
Volume 5 - Capítulo 205
Life Hunter
— Hm — Arima cantarolou quando o último fragmento da força original foi assimilado. — Interessante — ele murmurou e Raylein se virou.
— Você obteve as respostas para suas perguntas?
— Não exatamente. Eu não tinha muitas perguntas em primeiro lugar. Eu só entendo as coisas muito melhor agora — Arima respondeu enquanto analisava tudo o que acabara de coletar. Enquanto fazia isso, ele parou abruptamente e levantou uma sobrancelha.
— Qual é o problema? — Layla foi para o lado dele e inclinou a cabeça.
— Bem… — Arima ponderou. — Raylein, suponho que os Pilares estão reunindo pessoas para lutar, certo?
— É claro.
— Acontece que eu conheço alguns deles agora. — Arima declarou e Raylein fez uma expressão confusa antes de abrir a boca.
— Oh inferno, eu não pensei nisso! Quem são eles? — Ele estava muito agitado.
— Bem, na verdade tem muita coisa. Mas os maiores nomes são Odin, Anubis, Loki, Thanatos, Kronos, Apep, Ishtar… — Arima estava listando-os com calma, mas depois franziu a testa no meio. — Esses eram apenas os ajudantes. Para os Pilares do Elísio, há Baba Yaga, Harion, Ambor e Afriose… eles são os únicos que eu poderia obter de Yeion. Ele aparentemente não tinha ideia sobre o resto. Entre os Pilares, apenas Baba Yaga vem de um folclore que eu conheço. O resto é desconhecido para mim — acrescentou ele e Raylein gemeu.
— É apenas um bando de deuses e monstros malignos.
— E quanto a Odin? Ele não é um deus mau pelo que eu sei.
— Odin é mais um deus louco do que um malvado. Ele simplesmente faz absolutamente qualquer coisa em seu poder para impor sua autoridade e ideais aos outros. Tenho certeza de que não seria difícil para o Demônio Original corrompê-lo. — Raylein respondeu e congelou. — Espere… Você disse Afriose? Você tem certeza disso?
— Sim, tenho. Isso é o que eu tenho dele, pelo menos.
— Ele está vivo… — Raylein murmurou e seus olhos se estreitaram. — Merda! Temos que nos apressar! — Ele gritou e chutou o chão. Ele começou a correr em direção à saída do túnel. O grupo de Arima o seguiu depois.
— Ué, o que foi?
— Afriose é uma má notícia! Péssimas notícias! Eu pensei que esse cara estava morto há eras.
— Quem é? — Layla perguntou.
— Aquele cara é uma maldição viva! Não, para ser exato, ele foi amaldiçoado tantas vezes que ele é o ser mais perigoso que já existiu. Ele foi amaldiçoado por várias divindades, ele lançou maldições sobre si mesmo, usou todo tipo de veneno que existe, dominou todas as artes escuras que você poderia encontrar e matou tantas pessoas que você nem seria capaz de contá-las. Toda vez que ele se move, bilhões morrem. Ele poderia fazer um planeta inteiro morrer pisando nele. É por isso que os Guardiões cuidaram dele naquela época. Eu não sei como ele sobreviveu, mas se ele está de volta, é um grande problema.
— E por quê? Você é tão vulnerável contra os feitiços dele? — Noturno levantou a voz e Raylein cerrou os dentes.
— Há uma antiga maldição chamada ‘Stavrós Astéri’, que significa ‘Estrela Cruzadora’ em grego. Esta maldição só apareceu uma vez na história. E como você deve ter adivinhado, Afriose fez isso acontecer. Stavrós Astéri é uma maldição que se ativa quando um certo fenômeno ocorre; quando todos os planos estão alinhados em torno do centro de sua realidade — Raylein fez uma pausa para respirar. — Essa maldição não é particularmente perigosa para nós. Mas durante esse período, Afriose será pelo menos cem vezes mais forte.
— Tudo bem, quando é o próximo Stavrós Astéri então?
— Em uma semana no relógio universal! Por que acha que estou acelerando? Os únicos que podem impedir que isso aconteça são Shakti e Shiva! Eles são respectivamente o Terceiro e o Segundo Guardiões. Eles já deveriam estar em Melumnia.
O relógio universal era uma medida de tempo comum para todos os planos. Cada plano tem um fluxo de tempo diferente e, geralmente, você atribui a cada um deles um certo fator com o qual você pode determinar a velocidade com que o tempo flui em comparação com o relógio universal.
Por exemplo, o mundo de Arima teve um fator de 0,8. O que significava que o tempo fluía 20% mais devagar lá. Por outro lado, o fator para Melumnia é 1,8; 80% mais rápido. Em última análise, quando chegam a Melumnia, eles terão doze dias e meio antes que o Stavrós Astéri ocorra.
— Aqueles dois Guardiões podem parar a maldição a tempo? — Karma perguntou e Raylein assentiu.
— Sim. Você pode impedir que o Stavrós Astéri aconteça enquanto um único plano não estiver alinhado. Shakti e Shiva são os únicos que podem mudar a posição de um Plano sem destruí-lo, ou matar todos nele. Seus poderes se complementam perfeitamente para isso.
— Entendo. Nesse caso, eles são realmente os únicos que podem fazer isso — comentou Arima. — Se eu tivesse que encontrar uma maneira de pará-lo, eu não teria escolha senão destruir um Plano com a Arte da Primeira Destruição.
Raylein sorriu ironicamente.
— Eu vou ignorar isso, ok? Nunca faça isso. Porque o Deus Original terá então uma razão real para nos mobilizar para matá-lo. Não se esqueça de que nosso trabalho é proteger a integridade dos Planos — disse ele e Noturno riu.
Arima sorriu casualmente.
— Não se preocupe, não farei isso se não for necessário. — Ele proferiu e Raylein suspirou.
— Chegamos — ele declarou logo depois. Todos olharam para frente e, exceto Arima, todos viram o fim do túnel, bem como a luz brilhante que vinha dele. — Pulem — disse Raylein, e ele acelerou ainda mais antes de pular do túnel pela saída. Arima foi atrás dele, em seguida, foi seguido por seus companheiros.
Eles fecharam os olhos por um segundo e quando os abriram novamente, eles já estavam caindo. Abaixo deles havia uma vasta terra coberta por edifícios de todos os tipos. Algumas casas estavam voando, outras eram prédios modernos como arranha-céus, outras eram simples projetos antigos de cabanas de madeira e mansões, e havia até algumas igrejas e templos aqui e ali.
Mas também não deixaram de notar a vegetação que crescia no meio deles também. Algumas árvores foram plantadas nos telhados, flores decoravam cada parede, e os dois sóis de cores diferentes estavam produzindo uma bela iluminação.
Layla admirava a paisagem e olhava ao redor o máximo que podia. Ela tinha certeza de que eles estavam em um planeta, mas ela não conseguia nem ver o início de um arco no horizonte, mesmo com suas habilidades visuais.
Ela então se lembrou de algo e olhou para Arima. Ele não estava olhando para baixo como ela e os outros estavam. Ela estava prestes a dizer algo quando ele os silenciou com um aceno de mão.
Ele lentamente levantou a mão e estalou os dedos. Um estrondo sônico ressoou e assustou todos ao seu redor.
— Porra! — Até Raylein ficou abalado. Foi muito repentino e o som era tão alto que ficou preso dentro de sua cabeça como um eco.
As ondas sonoras viajavam por uma distância muito longa e quase qualquer um podia ouvi-las em um raio de quinhentos mil quilômetros. Arima fechou os olhos e ouviu atentamente. Ele tinha imbuído sua magia ao som e agora estava usando-a como um radar de eco.
No final, por um segundo, ele foi capaz de ver a cidade sem fim e sua variedade de culturas. Ele não conseguia ver as cores ou mesmo a forma clara dos objetos, mas isso era suficiente para ele.
— Lugar incrível — ele elogiou e Raylein bufou.
— Obviamente. Mas você deveria ter me avisado antes de fazer isso — disse ele e olhou para baixo. — Você acabou de espalhar sua assinatura de mana por todo o distrito. As pessoas podem já estar de olho em você. Ninguém aprecia um radar em larga escala varrendo-os.
Arima meditou e acenou com a cabeça para seus companheiros enquanto Raylein não estava prestando atenção.
— Posso perguntar uma coisa?
— O quê?
— Há algum Guardião que recusaria minha presença ao seu lado? — Ele perguntou e Raylein tremeu.
— Sim…
— Entendo — Arima sorriu e Raylein de repente teve um mau pressentimento.
— Ei, o que você pretende fazer?
— Basta dizer ‘oi’. Não fará mal a ninguém. É suposto ser um lugar para pessoas fortes aqui, certo? — Arima retrucou. Ele abriu as asas e parou a queda. Noturno sorriu e imediatamente ressoou com ele. O ‘Demônio Gentil’ apareceu e os olhos de Raylein se estreitaram.
— Não se preocupe Raylein. Eu planejei fazer isso desde o início. Esta é apenas uma medida preventiva. Não é como se eu confiasse em todos vocês só porque vocês são um pouco legais — Arima disse e Raylein imediatamente tentou se teletransportar ao lado dele para impedir o que ele estava prestes a fazer.
– Tarde demais.
De fato. Raylein se viu preso dentro de uma barreira estranha. Não só o tempo fluía extremamente devagar, como ele sentia que não podia mais se mover. Ele olhou para trás com o canto dos olhos e viu que Layla estava segurando um livro preto e branco.
‘Quando? Não, mais importante, ele mentiu para mim. Ele realmente tinha uma magia que podia controlar as Leis sem qualquer sacrifício!’ Ele gritou por dentro.
— O Tomo Sem Lei é uma arte que eu gastei muito tempo e esforço para conceber. Ele é limitado no número de Leis que ele pode usar e quão fortes elas são, mas ele é capaz de invocá-las sem que eu tenha que sofrer qualquer pagamento — disse Arima. — Eu simplesmente não posso usá-lo quando preciso de um tipo de desejo meticuloso. Eu não posso controlar o Tomo; ele só faz o que quer com base na demanda que eu lhe dou. É por isso que deixei Layla usá-lo. Eu nunca sei quando ele vai fazer algo estúpido, mas ela sabe. Então, podemos decidir se devemos usá-lo ou não. — Karma — gritou Arima e uma foice negra apareceu em sua mão. — Observe — disse ele e empunhou a foice como um redemoinho. Raylein estremeceu. Ele estava profundamente ansioso com o que ia acontecer, mas sabia que precisaria de pelo menos alguns minutos para quebrar essa restrição, já que era alimentada pelas Leis.
Enquanto Arima continuava a fazer sua arma girar, um miasma preto e vermelho emergiu da lâmina e se espalhou pelo céu. O sigilo de Arima brilhava e girava loucamente. O miasma sinistro começou a cobrir o céu, lançando uma sombra no chão.
Arima estimou que este planeta tinha um diâmetro de cerca de 4900 ± 200 R ☉ (2450 vezes maior que o Sol; com uma margem de erro de 100).
— Cinco minutos — ele murmurou. Essa é a quantidade de tempo que ele precisava para cobrir todo o planeta. Era óbvio que alguém tentaria impedi-lo antes que ele pudesse terminar.
Ele respirou e usou toda a sua mana de uma só vez. O sistema Eion integrado dentro de seu corpo entrou em ação e mal conseguiu manter Arima consciente. Uma matriz de tempo foi formada em torno dele e do miasma que ele estava produzindo.
Quando isso aconteceu, tudo se tornou irreal. O miasma escuro se espalhou a uma velocidade inacreditável, inadequado para um tipo gasoso de matéria, enquanto os movimentos de Arima pareciam estar em modo acelerado.
Quando Melumnia foi colocada sob um apagão completo, Arima dissipou a matriz de tempo e ofegou antes de tossir violentamente. Ele soltou a Karma e a última recuperou sua forma humana para apoiá-lo.
— Estou bem — disse Arima e gentilmente afastou Karma. — Ok — ele respirou fundo e apontou a mão para o céu. — Esta é a última arte negra. Aprecie.
…