
Volume 5 - Capítulo 243
Life Hunter
Arima acenou com a mão e recuperou Chulainn e Flavio, que ele havia enviado para outra dimensão para protegê-los. Eles reapareceram do nada e quase caíram no vazio.
Flavio grunhiu e se agarrou ao pelo de Chulainn com um rosto cansado.
— Isso vai me dar um trauma, eu lhe digo.
O Cão do Inferno já havia regenerado a cabeça graças à ajuda de Flavio e olhou para Arima.
— Terminou? Esse cara era muito forte para nós.
— Sim. — Arima assentiu e jogou dois mármores transparentes neles. Chulainn abocanhou um deles em voo, enquanto Flavio pegou o outro e o engoliu depois. No instante seguinte, eles não apenas absorveram uma enorme quantidade de força vital, mas notaram que os circuitos mágicos em seu corpo haviam mudado.
— Como diabos você fez isso? — Flavio perguntou com uma expressão estranha. Era óbvio que Arima poderia usar sua magia novamente, já que ele estava em sua forma humana. Mas havia outras coisas também.
Uma delas era a roupa de Arima. As linhas brancas eram novas. Flavio sabia que Arima não estaria adicionando apenas para moda, mas a maior mudança foi sua presença geral e aura. Tinham mudado a natureza.
Se antes, Arima era um monstro na pele humana. Agora, a impressão que ele deu foi mais a de um ser desconhecido que não tinha nenhuma relação com qualquer criatura viva.
— Não é importante. A única coisa que você precisa saber é que eu alterei sua estrutura mágica interna para que ela seja compatível com esta Realidade. Mas terei que mudá-lo novamente quando voltarmos para o nosso — respondeu Arima.
Flavio suspirou e apontou para outra coisa.
— Então, o que é isso? Eles são o que eu penso? — Ele estava se referindo aos sete fantasmas pairando acima de Arima.
— Se você conhece as lendas, deve reconhecê-las. — Arima assentiu e olhou para os fantasmas pelo canto dos olhos. Todos olharam para ele. De um olhar mais atento, um deles tinha duas cabeças em vez de uma. — Dizem que Angra Mainyu criou todo o mal que existe neste mundo. Esses são os frutos do seu trabalho.
— Akoman; A Mente Maligna.
— Indra Vayu; Morte.
— Saurva; Doença.
— Aeshma; Violência e Fúria.
— Az; Luxúria, ganância e ciúme.
— Mithandruj; Desonestidade e Mentiras.
— Taurvi e Zairicha; Febre e Sede.
Arima encolheu os ombros.
— Eles são os Sete Espíritos Malignos. Os demônios que uma vez foram aprisionados por Ahura Mazda.
Chulainn gemeu.
— Todos eles têm títulos hostis. Você poderia fazê-los desaparecer? Eu não acho que posso ficar são com esse tipo de pressão escura e pesada sobre mim.
— Lemures. — Arima proferiu e os fantasmas voltaram para dentro das partes mais profundas de sua alma. — De qualquer forma, vamos nos mexer. Eu absorvi alguma força vital aqui, mas está longe de ser suficiente para me tornar invencível. Esse Bhiunz era extremamente forte para um deus simples. Teremos que ter cuidado ao caçar os Guardiões e os Pilares.
— Você sabe onde eles estão?
— Sim. Eu até sei quem eles são e do que são capazes. — Arima sorriu e Flavio franziu a testa.
— Como? O que você encontrou dentro da Câmara?
Arima refletiu sobre como explicar isso.
— Você já ouviu falar do termo ‘Registros Akáshicos’?
— O quê? — Chulainn e Flavio ficaram surpresos. Essa palavra não era nova para eles, mas o que significava era outra coisa completamente diferente.
— A definição oficial em meu planeta é esta: os Registros Akáshicos são um compêndio de todos os eventos, pensamentos, palavras, emoções e intenções humanas que já ocorreram no passado, presente ou futuro — disse Arima e sorriu. — Se você quer saber o que eu encontrei lá, esta é a melhor maneira de descrevê-lo.
— Que loucura!
— Na verdade não — Arima riu e abriu as asas. — Vamos lá. Temos que fazer uma visita ao Inferno deste Plano. Eu tenho que restaurar o equilíbrio ou tudo vai desmoronar.
Flavio suspirou.
— Por que… você não precisa mais de nós… Quando posso ir para casa?
***
— Bem, nós terminamos nosso trabalho aqui… — Aergia murmurou espantada. — Estou tão feliz por ter me juntado ao seu grupo. Eu não tenho que fazer nenhum trabalho.
Quando Apana reuniu todos os Guardiões e Pilares, seu trabalho já havia sido concluído. Talvez porque eles estavam na frente de Apana, mas nenhum deles sequer tentou retaliar. Eles não apenas pareciam respeitar Apana, mas também perceberam que não podiam esperar vencer as três mulheres misteriosas. Mas o que eles não sabiam era que a decisão a que chegaram foi influenciada por uma forte magia mental.
— Agora, eles espalharão o nome do Demônio Gentil nesta realidade junto com o exército designado por Arima — Layla sorriu. Ela acariciou a baleia gigante com uma expressão brilhante. — Tudo correu bem rapidamente. Tudo isso graças a você.
Apana grunhiu alegremente.
— Vamos voltar à nossa realidade agora. Isso deve acabar em breve, mesmo sem a nossa presença — acrescentou Layla e as outras duas assentiram. — Você quer vir conosco, Apana?
A grande baleia assentiu e seguiu o grupo dentro da nebulosa de onde vieram. Aparentemente, Apana tinha a capacidade de encolher seu corpo à vontade. Ele se tornou tão pequeno quanto um gato bebê e nadou alegremente ao redor de Layla. Quando eles usaram o portal para voltar à sua Realidade, sua reação foi a mesma de Jorga.
Um enxame de Téra, Deva cuspindo um feixe de energia, Gilgamesh balançando suas espadas, um exército de armaduras de ouro e Ahura Mazda lutando contra um coelho junto com uma cabra vermelha gigante e a silhueta de uma serpente cujo corpo foi muito além do horizonte.
Aergia piscou e se virou para voltar para dentro do portal, mas Layla agarrou seu colarinho sem sequer olhar. Evangeline ficou boquiaberta enquanto observava a batalha entre o líder da Téra e três figuras lendárias.
Apana inclinou a cabeça. Seus olhos pousaram em Sebasfiel e Jorga. Eles brilharam e ele deu um pequeno grito que foi ouvido por ambos.
— Hã? — Jorga e Sebas levantaram a voz ao mesmo tempo. Quando avistaram Apana, seus olhos pareciam estar ficando maiores.
— Rak… de jeito nenhum — Sebas murmurou e riu. — Rak! Nos ajude. Com três Bestas Divinas neste caso, não há como perdermos… ah, não importa.
Como que para zombar de suas palavras, outro Téra com tremenda aura se materializou exatamente quando Ahura estava prestes a pegar o coelho.
— Ainda assim! Ajude-nos, por favor! — Sebas gritou. As novas Téra que tinham a aparência de uma harpia tentaram cortá-lo com sua garra. Então ela acenou com as asas e gerou um tornado.
Algumas feridas se abriram no grande corpo de Sebas. Ele rugiu e o fogo entre seus chifres explodiu para dispersar o vento. Jorga veio em seu auxílio e trancou a harpia dentro de uma gaiola de ilusão.
— 10 segundos! Termine o outro enquanto isso! Rak-Loyra, por favor, ajude aquela mulher a pegar o coelho!
Apana esperou Layla assentir antes de voar em direção a Ahura. Seu corpo voltou ao seu tamanho original. Ao mesmo tempo, a área ficou cheia de água. Apana nadou até o coelho e abriu a boca. O som de sua voz reverberou e fez a água vibrar. A luz das estrelas piscou e as vibrações se reuniram ao redor do coelho.
As pequenas Téra viram sua velocidade despencar. Ahura explorou a abertura e bateu as asas. Seus olhos se dividiram em quatro quando ela se aproximou de seu alvo. Uma espada sagrada foi invocada em sua mão. Ela plantou na cabeça do coelho na velocidade da luz e pulou para longe. Ela estalou os dedos e a espada explodiu lindamente.
A água foi evaporada pela emissão de luz e Apana conjurou um buraco negro com espaço, terra, escuridão e magia da morte. Esse buraco negro consumiu cada pedaço do coelho que poderia ter permanecido. Então, os dez segundos se passaram e a gaiola da ilusão foi dilacerada por lâminas de vento.
— Merda! Este é tão rápido quanto aquele coelho e pode usar magia do vento em cima disso. — Sebas amaldiçoou alto enquanto destruía as lâminas de vento. — Merda! Também é possível que mais venha depois. Se chegar a isso, eu ficaria muito feliz em ver a última Besta Divina aparecer magicamente.
Layla olhou para ele de baixo e apertou os olhos. Ela abriu as asas.
— Aergia, Evangeline, vão ajudar Gilgamesh — ela instruiu e voou na direção de Deva.
Evangeline balançou a cabeça e estava prestes a matar a Téra quando percebeu que Aergia estava imóvel. Ela pensou que era porque não queria se esforçar, mas estava ponderando sobre algo, muito a sério.
— Agora eu me lembro… — Ela murmurou e os olhos de Evangeline piscaram.
— O que você quer dizer?
— Há quatro Bestas Divinas — respondeu Aergia com um tom estranho. Sua voz parecia sombria e pesada.
— A Primeira Besta. Aquele que sabe, Jörmungandr.
— A Segunda Besta. Aquele que controla, Rak-Loyra.
— A Terceira Besta. Aquele que caça, Fenrir.
— A Quarta Besta. Aquele que destrói, Sebasfiel.
Evangeline estremeceu. Ela teve um pressentimento quando ouviu esses nomes e o modo de falar de Aergia.
— Eu acho que ouvi sobre essa história uma vez… — Ela disse. — Aquele em que quatro enviados encobertos com a aparência de animais descerão para trazer julgamento. Há também outra parte dessa história. Uma vez que as quatro Bestas Divinas estão reunidas, dizem que elas são capazes de superar qualquer coisa. Há até uma lenda dizendo que as bestas eram ainda mais fortes do que o Deus que as criou, uma vez que cooperaram.
— Mas por que você está dizendo isso agora?
— Porque eu sei onde está a terceira besta — respondeu Aergia e Evangeline recuou quando viu os olhos de Aergia ficarem dourados como um lobo.
— Bom, que droga… Esqueci que tinha isso adormecido em mim — ela riu e seu cabelo começou a crescer.
Suas unhas se tornaram garras e seus dentes presas. Pelo azul escuro cresceu por todo o corpo quando seu tamanho se aproximou das outras bestas.
— Cacete! Sério?! — Sebas exclamou quando sentiu a aura familiar. — Eu estava apenas gritando. Eu realmente não pensei que Fenrir apareceria. Apenas ter três de nós no mesmo lugar já é um milagre!
***
Arima bufou depois de destruir o núcleo do Inferno.
— A reunião das Quatro Bestas Divinas… Deve ser interessante — comentou Krynox.
…