
Volume 5 - Capítulo 223
Life Hunter
— O que você acabou de fazer? — Noturno não pôde deixar de perguntar e Arima bufou.
— Nem eu me reconheço — ele respondeu e Karma e Noturno se entreolharam. Ao mesmo tempo, o lugar tremeu novamente e cacos caíram do teto.
Arima balançou a cabeça.
— Como quiser. Provavelmente vou descobrir um dia. Vamos lá — ele encerrou sua Arte e a dimensão ao redor deles se separou e sua visão apagou antes que eles se encontrassem no espaço ilimitado novamente.
Ao longe, Anúbis e Trevy corriam em direção a eles a uma velocidade incrível. Eles pareciam estar extremamente agitados. Arima sorriu. Ele não precisava ser capaz de ver para localizar Ahura que estava logo atrás dele.
Ele se virou e a encarou. Ele não podia ver a aparência dela no momento, mas por algum motivo, ele tinha uma ideia. No momento, os olhos de Ahura mudaram claramente. Suas íris duplas brilhavam com uma luz branca e azul. Nas costas dela, um par de asas de anjo tinha crescido e suas cinco espadas sagradas estavam girando atrás de sua cabeça, formando uma espécie de aurela.
Noturno e Karma se sentiram sobrecarregados e quase não conseguiram resistir ao desejo de se ajoelhar e prestar respeito. Até mesmo Arima foi seduzido a fazer isso. O monstro desconhecido que residia nos estratos mais profundos de sua alma também ficou frenético.
— Você estava muito perto de destruir Kymestuos — comentou Arima calmamente. — Isso teria sido bastante lamentável, já que aquele lugar é uma coisa única. Uma vez destruída, nunca mais poderei usá-la.
Ahura olhou para Arima.
— Onde eles estão?
Arima bufou.
— Você é muito compassiva com seus companheiros. — Suas íris também se dividiram em duas e brilharam com uma cor vermelha e roxa. Não havia dúvida de que esses olhos peculiares eram a marca dos espíritos antigos.
— Acho que estou começando a entender você… aliás, estou começando a entendê-la novamente. — Arima proferiu. — Você sempre cuidou do seu povo. Mesmo para mim, você se lembra?
Os olhos de Ahura se aguçaram e Arima riu.
— Para ser honesto, eu não, mas eu sei que de alguma forma você tentou me salvar da escuridão muitas vezes. É por isso que você me odeia tanto e é também por isso que você não está disposta a liberar seu poder em mim. Eu te traí muitas vezes, mas hoje, você está se perguntando se eu finalmente mudei. E o fato de eu ter matado seus amigos está destruindo você. Estou certo?
Ahura ficou em silêncio e agarrou uma de suas espadas sem dizer uma palavra.
— Uma última vez, Angra. Onde estão?
Arima se aproximou dela e sinalizou para Karma e Noturno se afastarem. Trevy e Anubis chegaram depois, mas Ahura fez o mesmo tipo de gesto. Ele parou bem na frente dela. Os dois estavam agora a menos de um metro de distância. Ele era mais alto e olhou para ela.
— Se você quer saber isso, eles estão no inferno; sendo julgados e se arrependendo. Eles estão vivos, mas para que eles saiam e permaneçam como tal, só depende se você sabe ou não como escolher seus subordinados.
Ahura apertou a espada com mais força.
— Você está esperando que eu deixe você ir?
— Isso é realmente o que eu espero que você faça — disse Arima e os dois pares de olhos místicos se encararam. Se alguém estivesse entre eles no momento, eles teriam sido mortos pelas ondas do espírito.
— Com que base você assume isso?
— O fato de você ainda não ter me matado. — Arima retrucou e Ahura zombou. — Apenas admita isso já. Você está hesitando. Se eu ainda fosse o mesmo mal que você conhece, então você nem se importaria com os Pilares e teria me matado agora — ele acrescentou e ela ergueu a espada.
Ela a segurou por um momento e tremeu antes de abaixá-la. Suas espadas e asas desapareceram quando seus olhos voltaram ao normal, assim como os de Arima.
— Angra Mainyu, esta será a última chance que eu lhe darei. Se você quebrar minha confiança mais uma vez, eu vou persegui-lo eternamente até que você morra.
— Não se preocupe, Ahura Mazda. Você não vai se arrepender, mas meu nome é Arima. — ele riu e se virou. Ele criou um par de asas e as bateu no vácuo. Ele se juntou a Noturno e Karma e montou um objeto invisível. Quando ele se sentou, um quadriciclo revelado.
Ahura apertou os olhos para observar o veículo. Ela imediatamente reconheceu como um artefato feito por uma entidade intocável. Ela percebeu que Arima nem precisava confrontá-la como ele fez e poderia ter saído sem que ela percebesse.
— Antes de ir, conte-me seus planos. — ela exigiu e Arima olhou para ela com um sorriso.
— Eu vou fazer o que você deveria fazer — ele respondeu e Ahura fez uma careta para ele.
— O que está insinuando?
— Bem, enquanto falamos, tenho algumas pessoas, junto com os antigos Guardiões, reunindo um exército para mim — Arima colocou as duas mãos no guidão de sua moto. — Eu nunca planejei usá-lo contra você — ele declarou e os olhos de Ahura se arregalaram.
— Você está me dizendo que lutou contra nós sozinho sabendo que venceria?
— Claro. — Arima assentiu. — Eu reconheço o fato de que eu tinha essa confiança — ele encolheu os ombros e ela ficou em silêncio.
– O que? Você está se sentindo desapontada por não conseguir vencer uma única pessoa? Não fique. Você está do lado dos bandidos, eles sempre perdem. E você certamente não é adequada para estar desse lado de qualquer maneira.
Ele brincou, mas Ahura não sorriu nem um pouco. Arima coçou a bochecha e encolheu os ombros.
— Bem, na verdade, talvez você não esteja realmente do lado ruim… — Ele murmurou para si mesmo e a expressão de Ahura se contraiu.
— Você ainda não respondeu à minha pergunta — disse ela e ele sorriu.
— Eu vou conquistar as Realidades Maternas e me livrar dos Criadores Originais. Deus e o Diabo — proclamou ele e Ahura fechou os olhos para ponderar.
— Por quê?
— Por que? — Arima inclinou a cabeça. — Porque essa é a coisa certa a fazer. Não deveria existir nada assim neste mundo. Diabo Original, Deus Original; que tipo de besteira é essa? Nem sabemos quem são ou o que são. Não sabemos o que eles pensam ou qual é o objetivo deles, mas, de qualquer forma, eu nunca aceitaria esse tipo de criatura. Eles se chamam de deuses e brincam com as realidades por sua pequena luta. Esses dois ‘Criadores’; eles não podem lutar sozinhos em vez de arrastar bilhões de pessoas com eles? Eu nunca aceitarei algum tipo de existência abstrata governando meu destino — afirmou Arima e Ahura olhou para ele com um olhar realmente profundo e contemplativo.
— Sinceramente, espero que você não esteja mentindo para mim — ela sussurrou e foi até Anúbis e Trevy. — Vamos embora — ela declarou e seus dois subordinados assentiram com um rosto escuro. — Não vou ajudá-lo em seu esforço, Angra — ela fez uma pausa e abriu a boca por um segundo antes de fechá-la novamente. — Desejo-lhe boa sorte — ela disse e se teletransportou com os Pilares restantes.
Arima sorriu depois que ela saiu e Noturno suspirou.
— Bem, as coisas saíram na melhor — observou ele e Karma afirmou com um aceno de cabeça.
— Sim, eu não pensei que isso terminaria pacificamente — acrescentou. — Mas, Arima, sobre o que você disse; como você planeja usar as Realidades Maternas para vencer os Criadores? Conquistá-las não fará nada. Nós nem sabemos como o Demônio Original planeja usá-los para vencer o Deus Original.
— Ela está certa — Noturno seguiu. — Nós não temos nenhuma idéia sobre o tipo de poder escondido dentro das realidades maternas ou mesmo como usá-lo. Nem temos certeza de que é algo que podemos usar.
— Vamos descobrir de uma forma ou de outra — Arima respondeu indiferente e Noturno grunhiu. — Bem, não é como se eu não tivesse nenhuma ideia sobre a questão, mas, como eu disse, vamos descobrir isso mais tarde.
— Sim, claro, seu atrevimento não é nada novo — Noturno acenou com as mãos. — Então, o que dizer sobre isso; você tem uma maneira de viajar através das realidades?
Arima riu. — Claro que não.
— Hm. — Noturno assentiu exageradamente. — Eu sabia disso — ele proferiu e Karma riu.
— É por isso que devemos ir — Arima levantou a voz e usou o acelerador de seu quadriciclo. Ele chamou Deva pouco antes de conjurar Messor. Ele a deixou na Terra quando Raylein o levou para Melumnia e ela estava dormindo até agora.
— Temos algum trabalho a fazer — declarou ele e sua figura desapareceu enquanto as rodas do veículo fumegavam. Karma e Noturno também desapareceram logo depois e o trio chegou em outro Plano em apenas alguns segundos.
…