
Volume 5 - Capítulo 233
Life Hunter
— Você tem ideia de como tudo isso se mantém? — Aergia perguntou e se agachou para pegar uma flor. Ela olhou para ele e depois jogou fora.
— Eu não — Layla respondeu enquanto olhava em volta.
— Você acha que é assim em todos os lugares? — Evangeline questionou enquanto olhava para cima. — Eu tenho dificuldade em imaginar isso.
O lugar onde as meninas desembarcaram também foi muito especial. No momento em que chegaram àquela Realidade, notaram que o chão estava se curvando para cima, algumas centenas de metros para a frente. Elas pensaram que estavam perto de um monte ou algo semelhante, mas quando elas começaram a seguir a curva com os olhos, elas instantaneamente perceberam o quão erradas estavam.
Ele continuou a subir indefinidamente. A superfície do terreno continuava subindo. Elas ficaram completamente estupefatos até o momento em que perceberam o fato de que estavam olhando diretamente para cima e que uma fonte intensa de luz estava em seu campo de visão.
— Isso deveria ser um planeta? — Evangeline murmurou e virou a cabeça para Aergia. Esta última avançou sozinho e agora estava de pé longe em um ângulo desconcertante.
Elas estavam dentro de uma esfera cheia de um ecossistema. A gravidade as mantinha abaixadas, não importava em que seção da esfera estivessem e, no centro, havia um pequeno sol que iluminava a coisa toda.
— Talvez, mas uma coisa é certa; isso é realmente pequeno. Também não há ninguém morando aqui. Eu nem vejo nenhum animal. Há apenas insetos aqui e ali — disse Layla.
A esfera em que elas estavam talvez tivesse apenas cerca de cinco quilômetros de largura. Se você fosse comparar isso com o planeta médio, era terrivelmente pequeno.
— Ei, venha aqui — Layla e Evangeline ouviram a voz de Aergia e ambas olharam para cima para vê-la flutuando ao redor do sol em miniatura. Elas olharam uma para a outra e voaram também. Quando elas se aproximaram do “sol”, elas imediatamente notaram que ele não estava emitindo nenhum calor.
— Olhe de perto — Aergia proferiu e Layla apertou os olhos.
— Eu não consigo ver nada — ela lamentou e Evangeline balançou a cabeça também. — Do que você está falando?
— Não use simplesmente seus olhos — Aergia falou e Layla lamentou enquanto observava o globo de luz novamente. Ela usou seus olhos sem piscar e usou sua mana para sondar. Depois de um momento, ela finalmente descobriu a que Aergia estava se referindo.
Estava fraco, mas havia uma ligeira fissura dimensional dentro dele. Era muito pequena, mas ao mesmo tempo, incrivelmente estável. Os olhos de Layla se arregalaram e olhou para Aergia.
‘Ela viu isso tão facilmente… isso não é uma façanha fácil. Arima estava certo quando disse que ela era mais do que deixava transparecer.’
— Seguimos o caminho que essa fissura está levando? — Evangeline inclinou a cabeça e perguntou.
Aergia encolheu os ombros.
— Nós não temos escolha — disse ela e colocou a mão dentro do pequeno sol. Ela lançou uma magia sem palavras e a luz do sol piscou algumas vezes antes de puxar a mão. Um mármore preto azul estava sendo segurado entre os dedos. Ela examinou e jogou por cima do ombro.
O mármore rachou e explodiu para criar um pequeno portal espacial.
— Vamos — ela murmurou e foi primeiro. Layla sorriu e entrou junto com Evangeline. Quando as três passaram, o pequeno portal se fechou e deixou o estranho ‘planeta invertido’ vazio mais uma vez.
A transferência durou apenas um segundo, as três meninas reapareceram ao lado de outro “sol”, mas este era claramente maior e elas notaram que a esfera ao seu redor também era muito mais ampla. Talvez desta vez fosse do tamanho de um planeta normal. O que só fez as coisas parecerem ainda mais impressionantes.
Era como olhar para um planeta a partir do espaço, mas elas estavam realmente dentro dele olhando para ele a partir do centro…
— Isso está mexendo com a minha cabeça — Aergia gemeu e olhou para a esquerda. Layla e Evangeline também olharam na mesma direção e franziram a testa.
Algumas dezenas de presenças se aproximavam. Eles estavam voando graças a uma energia peculiar saindo de seus pés. Seus corpos eram semelhantes aos dos seres humanos, exceto que eles eram ligeiramente mais altos, em média, e todos tinham um segundo par de braços. Eles também estavam usando armaduras de prata e empunhando armas de aparência resistente.
— Soldados, talvez? — Evangeline assumiu e depois de um breve momento, esses mesmos soldados haviam circulado seu grupo.
— Identifique-se. De qual nebulosa você veio? — Um velho corpulento perguntou. Ele tinha longos cabelos grisalhos e uma barba grossa. Ele segurava uma lança com seus dois braços esquerdos e era a personificação de um ancião poderoso. Ele parecia ser o líder desse grupo de soldados.
‘Telepatia para quebrar o muro da linguagem, hein? E “nebulosa”? Isso se refere a essas esferas habitáveis?’ Layla se perguntou e olhou para Evangeline e Aergia.
— O que devemos responder? — Perguntou ela.
— Eu não acho que haja uma resposta segura, para ser honesta. — Aergia declarou e Evangeline sorriu amargamente.
— Então está decidido — Layla sorriu e olhou para o velho nos olhos. Uma aura rosada escapou de seu corpo e cercou a área. Os olhos de Aergia brilharam e uma pressão anômala encheu a área. Evangeline suspirou lamentando, ela roçou o cabelo esmeralda com os dedos e os olhos brilharam com uma cor avermelhada.
O efeito foi imediato. Com o poder da Deusa das Emoções Mundanas, a Deusa da Preguiça e a Súcubo Rosa; todos esses soldados caíram em transe, mentalmente esgotados e encantados. Seus olhos perderam o foco enquanto olhavam para as três mulheres.
— Ok, você pode nos dizer o que é uma nebulosa? — Layla perguntou e o velho tremeu. Ele levemente abriu a boca. Ele parecia estar tentando resistir, mas não conseguia fazer nada. Sua força vital talvez fosse quase a mesma de um Deus Terreno, mas ele havia sido espancado pela presença natural das três meninas. Parecia que ele era seu subordinado ou mesmo às vezes era como se ele estivesse na frente de sua família.
— Uma nebulosa é como chamamos nosso lar. Este lugar, — no final, ele começou a falar. — Uma nebulosa nasce inicialmente com um pequeno núcleo de Kryon. O núcleo reunirá continuamente o solo, a energia e a essência do sangue para criar um terreno habitável. Desse ponto em diante, ele continuará a expandir seu território e criar uma esfera como esta. Isso é o que chamamos de nebulosa. O núcleo de Kryon nunca vai parar de ampliá-lo. Esse que você está agora existe há cem mil anos e este é o tamanho que atingiu durante esse tempo — o soldado abriu os braços enquanto dizia isso.
— Fascinante — comentou Evangeline e Layla assentiu.
— Verdade. É inacreditável. Talvez Arima gostaria de ver um desses núcleos de Kryon — disse ela e olhou para trás, para o globo de luz. — Posso assumir com segurança que este é o núcleo de Kryon, certo?
— Sim — respondeu o velho obedientemente.
— Então, e quanto ao caminho dimensional que tomamos para vir aqui? O que é isso?
— Cada núcleo de Kryon tem uma fenda espacial dentro dele que conecta cada nebulosa. Quanto à como funciona, ninguém sabe. Só estamos cientes de que as nebulosas estão conectadas em uma estrada unidirecional por elas.
— Entendo… — Layla ponderou e Aergia deu um passo à frente.
— Diga-me, você já ouviu falar dos Pilares do Elísio ou dos Guardiões do Plano? — Ela questionou e o velho estremeceu.
— Eu ouvi falar sobre eles… Disseram-me que eles são os seres mais fortes do mundo, mas nada mais.
— Então, você não sabe nada sobre o paradeiro deles?
— Não… Eu não sei.
— Tch — Aergia estalou a língua. — As coisas nunca podem ser fáceis, hein? — Ela reclamou e Evangeline riu. Ela olhou ao redor da nebulosa, então um pensamento estranho veio até ela.
— Ei, hum… desculpe, qual é o seu nome?
O velho gemeu.
— Meu nome é Garo.
— Então, Garo. — Evangeline apontou para a superfície da nebulosa. — Você sabe o que está por trás? — Os olhos de Aergia e Layla se arregalaram quando a ouviram. Ambas olharam para Garo em busca de uma resposta.
Garo piscou confuso.
— Minhas desculpas, mas… o que você quer dizer?
— Ela está perguntando se você sabe o que está fora da nebulosa — disse Aergia e Garo apagou por um segundo. Ele parecia estar atordoado.
— Eu… nós nunca tentamos descobrir o que estava lá fora… — ele gaguejou e as três meninas se entreolharam. Layla de repente passou os olhos por toda a nebulosa e notou algo.
— De onde você tira sua água? Sem chuva, como evitar a seca?
— A água… nós a pegamos do subsolo e, quanto à sua segunda pergunta, temo não ter como respondê-la — Garo ficou ainda mais intrigado do que antes.
— Ei… você está pensando o que eu estou pensando? — Aergia murmurou.
– Sim… — Layla assentiu atordoada e bateu as asas. Sua figura correu e deixou uma pós-imagem.
O resultado foi apenas uma brisa fraca, mas Garo empalideceu ao ver isso. Ele nem chegou a ver em que direção ela havia ido. Aergia e Evangeline não a perderam de vista e estavam olhando logo abaixo.
Garo olhou para baixo também e viu Layla agachada casualmente no chão como se ela sempre tivesse estado lá. Ele ficou chocado e assustado. Quando ele desviou o olhar para encarar Aergia e Evangeline, elas já haviam desaparecido também. Ele teve um calafrio e esperava estar errado enquanto olhava para baixo de novo. Ele quase desmaiou quando o fez.
— Vamos fazer isso? — Evangeline perguntou a Layla.
— Deve ficar tudo bem. Se esta nebulosa pode criar um campo gravitacional para manter todos presos ao chão, não deve haver nenhum problema se fizermos um buraco nela — respondeu ela e bateu no chão algumas vezes. — Hm, acho que há cerca de vinte quilômetros para percorrer — ela murmurou e puxou seu florete.
Ela se levantou e a lâmina brilhou. Ela puxou lentamente a espada até a cintura, em seguida, empurrou-a em um movimento rápido. Antes que alguém pudesse reagir, ela já havia guardado sua espada de volta e um buraco de dois metros de largura havia sido cavado na frente dela. Ao olhar, ele não parecia ter fundo.
Layla olhou sem palavras para o poço.
— Bem, vamos pular — ela proferiu e entrou. Evangeline riu e a seguiu com Aergia. Garo ficou boquiaberto enquanto as observava desaparecer no buraco sem fundo.
O trio caiu por um curto momento antes de atingir uma certa profundidade, onde se encontraram debaixo d ‘água. Os olhos de Layla brilharam e iluminaram os arredores. Ela podia ver que isso não era água subterrânea, mas água que vinha do fundo do túnel que ela havia feito.
Ela apertou os olhos e avançou como um torpedo. A água foi dividida pelo seu movimento. Ela chegou ao fim do túnel em pouco tempo. Ela ainda estava submersa, mas havia saído do túnel e, supostamente, da nebulosa também. Layla nem precisava conjurar uma fonte de luz. Já existiam várias.
Aergia assobiou e Evangeline exclamou de surpresa. Nas profundezas escuras como breu, esferas titânicas de diferentes tamanhos brilhavam com uma cor azul. No meio delas, grandes animais aquáticos estavam nadando serenamente.
Alguns eram ainda maiores do que as esferas. Um animal parecido com uma baleia que talvez pudesse engolir toda a nebulosa da qual as três meninas acabaram de sair, passou e observou Layla com seu olho gigante por um segundo antes de nadar para longe.
Ela sorriu enquanto admirava a cena.
— Isso é lindo, inegavelmente.
…