
Volume 5 - Capítulo 245
Life Hunter
— Quero perguntar isso pela última vez… Por que sou o único que está aqui?! — Flavio gritou para Arima, que estava sentado tranquilamente de pernas cruzadas no meio de um prado. Ele estava fazendo uma pequena pausa para estabilizar suas novas habilidades. Enquanto isso, Flavio estava ficando irritado num canto. O motivo de sua reclamação era que Arima havia dito a Chulainn que ele podia voltar ao portão, mas não a ele. Naquele momento, Arima sabia exatamente o que estava acontecendo com os Téra e pensou que a nova força de Chulainn poderia ajudar.
— Ainda preciso da sua ajuda com uma coisa — respondeu Arima sem abrir os olhos.
Flavio franziu a testa.
— Com o quê? Acho que não posso te ajudar com nada agora.
— É bem simples. Só preciso que você use sua habilidade em mim.
— O quê? — A expressão de Flavio mudou instantaneamente. Passou de confusa para chocada. — Que tipo de modificação você quer?
— Eu quero um transplante — Arima sorriu e Flavio franziu a testa. — Um transplante de coração. Para ser exato, quero que você me dê um segundo coração.
— Impossível — respondeu o cirurgião imediatamente. — Não sei por que você quer um segundo coração, mas não posso fazer isso. Embora você seja um monstro, tecnicamente ainda é humano. Transplantar um segundo coração quando seu corpo não tem o que é preciso para utilizá-lo é inviável.
— Não é. Você sabe disso — Arima sorriu de lado e os olhos de Flavio se contraíram.
—…Você realmente quer fazer isso? Para essa operação, precisarei que você reduza todas as suas defesas. Até mesmo seu sistema imunológico terá que ser suprimido. E a taxa de sucesso dessa cirurgia não passa de 1%. A média exata provavelmente é ainda menor.
— Claro que quero fazer isso. Caso contrário, eu não teria te pedido para ficar.
Flavio suspirou e tirou os óculos para esfregar o rosto.
— Tudo bem. Se você morrer, a responsabilidade não é minha. E aí? Onde está o coração que você quer que eu transplante?
— Ainda está pulsando no peito de uma certa pessoa.
— Quem?
— Um indivíduo único, mesmo entre as diferentes Realidades. Ele é o terceiro Pilar aqui — Arima sorriu. — Uma das raras pessoas que têm o direito de se autodenominarem verdadeiros imortais.
Os olhos de Flavio se estreitaram.
— Você… quer alcançar a imortalidade?
— Preciso disso pelo menos para confrontar os Criadores. Mas não existe nada realmente imortal neste mundo. Os Criadores podem, sem dúvida, matar imortais usando as habilidades ou autoridades especiais. Até eu mesmo, provavelmente, conseguiria matar um com a habilidade de Natus — disse Arima, e pentagramas apareceram em suas íris.
— Esses olhos podem analisar uma existência e destruí-la, se possível. Isso significa que posso escanear a imortalidade e torná-la inútil — acrescentou. — Além disso, minha forma de Demônio Ancestral fortalece Natus graças às quatro íris.
Flavio fechou a boca e esperou Arima terminar.
— O motivo pelo qual quero a imortalidade é que ela me tornará mais forte. Não me importo de nunca envelhecer ou morrer. Só quero as vantagens que a imortalidade pode agregar às minhas teorias. Além disso, ter dois corações aumentará a capacidade física do meu corpo em pelo menos uma vez. E, finalmente, com esse coração imortal, acho que poderei refinar uma fábrica orgânica.
— Uma fábrica? — Flavio tinha uma expressão estranha.
— Esse coração será a fábrica.
— De quê?
— Elixir — Arima respondeu casualmente e Flavio congelou.
—…Você está falando do elixir? — Ele murmurou, trêmulo. Quando se fala em elixires, isso podia significar muitas coisas. Especialmente em um mundo repleto de magia e alquimia. Mas para alguém do nível de Arima, referia-se apenas a uma coisa: o Elixir da Vida.
A poção mais procurada de todo o universo. Uma mistura capaz de conceder a quem a bebe juventude eterna e verdadeira imortalidade, além de curar todas as doenças e ferimentos. Dizem até que é possível ressuscitar os mortos com uma única gota.
— Só existe um caso registrado de um Elixir produzido com sucesso — observou Krynox. — E tecnicamente, ele nem foi feito por uma espécie inteligente, mas pela Mãe Natureza. Aquele único frasco de Elixir levou exatamente 345.877.924 anos para ser produzido. Isso aconteceu porque milhares de seres divinos compraram ingredientes lendários de todo o mundo e os misturaram em um único lugar, cercado pelas estrelas mais majestosas que já existiram. Definitivamente, não é algo que se possa produzir facilmente. Como você pretende fazer isso?
Arima sorriu.
— Não vou coletar nenhum ingrediente. Nem vou usar nenhum conhecimento ou técnica sofisticada. Basicamente, vou desconstruir o conceito de imortalidade desse coração e transformá-lo em uma fábrica que transformará lentamente meu sangue em um Elixir.
Flavio ficou estupefato.
—…Se você conseguir fazer isso, será o pior pesadelo de nós, médicos. Se seu sangue se transformar em Elixir, seus ferimentos podem cicatrizar antes mesmo que você os veja… Você pretende entrar em uma guerra de desgaste contra os Criadores? Com sua mana infinita e, possivelmente, Elixir infinito, há chances de você conseguir se manter firme mesmo sem a imortalidade.
— Isso faz parte do plano, sim — Arima assentiu e abriu os olhos. Ele se levantou e estalou o pescoço. — Mas, por enquanto, precisamos nos preparar. Vou atacar primeiro os Guardiões e Pilares mais fracos. Embora eles possam ser tão fortes ou até mais fortes do que eu. Mas tudo deve correr bem.
Flavio suspirou.
— Como você pode ter tanta certeza?
Arima sorriu para ele.
— Bem, se as coisas piorarem, talvez eu precise voltar temporariamente e trazer Noturno e Karma comigo. Com eles, eu seria pelo menos duas vezes mais forte. Mas, por enquanto, farei o que sei fazer de melhor.
— Qual é?
— Você não sabe? — Arima sorriu de canto e invocou SuperIra. A pistola de dois canos brilhou. — Eu era um assassino antigamente. Não devo atacar de frente. É um golpe fatal ou nada.
***
O primeiro alvo de Arima foi o décimo Guardião. Como ele havia se fundido com Krynox, sabia perfeitamente onde os Guardiões estavam. Embora não pudesse rastrear seus movimentos em tempo real, já que Krynox não estava mais conectado ao Mundo, ele ainda conseguiu encontrar seu alvo com bastante facilidade.
Arima encarou o Orc de pele vermelha que estava dentro de um castelo a cerca de oitenta milhões de quilômetros de distância e refletiu. Era realmente raro ver uma espécie como os Orcs ascender aos escalões dos Guardiões.
Flavio observou calmamente a princípio, mas quando Arima começou a condensar algo acima de sua mão, ele começou a suar.
Uma quantidade imensa de energia e mana estava sendo comprimida dentro de uma bala. Arima continuou até que ela estivesse prestes a se despedaçar. Flavio empalideceu e se afastou. Mas ele sabia que era inútil recuar apenas alguns metros. A energia daquela bala poderia muito bem aniquilar galáxias. Até mesmo Arima parecia bastante cansado depois de criá-la.
Ele suspirou e carregou lentamente a bala em SuperIra. Flavio observou e então abriu a boca.
— Tem certeza de que será suficiente com essa arma?
Arima deu uma risadinha.
— Não subestime as armas, Flavio. Essa coisa pode ser muito mais forte do que você imagina. Sem Karma por perto, esse cara é definitivamente minha arma mais poderosa — disse ele, e vapor repentinamente saiu de seu corpo e uma energia verde entrou no cano da SuperIra.
— Isso é…! — Flavio se lembrou de algo. Embora Arima ainda estivesse limitado pelos circuitos mágicos, ele havia conseguido arrancar as asas de milhares de anjos através da manipulação espacial e agora que estava livre dessa limitação e havia adquirido os Registros Akáshicos, quanto ele poderia controlar? E até que ponto?
Arima respirou fundo e apontou sua arma para o Orc. Em seguida, canalizou sua energia inata dentro de si e chamou dois nomes: — Indra Vayu, Mithandruj. Apareçam.
Dois fantasmas responderam imediatamente ao chamado e se manifestaram ao seu redor. Flavio estremeceu e prendeu a respiração.
Arima fez um sinal com os olhos e os dois fantasmas gritaram antes de entrarem no cano da arma e se fundirem com a bala. Feito isso, Arima usou Natus e analisou a trajetória até o Orc, bem como as várias barreiras mágicas no caminho.
Por fim, Arima entoou algo e um trovão ribombou ao seu redor. Raios negros e vermelhos faiscaram ao seu redor e encheram o cano da arma com plasma e eletricidade.
— [Adducere exitium] (Trazer destruição).
— [Re vim extermina] (Apagar matéria).
— [Veluta aeim, quifa quifa].
— [Samda maa kaav].
— [Quarta Arte Críptica, Primeiro Armamento, Prod Materia Gun Metuunt Blasphemantes].
Arima apertou o gatilho e a bala foi expelida do cano. O recuo fez suas mãos tremerem e quase lhe quebrou alguns ossos. Seus pés afundaram no chão e tudo ao redor do canhão virou pó.
O Orc pressentiu algo instantaneamente e levou apenas meio segundo para avistar Arima e a bala que ele havia disparado. O Guardião do Plano viu a bala vindo em sua direção e zombou. Era lenta demais. Ele poderia desviar sem problemas. Mas, no instante em que pensou isso, algo tocou sua testa e ele soltou um suspiro confuso.
No instante seguinte, Indra Vayu gritou e sua cabeça explodiu. A bala também se despedaçou e implodiu. A princípio, atraiu tudo ao redor e até o som ficou abafado. Então, no segundo seguinte, o planeta inteiro explodiu.
Arima abriu suas asas e agarrou Flavio antes de voar para longe, escapando do alcance da explosão. Ele pousou em uma das luas do enorme planeta. Misturada à explosão atrás dele, havia uma presença sinistra que matava tudo indiscriminadamente.
O que aconteceu foi muito simples. Arima primeiro injetou energia bruta em uma bala que estava ligada à sua alma. Só isso já teria produzido a explosão. Depois, ele imbuiu a bala com seu poder espacial. Antes de disparar, ele também ordenou que dois de seus Espíritos Malignos entrassem na bala e então usou a Quarta Arte Críptica para finalmente atacar.
Ao pressionar o gatilho, Arima destruiu todas as defesas mágicas com Natus. Simultaneamente, Mithandruj, o Espírito da Desonestidade e das Mentiras, conjurou uma ilusão passiva na bala, momentos antes de a habilidade espacial de Arima teletransportá-la para mais perto do alvo.
Finalmente, quando a bala atingiu o Orc, Indra Vayu apareceu e garantiu que o alvo morresse antes que a bala explodisse e obliterasse tudo ao redor.
Essa foi, sem dúvida, a bala mais potente que Arima já disparou.
Ele absorveu toda a força vital com alegria e sorriu ao observar sua mão cerrada.
— Apenas 19 restaram.
…