábios: — Desde que Layla começou… esplêndida demonstração de um tsundere, Malum.
Os olhos de Malum se contraíram quando sua aura disparou e sua mão direita ficou esquelética.
— Você quer morrer, Arima?
— Você pode tentar.
— Lembra de onde estamos? E quem eu sou? Eu poderia invadir sua alma e tentar consumi-la por dentro como nos velhos tempos.
— Agora, isso seria ruim para nós dois, Esqueleto.
A aura de Malum aumentou novamente com a menção de seu antigo apelido. Mas antes que ele pudesse fazer qualquer outra coisa, Layla o fez parar com o olhar. Isso significava que ela ‘viu’ que ele obviamente destruiria algo na casa se ele continuasse.
Malum estalou a língua e retraiu a aura. Arima riu levemente.
— Pobre rapaz. Vítima de sua provocação. — Krynox, que estava em silêncio até agora, comentou.
— Animado como sempre. — Uma décima sexta pessoa saiu de uma escada que levava ao subsolo da casa. Era um cão de três cabeças do tamanho de um cavalo.
— Bem, com tantas pessoas se convidando.— Arima olhou para o cão de três cabeças. — É obrigado a ser animado, Chulainn.
— Certo — o Cão do Inferno riu e sentou-se perto do grupo.
— Falando nisso, Chulainn. — Layla ergueu a voz. — Você acabou de usar um dos portais subterrâneos, certo? Como foi?
— Perfeito. Eu não senti nenhum desconforto e foi instantâneo. É incrível como você conseguiu vincular toda a Existência com aqueles portais. Como é que você fez aquilo?
— Bem, Arima me deu controle sobre suas cruzes e eu usei a estrela de nêutrons esmeralda combinada com meus insights de espaço-tempo para fazê- los. Eu também pedi a Jorga para ajudar um pouco.
— Hm, digamos, todos vocês estão dizendo ‘Jorga’, mas de quem vocês estão falando? — Baphomet perguntou.
— Eu. — Uma voz foi subitamente transmitida à mente de todos. — Para ajudá-lo a entender, eu sou a grande serpente que você viu lá fora.
Logo depois que Jorga falou, um grito baixo ecoou em suas cabeças. Era muito alto e todos sentiam como se uma baleia estivesse gritando em seus ouvidos bem ao lado deles.
— Essa era Apana, a grande baleia que você viu nadando no Oceano da Alma — explicou Jorga a Baphomet, que assentiu estupefato.
— Oh, certo, Arima, olhe para isso — Layla lembrou de algo e entregou um pergaminho ao marido. — É o mapa atual da casa. Ele será atualizado automaticamente quando algo for adicionado.
Arima agarrou e desenrolou. Ele assobiou enquanto inspecionava o conteúdo.
— Honestamente, você foi longe demais.
— Acho que não. Não deveria ser nada menos do que isso para você.
— Hm-hmm, mas… o parque de diversões e a praia artificial eram realmente necessários?
— Foi o que eu disse a ela!! — Aergia gritou enquanto se levantava do sofá antes de cair novamente, dormindo. Todos olharam para ela. Parecia que, para alguém tão naturalmente preguiçoso quanto ela, tinha sido tão traumatizante trabalhar que ela até teve pesadelos com isso.
Ao mesmo tempo, Sebasfiel finalmente voltou depois de terminar para informar a todos. Ele também trouxe sete pessoas com ele em seu teletransporte.
Um deles era Azes, que se familiarizou com todos depois que Layla montou os portais. O segundo foi Flavio e o terceiro convidado foi surpreendentemente Lifa junto com seu pequeno gato, Deki.
Quanto ao motivo pelo qual Lifa estava lá; quando Layla fez o primeiro portal para testar sua eficácia, ela o fez aparecer bem no meio da casa real dos elfos e Lifa foi quem passou por ele. Assim que todos a conheceram, todos se apegaram a ela. Até Malum foi obrigado a sorrir na frente de sua alegria brilhante.
Duas das pessoas restantes eram o casal; Jin e Evergreen. A razão pela qual Jin estava lá é óbvia. Jin era essencialmente o melhor amigo de Arima.
E, finalmente, o último casal foi Arister e Ferzia, que estavam oficialmente namorando.
— Sir Raylein e Sir Ganesha não estavam disponíveis e não vieram. — Sebasfiel comentou e Arima assentiu, acenando para que todos se sentassem.
— Bem, todo mundo está aqui. Quase. Agora, vocês podem me dizer por que nos reunimos de repente?
A pergunta de Arima deixou todo o grupo perplexo.
— O que? Pensei que foi você quem disse a Sebas para reunir todos — disse Ahura.
— Ah — exclamou Sebasfiel. — Peço desculpas. Não me pediram para fazer isso. Eu não sei por que, mas eu senti vontade de fazer isso.
Mais de vinte pares de olhos o encararam abruptamente enquanto ele ria desajeitadamente.
—…bem, já que estamos todos aqui. Vamos fazer um brinde, pelo menos, então acho que vou fazer uma visita guiada à casa. — Layla riu e estalou os dedos. Uma sombra apareceu na frente de todos. Mesmo na frente do rabugento Fafnir. — Isso é um suco vindo do fragmento da Árvore Espiritual ali.
— Hmm — pensou Flavio enquanto estudava o conteúdo de sua xícara. Era um líquido semelhante a um cristal que continha algum tipo de fonte de luz autossuficiente. Foi bastante sedutor.
Lifa cheirou a xícara e seus olhos brilharam.
— Isso cheira bem.
— De fato, nunca senti um perfume melhor do que este. — Arister comentou e Ferzia assentiu.
— Bem, não é álcool, mas acho que não é importante — Jin encolheu os ombros e Evergreen parecia estar intoxicada pela fragrância. Como uma dríade, a energia natural contida em sua xícara era bastante avassaladora.
Azes suspirou.
— Honestamente, quem pensaria que eu chamando você para outro mundo levaria a isso. Os mistérios da vida, não é?
Arima sorriu e ergueu a xícara.
— Saúde.
— Saúde!
Todos sorriram e esvaziaram os copos de uma só vez.