Life Hunter

Volume 5 - Capítulo 231

Life Hunter

Malum caminhou até a beira do penhasco e olhou para baixo. Ele viu algumas bestas aéreas passando. Alguns pareciam wyverns e outros eram peixes gigantes. Ele olhou em volta e viu como a terra estava estranhamente cortada. Havia até algumas cachoeiras caindo.

A coisa verdadeiramente chocante, porém, eram as inúmeras ilhas voadoras dispostas na frente dele. Seu tamanho diferia, mas eles eram bastante pequenos em média; o tamanho de uma cidade humana média. Cada uma delas parecia possuir fauna e flora diferentes. Havia até ilhas congeladas e vulcânicas entre elas.

Malum gemeu e olhou para trás. A natureza era bastante normal. Pelo menos, não mudou muito do que ele estava acostumado a ver na outra Realidade.

— Como isso funciona? — Ele murmurou e olhou para o céu. Aparentemente, ele e Shakti estavam em uma das ilhas mais altas da área, mas você poderia ver mais delas muito longe se olhasse atentamente para o céu.

Malum nem sabia se ainda poderia chamar isso de céu. Isso foi o que perturbou Shakti no momento em que ela chegou. Havia nuvens aqui pelo menos, mas continuou indefinidamente por trás disso. Não havia espaço. Sem estrelas. Sem planetas.

Talvez você fosse capaz de ver isso na outra Realidade, mas apenas dentro de uma dimensão artificial que seria uma ilusão na melhor das hipóteses. Mas era real aqui. O mundo foi construído assim, com um número indefinido de pedaços flutuantes de terra sem nenhuma zona espacial.

— É bastante absurdo quando você pensa sobre isso — Shakti murmurou e respirou com força. Ela fechou os olhos para refletir. — Malum….

— O que foi?

— A composição do ar é diferente aqui.

— O quê? — Os olhos de Malum se arregalaram. Ele não tinha pensado nisso e analisou o ar ao seu redor. — É verdade… Eu não consigo nem encontrar nenhum átomo semelhante ao que conhecemos — disse ele e abruptamente acendeu um fogo acima de sua garra quando percebeu algo. Sua expressão se contraiu quando viu o fogo queimando em sua mão.

— Qual é o problema? — Shakti pulou em seu ombro e perguntou. Ela olhou para a chama e endureceu.

Malum gargalhou e começou a rir.

— Entendo. Isso é o que torna essa coisa um pouco complicada, mas mais fácil ao mesmo tempo — disse ele. — Nesta realidade, não há espaço, não há estrelas, não há constelação, não há planetas, e as leis da gravidade devem ser confusas também. Não há oxigênio, a história não é a mesma, as lendas são desconhecidas, as raças variadas são novas… Deuses e deusas podem nem existir. O mesmo para dragões e talvez mortos-vivos também — acrescentou Shakti e conjurou um bloco de gelo. — Os circuitos mágicos são completamente desconhecidos; a energia mundana não é a mesma…

Malum sorriu e apagou o fogo.

— O equilíbrio de poder foi modificado no momento em que chegamos aqui. Não sabemos se nossa respiração poderia matar o mais forte e nem o oposto. Mas estamos mais fracos agora. Eu me pergunto a que tipo de realidade Arimane foi — disse Shakti e Malum refletiu.

— Conhecendo-o, tenho certeza de que ele pegou aquela que se revelaria a mais difícil de sobreviver. Também assumo que ele nos deixou escolher enquanto considerava que as outras três realidades não são difíceis para o nosso nível. — Malum adivinhou e olhou para o disco de prata que ainda não havia desaparecido. Uma névoa azul saiu dela e desapareceu em poucos segundos.

— Aquele é Jormungand — exclamou Shakti e Malum assentiu. — Parece que a ‘teoria’ da Serpente do Mundo ainda é aplicável nesta Realidade.

— Talvez… — Malum apertou os olhos. — Mas Jorga também é um ser etéreo. Ele é capaz de se transformar em um ser insubstancial para ser realmente onisciente. ‘Serpente do Mundo’ não significa nada aqui — disse ele e riu. — Ei, grandão, vou deixar o reconhecimento para você — ele levantou a voz e se virou. Ele abriu as asas e cruzou os braços. — Temos alguma companhia nesse meio tempo — disse ele enquanto um grupo de pessoas estava descendo de uma ilha distante.

À medida que se aproximavam, Shakti e Malum gradualmente se tornaram capazes de entender sua aparência. Não era preciso dizer que eles estavam preparados para ver algo fora de sua imaginação, mas o que eles conseguiram foi um grupo de pequenos seres humanoides. Pareciam crianças e tinham asas translúcidas.

Quando eles pousaram diante deles, eles só podiam descrevê-los como fadas ou talvez espíritos. Eles eram incrivelmente jovens e bonitos.

— Kilou hej via? — Uma garota de cabelos azuis deu um passo à frente e falou em uma língua estranha.

Malum franziu a testa.

— A Língua dos Deuses não funciona.

— Sim… talvez devêssemos tentar usar telepatia? — Shakti sugeriu e Malum concordou.

— Ei, quem é você? — Perguntou Malum.

A telepatia é uma maneira de transmitir pensamentos, tecnicamente não precisa de nenhuma linguagem para funcionar. A fada que recebeu a mensagem de repente entrou em pânico e olhou em volta. Ela invocou uma lança branca e seus amigos ficaram perplexos com suas ações.

‘Estranho… eles não sabem sobre telepatia?’

— Quem falou?!

Malum recebeu uma resposta, mas de acordo com o semblante da fada, ele acreditava que não era intencional.

— Eu. Aquele que está na sua frente — disse ele e, desta vez, ela o encarou adequadamente.

— Você é…? O que é você? De onde você vem? — Ela perguntou imediatamente. Os olhos de Malum se contraíram com sua grosseria e Shakti sorriu.

— Meu nome é Malum R. Nosferatu. Esta senhora aqui é Shakti Parens. Eu sou um dragão, e ela é, em teoria, um Ser Supremo — Malum escolheu apresentar-se e Shakti. Embora ele não precisasse, ele não queria complicar as coisas.

— Um dragão? Um Ser Supremo? O que é isso? Está zombando de mim? Você é uma pessoa burra?

As escamas de Malum emitiram uma tonalidade preta fraca.

— Tuuudo bem. — Ele inalou e apertou a mão. — Eu vou matar essa pirralha! — Uma veia apareceu em sua testa quando ele estava prestes a soltar um sopro de fogo. Mas mesmo assim, as “fadas” pareciam estar completamente alheias.

Shakti inclinou a cabeça.

— Pare. Eles não podem sequer sentir que você está prestes a liberar um sopro. Você realmente quer matá-los? — Ela o conteve e o dragão cinzento só pôde bufar quando ele deu um passo para trás.

Shakti saltou e pousou na frente da garotinha.

— E quanto a você? Qual o seu nome? — Ela se abaixou e perguntou gentilmente.

A fada corou um pouco e descansou a lança no chão.

— Meu nome é Kureina. Eu sou parte da raça Zerista e meu clã pertence à Aliança Gratus — ela revelou orgulhosamente e Shakti piscou com um sorriso imperturbável; escondendo habilmente sua ignorância.

— O que diabos você quer dizer com isso? — Apenas Malum expressou seus pensamentos em voz alta e, embora ele não pudesse ser entendido por aquela garota Kureina, ela ainda olhava para ele.

— Então, Kureina, você pode nos dizer onde seu clã está localizado? Como você pode ver, somos viajantes e não falamos o mesmo idioma que você. Você poderia ser gentil o suficiente para nos guiar? — Shakti pediu um favor como um vigarista profissional e Malum foi obrigado a elogiá-la internamente.

— Viajantes… — Kureina contemplou e discutiu com seus companheiros em seu idioma por um momento. Ela então encarou Shakti novamente e guardou sua lança. — Nós podemos trazê-los para a nossa terra. Você será capaz de falar com o chefe. Ele é muito experiente, talvez ele saiba sobre o seu idioma.

— Duvido. — Shakti e Malum responderam silenciosamente.

— Siga-nos — declarou Kureina e bateu as asas. Poeira cintilante caiu de suas costas enquanto ela subia. — Oh, você pode voar, certo? — Ela perguntou abruptamente.

— Você tá cega? Você não pode ver as asas que eu tenho nas minhas costas? — Malum perguntou grosseiramente.

— Eu posso. Mas elas são tão estranhas. Eu estava me perguntando se você poderia realmente voar com elas.

Malum ficou furioso novamente e Shakti teve que acalmá-lo antes que eles pudessem partir. Eles seguiram o grupo de ‘Zerista’ em direção a uma das ilhas voadoras que estava muito longe. No caminho, Shakti sentou-se de pernas cruzadas nas costas de Malum enquanto falava com ele.

— O que você acha sobre eles?

— Eles são fracos. Incrivelmente fracos — Malum respondeu sem hesitar. — Se eu não tiver cuidado, eu poderia matá-los apenas respirando muito forte. E, felizmente, meu coração está parado porque se bater também seria perigoso para eles.

Shakti concordou.

— Eles se comparariam a alguém no segundo nível do Reino Mortal em nossa Realidade. Eu posso ver que eles são bastante rápidos… mas o espírito deles é realmente fraco — ela observou as crianças voando à frente deles antes de olhar ao redor para as ilhas voadoras.

— Sim… e essas ilhas também. Eu ainda não consigo descobrir como elas estão flutuando — disse Malum. — Eu tenho tentado desde que chegamos. Definitivamente não é gravidade. Não há sinal de uma força externa empurrando-a também. É como se tivesse sido criadas para flutuar. Um objeto cuja particularidade é ser capaz de ignorar a gravidade. É bizarro.

— Talvez haja uma espécie de núcleo segurando tudo junto por dentro — Shakti alegou e Malum não respondeu. Ele estava olhando para uma certa ilha. Ele sentiu como se tivesse visto algo flash nela por um segundo. Ele estava prestes a dar uma olhada quando ouviu Kureina falar.

— Chegamos.

Malum olhou para ela e se concentrou na ilha que estava logo acima dele. Ele cuidadosamente abanou as asas, passou por cima dela e a viu com Shakti. Era, sem dúvida, maior em comparação com o que eles tinham colidido anteriormente.

Talvez fosse tão grande quanto um país pequeno. Havia muitas habitações nela e você podia ver as pessoas que viviam nele. Havia campos agrícolas espalhados pelo terreno.

Malum não estava admirando nada e apenas examinou todos.

— Fracos… por que todos eles são tão fracos? Não tem nenhuma graça. Há, sem dúvida, algo estranho. Com base nos circuitos mágicos aqui, as pessoas devem ser muito mais fortes. Mas não há um único mais forte do que o quinto nível.

— De fato — Shakti assentiu lentamente e seguiu o grupo de Kureina com os olhos. Eles desembarcaram na ilha no meio do que parecia ser uma zona de pouso real. Havia muitos outros zeristas lá. Kureina sorriu e acenou com a mão para Shakti de lá.

— Vamos.

— Uhum — Malum assentiu e deslizou. Quando ele se aproximou do chão, seu corpo começou a brilhar e Shakti pulou. Quando eles desembarcaram, Malum rapidamente voltou à sua forma humana e ficou ao lado de Shakti.

Kureina e os outros ficaram boquiabertos com sua aparência.

— O irmão Malum é muito mais bonito assim. Você parecia uma besta burra antes. — ela disse e Malum soltou uma risada vazia cheia de desprezo. Shakti riu discretamente. — Vou leva-los ao nosso líder agora — acrescentou ela e falou com algumas pessoas mais velhas, que pareciam ser guardas, antes de sair da zona de pouso e convidar Malum e Shakti para seguirem.

Quando os dois pisaram no solo da ilha para chegar onde Kureina estava, eles imediatamente pararam e seus olhos se arregalaram.

Malum sorriu.

— Agora entendi. Parece que a cadeia alimentar aqui é muito incomum — ele bateu no chão e toda a ilha tremeu. Um rugido alto ressoou fortemente e Malum riu. — Eu não me importo mais com esses pequenos idiotas. Eu vou conversar com esse cara grande em vez disso — afirmou ele e cobriu seu punho com fogo antes de socar o chão.

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