Life Hunter

Volume 5 - Capítulo 258

Life Hunter

Quando Arima abriu os olhos, ele estava de pé no meio de uma cidade movimentada. Ele definitivamente não esperava isso enquanto suas pupilas arredondavam e dilatavam. A razão para isso foi que ele reconheceu a cidade em que estava. Ele sabia sobre essas ruas, estradas, edifícios e lojas.

Arima olhou fixamente para os carros que passavam na frente dele e olhou em volta.

— Não há erro… esta é a Terra — ele murmurou e pensou em algo enquanto corria para um escritório de jornal e olhava para a data.

— É sério?… — Seus olhos não podiam deixar a data. 14 de dezembro de 2055. Este foi o dia em que ele completou dezoito anos e também o dia em que Scatha e Tieria foram mortos pela Semente do Caos de Karaskan.

Voltar no tempo não era realmente algo difícil de fazer. Às vezes acontecia até por engano, mas o que realmente chocou Arima foi que essa situação significava que ele estava no mesmo mundo que seu eu mais jovem. Não deveria ser assim. Não só por causa de paradoxos, mas simplesmente porque não se pode viajar em sua própria linha do tempo.

— Que diabos… isso é um sonho?

— Essa é talvez a primeira vez que eu já ouvi você dizer essa frase. — Quando a voz de Krynox ressoou em sua cabeça, Arima sabia que não era tão simples.

— Krynox, o que está acontecendo? — Ele falou em voz alta e para o transeunte nas ruas, ele parecia estar falando sozinho.

— Eu mesmo não tenho certeza. Talvez você ainda esteja morrendo. Sua vida foi desconstruída e você provavelmente acabou no dia mais doloroso e memorável de sua vida.

A expressão de Arima se fechou.

— Você está dizendo que isso é realmente o passado e não uma espécie de ilusão ou sonho?

— Isso mesmo. É apenas minha teoria, mas tenho 90% de certeza de que estamos atualmente em sua linha do tempo, décadas atrás.

Arima apertou as mãos dele como se ele estivesse se restringindo a fazer algo. Seu olhar não era de nostalgia, nem mesmo tristeza, ou medo sobre o que ia acontecer. As palavras mais adequadas seriam ansioso e irritado.

— Por que estou aqui?

— Não sei… Talvez seja apenas uma grande coincidência. Não é porque os deuses existem que as “coincidências” deixaram de existir afinal.

Arima ficou em silêncio e o ar ao seu redor mudou. Ele deu um único passo à frente e apareceu no telhado de um prédio distante. Ele olhou para baixo com emoções conflitantes. Ele viu duas pessoas que pareciam nada mais do que um casal juntos.

Uma delas era uma linda mulher de cabelo preto, vestindo um vestido bonito. Ela parecia ser do tipo calma e fria, mas sua expressão era mais do que brilhante naquele momento. Ao lado dela, um jovem com olhos prateados, vestindo um casaco familiar, caminhava preguiçosamente enquanto a seguia.

Arima sentou-se enquanto os observava.

— Foi quando Tieria me arrastou por toda a cidade só porque estava feliz por poder oficializar nosso relacionamento.

— Que coisa fofa de se fazer. Humanos até o fim. É tão estranho ver você assim. — Krynox respondeu e Arima gemeu. Ele olhou para o seu eu do passado por um bom tempo até que este de repente se virou para vê-lo.

Os olhos de Arima se arregalaram, mas ele só teve que usar sua aura para esconder sua imagem e presença. Ele observou enquanto Tieria o puxava novamente.

— Eu me lembro disso — murmurou Arima. — Lembro-me de olhar para este lado porque senti algo sinistro olhando para mim.

— Essa é mais uma prova de que esta é a sua linha do tempo.

Arima se levantou e dirigiu os olhos para outro lugar.

— Já que estou aqui, há algo mais que preciso verificar — disse ele e se teletransportou mais uma vez.

Ele emergiu no topo de um prédio novamente e seus olhos caíram. Quando Arima viu a pessoa andando ali, cheia de charme, com um sorriso no rosto, ele não pôde deixar de tremer e cerrar os punhos. Seu sangue de cristal fluiu de sua mão e caiu no chão.

A força que ele estava colocando em suas mãos era suficiente para assustar o que as pessoas neste planeta ainda chamavam de deuses.

A mulher encantadora reagiu como ‘Arimane’ antes. Ela levantou a cabeça e olhou para o telhado do prédio próximo. Ela inclinou a cabeça quando não viu nada. Essa pessoa era de fato Scathach Blade; mãe adotiva de Arima.

— Acalme-se — disse Krynox com um tom solene.

Embora ele estivesse dizendo isso, Arima não parecia que ele perderia o controle. Sua expressão estava calma como sempre, mas seus olhos exalavam uma luz realmente perigosa.

— Talvez fosse demais, afinal, ver aqueles dois novamente. — Arima ergueu a voz. — Toda vez que eu os vejo, ou tenho vontade de matar ou destruir tudo.

— Não diga coisas assim. Você está morrendo de qualquer maneira.

Arima riu e seus olhos se contraíram quando viu uma figura saindo de um beco para parar na frente de Scatha. Ao mesmo tempo, todos no distrito desapareceram repentinamente. Aquela figura que chamou a atenção de Arima era a de um velho que ele não poderia esquecer, mesmo que quisesse.

Scatha imediatamente parou quando o viu. Ela olhou em volta e notou que estava sozinha aqui com aquele homem. Sua expressão afundou.

Em um mundo onde ela não podia imaginar que a magia existia, ela assumiu que era um ataque planejado contra ela.

— Quem é você? — Ela perguntou friamente enquanto lentamente pegava uma arma nas costas, escondida sob sua camisa.

O velho riu estranhamente e o corpo de Scatha tremeu. Ela não conseguia mover o corpo.

‘Veneno? Não. Isso é ridículo. Medo? Estou realmente com medo? O que está acontecendo?’ Sua mente estava trabalhando com calma e rapidez, mas ela não conseguia operar seu corpo.

— Não adianta resistir. Uma fracote como você não pode esperar deixar este lugar viva — o velho declarou e caminhou em direção a Scatha com um sorriso no rosto.

Ela ainda não conseguia se mover e quanto mais o velho se aproximava dela, mais ela podia sentir a morte se aproximando, mas antes que pudesse piorar, alguém apareceu na frente dela quando ela piscou. O casaco esvoaçante era algo que ela conhecia, mas a silhueta que o usava a perturbava.

— Arima! Se você fizer isso, você vai mudar o futuro! Esta é a sua linha do tempo. Se você fizer algo assim, você vai mudar a si mesmo e o que você vai se tornar. Há até uma chance de você nunca se tornar o Demônio Gentil!

— Eu sei — Arima respondeu em voz alta. Sua voz, que parecia carregar mais pressão do que qualquer outra coisa, deixou Scatha e o velho de joelhos.

— O que… o que você é?! Não deveria haver mais ninguém além de mim que possa usar magia! Você também vem de outro mundo?! — O velho gritou, mas Arima o ignorou e o ergueu pela garganta.

— Eu sei que você sabe! Eu estava apenas dizendo isso para fazer você lembrar o que você está tentando ignorar! — Krynox parecia estar em um raro momento de pânico. — Se você fizer isso, nem mencione paradoxos! Você já se tornou uma entidade capaz de governar a Existência. Se você mudar sua própria linha do tempo, você destruirá o mundo inteiro!

— Krynox. — a voz de Arima estava mais fria do que nunca. — Cale a boca — ele então começou a liberar sua aura e forçou Krynox a ficar em silêncio.

Atrás dele, os olhos de Scatha se arregalaram. Em seus olhos, Arima se parecia como um Deus da Guerra protegendo-a. Em contraste, o velho podia ver o rosto de Arima e sentir sua aura, ele se sentia como se fosse um Deus da Morte aqui para torturá-lo.

Em sua visão, Arima estava sendo envolto em chamas escuras enquanto um par de chifres crescia em sua cabeça. As quatro pupilas vermelhas estavam olhando através do fogo. A Semente do Caos, a criação de Karaskan, feita para trazer desespero aos humanos, estava sendo consumida pelos terrores mais horríveis.

O velho foi imolado até que ele se transformou em um gárgula que rugiu e quebrou em pedaços.

Scatha observou tudo desde o início até o fim e ainda não conseguia acreditar no que aconteceu. Ela então percebeu que poderia se mover novamente e se levantou. Ela tentou falar, mas sua voz não conseguia sair da garganta, como se não fosse permitido.

Arima se virou e olhou para ela com um sorriso. Scatha cobriu a boca e seus olhos lacrimejaram por algum motivo.

— Obrigado — Arima proferiu e se curvou para ela. Os pedaços da gárgula aos seus pés se espalharam. Ele então estendeu a mão para ela e cantou uma magia.

— [Terceira Arte Proibida, Essentia Dominus].

Uma luz branca banhou todo o planeta por vários minutos. Quando Scatha abriu os olhos, Arima havia desaparecido e as pessoas começaram a andar nas ruas novamente.

***

Arima estava olhando para a Terra do espaço com uma expressão solene.

— Isso é… indescritível! — exclamou Krynox.

O Arima da Terra que ele estava olhando não era o real, mas um artificial que ele acabara de criar e colocar dentro de uma dimensão de bolso. Naquele planeta, a Semente do Caos ainda estava viva e iria fazer as coisas como aconteceram em seu passado.

— Você apenas escaneou cada ser vivo na Terra com Natus e fez uma cópia deles com a Lei da Vida. Até mesmo…

— Até mesmo eu — Arima seguiu. Esta Terra falsa que você vê aqui vai trocar com a verdadeira depois que eu morrer. Assim, Azes detectará minha ‘alma’ e a reencarnará.

— Não acredito nisso. Se não há paradoxo acontecendo… isso significa que seu plano funcionou. De jeito nenhum! — Krynox começou a rir. — Você é apenas uma vida artificial feita por você mesmo. O verdadeiro Arimane Blade viveu sua vida como um humano normal!

Quando Krynox disse isso, uma nova memória entrou na cabeça de Arima. Como ele era um Caçador de Vidas e um Deus, Arima obviamente poderia absorver todas as linhas do tempo relativas a si mesmo. Isso significava que a linha do tempo que ele acabara de criar por si mesmo estava integrada em suas memórias.

Ele respirou fundo e cobriu os olhos.

— Então, foi divertido, hein? Arimane…? — Ele murmurou enquanto experimentava a vida familiar de seu eu original em poucos segundos. Os dias passados com Tieria, sua mãe, seus filhos e seus companheiros de armas… Tudo fluía dentro de sua cabeça.

Ele mostrou o sorriso mais caloroso de todos os tempos e de repente pensou em uma única pessoa. Uma garota peculiar e doce que nunca parou de ficar com ele. Talvez fosse por causa daquela nova vida que ele ‘experimentou’, mas agora ele realmente sentia que deveria responder a ela.

Arima suspirou.

— Eu tenho que voltar depois de tudo.

— O que? O que você quer dizer?

Krynox não conseguiu obter uma resposta quando a visão de Arima se deformou e ele acabou em outro lugar. Desta vez, foi em frente a uma grande propriedade durante a noite.

Seus olhos flutuaram para cima e por acaso avistaram um bebê cercado por uma luz fraca descendo lentamente em direção ao chão.

— Então, eu caí do céu quando nasci, hein?

— Há tantas coisas erradas com essa frase.

Comentários